Learning the rules



MÚSICA: "BREAK ON THROUGH"- THE DOORS



“It’s all about the lines. The finish line at the end of your work. Waiting in line for a chance to go to the field. And than there is the most important line. The one separating you from the people you work with. It doesn’t help to get familiar. To make friends. You need boundaries. Between you and the rest of the word. Other people are far too messy. It’s all about lines. Drawing lines in the sand and praying like hell no one crosses them. So, you can waist your life drawing lines. Or, you can live your life crossing them. But there are some lines, hat are way too dangerous to cross. Here’s what I know. If you’re welling to take a chance, the view from the other side is spectacular.”


Hermione abriu os olhos, a claridade da janela a trouxe de um sono completo e absoluto de volta a realidade num segundo. Ela piscou. Uma súbita noção de que se encontrava no sofá, coberta com apenas um lençol longo e azul a fez despertar energicamente. Agora... Geralmente, não se recordava muito bem da noite anterior quando esta vinha acompanhada de uma considerável quantidade de bebida. E isso nunca a agradara muito... Entretanto, desta vez, os acontecimentos da noite anterior estavam por demais nítidos em sua mente... Ela gemeu. Estava com dor de cabeça... Reconhecia os sintomas da ressaca, já havia tido outras antes. Mas nenhuma com conseqüências tão desastrosas.

Levantando os olhos observou o relógio na mesa ao lado do sofá. Estava atrasada. Para o primeiro dia de trabalho. O que não era bom, nada, nada bom... Apanhando o par de óculos à sua vista, arremessou-o para o homem deitado no chão de sua sala de estar. Ele ainda dormia de bruços, supunha, já que não via seu rosto dali, apesar de poder reconhecer facilmente os cabelos negros e assanhados dele, entre outros atributos... Levantando-se e enrolando-se no lençol, apanhou uma almofada e cobriu o que obviamente não pretendia continuar olhando, devido claro, à recente situação. O baque pareceu desperta-lo:

- O qu...? – Harry abriu os olhos. Uma leve dor de cabeça se alojava em suas têmporas agora. Um objeto leve, porém afiado atingiu um de seus olhos, que ele identificou como sendo seus óculos. Colocando-os ele olhou em volta. Hermione acabara de levantar-se e sem dizer uma só palavra caminhava pela sala apanhando peças de roupa que identificou como sendo dele. – Oi...

- Oi. – respondeu a mulher levantando-se de trás do sofá e virando-se em seguida.

- Então, er... – tateou ele. – Sobre ontem, eu...

- Olhe... Você é você, e eu sou eu. – cortou ela rapidamente. – Então, vamos pular isso ok?

- Bom, eu... Ok...

- Esse negócio de “conversa do dia seguinte” e tal... Esquece, ta? – explicou ela, reunindo as roupas do amigo e entregando-lhes num arremesso. – Harry confuso, levou pouco mais de dois segundos para realmente compreender a situação. Ela estava o enxotando? De verdade? – Agora... Eu vou subir, e quando eu voltar você não vai estar aqui, então... Tchau Harry. – e dando meia volta, ela caminhou em direção ao seu quarto e fechou a porta.

- Sério?! Sério?! – balbuciou Harry exasperado. – Inacreditável...



- Você está atrasada. – falou Giny ao ver Hermione entra no lobby.

- Eu sei. – retrucou ela caminhando em direção a uma saleta onde ela poderia por sua capa. A mulher a seguiu. – Onde está Rony?

- Lá dentro, com Harry. – respondeu ela. – Por que você se atrasou?

- Eu... É uma história comprida... – murmurou Hermione ao entrar no que parecia um vestiário. – E os outros?

- Também acabaram de chegar. – explicou Giny, imaginando que a amiga se referia a Malfoy e Luna.

- Certo... O instrutor? – questionou Hermione. Era o primeiro dia de estágio deles... E ninguém sabia ainda qual seria sua equipe, muito menos instrutor.

Entretanto, após quatro anos de treinamento na academia, o que mais chegara aos seus ouvidos era o quão dura seria a rotina de auror... Por isso, se havia uma palavra que resumia seu estado naquele momento era completo e pleno nervosismo... Talvez um pouco de curiosidade, ou excitação... Só um pouco.

- Ainda não chegou. – falou rapidamente e mudando ainda mais rápido de assunto. – Então, até que horas vocês ficaram no Joe’s?

- Tarde...

- Por isso vocês se atrasaram? – continuou.

- Sim. Nós estávamos... Conversando. – mentiu Hermione.

- Rony ficou também? – prosseguiu a ruiva incansável. – Hermione raciocinou um pouco antes de responder:

- Er... Não ele não ficou.

- Então foi só você e Harry? – questionou incisivamente se apoiando na porta do armário da amiga impedindo-a de pegar sua capa.

- Eu... Giny será que dá pra dar uma pausa? – pediu Hermione impaciente afastando-a e se preocupando em amarrar sua capa longa e negra, uniforme que indicava seu departamento, no pescoço.

- Tudo bem... Nossa que mau humor! – resmungou ela saindo pela porta do vestiário, Hermione seguiu-a.

O Joe’s, era um bar. E Joe, desde ontem, se tornara um amigo. O local ficava logo atravessando a rua, em frente ao Ministério, no centro de Londres. Perfeita localização, imaginara da primeira vez que foi lá. A noite anterior... Havia obviamente uma razão para que ela e os amigos houvessem passado praticamente a noite inteira bebendo. Harry havia chegado de viagem. Ao contrário dos amigos, seguira para treinamento em Nova York, onde aparentemente havia sido muito bem preparado... Claro, infelizmente ou felizmente, Hermione não tinha absoluta certeza, ambos não haviam tido muito tempo livre para que ela soubesse dos pormenores da viagem visto que estavam entretidos entre outras coisas...

- Então... Vocês sabem qual deles é o nosso? – comentou Luna juntando-se às duas que agora observavam um grupo que conversava ao lado de longo balcão circular no centro do longo lobby. Hermione foi arrancada de seus pensamentos:

- O instrutor?- questionou ela.

- Lupin me disse que nós ficamos com a “‘Mão de Ferro”. – cortou Malfoy se aproximando das três seguido por Harry e Rony, entretidos em uma esquentada conversa.

- Você está na nossa equipe? Ele está na nossa equipe? – reclamou Giny apontando para ele que ignorou com um sorriso zombeteiro, e sem esconder a irritação voltando-se para Hermione, que não prestava muita atenção. – Isso está errado! Deve estar!

- Você quer dizer que é uma mulher? – perguntou Luna.

- Sério? – questionou Rony, incrédulo, e encerrando a pequena discussão que tinha aos sussurros com Harry.

- Tem algum problema com isso Ronald? – retrucou Giny, que não se encontrava em bom humor. E respirando fundo continuou. – Bom, vamos acabar com isso de uma vez certo? Qual o nome dela?

- Bailey. – Respondeu Harry simplesmente. Hermione fitou o balcão efusivamente.

Caminhando em direção ao balcão onde uma mulher baixinha se mantinha agora sozinha com uma prancheta nas mãos. Os outros seguiram Giny que estendeu a mão direita e apresentou-se com um sorriso no rosto:

- Olá. Você deve ser Bailey! – a mulher, que se encontrava de costas voltou-se para Giny e o resto do grupo que caminhava em sua direção.

- E vocês quem são? – retrucou franzindo a testa numa clara demonstração de indisposição.

- Nós somos a sua equipe... – respondeu Luna levemente confusa. – De treinamento...? – os olhos da mulher passaram pelo grupo, e recaíram sobre ela que levantou as sobrancelhas em espera por uma resposta.

- Meu Merlin... – resmungou a mulher balançando negativamente a cabeça.

- Nós ouvimos bastante sobre você... Senhor... Ita. Senhorita. – corrigiu-se Draco, levemente desconcertado. Bailey olhou para ele séria:

Eu tenho quatro regras. Memorizem. Regra número 1: não gastem seu tempo bajulando, eu já os odeio e isso não vai mudar. Protocolo de emergências. – disse a mulher apontando para a bancada onde seis grossos formulários se encontravam ao lado do que Hermione identificou rapidamente – Isso vai ser seu instrumento de comunicação. Vocês não se afastam dele nem por um segundo, a cor varia de acordo com a emergência. Vocês acharam instruções no protocolo.

Harry observou o objeto oval que foi entregue em sua mão. A ele parecia uma simples pedra exageradamente lisa e pesada. Não fosse uma pequena haste que ele supôs poderia prender na sua roupa, assim fazendo. A instrutora continuou:

- Vocês atenderão aos chamados com urgência! Essa é a regra número 2. – e caminhando pelo hall virou no primeiro corredor à esquerda de uma das lareiras com o grupo em seu encalço. – Essas são as salas de descanso, dos aurores. Durmam quando puderem onde puderem. O que me leva à regra número 3: Não me acordem a não ser que alguém esteja morrendo. Regra número 4: É melhor que ela não esteja morta quando eu chegar lá, porque não só vocês terão matado alguém, como terão me acordado pra nada. - o grupo se endireitou. – Vejamos... – começou ela observando a ficha nas mãos. – Lovegood.

- Eu. – respondeu Luna.

- Certo... – continuou após uma olhada na mulher e mais um abano de cabeça.

- Weasley.

- Aqui. – responderam Giny e Rony ao mesmo tempo.

- Weasleys, ok.... – disse confirmando novamente algo no papel. – Granger...

- Eu, aqui. – respondeu Hermione dando um passo à frente prontamente. Bailey analisou-a por um momento:

- Você deve ser a tagarela... – Hermione piscou. Pode ver pelo canto dos olhos que ambos Harry e Rony faziam esforço inútil para esconder uma risada. A mulher prosseguiu. – Malfoy.

- Aqui. – respondeu Draco.

- Eu não gosto de ser bajulada Malfoy... – comentou simplesmente enquanto marcava um xis no papel e fazia algumas anotações. E então parou. Seus olhos levantaram e ela observou Harry com um olhar que ele reconheceu como sendo característico, indo até a sua cicatriz meio escondida por entre os cabelos assanhados. – Então, nós temos uma celebridade no nosso grupo... – e baixando os olhos marcou um último xis.



- Sigam-me todos vocês. Agora. – acrescentou, visto que por um lapso de segundo ninguém se moveu. – Ok... Meu nome é Bailey, e eu serei sua instrutora durante todo o seu treinamento.

- Eu posso ver agora porque ela é Mão de Ferro... – murmurou Draco para Giny, que o ignorou.

- Vocês são estagiários. A base da cadeia alimentar do Ministério! – continuou ela. – O que significa: vocês não falam, não dormem, não respiram a não ser que eu ou algum auror o diga!

- Nós precisamos conversar... – Hermione sentiu a aproximação de Harry pelas suas costas e o soar da sua voz num tom baixo em seu ouvido.

- Não, não precisamos. – retrucou em voz baixa, num esforço imenso para ignorar o arrepio que subiu pelo seu pescoço.

-... E especialmente, nenhuma conversa enquanto eu estiver falando, fui clara? - acrescentou Bailey parando e se voltando para o grupo. – Harry afastou-se levemente um passo da amiga

- Sim... Absolutamente.

- Sim senhora. – murmúrios de entendimento soaram no grupo até que ela continuou com a explicação:

- Vocês estarão trabalhando em turnos, e atendendo a casos em auxilio aos seus superiores. Bom comportamento, e serão mandados em campo... Envergonhem-me na frente do chefe, e a sessão de arquivos vai ser a última coisa que vocês verão aqui nesse prédio.

- Falando em ferro... – comentou Rony em voz baixa.

- Você tem algo a dizer Weasley?

- Não senhora. – respondeu Rony calando-se prontamente.

- Seu plantão começa agora e dura 48 horas! – explicou ela. - Ok, eu tenho três casos em minhas mãos. – disse ela estendendo três pastas vermelhas. – Weasley! – Giny deu um passo à frente. – Não você ele. Aqui, vá com Malfoy, Webber está no fim daquele corredor. – Draco franziu a testa em desagrado. – Granger, você e Potter, ficam comigo, aqui. – ordenou entregando lhe uma ficha vermelha e grossa nas mãos de Hermione. – Weasley e Lovegood, vocês ficam com Arnolds. - acrescentou por último. – Vocês estarão trabalhando com suas duplas até o fim do dia. E eu quero relatórios na minha mesa até o meio dia.

- Er... Senhora. – pediu Hermione.

- Sim, Granger. – respondeu Bailey voltando se para ela respirando fundo. -Todos já foram. É melhor a senhorita ter uma boa explicação para estar em pé na minha frente agora.

- Eu... Bom, eu só estava pensando se... Se eu poderia ser designada para outro caso, ou... Ou trocar de parceiros, eu...

- Não você não pode. – resmungou Bailey dando meia volta e seguindo pelo corredor à direita da menina. Hermione respirou fundo. Ótimo. Aquilo seria ótimo...

Hermione deu meia volta e caminhou e direção aos arquivos no andar de baixo. Com um pouco de sorte ela e Harry acabassem não precisando passar tanto tempo juntos...

Harry apressou o passo e entrou no elevador antes que a porta se fechasse. Hermione levantou os olhos.

- Hei. – chamou ele. – Nós estamos no mesmo caso, você não pode fugir de mim, pelo menos não até o meio dia. – disse ele em tom descontraído.

- Eu não estou fugindo de você. – justificou-se. – Eu estou indo trabalhar no caso. – Olhe, sobre ontem.

- Sim?

- Você sabe...

- Na realidade depende... – falou Harry tranquilamente. – Você está se referindo a gente ter feito sexo, ou você ter me expulsado da sua casa hoje de manhã? Porque ambas as lembranças são muito boas e eu gostaria de relembrá-las...

- Você tirou vantagem de mim ontem e agora está tentando fingir que não aconteceu. – falou Harry com tom ainda mais brincalhão.

- Como? – titubeou Hermione por um momento.

- Eu estava bêbado, vulnerável e sou muito bonito. E você se aproveitou de mim.

- Eu não me aprov...! – reclamou Hermione com ar ofendido. Mas Harry cortou-a com um sorriso nos lábios:

- Digamos... Que você tire vantagem de mim de novo. Hoje... – Hermione pigarreou dando um passo para trás. Não imaginava que um elevador pudesse se tornar tão pequeno para duas pessoas, especialmente em se tratando dela e de Harry...

- Ok... Primeiro, eu era quem estava bêbada. – replicou levantando um dedo e pondo na cara do amigo que ria abertamente. Hermione fitou o painel e voltou-se para Harry novamente. – E segundo... Você não é tão bonito assim! – mentiu ela. Ele riu mais ainda:

- Eu estava ontem à noite, eu estava usando minha camisa vermelha... Que por sinal eu adoraria ter de volta, é a minha favorita... – acrescentou se aproximando da amiga que recuou até a parede:

- Eu... Pare! Pare! – exigiu Hermione sentindo um corar que raramente sentia subir até suas maçãs. – Hoje é meu primeiro dia de trabalho. E... – Harry levantou as sobrancelhas esperando por uma desculpa plausível. – E... Eu, não posso fazer isso agora, ok? Quero dizer... Você realmente quer conversar sobre isso?

- Normalmente não, mas já que é você, e... Bom, nós. É diferente!

- Exatamente! Não precisa ser certo? Então só, esquece ok? – e apertando o botão do elevador ela seguiu pelos corredores.



Giny baixou os olhos e encarou a pia. Luna estaria provavelmente procurando por ela... Ambas foram instruídas em um caso. Não era muito complicado, entretanto, enquanto pesquisava os precedentes do caso, a pedido de um dos aurores trabalhando nele, ela acabou ligeiramente entretida na sala de arquivos...

Respirando fundo jogou um pouco de água no rosto e fitou seu reflexo. Estava nervosa. Na realidade, nervosa mal começava a definir seu estado. Mal arranhava a superfície... Ela estava mais próxima de um colapso nervoso, isso. Colapso...

Sua noção de certo e errado havia entrado em colapso a menos de cinco minutos atrás... E o mais estranho era que ela não se arrependia, de modo algum. O que a irritava mais ainda.

O que ela estava pensando de qualquer forma? Era seu primeiro dia de trabalho! Ela deveria mostrar competência, e postura. Isso, postura! Se agarrar atrás de uma estante de arquivos não era postura! Era errado. Muito, muito errado! Especialmente com...

- Oi. – Hermione abriu a porta do banheiro com força e caminhou em direção a pia. Repetindo os mesmos gestos da amiga, Hermione respirou fundo E parou por um momento em silêncio.

- Oi. – respondeu Giny que observava a mulher ao seu lado, aparentemente tão transtornada quanto ela.

- Nós transamos. – Giny piscou.

- Não, não fizemos. – respondeu Giny confusa.

- Não Giny! Não agente! – retrucou Hermione impaciente. – Eu! Eu! – disse estendendo a mão para puxar uma toalha.

- Ah... Bem, bom pra você! – replicou Giny ainda meio confusa. E com certo desinteresse perguntou puxando ela própria uma outra toalha e enxugando o rosto. – Você e quem? – um momento de silêncio se fez.

- Harry. – respondeu Hermione caminhando em direção a porta. Giny parou.

- O que?! – Giny a seguiu.

- Você me ouviu!

- Quando?

- Ontem... Depois do bar, e da bebida, e...

- Como?!

- As coisas meio que saíram do controle, e...

- E vocês dormiram juntos?!! – Hermione se virou alarmada, estavam no meio de um dos corredores do ministério.

- Giny! Mais alto, por favor! – replicou com sarcasmo.

- Foi mal... – desculpou-se ainda atônita.

- Ok, primeiro de tudo, nós não dormimos juntos.

- Claro que não vocês fizer...

- Não! Não diga isso! Não foi isso certo? – rebateu Hermione antes que a amiga dissesse algo muito, muito perigoso. A situação já estava complicada o suficiente sem incluir a palavra “amor” no meio. – Foi sexo. Ok? Só sexo.

- Sim, claro... – disse Giny completamente descrente. Ela saia que ambos os amigos seriam capazes de sexo sem compromisso, mais um com o outro... Aí já eram outros quinhentos...

- De qualquer forma... – continuou Hermione ainda caminhando. – Eu acordei e meio que surtei quando... Bom você sabe.

- E daí?

- Eu... – e fechando os olhos ela respirou fundo. – Eu o enxotei.

- Oh! Bom, isso é... – tateou Giny dividida entre uma risada e surpresa.

- E agora... Eu tenho um caso para resolver com ele, durante o dia todo, e eu não sei o que fazer!

- Bom você poderia não ter dormido com ele.

- Giny, isso não é de muita ajuda sabe?

- O que você quer que eu diga? – replicou Giny perdida. – Eu se fosse você tomava cuidado pra essa história não se espalhar... Fora isso você que vai ter que se resolver com o seu McSonho... – disse ela com um sorriso. Ela já sabia onde aquilo acabaria dando...

Hermione parou.

- McSonho? – e aqui ela não pode deixar de sorrir. – Quem surgiu com isso? – perguntou ela rindo ao ver Giny se afastar. A amiga se voltou:

- O pessoal da enfermaria. Bem... Cabível não acha? – acrescentou ela com uma gargalhada. E ela estava certa, pensou Hermione com a sensação de que estava absolutamente perdida.



- Sua casa é enorme! – insistiu Rony. – Você pode muito bem aceitar agente!

- Não eu não posso! – replicou Hermione dando uma dentada no seu sanduíche. Estava faminta. Horário de almoço, os cinco se encontravam sentados nos degraus das escadas do ministério comendo antes que Bailey os arrastasse para mais um turno cansativo e trabalhoso.

- Rony está certo Mione! – apoiou Luna.

- Eu não divido banheiros! – disse Hermione.

- Ora vamos! – Pediu Giny. Nós três somos seus amigos! Além do mais você tem espaço! – Hermione engoliu outro pedaço do seu sanduíche.

- Eu sem arrumar casa... – argumentou Rony.

- E eu cozinho, além de ser obsessiva com limpeza. – acrescentou Giny.

- E eu sou engraçada então... Você gostaria de me ter por perto. – comentou Luna abrindo seu próprio sanduíche.

- O qu... Eu...! Porque vocês não vão morar com Harry? Ele também mora aqui em Londres!

- Eu moro em apartamento! – defendeu-se Harry.

- E daí? – retrucou. – Eu moro com Bicuço!

- Novamente, porque eu moro em um apartamento! – respondeu Harry simplesmente. – E você tinha concordado em ficar com ele!

- Eu sei que eu concordei, mas mesmo assim! Um hipogrifo e mais três pessoas! – Desde que Harry viajara para o treinamento, Hermione ficara com Bicuço... Uma espécie de custódia conjunta, os dois haviam decidido.

- Vamos Hermione!!! – insistiu Giny. Hermione respirou fundo.

- Eu não acredito que eu estou fazendo isso... – murmurou ela baixando a cabeça.

- Ótimo!! – exclamou Luna.

A porta das escadas se abriu e Malfoy surgiu:

- Bailey está chamando, agora! Espero que tenham aproveitado o lanchinho de vocês... – retrucou com mau-humor.

- Já? – exclamou Rony surpreso. Um ar de cansaço era visível não só no seu rosto, mas no de todos ali. Estava óbvio que a maioria havia sido pega de surpresa pela rigidez do primeiro turno.

- Não é tão mal assim...

- É fale por você... – retrucou Hermione se levantando. Harry riu.

Giny observou enquanto os dois saíam pela porta e se voltou para Draco:

- Ela não chamou de verdade chamou? – Giny observou o rapaz enquanto ele sorriu levemente:

- Claro que chamou. O que você acha? Que eu inventei uma desculpa só para vir aqui?

- Isso. – ele sorriu de novo.

- Bom Bailey realmente está estressada, mas agente sempre pode aproveitar uns momentos raros de lazer certo? – retrucou se aproximando. Giny se afastou bruscamente e partiu.



Hermione passou por outra estante em busca do arquivo.

- Agente pode repensar isso sabe? – falou Harry por trás da mesma estante.

- Não, não podíamos... – retrucou Hermione, agradecendo que Harry não podia ver o pequeno sorriso que se formou nos seus lábios. – De qualquer forma, eu achei que nós tínhamos combinado em não tocar mais no assunto.

- Eu não me lembro disso... – Hermione forçou a memória, de fato, ela não havia dito aquilo. – Achei!

- Não importa Harry. – ela pode ouvir uma risada vinda do outro lado da estante. – O que importa é que foi só sexo.

- Ótimo sexo. – acrescentou Harry. Hermione se manteve em silêncio por um momento, analisando a noite anterior:

- Que seja, foi ótimo. Mas mesmo assim, foi só sexo. – Harry não respondeu. Contornando a prateleira lotada de livros e pastas e mais pastas, ele parou em frente a amiga com um sorriso:

- Hermione... Você mesma disse, lembra? Você é você, e eu sou eu, certo? Sexo entre agente sempre vai significar algo... – disse ele se aproximando um passo. Hermione sentiu o corpo esquentar violentamente.

- Eu... O qu... Pare de me olhar assim!

- Como?- retrucou Harry com ar de desentendido.

- Como se você me visse nua! – respondeu ela levemente revoltada. Ele sorriu.

- Há uma linha aqui, Harry. – falou Hermione quase num tom de apelo. – Que separa amigos, de... Mais que amigos. E... Uma linha que nós não vamos atravessar...

- Uma linha que nós já atravessamos. – corrigiu Harry.

- Não, nós não...

- Sim, nós atravessamos.

- Não. E se nós cruzarmos essa linha, não tem volta. – aqui ela respirou fundo. Ele estava agora sério. - Você entende o quão arriscado, e... E se isso não der certo...

- Sim... Então, você nem ao menos considera o fato de que possa dar certo...? Certo, eu entendo... – e dando meia volta ele saiu. Hermione encostou a cabeça na estante respirando fundo. Ela havia acabado de fazer uma enorme burrada? O arrependimento dentro dela dizia que sim... Abrindo os olhos ela seguiu o amigo.

- Esse é o arquivo? – perguntou Bailey.

- É sim. – respondeu Harry. – De 1976.

- Foi o mais recente que achamos... – acrescentou Hermione.

- Certo. Cheque o depoimento dele e mande uma cópia para a minha sala.. – ela observou os dois parados. – Vão agora! Terceiro andar. Eu preciso escoltar vocês dois?

- Não senhora!

- Nós estamos indo... – os dois seguiram em direção ao elevador. Hermione pressionou o botão do terceiro andar e ouviu uma voz suave anunciando o movimento do elevador. Ela se manteve em silêncio.

- Então... Essa linha. É hipotética, ou eu devo escolher um lado do prédio pra que agente não esbarre um no outro?

Hermione respirou fundo em busca do restinho de autocontrole que lhe restara depois da noite anterior. O que ela estava fazendo? Ela não precisava de um McSonho na vida dela! Especialmente sendo ele seu amigo, seu melhor amigo. Aquilo seria complicado demais... Sem contar que havia uma possibilidade muitíssimo grande de que ela acabasse se magoando. Entretanto, não era aquilo que importava era? Afinal, apesar da vozinha que lhe dizia para manter seu relacionamento com Harry estritamente platônico. Havia outra ainda mais alta que dizia que ela devia se jogar de cabeça naquela maluquice de uma vez. E era justamente essa voz que a impelia loucamente para que largasse aqueles papéis e beijasse-o como ela o fizera ontem.

E sem pensar muito sobre a ação, ela o fez. Ela não podia dizer exatamente que Harry estava preparado para aquela reação da amiga. Entretanto, sua resposta foi à altura. Hermione arrastou uma das mãos da sua nuca até os cabelos assanhando-os ainda mais, puxando-o para perto de si. Foi instantâneo, ela pode sentir as mãos dele envolvendo sua cintura e aproximando-a intensamente, rapidamente.

Hermione pode ouvir um leve bip ao longe, uma leve noção de que ainda estavam dentro do elevador tomou conta dela, estavam provavelmente no quinto andar agora. Mas foi logo substituída pela sensação quente das mãos dele percorrendo as suas coxas, e empurrando-a contra a parede. Um outro bip. Quarto andar. Eles seriam pegos... O que não era bom, de modo algum. Pretendia compartilhar a preocupação que lhe abatera agora, entretanto, a idéia de parar aquele beijo não se mostrava muito atraente... Harry sorriu. Estava provavelmente pensando o mesmo que ela... Eles tinham que parar. Um outro bip. Terceiro andar. Ela o afastou e ele se encostou à parede à sua frente. Podia ver que não era a única que mostrava dificuldades em respirar. Harry trocou olhares com Hermione por não mais que uma fração de segundo, até que a porta se abrisse e um grupo de pessoas entrasse. Hermione se abaixou apanhando vários papéis espalhados pelo chão e pressionando-os contra o peito caminhou em direção à saída com um sorriso mal disfarçado no rosto.

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