Descobrindo o mundo bruxo



Ainda era cedo e nos jardins de Hogwarts encontrava-se um moreno estendido, com os braços cruzados debaixo da nuca, ouvindo o barulho da brisa matinal daquele domingo, que fazia seus cabelos movimentarem-se. Os olhos estavam fechados e a expressão era de tranquilidade. Com a brisa veio as lembranças de Almaren – das suas vigorosas tardes, a integridade de suas florestas, os inclementes ventos generosos, muitas vezes de maresia que sopravam sobre as planícies ébrias de vegetação, o canto obstinado da sua natureza, a vivacidade de sua grama, as fontes que embebedavam nas noites cálidas de verão, os Ezellohar...terra nenhuma o extasiaria tanto quanto aquela, lá ele respirava o alvor do mundo.
O sol estava nascendo e delineava com todo seu esplendor o castelo de Hogwarts e seus campos. Respirou fundo e deixou-se estar deitado. Apenas ao ouvir passos se aproximando na grama, Harry abriu os olhos.

_Bom dia! Madrugando, Harry? -ao ouvir a voz, o moreno levantou-se e olhou de onde ela vinha. Ao lado dele encontrava-se um professor de estrutura média que tinha visto na noite anterior durante o jantar. Seus cabelos negros chegavam até aos ombros, os olhos eram azuis e parecia estar em boa forma.

_Bom dia. Como sabe meu nome? – pergunta vendo-o sentar de frente para ele.

_Estamos no mundo bruxo, quem nunca terá ouvido falar do famoso Harry Potter. - fala Sirius num tom jovial e animado.

Harry deu um meio sorriso, esquecia sempre daquele pormenor, de que era conhecido e considerado famoso naquele mundo.
“Famoso por um acto do qual vós não se lembrais”, imaginou as palavras que Failon diria caso estivesse ali.

_Eu sou Black, Sirius Black. Incrível, passaram tantos anos, você está realmente crescido. Que diria James e Lílian se te vissem agora? -perguntou a si mesmo.

_Conheceu meus pais, senhor Black?

_Sirius, apenas Sirius. Nada de formalidades. - falou e suspirou antes de continuar. – Bom... por onde começar. Os seus pais e eu estudávamos aqui, em Hogwarts, juntamente com Remus e Pettigrew. Eu e James éramos os melhores amigos. Sempre aprontando pelos corredores de Hogwarts ou procurando um jeito de fugir as normas, dos deveres... – Sirius sorriu ao lembrar-se do amigo.

_Como era meu pai? -perguntou o jovem interessado.

_James era muito parecido com você, os mesmos cabelos, o jeito e também creio que você tenha uma certa inclinação pra fugir das normas, mas...os olhos, os olhos verdes são de Lílian, graças a ela James finalmente se assentou.

_Assentou?

_Bom...pelo menos passou a ser menos engraçadinho, nada de aprontar quando ela estava por perto ou azarar algum sonserino... enfim era um anjo na presença dela. E aconteceu algo que nunca pensei que um dia viria a acontecer.

_O que?

_Ele casou-se. Acostumei tanto a vê-lo ligando mais ao Quadribol do que às meninas que nunca achei que ele fosse capaz de levar uma relação tão avante. Eles casaram-se e fui o padrinho do casamento deles e também sou seu padrinho.

_Padrinho? O que significa?

_Como seus pais não estão aqui, terei a responsabilidade de cuidar de você e de te educar, algo que terei muito gosto em fazer de agora em diante. –Sirius sorriu de modo sincero, fazendo Harry se sentir mais à-vontade com ele.

_Hum... como um segundo pai?

_É, se você quiser.

_Porque não ficou comigo assim que meus pais morreram?

_Na noite em que aconteceu, eu estava na sede da Ordem, trabalhava como auror. Senti um forte impacto mágico e fiquei preocupado pensando que podia ser algo relacionado a Voldemort. Por algum motivo, o primeiro lugar para o qual me dirigi foi Godric Hollow a procura de seus pais, pois pensei que também teria sentido aquele choque e estivessem informados do que ou quem teria originado tanta magia. Quando cheguei lá, a casa onde eles permaneciam escondidos fora destruída. Aí eu entrei... – Sirius fez pausa e respirou fundo antes de continuar. – James estava caído e o mesmo acontecera a Lílian no andar de cima. Te procurei por todos os lados, mas não vi um único sinal, porém fiquei tranqüilo, era sinal de que você não estava morto. Nessa mesma noite fui à procura de Dumbledore, e quando finalmente o encontrei ele me confirmou o que tanto ansiava, que você estava vivo. Contei tudo o que vi em Godric Hollow, mas pelos vistos ele estava mais advertido do que eu e disse que te tinha dado ao cuidado dos elfos. A princípio não gostei, afinal eu era seu padrinho, reunia condições para te criar, não fazia o menor sentido crescer longe do seu mundo, das pessoas que desconhece, com outros costumes e cultura, achei que não havia necessidade disso. Contudo, Dumbledore via as coisas de um ponto de vista diferente e fez valer a sua opinião, me mostrando que seria melhor para você, se desenvolver longe do alcance da imprensa bruxa e dos comensais de Voldemort que andam por aí dispersos. Acabei concordando, afinal estaríamos te poupando anos de sofrimento, entende?

_Entendo.

-Então vamos nos levantar, pois temos muito a fazer no Beco Diagonal, antes de sua reunião com Dumbledore. –Sirius fala se levantando e oferecendo a mão a Harry, que aceita.

Ambos foram a pé até fora dos limites de Hogwarts e depois Sirius os aparatou para o Beco Diagonal, a frente de Gringotes o imponente e luxuoso banco dos bruxos. Harry ficou impressionado com a decoração refinada do local, mas foram os duendes que o impressionaram mais, eram feios, mas muito interessantes, apesar de parecerem mal humorados. Um deles veio correndo até Sirius e forçou grande simpatia ao bruxo, conduzindo-o a um local ao fundo do banco, onde entraram em um vagão sobre trilhos, pelo menos fora o que Sirius explicara, quando disse que era o meio de chegarem aos cofres.

Quando chegaram ao cofre, Harry estava um pouco zonzo devido às manobras em alta velocidade, mas rapidamente se recuperou ao ver com curiosidade o modo como o cofre se abria. Ao entrar teve que fechar os olhos para se proteger do brilho das moedas de ouro e jóias que se encontravam no cofre do padrinho. O local era imenso e estava cheio de objetos preciosos, além de alguns pergaminhos e livros.

-Harry, sabe o que é isso? –Sirius pergunta mostrando uma moeda de ouro a Harry.

-Acho que sim, vocês chamam de moeda, não é? –fala um pouco incerto, lembrando das aulas de Elanor sobre comércio.

-Sim, você sabe como funciona o comércio? –pergunta enquanto apanha três tipos de moedas.

-As pessoas dão certa quantia de dinheiro em troca de um objeto ou serviço prestado. -Harry fala o que havia decorado e Sirius ri ao perceber isto.

-Acho que você, terá muito que aprender hoje! Estas de bronze se chamam nuques, vinte e nove destas fazem um sicle, que são estas de prata; dezessete sicles formam um galeão, que são estas de ouro. Entendeu a hierarquia? –pergunta pacientemente.

-Sim, sou com números, é necessário para se ser um bom forjador. –Harry fala confiante e Sirius o observa impressionado.

-Vejo que tem muito a me contar sobre você! Agora me ajude a pegar várias dessas moedas, vamos fazer uma bela festa para comemorar seu retorno!

-Depois iremos ao meu cofre? –Harry pergunta pegando alguns nuques.

-Só se você achar necessário, mas já aviso que não tem nada de seus pais lá. Na verdade só há dinheiro em seu cofre.

-De todo jeito preciso do dinheiro para comprar os materiais e roupas. –Harry fala e Sirius, se volta para ele.

-Me ofende ao pensar que deixaria você usar seu dinheiro para isso. Eu vou pagar os materiais e as roupas, é o mínimo que devo fazer como seu responsável. Também lhe darei uma boa mesada, que é uma quantia de dinheiro todo mês, para você gastar no que quiser, assim não precisará pegar dinheiro em seu cofre, a menos que queira comprar algo além do dinheiro que lhe darei, entende? –Sirius explica e Harry assente, ainda não entendendo direito tudo aquilo sobre dinheiro.

A primeira parada após o Gringotes foi em Madame Malkin - Roupas para Todas as Ocasiões. Lá encomendariam as roupas e comprariam algo mais discreto para Harry usar durante o passeio, indo até lá ao final para apanhar as roupas encomendadas.

Assim que chegaram à loja de roupas bruxas, onde os estudantes de Hogwarts costumavam comprar suas vestes, Sírius foi até o balcão sendo seguido pelo afilhado.

-Ora, ora, se não é o nobre professor de DCAT de Hogwarts! –a voz feminina fez Sírius abrir um largo sorriso e se virar com uma postura ereta.

-Rosinha! Que prazer revê-la, bela morena! –fala de forma galante, fazendo uma charmosa reverência para a jovem a sua frente. Esta era baixa, tinha cabelos castanhos com mechas loiras e olhos também castanhos.

-Se tem tanto prazer assim, poderia ter vindo me ver antes. –fala cruzando os braços e fazendo biquinho.

-Sinto muito pequena, mas ser professor é realmente desgastante. –fala parecendo lastimar a falta de tempo. –Mas hoje trouxe meu afilhado para comprar uniformes de Hogwarts e algumas roupas, ele vem de longe como pode ver. –Só então Harry foi lembrado e se adiantou para cumprimentar a atendente.

-Muito prazer, Harry Potter. –ao dizer seu nome à jovem quase deu um salto de surpresa e logo depois procurou ver algo em sua testa, mas a cicatriz estava coberta pela franja.

-O prazer é meu! –responde ao cumprimento encantada. –Venham comigo, vou atendê-los na sala privada. –ela os chama e segue até o fundo da loja, onde há uma porta.

Chegaram a uma sala luxuosa onde eram feitas provas de roupas e o atendimento dos clientes VIP’s. Harry foi o primeiro a entrar, depois Sírius e por último Rosa, que assim que fechou a porta se lançou sobre Sírius e o beijou para matar as saudades. Sírius que havia adorado a iniciativa, a pressiona contra a porta colando seus corpos e aprofundando o beijo. Harry observa aquilo desconcertado e, sem saber o que fazer, acaba optando por chamar a atenção do padrinho, que pára o amasso.

-Desculpe, Harry, mas tinha tempo que não nos víamos. –Sírius fala se recompondo e Harry apenas consente com um aceno.

-Porque não vai tirando a roupa para eu tirar as medidas. –Rosa sugere a Harry, logo se voltando para falar com Sírius. –Quando você terá tempo para mim? –pergunta quase como um ultimato.

-Rosinha, sabe como é difícil ter tempo livre com o trabalho em Hogwarts, mas o que acha de me encontrar no primeiro fim de semana de visita a Hogsmeade? Eu te mando uma carta avisando o dia. –Sírius fala sorrindo charmosamente, enquanto ela parece ponderar. –A calça não garoto! –Sírius fala ao ver que Harry quase ficara nu.

-Ele é bem desinibido, não? –Rosa pergunta com um sorriso maroto, enquanto seus olhos percorriam o corpo forte e bem moldado de Harry.

-Ele foi criado fora da Europa, em um local mais liberal. –Sírius comenta tentando disfarçar o quanto o olhar interessado de Rosa o incomodava.

-O que eu faço agora? –Harry pergunta vestindo apenas a calça.

-Fique em cima deste pedestal, vou pegar as fitas para medição. –a morena atravessa a sala rapidamente e pega o material necessário.

-Vamos precisar de roupas formais, informais e uniformes de Hogwarts. –Sírius a orienta e ela assente, já tirando a medida do braço.

-Você pratica muito exercício físico, certo? –pergunta observando os músculos bem desenvolvidos, as costas largas e parando no abdômen definido.

-Sim, faço exercício todos os dias e pretendo manter minha rotina. –Harry responde sem se dar conta do olhar malicioso da morena.

-Nesse caso vou fazer algumas alterações na medida, para que não perca as roupas muito rápido. –comenta se abaixando e se preparando para medir a coxa. –Uau! Quase nunca vi medidas como essa, deve correr bastante. –observa admirada, parando para fazer alguns cálculos antes de anotar a medida.

-Para um garoto de quinze anos ele tem um corpo bem atlético, mesmo. –Sírius não só fala a idade de Harry, como a enfatiza, fazendo com que a jovem se voltasse ainda mais assombrada para o rapaz.

-Tem mesmo só quinze anos? –Ela pergunta e Harry assente.

-Harry foi treinado para ser um grande atleta e um ótimo guerreiro. –Sírius esclarece e a jovem estremece e olha para onde a cicatriz devia estar.

Depois da declaração de Sírius, o atendimento segue silencioso, tanto Sírius quanto Rosa falando somente sobre as roupas que Harry deveria usar. Este, porém não entendia quase nada e se limitava a olhar o local e observar hora ou outra a conversa dos dois adultos. Antes de saírem, Rosa entregou uma calça jeans escura e uma camisa social preta para que Harry usasse para passear pelo Beco Diagonal, o restante das roupas eles pegariam ao final do passeio.

A próxima parada foi em uma loja estreita e feiosa. Letras de ouro descascadas sobre a porta diziam Olivaras Artesãos de Varinhas de Qualidade desde 382 A.C. Havia uma única varinha sobre uma almofada púrpura desbotada, na vitrine empoeirada.
Um sininho tocou em algum lugar no fundo da loja quando eles entraram. Era uma lojinha mínima, vazia, exceto por uma única cadeira alta e estreita em que Sirius se sentou para esperar.

-Bom Dia! - Havia um velho parado diante deles, os olhos grandes e muito claros brilhando como duas luas na penumbra da loja.

-Bom dia! –Sirius o cumprimentou e se adiantou com Harry. –Este é meu afilhado, Harry Potter.

-Potter... está uns anos atrasado. –Olivaras comenta olhando o rapaz com curiosidade. -Você tem os olhos de sua mãe. Parece que foi ontem que ela esteve aqui, comprando a primeira varinha. Vinte e seis centímetros de comprimento, farfalhante, feita de salgueiro. Uma boa varinha para encantamentos.

O Sr. Olivaras chegou mais perto de Harry. Harry desejou que ele piscasse. Aqueles olhos prateados lhe davam um pouco de medo.

- Já o seu pai, deu preferência a uma varinha de mogno. Vinte e oito centímetros. Flexível. Um pouco mais de poder e excelente para transformações. Bom, digo que seu pai deu preferência, na realidade é a varinha que escolhe o bruxo, é claro.

O Sr. Olivaras chegara tão perto que ele e Harry estavam quase encostando os narizes. Harry viu-se refletido naqueles olhos. O Sr. Olivaras tocou a cicatriz feita pelo relâmpago na testa de Harry com um dedo branco e longo.

- Lamento dizer que vendi a varinha que fez isso - disse ele suavemente. - Trinta e cinco centímetros. Nossa. Uma varinha poderosa, muito poderosa nas mãos erradas... Bom, se eu tivesse sabido o que a varinha ia sair por aí fazendo... -Ele sacudiu a cabeça e então, para alivio de Harry, mudou o assunto. - Bom agora, Sr. Potter vamos ver. - E tirou uma longa fita métrica com números prateados do bolso. - Qual é o braço da varinha?

- Hum... Bom, sou destro - respondeu Harry.

- Estique o braço. Isso. - Ele mediu Harry do ombro ao dedo, depois do pulso ao cotovelo, do ombro ao chão, do joelho à axila e ao redor da cabeça. Enquanto media, disse, - Toda varinha Olivaras tem o miolo feito de uma poderosa substância mágica, Sr. Potter. Usamos pêlos de unicórnio, penas de cauda de fênix e cordas de coração de dragão. Não há duas varinhas Olivaras como não há unicórnios, dragões nem fênix iguais. E é claro, o senhor jamais conseguirá resultados tão bons com a varinha de outro bruxo.

Harry de repente percebeu que a fita métrica, que o media entre as narinas, estava medindo sozinha. O Sr. Olivaras andava rapidamente em volta das prateleiras, descendo caixas.
- Já chega - falou, e a fita métrica afrouxou e caiu formando um montinho no chão. - Certo, então, Sr. Potter. Experimente esta. Faia e corda de coração de dragão. Vinte e três centímetros. Boa e flexível. Apanhe e experimente.

Harry apanhou a varinha e, sentindo-se bobo, fez alguns movimentos com ela, mas o Sr. Olivaras a tirou de sua mão quase imediatamente.

- Bordo e pena de fênix. Dezoito centímetros. Bem elástica. Experimente.

Harry experimentou, mas mal erguera a varinha quando, mais uma vez, o Sr. Olivaras a tirou de sua mão.

- Não, não. Tome, ébano e pêlo de unicórnio, vinte e dois centímetros, flexíveis. Vamos, vamos, experimente.

Harry experimentou. E experimentou. Não fazia idéia do que é que o Sr. Olivaras estava esperando. A pilha de varinhas experimentadas estava cada vez maior em cima da cadeira alta e estreita, mas, quanto mais varinhas o Sr. Olivaras tirava das prateleiras, mais feliz parecia ficar.

- Freguês difícil, hein? Não se preocupe, vamos encontrar a varinha perfeita para o senhor em algum lugar, estou em duvida, agora... É, por que não? Uma combinação incomum, azevinho e pena de fênix, vinte e oito centímetros, boa e maleável.

Harry apanhou a varinha. Sentiu um repentino calor nos dedos. Ergueu a varinha acima da cabeça, baixou-a cortando o ar empoeirado com um zunido, e uma torrente de faíscas douradas e vermelhas saíram da ponta como um fogo de artifício, atirando fagulhas luminosas que dançavam nas paredes. Sirius gritou entusiasmado e bateu palmas e o Sr. Olivaras exclamou:

- Bravo! Mesmo, ah, muito bom. Ora, ora, ora... Que curioso... Curiosíssimo...

Repôs a varinha de Harry na caixa e embrulhou-a em papel pardo, ainda resmungando:

- Curioso... Curioso...

- O senhor me desculpe - disse Harry -mas o que é curioso?

O Sr. Olivaras encarou Harry com aqueles olhos claros.

- Lembro-me de cada varinha que vendi, Sr. Potter. De cada uma. Acontece que a fênix cuja pena está na sua varinha produziu mais uma pena, apenas mais uma. É muito curioso que o senhor tenha sido destinado para esta varinha porque a irmã dela, ora, a irmã dela produziu a sua cicatriz. Harry engoliu em seco.

- E, tinha trinta e quatro centímetros. Puxa. É realmente curioso como essas coisas acontecem. A varinha escolhe o bruxo, lembre-se... Acho que podemos esperar grandes feitos do senhor, Sr. Potter. Afinal, Aquele-Que-Não-Se-Deve-Nomear realizou grandes feitos, terríveis, sim, mas grandes.
Harry estremeceu. Não tinha muita certeza se gostava do que dissera Sr. Olivaras. Sirius pagou sete galeões pela varinha e o Sr. Olivaras curvou-se à saída deles.

Sirius guiou Harry pelo Beco Diagonal falando sobre os pais de Harry, que também não escapou de responder a algumas perguntas sobre si e suas habilidades. Compraram uma boa parte dos materiais antes de parar para fazer um lanche.

-Sirius. –Harry chamou e Sirius se voltou para ele. –Eu sei que pode não ser o momento mais apropriado, mas quero saber como Voldemort encontrou meus pais se eles estavam tão bem escondidos, segundo o que me falou.

_Sabemos que foi Pettigrew, aquele nosso ex-amigo, estava conosco para ceder informações valiosas para Voldemort sobre a Ordem e nomeadamente do esconderijo de James e Lilian.

_E o que aconteceu a esse Pettigrew?

_Nunca mais soubemos dele. Simplesmente desapareceu, tentei encontrá-lo, mas há muito que não tenho pistas.

_Mas nunca ninguém suspeitou de que fosse um traidor?

_Pettigrew andava sempre atrás de nós, ajudávamos ele e o protegíamos, podia lhe faltar muitas qualidades, mas ninguém previa que uma coisa daquelas pudesse acontecer. Mas sempre influenciável e vulnerável, aquele traidor aliou-se a Voldemort sem que ninguém se apercebesse, fingindo-se nosso amigo e entregando informações sobre a Ordem.

_Qual Ordem?

_A Ordem da Fênix, a qual eu, seus pais e Remus pertencemos depois de sair de Hogwarts. A ordem tinha como função recolher informações que nos revelasse o paradeiro de Voldemort e de seus comensais.

_Tudo por causa daquela profecia?

_Está sabendo dela?

_Sim, os elfos que me criaram alertaram-me.

_Ao saber da profecia e o que ela predizia, seus pais previam que Voldemort os seguiria para te matar e ele os encontrou de facto devido as comunicações com Pettigrew, encontrou-os e... eles tentaram te proteger... mas, acabaram por morrer. Adoraria tanto, sabe, ter morto aquele covarde por tudo aquilo que fez a seus pais. Trair os próprios amigos, àqueles que sempre o defenderam. Como ele pôde? Como? -Sirius fala revoltado.

_Ainda bem que não o fez.

_O que?

_Ainda bem que não o matou. Afinal, não quer se tornar igual a ele, pois não? Defendeu a honra de meus pais provando que não são possuidores de amigos assassinos. – ao ouvir isso, Sirius sorriu.

_Eles ficariam contentes e orgulhosos se ouvissem o que você acabou de dizer.

_Eu também tenho orgulho deles, apesar de não os ter conhecido. Os seguidores de Voldemort continuaram dispersos mesmo com ele ‘morto’?

_Por um tempo continuaram, achavam que havia um jeito de trazer de volta a vida o amo deles. Mas muito deles estão em Azkaban...

_Azkaban? – perguntou desconhecendo aquele nome.

_Sim, a pior prisão de feiticeiros, vigiados por centenas de dementores, seres mágicos que conseguem sugar a energia e os sentimentos felizes das pessoas, mas sobre isso falaremos mais tarde.

_ E porque seguiam esses seguidores de Voldemort. Era sua profissão?

_Sim. Somos treinados para isso, pra combater feiticeiros ligado a magia das trevas.

_E para além de professor continua fazendo isso?

_Não, quando o professor de DCAT que me antecedeu teve uma morte súbita no meio do ano lectivo anterior, ninguém quis assumir o cargo dizendo que estava amaldiçoado. Dumbledore me chamou e pediu que permanecesse leccionando no lugar dele.

A partir deste momento Sirius mudou o rumo da conversa, inquirindo Harry sobre sua vida, sua educação e focou no modo como ele fora tratado, se preocupava com o tratamento que os elfos teriam dado ao afilhado. Retomaram as compras, se demorando apenas em uma loja de artigos esportivos, onde Sirius apontou os itens usados na pratica de quadribol e explicou como eram usados e por que posição, terminando por fim com um grande monólogo sobre vassouras, um pouco antes de comprar para o afilhado uma Firebolt, a melhor vassoura da atualidade, argumentando que aquele era um presente que compensaria os quinze anos de presentes de aniversário e natal que ele não pudera dar a ele.

Devido ao horário, passaram rapidamente na Madame Malkin para pegar as roupas encomendadas, ficando uma parte para ser entregue depois. Voltaram também por aparatação e rapidamente seguiram para o castelo, onde Sirius enviou, por feitiço, as compras para o dormitório de Harry, guiando-o imediatamente ao escritório do diretor.

Harry e Sirius seguiram por um corredor até pararem em uma esquina que os levou perante uma gárgula de pedra.

Sirius murmurou a senha fazendo a gárgula animar-se subitamente e saltando para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes. Assim que ela se abriu, viram uma escada em espiral que se movia lentamente para cima. Colocaram os pés no primeiro grau e tal como no dia anterior Harry ouviu a parede fechar-se atrás deles enquanto subiam em círculos, cada vez mais alto até que viram uma porta de carvalho que foi aberta como se já os estivesse esperando.

Sirius e Harry entraram na ampla sala. Dumbledore estava sentado atrás de sua secretária e havia mais quatro cadeiras, que estavam de costas para eles, estando duas delas ocupadas.

_Ainda bem que chegaram. Harry se aproxime, quero-lhe apresentar duas pessoas. – e ele assim fez deparando-se com as duas figuras que agora estavam em pé, o mirando.

_Este é... – começa, porém logo foi interrompido.

_Harry Potter? – pergunta o homem que interrompera Dumbledore e seus olhos dispararam primeiramente para a cicatriz em forma de relâmpago na testa do jovem e só depois para este. – Eu sou Fudge, Cornelius Fudge, o Ministro da Magia! - exclamou o homem de porte majestoso com cabelos grisalhos alinhados e uma expressão de estranheza no rosto.

_Prazer, senhor. – fala Harry educadamente reparando na mistura extravagante de suas roupas.

_Este aqui é Kingsley Shacklebolt, auror do ministério. -disse o director apresentando outro homem que se encontrava ao lado de Fudge. Harry apertou a mão que Shacklebolt lhe estendeu e o mirou. Era um homem alto, negro, de vestes um tanto estranhas, porém muito diferentes das do ministro.

_Parece que estou revendo a imagem de James Potter. – Kingsley falou na sua voz calma e profunda.

Harry deu um meio sorriso, se sentindo incomodado devido ao olhar que tanto ele como Fudge lhe lançavam, principalmente este último que parecia analisá-lo atentamente o que o deixava ainda mais exíguo.

_Agora podemos ir Kingsley. Afinal, já o conhecemos. – Fudge fala colocando o chapéu coco debaixo do braço.

_Mas não viemos ouvir o que ele tem para nos contar? – Kingsley pergunta à Fudge.

_Sim, mas é apenas um menino e não me parece ter algo de significância superior aos meus assuntos para dizer.

_Fudge, se os reuni hoje aqui é porque acho que aquilo que Harry nos irá relatar será importante e sendo Ministro da Magia convém estar presente e ouvir. -diz Dumbledore fitando Fudge atrás de seus óculos meia lua e tentando mostrar com o olhar o quanto relevante poderia ser o que escutariam.

_ Dumbledore, ocupando o cargo que ocupo tenho muitos assuntos pra tratar... – continuando a olhar o director, acrescentou voltando-se a sentar. – Creio que alguns desses assuntos podem esperar.

_Precisamente, porque com o que Harry nos contará, tenho certeza de que aí sim terá assuntos importantes para resolver. Sirius, Harry, façam o favor de se sentarem. – disse cruzando os longos dedos. Ambos acataram o pedido.

E durante minutos, Harry narrou o sonho. O moreno fez uma descrição do local onde tudo acontecera, o vulto baixo que transportava alguma coisa e o segundo que trazia um prisioneiro desacordado. A seqüência dos acontecimentos até ao momento em que Voldemort se ergueu do caldeirão era narrado pelo jovem que tentava não dispensar qualquer pormenor que achou que poderia ser útil.

_Você consegue identificar algum dos vultos que estavam lá presentes? Se lembra de alguma característica ou marca? – Kingsley interroga.

_O que chegou primeiro ao local com o invólucro trazia um capuz. Não deu pra ver o rosto dele. Já o segundo, quando fez um feitiço que iluminasse uma lápide, pude ver que era um homem alto, de cabelos loiros e olhos negros.

Ao ouvir isso Kingsley olhou Fudge com uma cara de preocupação.

_Harry, conseguiu perceber o que o primeiro vulto foi dizendo ao longo do sucedido? – Dumbledore pergunta sereno o que surpreende Harry, pois tanto Sirius e Kingsley pareciam apreensivos e o ministro parecia estar perplexo, ele mantinha a calma como se já soubesse que aquilo mais tarde ou mais cedo aconteceria.

_Entendi algumas coisas. Como o osso do pai, carne do servo e nisso puxou um punhal e cortou a própria mão e ainda falou em sangue do inimigo e de seguida cortou o prisioneiro...

_Não reparou em um detalhe estranho nesses vultos? – Sirius pergunta interessado.

_Pra além daquilo que já referi, não. – fala o moreno pensativo. – Está achando que algum deles pode ser o tal de Pettigrew? – pergunta relembrando a conversa que tiveram naquela manhã e notando a inquietação de Sirius na cadeira.

_Certezas não tenho, mas não me admiraria se aquele covarde fosse um deles.

_O Quem-nós-sabemos, ele...-o ministro sussurrava para si mesmo.

_Como está vendo Fudge valeu a pena ter escutado. Mas agora se quiser se retirar compreenderei, imagino que com o que ouviu tenha muitas medidas a tomar nos próximos tempos. – o director informa à Fudge.

_Ora... Dumbledore. O quem-nós-sabemos não está de regresso. Não vamos decidir o destino do povo bruxo acreditando no sonho de um garoto de quinze anos. – o ministro já em pé fala menosprezando a gravidade da situação.

_Então prefere que Voldemort decida esse destino?

_Há um clima de paz pelo qual todos nós estamos passando. Se a população ficar sabendo estarei sobre pressão, o que poderia prejudicar o meu mandato. Isso poderia até me retirar do cargo.

_O senhor se preocupa mais com os privilégios e relações importantes que o seu cargo de ministro lhe cede do que com a população?

_Você é apenas um garoto, não compreende nada dessas coisas. – fala a Harry e centra sua atenção novamente em Dumbledore. – Não vamos por o povo em alerta só por causa de um falso alarme.

_Mas vale prevenir de que remediar Fudge. – Kingsley aconselha recebendo em troca um olhar gélido do ministro.

_Um falso alarme? Eu não minto, vi-o. O vulto de cabelos loiros falou alto e a bom som que seria o dia do recomeço da jornada, o dia de retorno de Voldemort. – Harry protesta.

_Acha assim tão difícil Voldemort voltar, Fudge. Será que tem assim tanto medo que quer fingir para os jornais que está tudo indo bem? Que não há menor sinal dele?

_Não é medo! E se advertisse, direi que tirei essas informações de onde? Dos sonhos de um garoto? Acha que alguém creria em tal coisa? Pelo que saiba ele não é nenhum vidente. – Fudge protesta.

_Mas não acha que é um motivo suficiente? Se não tem medo, porque não consegue admitir a volta de Voldemort? - Dumbledore questiona.

_Simplesmente porque isso não cabe na minha compreensão e tal como falei não vou por em risco a vida de milhares de pessoas apenas por um sonho, que não passa disso mesmo, de um sonho, imaginação dele. Kingsley, vamos.

_Não vai mesmo comunicar a comunidade bruxa do que está sucedendo para que possam tomar medidas? – pergunta Dumbledore.

_Eu não tenho certezas... Que medidas tomariam? – Fudge pergunta andando e um lado para o outro um tanto atrapalhado.

_Iriam se proteger e lutar? Porque, afinal essa paz e tranquilidade em que tem vivido ao longo deste 14 anos terminarão. – Harry sugere.

_Aí está um ótimo conselho Fudge. – o director assente.

_Harry olhe para cá e me diz se alguns dos comensais que estão aqui apareceram no seu sonho. -Kingsley fala entregando um catálogo com fotos e os respectivos nomes.

Harry folhou-o e via nomes como: Bellatrix e Rodolfo Lestrange, Mcnair, Antônio Dolohov...

_Fica difícil identifica-los, pois estava escuro, mas acho que este era o loiro que estava lá. – fala apontado pra um foto onde por baixo estava escrito Bartolomeu Crouch Jr. _E este daqui também.-aponta pra um homem de cabelo quase grisalho, cara de rato e nariz pontiagudo.

_O Crouch Jr e Peter Pettigrew? – Fudge pergunta confuso. _ Eu não farei comunicado nenhum, até porque isso tudo não tem fundamento. – Fudge fala terminante.

_Vamos esperar que o problema desapareça por si? – Sirius pergunta vendo-o dirigir-se a porta.

_Porque não? E não sabemos até a que ponto Black está envolvido nisto tudo?

_Como? – Sirius pergunta indignado.

_Sim, você pode tê-lo manipulado mostrando a foto desses dois comensais.

_Eu não admito que me envergonhe. – Sirius brada.

_Meus senhores, tenham uma boa tarde! – despede-se abrindo a porta.

_Pois fique sabendo que acredito Dumbledore. – Kingsley fala antes de abandonar o gabinete.

Harry não gostou de ter sua credibilidade posta em dúvida, mas Sirius tratou de acalmá-lo, dizendo que o ensinaria a voar. No caminho até seu dormitório, encontrou Rony e seus amigos, os quais Harry convidou para irem com ele. Os rapazes logo se animaram, pedindo a Harry que os deixasse dar uma volta na Firebolt que ele havia ganhado, e por onde passava com sua vassoura, via que os alunos se voltavam olhando o objeto de modo admirado, o que o deixou um pouco sem jeito.

Passaram praticamente o restante do dia no campo de quadribol. Harry achou o jogo realmente divertido e entendeu porque todos pareciam gostar tanto do esporte, também adorou voar, coisa que demonstrou grande talento em fazer. Sirius pegou as bolas do jogo e organizou dois pequenos times, fazendo Harry atuar em várias posições diferentes, descobrindo que ele tinha excelentes reflexos, além de ótima pontaria e grande força e precisão, fazendo-o se encaixar bem em todas as posições, no entanto, era como apanhador que ele tinha um destaque tão grande, que mesmo Sirius não conseguia acompanhá-lo. Rony e os outros rapazes ficaram imensamente surpresos com a audácia e velocidade das manobras, por várias vezes Sirius quase entrou em pânico achando que Harry se espatifaria no chão, no entanto o rapaz não caiu uma vez sequer da vassoura, provocando aplausos e gritos de incentivos nos colegas de casa, os quais já faziam planos para a grande temporada do time da Grifinória aquele ano.

*
Harry acordou muito cedo na manhã de segunda, estava ansioso pelo seu primeiro dia de aula, além de completamente perdido, já que tanto Sírius quanto seus amigos só haviam mostrado a ele o lado de fora do castelo, mas especificamente o campo de quadribol. Vestiu o uniforme rapidamente, queria aproveitar o tempo antes da primeira aula para andar pelo castelo e descobrir de que matéria seria a primeira aula, mas deparou-se com um imprevisto, a gravata, ele olhou-a de várias formas e arriscou algumas vezes antes de admitir que precisava de ajuda. Como ainda era cedo para os meninos acordarem, Harry pôs a gravata no bolso do casaco e desceu para explorar o castelo.

Assim que chegou ao salão comunal viu alguns garotos mais novos que provavelmente estavam ansiosos tanto quanto ele, mas havia uma exceção, uma garota que devia ter mais ou menos sua idade, ela tinha cabelos castanhos cacheados e parecia ler concentrada.

-Com licença, desculpe atrapalhar. –disse após se aproximar silenciosamente. A morena ergueu os olhos, também castanhos, para ele, deixando que Harry visse o distintivo de monitora. –Ah, você é monitora! –fala sorrindo.

-Sim, meu nome é Hermione Granger. Precisa de ajuda? –pergunta prestativa, marcando a página que lia e fechando o livro.

-Sim, eu estou no quinto ano e gostaria de saber onde posso ver meu horário, eu não estava aqui ontem de manhã quando ele foi distribuído. –pergunta meio sem jeito, estava se achando um pouco irresponsável por ter deixado tudo para a última hora.

-Se é esse o problema está resolvido, você pode ficar com o meu, eu também estou no quinto ano. –Hermione fala entregando-lhe um pergaminho que estava em sua mochila, ao ver a expressão confusa dele, ela completa. –Eu o copiei na minha agenda, então eu não iria consultá-lo de novo. –essa afirmação fez Harry se sentir menos culpado e aceitar contente o horário, que começava com Transfiguração.

-Muito obrigado, acabo de ter um problema a menos. –fala sorrindo agradecido.

-Nesse caso, quais os outros? –Hermione pergunta em tom prático e prestativo.

-Eu ainda não conheço o castelo, até acordei mais cedo para tentar me situar um pouco, andar por aqui por perto. –Harry fala parecendo confuso e Hermione passa os olhos rapidamente por ele.

-Eu posso te mostrar os lugares principais para você não se perder e saber onde serão as aulas, pelo menos as de hoje. Seu uniforme está incompleto, então, acho melhor você por a gravata antes de irmos, assim se nos atrasarmos um pouco você não ficará atrapalhado depois. –sugere calmamente, como faria com qualquer um do primeiro ano.

-Eu acho que você não sabe, mas eu fui criado por elfos e não entendo algumas coisas do mundo humano, uma delas é como se põe essa coisa. –Harry fala mostrando a gravata e uma expressão frustrada.

-Uau! Eu já li algo sobre os elfos, me parecem ser criaturas fantásticas, além de muito diferentes de nós, toda a organização social, costumes, língua, até a magia é vista diferente. –Hermione comenta animada, sua curiosidade sendo atiçada e o tom impessoal sendo deixado de lado por instantes.

-Sim, tudo é muito estranho, vai ser difícil eu me acostumar com essas roupas tão justas que prendem os movimentos, fora a varinha, eu estou tão acostumado a fazer magia sem, que acho que nem vou usar aquilo. –Harry comenta mostrando seu desagrado principalmente com as roupas.

-Você faz magia sem varinha ou qualquer outro artefato mágico? –a pergunta mostra grande surpresa por parte da grifinória.

-Sim, você não consegue? –a pergunta soa com um ar tão inocente, que Hermione quase ouve um alarme soar em sua mente.

-Você comentou sobre essa sua habilidade com mais alguém? –ela pergunta com cuidado e falando em um tom mais baixo.

-Acho que não, por quê? –Harry não entendeu o porquê a morena se aproximou mais e começou a falar mais baixo.

-Eu vou colocar a sua gravata devagar para você ver como é, enquanto isso me ouça com atenção. –ela fala pegando a gravata e a pondo em volta do pescoço dele, que mesmo sem entender muito bem o que ela fazia, assentiu. –Os bruxos não costumam fazer magia sem varinha e são muito raros os que conseguem fazer a mão livre, portanto, não comente isso com mais ninguém. Sei que será difícil para você se readaptar, mas eu te ajudo e tenho certeza que você vai se acostumar. –o tom dela era doce e preocupado, parecia estar dando um conselho a um amigo.

-Pode repetir o que acabou de fazer? –ele pergunta e ela confirma, desfazendo parte do nó e começando a refazer, só que mais devagar. –Porque você acha que não devo contar sobre meu jeito de fazer magia?

-Porque os bruxos podem ser muito invejosos e aqueles que não o são, podem ter medo de você, afinal isso poderia indicar que você é mais poderoso e a sociedade bruxa não anda tendo experiências muito boas com bruxos muito poderosos nos últimos séculos. –comenta com um sorriso divertido ao mesmo tempo em que acaba o nó na gravata de Harry. Porém, diante de um sorriso tão luminoso, Harry não prestou atenção nisto.

-Obrigado por me ajudar, por ser paciente e principalmente pelo conselho. –Harry fala sorrindo e a observando melhor, ao primeiro momento não reparara na morena, mas agora via o quão seus traços eram delicados e harmoniosos.

-Não precisa me agradecer, afinal é parte dos meus deveres de monitora. Agora se me esperar uns minutinhos, vou deixar minhas coisas no dormitório e já volto. –Hermione fala indo até a mesa e pegando seu livro e sua mochila.

-Tudo bem, vou pegar minha varinha, acho melhor não me separar dela. –Hermione concorda e depois segue para seu dormitório.

Assim que os dois se reencontram, saem para andar pelo castelo e durante o trajeto Hermione fala mais sobre a escola, o funcionamento, as regras, sobre a personalidade dos professores e o nível de exigência de cada um. Também explica sobre as matérias e se surpreende ao notar que Harry não sabia nada sobre do que elas tratavam. Harry também aproveita para tentar se aproximar mais dela, fazendo perguntas pessoais, a fim de quebrar aquele tom sério e quase profissional de Hermione.
Não só a conversa fora boa, mas o passeio rendeu bastante, Hermione conseguiu mostrar a maioria das salas, o local de alguns banheiros e a biblioteca, no entanto, não houve tempo para o café-da-manhã e os dois tiveram que correr para não se atrasar para a primeira aula. Chegaram um pouco ofegantes, mas tomaram assento antes que McGonagall iniciasse a aula. O início foi dedicado a uma longa narrativa sobre os N.O.M.S. que para Harry pareceram um teste como o que havia feito antes de sair de Almaren. Hermione parecia concentrada em cada palavra da professora, a qual Hermione havia confessado ser sua favorita.

Depois de uma breve, mas clara explicação sobre Feitiços de Desaparecimento, a professora colocou uma caixa sobre sua mesa e pediu que cada aluno pegasse uma lesma para treinar o feitiço.

-Ela quer que peguemos esses animaizinhos e testemos o feitiço neles, sabendo que podemos errar? –Harry pergunta a Hermione com uma expressão indecifrável, estava surpreso com tamanha crueldade.

-Sim, você não gosta da idéia? –Hermione pergunta um pouco receosa.

-Mas é claro que não! É um absurdo tratar seres vivos como coisas! –Harry agora parecia estar perdendo a calma e direcionava um olhar nada feliz para os alunos que iam pegar as indefesas criaturas.

-Calma, vamos até a professora e falamos com ela em particular, tenho certeza que podemos chegar a um consenso. –Hermione fala de modo sóbrio, mas Harry quase rosna uma resposta que dizia que não mudaria de idéia.

-Sr. Potter, fico feliz que tenha se aproximado de uma aluna tão aplicada quanto a Srta. Granger, tenho certeza de que ela poderá te ajudar muito. –McGonagall fala ao vê-los se aproximar.

-É justamente o motivo de eu estar aqui, professora McGonagall. Harry não acha que seja correto usar seres vivos para testarmos feitiços. –Hermione tenta ponderar, mas o olhar nada amistoso de Harry mostra que ele estava quase que revoltado com aquilo.

-Harry, sei que os elfos são muito ligados aos seres vivos...

-Eles não são ligados , os elfos amam e respeitam os seres vivos! Eu fui criado junto aos animais, admirando suas qualidades e particularidades e posso ver mesmo em um animal aparentemente desinteressante como este, algo de especial. – a voz de Harry era baixa, mas enfática e mostrava todo o descontentamento com a situação atual. –Porque não testamos em nossos tinteiros ou qualquer outro objeto?

-Porque há muita diferença entre usar este feitiço em um objeto e em um ser vivo, pode ser ótimo em fazer desaparecer um objeto, mas quando precisar ocultar um companheiro em meio a uma situação de perigo, terá chances muito grandes de falhar. –McGonagall argumenta em tom compreensivo.

-Eu não poderia testar em mim mesmo? –Harry pergunta com uma postura simples e digna.

-Isso seria muito mais difícil, sem falar que poderia se machucar seriamente. –a professora tenta explicar, mas Harry parece estar disposto a tentar mesmo assim.

-Não há um jeito de fazer você aceitar, talvez compensar as lesmas de algum jeito? –Hermione pergunta tentando evitar o embate.

-Talvez, preciso perguntar. –Harry fala pensativo e depois abre a mente, alcançando a das lesmas e perguntando se havia algo que ele pudesse oferecer em troca da ajuda delas na tarefa. Houve um momento de pausa e uma chuva de imagens surgiu na mente de Harry, mostrando o que pareceria satisfatório a elas. – Elas querem que você dobre a ração, que deixem elas em um lugar alto, escuro e longe da janela. Mas a principal condição é que garanta que os gatos e corujas mantenham distância delas.

-Você pode se comunicar com os animais? –Hermione mais uma vez era pega de surpresa, mas desta vez estava completamente encantada com o “dom”.

-Sim, se quiser eu te ensino. É algo que todos os elfos aprendem quando ainda pequenos. –Harry fala com simplicidade e Hermione por um momento imagina se ele era muito humilde ou inocente.

-Eu vou ficar muito grata se me ensinar, mas essa é uma daquelas coisas que você não deve divulgar por aí. – o tom dela é cauteloso e Harry somente assente.

-Como assim? –McGonagall pergunta curiosa e olhando-os atentamente.

-Eu aconselhei ao Harry que não fizesse magia sem varinha diante das pessoas e que não dissesse que pode fazê-lo a ninguém. –Hermione comenta e McGonagall sorri satisfeita.

-Foi um sábio conselho, agora peguem seus gentis colaboradores e continuem a aula. Harry, diga a eles que atenderei a todas as exigências. –Harry consente e pega uma das lesmas, assim como Hermione que o segue de volta para seus lugares.

Como o esperado, Hermione conseguiu executar o feitiço perfeitamente, já Harry tinha muita dificuldade em lidar com a varinha e conseguiu no máximo deixar sua lesma um pouco pálida.


N/A: Oi, é a Lílian! Demorou um pouquinho, mas o cap veio bem grande, espero que gostem.

N/A²: O que acharam do jeito como Harry conheceu Hermione e do relacionamento dele com ela e Sirius?

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