Draco Malfoy e Seus Sumiços



CAPÍTULO 10

DRACO MALFOY E SEUS SUMIÇOS








O entusiasmo pela vitória sobre a Sonserina no Quadribol começou a diluir-se, no decorrer das semanas, frente às obrigações dos alunos. Aulas, deveres e preparação para os testes intermediários do ano constituíam uma trabalhosa rotina, mas que estava longe de ser enfadonha. Ainda mais que um evento contribuiu para que Harry não ficasse sozinho nas aulas de Defesa Pessoal e Ninjutsu-Bruxo com Derek Mason.
Harry havia terminado uma corrida, quando notou algo de estranho, vindo da orla da Floresta Proibida.
_Vocês viram? _ perguntou ele.
_Não vi nada de especial. _ disse Nereida, que estava sentada, buscando seu pé atrás do corpo, para alongar-se.
_Me pareceu ter visto um vulto na Floresta, não sei muito bem.
_Eu não vi nada. _ disse Hermione _ Ei, Harry, espere! Você não está pensando em entrar na Floresta Proibida, está?
_Calma, Mione. Não pretendo me embrenhar naquele lugar perigoso. Só estou curioso com o que vi, além de que me pareceu ter ouvido alguma coisa diferente, como se alguém estivesse sussurrando.
E Harry entrou um pouco na floresta, acostumando os olhos à escuridão e tentando localizar o vulto que julgara ter visto. Certa hora, ao dar a volta em uma grande pedra, foi surpreendido por uma criatura comprida, que passou a apertá-lo em seus anéis. Em seguida, três figuras encapuzadas e mascaradas juntaram-se a ela.
_Mas esse é Harry Potter? _ perguntou um deles _ Eu não julgava que fosse assim tão fácil pegá-lo.
_Não o subestimem, idiotas. _ disse um outro, mais alto do que os demais e de pose arrogante, que parecia ser o líder _ Esse garoto é mais do que parece.
_Mas está em nossas mãos. _ disse o terceiro, mais corpulento e um pouco mais baixo do que os demais _ E poderemos entregá-lo ao Mestre, para que ele possa retornar, na plenitude dos seus poderes e vingar-se daqueles que o atingiram.
Incrivelmente, os Death Eaters tiveram coragem de aventurarem-se pela Floresta Negra, aproximando-se de Hogwarts, reduto dos maiores inimigos de Voldemort. Harry deduziu que deveriam ser ex-alunos, para poderem aproximar-se da escola sem despertarem suspeitas. Mas, naquele momento, o que ocupava sua mente era algo muito diferente e aterrador.
Sua cicatriz ardeu, de maneira bastante incômoda e ele começou a sentir que tentavam penetrar sua mente. De imediato, o bruxinho tratou de reforçar suas defesas, sentindo que eram eficazes, embora tivesse de despender um grande esforço para tal. Deduziu que aquela criatura só podia ser a cobra de Voldemort e que parecia estar sendo controlada à distância por ele. O mais assustador era que pareciam haver duas criaturas dialogando entre si, em uma conversa telepática de silvos, sibilos e bufos.

E HARRY CONSEGUIA ENTENDER OS SIBILOS DO RÉPTIL!

_ “Não o devore, Nagini. Preciso dele inteiro!”
_ “Mas ele será meu, depois que o senhor terminar com ele, Mestre?”
_ “Não se preocupe. Harry Potter será uma das mais finas iguarias para seu apetite, minha amiga.”

A um passo de virar lanche da serpente de Voldemort, Harry tratou de pensar em um meio de escapar dali. Primeiro esvaziou sua mente, para não dar pistas. Em seguida, expandiu o Ki de uma forma abrupta, fazendo com que a enorme cobra o largasse. Meio dolorido, sacou a varinha, enquanto o líder do grupo ria.
_Vejam só, o franguinho pensa que pode enfrentar cobras-criadas. O que vai fazer, Harry Potter? Nos atingir com um Feitiço de Cócegas?
Sem dar atenção ao que o bruxo encapuzado dizia, com a voz magicamente disfarçada pela máscara que cobria suas faces, Harry apontou a varinha para ele e mostrou que, apesar de ter onze anos, estava longe de ser um franguinho indefeso.
_ “Сибирский Нокаут”!!! _ o bruxinho bradou em Russo, com convicção. Um enorme punho de gelo materializou-se e atingiu o Death Eater com a força e intensidade do golpe de um bate-estacas, jogando-o a cerca de cinco metros de distância. O feitiço “Nocaute Siberiano”, aprendido com seu pai, Tiago Potter, mostrou a sua eficiência.
_Moleque desgraçado! _ gemeu o Death Eater atingido, ajeitando a máscara sobre o rosto _ Peguem-no, ele está sozinho!
_Correção, bruxo mau, ele não está sozinho!
Os Death Eaters voltaram-se para o lado de onde vinha a voz e viram a quem pertencia.
Hermione, Rony, Neville, Soraya e Nereida estavam ali, em roupas de ginástica e com as varinhas apontadas para eles.
_Mais crianças? Olhem, é a filha de Severo Snape! Será que ela faz alguma idéia do que o papaizinho dela já fez? Vão tomar seu mingau, estudar, brincar e deixem os grandes cuidarem das coisas sérias!
_Muito bem, seu bruxo das Trevas metido! Então vamos brincar, agora! “Tarantallegra”!! _ o feitiço de Nereida atingiu em cheio o Death Eater, cujas pernas começaram a mover-se de forma descontrolada. Os outros dois posicionaram-se e o mais corpulento apontou a varinha para Hermione.
_ “Sectumsempra”!! _ um raio roxo partiu da varinha, para cortar a garota ao meio. Mas não logrou seu intento.
_ “Protego, Deflexio”!! _ Rony atirou-se na frente de Hermione, formando o Escudo mais forte que conseguiu, combinado com um Feitiço Refrator, que desviou a perigosa magia para longe.
_Crianças enxeridas! Pouco me importa filhos de quem quer que sejam! Algumas famílias vão chorar, hoje.
_Não as deles, com certeza! _ ouviu-se uma poderosa voz e os três Death Eaters voltaram-se para ver a quem pertencia.
_ “Crios”!! _ o Feitiço Congelante de Derek Mason atingiu um dos Death Eaters, envolvendo-o da cintura para baixo em um bloco de gelo, mas ele logo livrou-se com um “Thermos”. Então foi a vez de Dumbledore, que fez uma invocação em Grego Arcaico.
_ “Kenoteis Astrapsato de Temeto... DIOS TUKOS” (“Venham, Trovões do Vácuo. Devastem... MACHADO DE ZEUS”)!!! _ o Death Eater foi lançado para longe como um boneco, batendo em uma árvore.
_Ai, ai, ai! Esta deve ter doído bastante! _ disse Neville, depois de ver o resultado do feitiço de Dumbledore.
_Fuja daqui! Você não pode ser capturado! _ disse o líder do grupo, para o Death Eater corpulento. Este tratou de sair correndo, levando Nagini consigo e desaparecendo atrás de um grupo de árvores. O brilho azulado que se seguiu mostrou que seria impossível tentar pegá-lo, já que não sabiam para onde a Chave de Portal poderia tê-lo levado. O líder também acionou uma Chave de Portal, levando a ele e ao outro para longe dali.
_Vocês estão bem? _ perguntou Dumbledore _ E que idéia foi essa de vocês entrarem na Floresta Negra?!
_Acho que a culpa foi minha, Prof. Dumbledore. _ disse Harry, aproximando-se do Diretor _ Após terminarmos de correr, me pareceu ter visto um vulto suspeito na orla da floresta. Então, vim conferir, pensando que não haveria problema, pois não pretendia entrar muito. Foi quando uma serpente começou a me apertar, uma Naja-Gigante.
_Acha que poderia ter sido Nagini? _ perguntou Mason.
_Com certeza, Prof. Mason. _ respondeu Harry.
_Nagini? _ perguntou Rony _ Do que é que vocês estão falando? Da cobra que aquele Death Eater mais gordo estava carregando enquanto fugia?
_Exatamente, Sr. Weasley. _ respondeu Dumbledore.
_Mas o que aquela cobra poderia ter de tão especial? _ perguntou Nereida.
_Prof. Dumbledore, Prof. Mason, aquela cobra não pertencia a...
_... Exatamente, Srta. Granger. _ disse Mason _ Era a cobra de estimação de Voldemort.
_Mas o que poderiam querer? _ perguntou Neville.
_Capturar Harry e levá-lo para Voldemort, Sr. Longbottom. Com certeza iriam tentar alguma coisa para recuperar os poderes de Voldemort, utilizando Harry em alguma espécie de ritual ou coisa parecida. _ disse Dumbledore _ Derek, depois do que vimos aqui, eu creio que Harry deverá ter companheiros no seu treinamento especial.
_Treinamento especial? _ perguntou Hermione.
Meio sem jeito, Harry explicou para os amigos.
_Tenho recebido um treinamento especial de Ninjutsu-Bruxo com o Prof. Mason, com a finalidade de tornar-me mais experiente em Artes Marciais e, também, de despertar e controlar meu Ki, minha energia espiritual, para ter trunfos extras contra Voldemort e os Death Eaters, caso seja preciso enfrentá-los. E foi expandindo meu Ki que eu me livrei do aperto de Nagini, ainda há pouco. Além disso, estou desenvolvendo o Bukujutsu, uma técnica que permite com que eu me mova como se quase não tivesse peso, corra por paredes verticais e me equilibre em lugares impossíveis, tipo a lâmina de uma espada, por exemplo.
_E você estava realizando esse treinamento de forma secreta, sem dizer nada a nenhum de nós? _ perguntou Nereida.
_Eu não queria envolvê-los em nenhum perigo, gente. Voldemort jurou a mim e à minha família de morte e eu não tenho o direito de expor nenhum de vocês. Gosto demais de todos para isso.
_Não diga besteiras, Harry. _ disse Hermione.
_Se o assunto refere-se a lutar contra Voldemort e seus Death Eaters, isso envolve a todo e qualquer bruxo de bem. _ disse Soraya.
_Somos amigos, Harry. _ disse Rony _ E isso ficou bem claro desde a viagem no Expresso de Hogwarts.
_Além disso, lembre-se de que nós nos auto-intitulamos “Os Inseparáveis”. Estamos juntos nisso tudo. _ disse Neville.
_E, se nós somos “Os Inseparáveis”, o destino de um é partilhado por todos. _ disse Nereida _ Creio que o número de Gennin do Prof. Mason irá aumentar em mais cinco elementos.
_Eu disse a Harry que ensinaria as técnicas que aprendi a outros nos quais ele confiasse, caso fosse necessário. _ comentou Mason _ E parece que a hora chegou, meus jovens. Sejam bem-vindos a bordo, meus caros Bruxos-Ninjas.
E, acompanhados por Dumbledore e Mason, os seis bruxinhos retornaram para o castelo. Naquela mesma noite, os outros iniciariam os fundamentos básicos do Ninjutsu-Bruxo.

Depois da sessão de treinamento, os outros cinco alongavam-se, meio doloridos. À exceção de Harry, que já estava habituado, eles ressentiam-se um pouco da intensidade, pois Mason já começara puxando bem, devido a eles já terem um bom preparo físico.
_Uau, eu sequer imaginava que fosse capaz de levantar meu pé a tal altura... ai! _ disse Rony, massageando a coxa, onde julgava ter estirado um músculo.
_Calma, Rony. _ disse Hermione, verificando o ponto indicado pelo ruivo e sorrindo, satisfeita _ Não, eu acho que não estirou. Só uma pequena contratura.
_Poderia ser Enfermeira ou Medi-Bruxa, Srta. Granger. _ disse Mason.
_Não, obrigada, Prof. Mason. Creio que não tenho muita afinidade com a área de Saúde, embora saiba algo de Primeiros-Socorros, para alguma necessidade. Talvez o Magistério, quem sabe? _ respondeu Hermione, levantando-se _ Mas, como eu disse, estamos sempre em atividade e é bom ter um certo conhecimento em lesões relacionadas a exercícios.
_Mas eu acho que é melhor irmos embora e enfrentarmos um belo chuveiro quente ou estaremos todos duros amanhã. _ disse Nereida.
_De acordo. _ disseram todos os outros, terminando seu alongamento/relaxamento e levantando-se.
_Tomem, aqui estão passes de corredor para vocês. Já está ficando meio tarde e se por acaso o Sr. Filch encontrá-los a caminho de suas Salas Comunais, não irá incomodá-los. Boa noite, jovens e lembrem-se, não contem nada a ninguém, nem mesmo a seus pais. É melhor que, por enquanto, apenas o Prof. Dumbledore e eu saibamos do seu treinamento.
_OK, Prof. Mason. Boa noite.
Os amigos despediram-se. Nereida encaminhou-se para a Sonserina e os demais para a Grifinória. Depois de arrumar a sala, Mason resolveu fazer uma pequena ronda pelos corredores, para ver se tudo estava em ordem (“Alguns alunos do sétimo ano têm andado meio ousadinhos. Tudo bem que já são maiores, mas é preciso manter um certo decoro”, pensou o bruxo, enquanto subia para conferir os andares superiores). Enquanto subia, também pensava em como haviam descoberto que aqueles Death Eaters tentariam chamar a atenção de Harry para atraí-lo e seqüestrá-lo. Recebera um bilhete anônimo e resolvera conferir, juntamente com Dumbledore. Mas quem poderia ter mandado aquele bilhete?
Perdido em conjecturas, Derek Mason viu-se percorrendo um certo corredor do sétimo andar, no qual não andava há algum tempo e reconheceu as obras de arte, principalmente uma certa tapeçaria (“Ora, vejam só. A tapeçaria de Barnabás, o Amalucado. Isto quer dizer que, na parede oposta, fica a... ei, espere! A porta! Mas quem poderia ter descoberto? Vou ver quem está na sala”, pensou Mason).
O professor girou a maçaneta, vendo que a sala não estava trancada. Então, abriu a porta e entrou, sem fazer barulho. O que viu foi algo que o deixou espantado. Estava em uma réplica exata da Capela de Rosslyn.

A Capela de Rosslyn, também conhecida como “A Catedral dos Códigos”, situa-se a 11 quilômetros ao sul de Edimburgo, na Escócia, em um local onde outrora fora um antigo templo de culto ao “Deus Mitra” e teve sua pedra fundamental lançada no dia 21 de setembro de 1.446, (dia de São Mateus), por Sir William St. Clair, o Conde de Rosslyn. Na enorme câmara existente sob a capela, existe uma cripta onde, sabe-se, estão enterrados seu fundador e vários membros da família Saint-Clair, inclusive alguns cavaleiros em suas armaduras completas. Seu nome original é “The Collegiate Church of Saint Matthew” e sempre foi um lugar misterioso, haja vista que segundo alguns autores de livros alternativos de história, ali estariam escondidos, a Arca da Aliança, os Evangelhos perdidos de Cristo e até a cabeça embalsamada de Jesus. Ao lado destas histórias fantásticas, a verdade é que nas suas rochas se encontram entalhadas alegorias bíblicas, que convivem com incontáveis referências nórdicas, celtas, templárias e maçônicas, bem como símbolos judeus, cristãos, egípcios originários das tradições pagãs. Nas paredes e nos cubos que se destacam do teto, palavras em grego, latim e hebraico encontram pentagramas, flores, pombas com o ramo de oliva no bico ... Há estudiosos que contaram mais de uma centena de imagens de uma cabeça verde de homem com folhagens saindo da boca – especula-se que possa ser uma representação do misterioso Baphomet, a cabeça supostamente adorada pelos templários. Muitos outros ficam intrigados com os desenhos de milho e babosa, plantas tipicamente americanas – talhadas ali quase 50 anos antes de Colombo ter chegado à América. Finalmente estudos indicam que a capela é apenas uma fração da que foi originalmente planejada: um gigantesco edifício cruciforme com uma torre no centro, praticamente interrompida com a morte do seu nobre fundador, em 1.484. A parte que foi construída, no entanto, é suficientemente sensacional. Mesmo se algum dia as câmaras subterrâneas forem abertas e nenhum tesouro for encontrado, ainda haverá os excêntricos entalhes e a assimétrica construção. E, quem sabe, algum novo segredo milenar...

Entrando na sala, sem fazer barulho, Mason logo tratou de executar um Feitiço de Desilusão e avançou, acostumando seus olhos com a luminosidade do interior, que reproduzia um final de tarde, embora já fosse noite. Então, ouviu uma voz infantil, bem baixa, vinda de um lado. Aproximando-se, chegou perto de um pequeno altar, em frente ao qual um garoto estava ajoelhado, com o capuz de sua capa cobrindo-lhe o rosto, fazendo uma prece que, embora dita em voz baixa, era perfeitamente audível para o professor:
_ “Agradeço por meu aviso ter chegado a tempo e de forma anônima. Senhor, guia-me, mostra-me qual caminho trilhar. Que devo eu fazer? Render-me e seguir a trajetória que de mim esperam ou arriscar e quebrar a tradição? Quero dar meu grito de liberdade, mas sinto-me dividido, pois devo respeito a ele e, principalmente, temo por minha mãe. Fico arrepiado só de pensar o que poderia acontecer com ela em represália, caso eu me rebelasse. Mas eu não quero ser o que acham que sou, embora deva fingir ter a índole que pensam que tenho. Até quando deverei representar esse papel, meu Deus? Eles quase chegam a me convencer de que estão certos e que devo adorar àquele ser que eles esperam como se fosse um novo Messias. Dai-me forças, Senhor, para resistir e representar meu papel de garoto malvado, até que chegue a hora de eu me revelar. E, quando tal hora chegar, Senhor, manda-me um sinal para que eu saiba que, incontestavelmente, o momento é aquele. Mas, acima de tudo, proteja minha mãe, através daquele em quem confio e, principalmente, não permita que ela venha a sucumbir ao caminho do Lado Negro. Eu deposito em Ti toda a minha fé e esperança. Amém.”

O garoto terminou sua prece, fez um sinal-da-cruz e levantou-se, dirigindo-se para a porta, ainda com o capuz a cobrir-lhe o rosto. Mason já havia saído e aguardou no corredor, escondido atrás de uma armadura, para tentar identificar quem seria ele, embora já fizesse uma idéia de quem era.
Ele saiu e a porta logo desapareceu, como se jamais tivesse estado ali. No corredor, tirou um sapo de chocolate do bolso das vestes e sorriu ao ver que o card era o de Gwenog Jones, Capitã das Harpias de Holyhead, que ele ainda não tinha. Jogou a embalagem em uma lixeira e guardou o card no bolso das vestes, enquanto mastigava o doce. Naquele momento, o garoto baixou o capuz e Derek Mason teve a confirmação daquilo que já suspeitava.
O garoto que rezava na réplica da Capela de Rosslyn era Draco Malfoy.

Draco seguiu em direção à Sala Comunal da Sonserina, procurando ocultar-se nas sombras, atento a qualquer ruído que pudesse ser associado à aproximação de Madame Nor-ra, que sempre precedia à de Filch. Depois que o loiro desapareceu em uma esquina dos corredores, Mason também tratou de descer para seus aposentos, com um leve sorriso no rosto. Aquela cena que assistira havia sido bastante esclarecedora. Utilizara suas habilidades Ninja para tentar perceber alguma tendência à malignidade no Ki de alguns alunos, filhos de Death Eaters. Em todos eles havia a semente do mal, mas não germinada ou seja, comportavam-se como pequenos trevosos mas, em essência, eram ainda crianças, o que tornava tudo mais perigoso, pois eram suscetíveis às influências de adultos que, embora aparentassem uma boa reputação perante a Bruxidade, no fundo ainda não haviam renegado os antigos hábitos. Era necessário evitar que fossem doutrinados para o mal, principalmente Draco Malfoy, em quem Mason podia sentir o conflito e no qual o professor acreditava que desempenharia um importante papel na guerra que a Ordem da Fênix travaria contra Voldemort. Sim, pois era um fato cada vez mais concreto que o Lorde das Trevas não morrera e estava preparando sua volta.

Naquela mesma noite, um bruxo tomara uma Chave de Portal para Tirana, capital da Albânia. De forma furtiva, procurou evitar as ruas centrais, ainda que a hora fosse avançada e, em um beco, consultou o relógio e uma bússola. Conferindo o azimute que deveria seguir, desaparatou, reaparecendo em uma floresta, no sopé do Monte Korab. Haviam patrulhas de Aurores que, inutilmente, tentavam desfazer os bloqueios e feitiços que ocultavam a presença e dificultavam a localização do esconderijo de Voldemort. Mas, para ele, não haveria dificuldade alguma. Chegando a um ponto no qual duas rochas guarneciam uma estreita passagem, como se fossem duas sentinelas, aproximou-se delas e levantou a manga esquerda das vestes, expondo seu antebraço. Uma espécie de olho abriu-se na rocha da esquerda e um tênue facho de luz percorreu a sua extensão, como se escaneasse o antebraço do do bruxo, revelando algo que estava protegido por um Feitiço de Ocultamento Especial: uma tatuagem com a figura de um crânio e, como se fosse uma língua, uma cobra saindo de sua boca.
Uma Marca Negra.
O bruxo passou, incólume, por entre os dois enormes guardiões de pedra. Caso ele não tivesse a Marca Negra, o sinal que identificava os Death Eaters ou se por acaso ela fosse falsa, ele ficaria paralisado e teria sido esmagado pelas rochas. Seguiu pela passagem, chegando a um bosque, ao pé da montanha, que ocultava a entrada de uma caverna. Contornou um pequeno lago e viu que, próximo à caverna, havia um animal deitado e uma figura curvada sobre ele. A figura encapuzada afastou-se e o animal, um unicórnio, levantou-se e cambaleou em direção ao bosque. Em breve, já não teria mais sangue para sustentar aquele que dele se alimentava e então acabaria morrendo, como outros antes dele.
O encapuzado percebeu a presença do bruxo e deu meia-volta.
_Você veio, então.
_Sim, Mestre. Vim trazer algo de que o senhor precisa.
_Eu já tenho ciência de que o plano para capturar Harry Potter falhou, fragorosamente.
_Quem imaginaria que aquele garotinho pudesse lançar um “Nocaute Siberiano” com tamanha potência e que Alvo Dumbledore e Derek Mason apareceriam por ali, bem naquele momento? _ perguntou o bruxo.
_É, meu fiel servo, parece que eu fui precipitado. _ respondeu o outro, baixando o capuz das vestes e revelando seu rosto, que não era outro senão o de Lord Voldemort. Mas nem de longe lembrava o o terrível bruxo das Trevas que levou o terror a mais de metade do mundo, ao ponto da Bruxidade, mesmo agora, sequer atrever-se a pronunciar seu nome _ Bem, vendo no que estou transformado, ninguém pode me culpar por estar ansioso em recuperar meus poderes.
Seu rosto ainda era aquele do qual seus fiéis Death Eaters podiam lembrar-se, branco como uma caveira deixada ao sol, face plana e com narinas em fenda, semelhantes às de uma cobra, olhos de íris vermelhas com escleras amarelas, quase sem sobrancelhas, boca de lábios finos e com dentes irregulares, pontiagudos e escuros, sem contar que sua língua era levemente bífida na ponta. Apenas as orelhas ainda eram iguais a antes de suas várias transformações ao longo do tempo. Mas o rosto estava mais encovado e ele, como um todo, apresentava uma aparência meio translúcida, como se fosse um ser parcialmente incorpóreo. Sua voz sibilante ainda era assustadoramente gélida, embora estivesse algo trêmula, como que demonstrando o peso dos anos sobre os ombros do maligno bruxo das Trevas. E eles não haviam sido poucos e muito menos fáceis.
_O senhor está bem, Mestre? _ perguntou o Death Eater, preocupado com o estado de seu líder.
_Estou vivo, meu fiel servo. Ou quase, pelo que você viu lá fora. Sou forçado a me submeter à Maldição da Semivida, para continuar existindo. Devo continuar a fazer isso, até que possa encontrar outro meio para recuperar meu corpo e meus poderes. O fracasso do meu atentado à família Potter resultou em tornar-me pouco mais do que um fantasma, sem poder ao menos empunhar minha varinha.
_Mas ela foi recuperada dos escombros da Mansão Potter, Mestre.
_Sim, eu sei. Foi recuperada por um meu outro servo, talvez mais por medo do que por fidelidade e escondida em um local seguro, conhecido apenas por ele. E, assim que for possível, voltarei a tê-la em minhas mãos. Mas eu preciso encontrar um meio de tornar-me mais sólido. Ainda bem que minha mente não parou de funcionar um instante, por todo o tempo em que me obriguei a sobreviver. Confesso que houveram momentos nos quais temi que o meu fim se aproximava.
_Há um dos nossos em Hogwarts, Mestre. E ele me entregou algo que poderá ser útil. _ e o bruxo pegou um embrulho do bolso das vestes, abrindo-o e mostrando o que havia dentro.
_O que é isso? _ perguntou Voldemort _ Um lenço ensangüentado?
_Não é o sangue de um bruxo qualquer, Mestre. Este lenço está manchado com o sangue de Harry Potter.
_Como é? _ e Voldemort começou a demonstrar um certo interesse.
_Parece que Harry Potter está tendo aulas de Artes Marciais com um dos professores de Hogwarts. E esse sangue foi resultante de um ferimento sofrido pelo garoto, durante uma das sessões de treinamento.
_Isso explica porque eu não pude penetrar sua mente, ela deve ter sido fortalecida com Oclumência e desenvolvimento do Ki. E quem é esse professor?
_É o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Mestre. Um Auror licenciado, de nome Derek Mason. _ disse o bruxo, sem notar uma ligeira contração dos lábios de Voldemort e uma sombra perpassar pelo olhar do Mestre das Serpentes.
_Para que meu plano inicial pudesse concretizar-se, o sangue deveria ser fresco. E eu ainda precisaria de algumas outras coisinhas, nas quais andei pensando. E olha que eu tive tempo de sobra para pensar. _ e Voldemort forçou um meio sorriso.
_Mas o senhor deve ter algum plano alternativo, não é, Mestre? Conheço há muito tempo suas habilidades de estrategista.
_Na verdade, meu caro, eu tenho um plano alternativo. E você irá me ajudar bastante. Preciso de alguns ingredientes que você deverá me conseguir, ainda nesta noite. E essas pequenas manchas de sangue seco nesse lenço acabarão por ter sua utilidade, afinal.
_O que o senhor está pretendendo, Mestre?
_Digamos que o revés ocasionado por eu estar semi-incorpóreo poderá ser revertido em meu favor, meu fiel servo. E, ao cabo da execução dessa tarefa, você deverá retornar à Grã-Bretanha.
_Sim, Mestre. Retornarei e aguardarei novas ordens.
_Mas retornará um pouco diferente de quando saiu de lá. E agora, vamos executar este meu pequeno “Plano-B”.

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