COMO TUDO COMEÇOU



CAPÍTULO 1
== COMO TUDO COMEÇOU==





A história que irei contar, não é uma historia qualquer. É a minha história. Quem eu sou? Um nome é apenas um nome, uma insigna a qual damos significado, algo que realmente não importa. Mas, apenas para constar, meu nome é Valerie Farrow. Essa é a minha insigna a qual dei um significado. Sempre achei que eu fosse uma garota comum. Mas descobri que meu propósito era muito maior. Iniciarei meus relatos a partir do dia em que toda a minha vida mudou. Do dia em que tudo começou. Do dia em que conheci a vingança.
Bem, tudo começou quando eu tinha 5 anos. Era muito pequena, mas ainda me lembro perfeitamente. Eu e meus pais vivíamos tranqüilos. Estávamos na sala, meus pais assistiam o noticiário e eu brincava no tapete com minha boneca de porcelana, a qual ainda tenho. Quatro homens armados invadiram nossa casa e tudo que vi foram meus pais caírem. Um deles me pegou e disse sorrindo para os outros:
- Vejam só, acho que conseguimos uma cobaia.
Gritei abraçada a minha boneca e não vi mais nada. No dia seguinte (que descobri depois de muitos anos não ter sido o seguinte) acordei em um orfanato, na ala hospitalar, a enfermeira se chamava Clarice Mayrink. Ela era muito bondosa e foi muito gentil comigo. Passei muito tempo lá. Estudei e cresci. Minha professora favorita era a professora Dinks. Ela me ensinou muito. Cresci um tanto isolada das outras crianças, mas sempre contava com ela. Sempre fui a aluna “esquisita” do orfanato. Ainda me lembro como se tivesse sido ontem. Havia rosas, plantadas nos jardins e nas janelas dos quartos. Rosas Scarlet Carson. Eu ajudava a professora Dinks a cuidar delas e sempre que era primavera o lugar ficava com um doce cheiro de rosas. Mas minha maior surpresa veio quando estava para completar 10 anos. Algo incrível aconteceu comigo. Não tinha certeza do que aconteceu, mas mudou completamente minha vida. Começou na ultima semana de outubro. Uma semana antes da lua cheia.
Eu me sentia mais forte, e estava realmente. Enxergava no escuro, pressentia as coisas. Lembro-me de quando estava sentada na escadaria, fazendo meu dever e uma garotinha pirralha veio sorrateiramente pelas minhas costas para me pregar um susto. Eu ouvi a respiração dela, ouvi seus passos, ouvi seu coração. Ela estendeu as mãos para me empurrar e antes que me tocasse me virei e segurei seus pulsos. Ela me olhou como se eu fosse um monstro arregalou olhos do tamanho de pires e saiu gritando. Desde aquele dia quando me via nos corredores saía correndo, percebi que seus pulsos haviam ficados vermelhos, inchados e roxos em alguns pontos no lugar em que os segurei. E eu não empreguei força naquilo, tudo em mim estava mudando. Meus reflexos estavam ficando mais rápidos, minha coordenação mais perfeita. Mal sabia eu que era apenas o começo. Foi na noite de lua cheia que a coisa piorou. Não consegui dormir, então sai pelos corredores, em total silencio para que não me pegassem. Fui até os jardins e assim que vi a lua, senti uma dor muito forte, senti minhas costas se rasgarem, minhas unhas se tornaram garras e caí ajoelhada no chão, já ficando agonizada. E então, parou. Simplesmente parou, assim como começou. Corri até a janela para ver o que havia acontecido. Não acreditei no meu reflexo. Eu não era mais como antes. Estava mais branca, meus cabelos que eram castanho-escuro estavam quase pretos, e meus olhos estavam mais marrons que o normal. Mas isso não foi o que mais me espantou. Foi o que havia em minhas costas. Onde as senti rasgando-se haviam crescido duas asas. Grandes, belas e negras. Corri e acordei a professora Dinks. Ela não conteu seu espanto ao me ver.
- Calma professora, sou eu Valerie – disse-lhe.
- Oh, meu deus!
- O que aconteceu comigo, professora?
- Não sei. Tenha calma, volte a dormir. Amanhã bem cedo resolveremos isso.
Mas eu não voltei ao dormitório. Não, e se alguém acordasse e me visse assim? Saí novamente ao jardim, olhei minhas asas, “não deve ser só de enfeite” pensei, fechei meus olhos e me concentrei. Senti-me leve e quando abri os olhos vi que não estava mais no chão. Foi a melhor sensação de toda a minha vida. Eu podia voar! Voar! Eu mesma não acreditei. Voei por aí a noite toda e voltei ao colégio pouco antes de amanhecer. Cheguei ao quarto e espiei pela janela. Lá fora o sol nascia. Senti minhas costas se abrirem e se fecharem. Olhei e não vi mais asminhas asas. Deitei-me e fingi estar dormindo. Não demorou muito e vieram nos acordar. A manhã transcorreu normal. Ate que eu tive uma idéia. Será que eu poderia controlar esse meu novo poder? Disfarçadamente entrei no banheiro e tranquei a porta. Concentrei-me, me esforcei, e consegui. Tinhas asas novamente. Eu podia controlar. Alguém bateu na porta e imediatamente tentei voltar ao normal. Não consegui, tentei de novo já ficando nervosa e consegui. Abri a porta e nem olhei quem estava ali, apenas saí correndo. Aquilo tudo era incrível. Depois do almoço, a profª. Dinks veio falar comigo sobre o ocorrido na noite passada.
- Não sei o que aconteceu com você – ela disse – mas posso ajudá-la a controlar seus... Ahn... “Poderes”.
- O.K
A partir daquele dia, todos os dias eu tinha “aulas” com ela por duas horas. Ela me ensinou diversos tipos de lutas, dizia que aprendeu com seu pai. Ensinou-me a controlar meus “poderes”, que ficavam fora de meu domínio no período da lua cheia. Quando fiz 11 anos, a profª. Dinks me adotou. Fiquei muito feliz, e passei a morar com ela. Estudava no orfanato e também continuava tendo as “aulas” por duas horas. Passei anos assim, e minha vida estava cada dia mais feliz. Mas tudo mudou, quando tudo parecia estar bem, acabou. Naquela manhã, como se ela já soubesse o que viria ela me chamou. Levou-me a um terreno que ficava nos fundos do prédio onde morávamos. Empurrou um dos tijolos do muro e uma escada se revelou. Descendo-a encontrava-se uma enorme casa subterrânea.
- Quando meu fim chegar – ela disse – e sei que ele está próximo quero que cuide desse lugar. Ele simplesmente não existe perante o governo e não pode ser localizado. O lugar por onde entramos é só uma das três entradas que existem. Você deve lacrá-la, pois ela é a mais fácil de ser vista. Terá tempo para descobrir as outras e poderá viver em paz aqui.
Limitei-me a ouvir e ela me mostrou parte da casa. Voltamos ao prédio e ela me pediu para ir ate o mercadinho para comprar pão. Vivíamos em uma época em que o governo era de uma forte ditadura. Tudo que fazíamos era controlado, a profª. Dinks, assim como eu, éramos contra esse governo. Na época achei que fosse por isso, mas depois descobri o verdadeiro motivo. Já estava voltando e antes que atravessa-se a rua, o prédio explodiu. Fiquei alguns segundos parada, olhando tudo queimar, então ouvi a voz da profª. Dinks gritar por socorro. Larguei a sacola de pão, ali mesmo e corri até o prédio. As pessoas agora se aglomeravam para ver o que estava acontecendo. Entrei me concentrei e abri minhas asas. Afastava as chamas com o vento que elas produziam. Cheguei ao terceiro andar, que era onde morávamos. Ela estava presa em baixo do armário. Corri e tentei tira-la de lá.
- Não – ela disse – estou no meu fim. Se não for hoje, será amanhã. Vá, senão você irá morrer, vá Valerie, vá!
Saí dali com o coração na mão. Não havia mais ninguém no prédio. Fiquei olhando de longe o prédio queimar, ainda ouve outras explosões, e a partir daquele dia, jurei vingança, jurei justiça. Prometi para mim mesma que faria justiça, que não deixaria que a maldade dominasse aquela cidade. Naquele dia uma nova Valerie surgiu.

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