Sumiço



N/A: Devo confessar aos caros leitores que este capítulo foi muito divertido de ser escrito. Ele nasceu de uma idéia imprevista, mas achei que ficou muito bom. Também acho que é bom tanto para Snape quanto para o Trio do Ouro. Mas, by the way, eu precisava dar um sumiço em certa pessoa para tudo correr perfeitamente. Divirtam-se e deixem reviews!

Ass. Soph


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Capítulo 3 - Sumiço

Calendário correto e expectativas cumpridas, outro ano de aulas na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts começou. Muitos alunos novos e todos os estudantes já conhecidos por nós voltaram a freqüentar a querida escola, satisfeitos por ela não ter sido fechada. Havia professores novos, dentre eles Stwart Roylott que substituiria Severo Snape em Poções. A matéria mais requisitada pelos pais dos estudantes? Defesa Contra as Artes das Trevas, é claro. Com todos os acontecimentos trágicos, as famílias bruxas esperavam que seus membros pudessem defender-se razoavelmente bem. Contudo, todos os professores se empenhavam em ensinar o essencial para a defesa, e todas as matérias juntas, então, formavam um conjunto esplêndido de armas contra Voldemort, Comensais e/ou dementadores.

A Guerra estava calma, calma demais. Pouquíssimas pessoas morriam, quase nada era destruído, e os trouxas estavam sendo deixados de lado. Não se sabia o porquê. Mas se sabia que o desempenho da Ordem da Fênix e dos aurores melhorara muito. Recebiam-se informações de fontes anônimas que alertavam os locais aonde ocorreriam novos ataques e conseguia-se dar a volta por cima e barrar a expansão das Trevas. E de quem eram os créditos? Da Ordem, de Harry Potter, dos aurores, do Ministério. Poucos se lembravam que alguém informado e com muita boa vontade apoiava o andamento das missões e indicava para onde ir. E esse alguém era, ninguém menos que, Severo Snape. Claro que, além do Trio de Ouro, Remo Lupin, Rufo Scrimgeour, Minerva McGonagall e o retrato do finado Dumbledore, ninguém mais sabia disso. Um segredo muito bem guardado.

O tempo passava, as aulas e os estudos seguiam, e pequenas batalhas aconteciam. Logo, o Natal se aproximava, e os alunos de Hogwarts alegravam-se em voltar para casa e rever seus familiares. As provas podiam matar qualquer um, mas com uma amiga como Hermione Granger qualquer problema deixava de existir. Além de estudar para si mesma, ela explicava a matéria aos colegas mais necessitados e também aos seus amigos Harry e Rony. Ela ainda não compreendia porque eles deixavam para estudar na véspera das provas, contudo sua paciência nesses casos era imensa. O tempo bom alegrava qualquer um e ajudava a aumentar a ansiedade pelas tão merecidas férias.

Foi nesse clima que Hermione sentou-se à mesa para o café-da-manhã de uma bela manhã de sexta-feira. “Último dia de aula” ela pensou “Lástima!”. Gostava de estudar, mas voltar para casa também era bom. Aproveitar o feriado e... Mas onde estavam Harry e Rony? Ela não acreditava que ainda estavam dormindo bem naquele dia. O que teria acontecido? Foi então que se lembrou de Snape. Por Merlin, há quanto tempo ela não o via! Sentiu um aperto no peito. Estranho. Nunca sentira isso. Parecia... saudades. Não, não, a fome já estava fazendo-a delirar. Apanhou umas torradas e, quando colocava uma na boca, Rony apareceu de não se sabe onde e deu um susto na amiga. Hermione já ia xingá-lo, mas quando percebeu a expressão desolada e preocupada do amigo, indagou:

- O que houve, Rony?

- Mione, Mione, o Harry...

- Que tem ele?

- Ele sumiu! – sussurrou o garoto, como se fosse extremamente difícil para ele falar aquilo.

- O quê?! – exclamou Hermione, estarrecida.

- Shhhh!! – irritou-se o ruivo e, puxando a amiga mais para longe de ouvidos curiosos, explicou – Ele acordou essa noite dizendo que tivera um pesadelo, que sua cicatriz doía e que como não conseguisse dormir iria até o Salão Comunal para espairecer um pouco. Mas quando acordei, ele não estava nem no dormitório nem no Salão Comunal! Hermione, ele sumiu – completou o garoto, seriamente.

- Mas, mas... ele pode ter saído da torre...

- Não – resmungou Rony – a Mulher Gorda me garantiu que ninguém entrou ou saiu da torre a noite inteira. Hermione, a gente precisa avisar alguém.

A garota estava chocada. Não esperava por isso agora. Não queria acreditar no que o amigo falava. Imaginou outras possibilidades e pôs-se a contá-las.

- Ele pode... pode ter ido mais cedo para casa... ou... ou então ter se sentido mal e ido à Enfermaria...

- Mione – disse Rony, estranhamente sério, apertando com mais força o braço da amiga como que para fazê-la entender – aceite o fato: Harry Potter sumiu.

Nesse momento, um garoto do 4º ano passava pelos dois e ouviu a última frase do ruivo. Parou e olhou espantado para os amigos.

- Harry Potter sumiu? – exclamou, arregalando os olhos – Sumiu?

E disparou contar aos seus. Em pouco tempo, toda a escola sabia do que acontecera. Todos pararam o que faziam para comentar que o menino que sobreviveu desaparecera da escola durante a noite. Alguns vinham até Rony e Hermione confirmar suas suspeitas, mas não esperavam qualquer resposta e punham-se a falar. Os dois amigos não sabiam o que fazer, apenas olhavam-se preocupados. O Salão Principal inteiro estava em rebuliço. Alunos levantavam-se, gritavam, riam, corriam contar o que ouviam para os amigos. A confusão estava formada. Do lugar do diretor na mesa dos professores, Minerva McGonagall observava a tudo compenetrada. Enquanto os outros mestres tentavam colocar ordem naquele lugar, ela apenas fitava significativamente os dois grifinórios do 7º ano que haviam iniciado tudo aquilo. Hermione, ao perceber o olhar da diretora sobre eles, soube imediatamente que deveriam dirigir-se às gárgulas.


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Sua cabeça doía, o corpo inteiro doía. Sentia certo enjôo, e tudo em volta parecia rodar. Não sabia onde estava, sentia o chão duro onde estava deitado, e muitas lembranças de acontecimentos recentes passavam muito rápido por sua mente embaralhando os pensamentos. Um pesadelo... o Salão Comunal... aquele homem... uma discussão... desaparatação... o escuro... depois Voldemort... uma luta... Esfregou a cabeça que latejava e abriu os olhos. A luz do dia o cegava. Tentou levantar-se, mas alguém o deteve.
- Fique deitado, Potter – disse uma voz masculina e fria.

“Não pode ser” pensou o garoto. Manteve os olhos verdes abertos e perscrutou o homem a sua frente. Realmente era ele...

- Snape – sussurrou – o que faz aqui? O que houve?

- Você – respondeu calmamente Severo – destruiu o Lord das Trevas.

- Eu... eu o quê?

Snape cruzou os braços, observando atentamente o espanto do jovem Potter e, por fim, disse:

- Você destruiu Voldemort. Logo lembrará de tudo. Amnésia é um efeito colateral da experiência que teve na noite passada.

Só então Harry percebeu que estava deitado num sofá e não no chão. Ele e Snape estavam numa casa sutil e fria, que lhe era de certo modo familiar. As coisas ainda estavam confusas para o garoto. De repente, lembrou-se de um detalhe.

- As Horcruxes! Não posso ter destruído Voldemort se as Horcruxes ainda não foram encontradas!

- Acalme-se, Potter, eu me livrei delas.

- Você o quê?! – exclamou, ainda mais espantado, Harry, sentando-se no sofá.

- Potter, se você não me obedecer e descansar não terá forças sequer para pensar – repreendeu friamente Severo – E, sim, eu destruí as Horcruxes para você.

O queixo do menino que sobreviveu caiu. Como aquilo podia ser verdade? Ele próprio e Dumbledore haviam penado para encontrar uma Horcrux (ainda por cima falsa), e agora aquele gélido professor dizia que destruíra todas! Algo tinha de estar errado.


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- Podem repetir os fatos, por favor? – pediu Minerva McGonagall, calmamente.
Rony suspirou fundo e contou o que ocorrera na noite passada mais uma vez. A bruxa pensou um pouco e, por fim, disse:

- Querem mesmo saber minha opinião sobre isto?

- Claro que sim, diretora – garantiu o ruivo, em nome seu e da amiga.

- Professora... por favor, professora – resmungou tristemente Minerva, lançando um olhar desolado ao retrato de Dumbledore.

- Bem – começou ela, recompondo-se – peço-lhe, sr. Weasley, que mantenha-se calmo, e a você, srta. Granger, que não entre em pânico.

Os dois amigos olharam-se, confusos e receosos. Que notícia era tão terrível assim? Minerva suspirou e continuou:

- O professor Snape tem passe livre para aparatar e desaparatar – levantou a mão para interromper a exaltação de Rony – e na noite passada ele cancelou a proteção contra aparatação... sr. Weasley, eu avisei que deveria manter sua calma, ou prefere perder 50 pontos no último dia de aulas?! Perfeito! Prosseguindo... algo me diz que Severo está envolvido nisto.

O ruivo tinha seu rosto vermelho de raiva. Sabia que não era seguro confiar naquele assassino. Provavelmente matara Harry em nome de seu amado Voldemort e agora estava sendo condecorado.

Em contrapartida, Hermione estava chocada. Não acreditava que, depois de tudo, Snape seria capaz de fazer algo de ruim para o Harry. Teria de descobrir por si mesma. Levantou-se e saiu correndo da sala da diretora (que ficou estupefata) com Rony em seu encalço. A garota sabia aonde ia e, mal imaginava ela que, logo, aquele caminho seria tão habitual quanto fazer feitiços. Deteve-se à porta das masmorras. Fazia um bom tempo que ela não via aquele lugar. Bateu na porta e, como ninguém atendesse, bateu de novo, e de novo, e de novo. Hermione desesperou-se. Aquilo confirmava o que Minerva dissera. Ela não podia crer.

- Não, não, não – sussurrava amargamente, chorando, enquanto escorregava ao chão ainda batendo na porta.

Por que estava tão triste? Ela não entendia, e talvez ninguém entendesse. Sentia um aperto no peito, como aquele que sentira no café da manhã, quem sabe mais forte.

Nisso Rony chegou. Sentiu pena da amiga. Nunca a vira tão desesperada. Era certo que ele também estava desolado, mas não tão intensamente. Sentou ao lado de Hermione e abraçou-a, tentando consolá-la. A garota murmurava “não, não”, chorando, como que num transe. Os esforços do ruivo foram em vão, mas o pranto da amiga foi mais tarde recompensado.


Continua...

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