O Abraço da Serpente



 


 


 


 


“Você se apóia ao amor de Draco na esperança que ele mude ou renegue de uma vez por todas tudo que conhece desde que nasceu, mas ele não é mais capaz disso. Entende? Ele fechou o juramento com Voldemort. Ele decidiu por livre e espontânea vontade fazer o ritual. Deve estar preparada Granger, para o que virá. Draco mudou. Argumentos sentimentais nunca mais funcionarão com ele, maior que todos os poderes que ele vai adquirir com o tempo depois desse ritual, é a imunidade aos sentimentos que ele adquiriu. O herdeiro de Slytherin não pode amar


 
 


 


                     Globos Cintilantes sobrevoavam as cabeças dos estudantes. Estátuas de Gelo iluminavam um ambiente quase gótico, os vestidos volumosos eram arrastados pelo salão de Hogwarts numa dança medieval e principesca. Estrelas cadentes caíam em volta dos bruxos naquele salão, o céu estrelado mostrava além da atmosfera. Era um quadro de contos de Fadas que Hogwarts oferecia aquela noite para os estudantes. Nenhuma menina de quatorze ou dezesseis anos amanheceria numa Guerra sem ter tido sua noite de princesa, pensava Dumbledore.


 


                       Tão jovens, tão amaldiçoados... Eles poderiam dançar, depois de tudo o que lhes dissera? Deveriam... Aquela noite seria a mais mágica de todas, era o humilde presente de Hogwarts para aqueles estudantes desafortunados que poderiam vir a perder a vida... Uma noite para dançarem, amarem...


 


                        O Diretor por sua vez, recolhia-se na sua tristeza... O destino de cada rosto sorridente naquele salão era por demais duvidoso e ele, não era mais nenhuma representação de segurança para nenhum deles. Sua vida ia se esvaindo, ele sentia... Sua era ia aos poucos anunciando a sua partida e enfim ele não conseguira garantir a segurança para nenhum deles.


 


                        Mas os rostos naquele salão ainda o eram delirantes, deslumbrados, pareciam levar mais que séria a idéia de tornarem aquela noite única e livre de pensamentos de Guerra. Era tanta magia em volta deles que prendiam-lhe o interesse. Livrava-os do medo e da angústia. Àquela noite eram todos iguais. 


 


                Amigos riam-se como se fossem realmente apenas entrar de férias e ficar poucos meses longe um do outro. Casais se embalavam na pista trocando palavras carinhosas, juras e desabafos... Parecia um baile de formatura como de todos os anos, com um diferencial: Muitos ali talvez nunca mais fossem se reencontrar, muitos ali talvez não fossem sobreviver... Muitos ali talvez fossem lutar entre si. De uma forma bela, Dumbledore apreciava o desabrochar de uma ilusão morta. A ilusão de que tudo daria certo...


 


                  Então o diretor vira, passar quase invisível e onipresente, mas ainda sim chamando atenção para si, Draco Malfoy. De forma rasteira e ágil, abrindo caminho a sua frente apenas com o olhar, como um Comensal da Morte intimidador, como rei daquele castelo. 


 


               Dumbledore sentira um arrepio na espinha já idosa quando o loiro sentira o seu olhar, olhando-o de volta por uma fração de segundo sem desviar-se de seu caminho, com uma sombra atrás da mascara negra que lhe lembrara Tom Riddle em tempos de escola. Aquele jeito de andar e olhar, como se estivesse constantemente em seu ambiente de caça, como se tudo lhe pertencesse e ninguém representasse uma ameaça maior que a dele.


 


             Dumbledore sentira aquela intenção maligna no olhar de Draco, sentira aquele poder que ele carregava, como a tantos anos aprendera identificar presenças malignas a sua volta, sentira incontáveis ameaças a sua espreita, nenhuma fora tão terrível e sinistra como aquela. Sentia que aquele não era mais o filho de Comensais, era um deles agora. Mas a mensagem do loiro chegara aos ouvido de Dumbledor ao mesmo tempo que seus instintos, quase que numa melodia sussurrada.


 


              “Esta noite, ainda somos iguais.” – Respondera Draco sem nem ao menos balbuciar uma palavra, sem nem ao menos diminuir a velocidade dos passos e na fração de segundo que Dumbledore se vira aceitando aquela declaração já perdera a sombra do loiro naquele salão. 


 


              Sabia que podia estar traindo os estudantes de Hogwarts deixando-os em perigo com a presença daquele Comensal que Draco se tornara, mas não sentia a iniciativa de tratá-lo como tal aquela noite. Ele estava certo, aquela noite Hogwarts ainda era sua casa. E ele também fazia parte das almas perdidas que mereciam seu conto de Fadas antes da Tormenta.


 


               Aliás, observado de longe, Draco em especial, sempre lhe fora um caso à parte... amaldiçoado. Ele temia e alertara sobre a decisão de muitos ali naquele castelo, pudera, vira mais bruxos encantarem-se com a magia das Trevas principalmente para lidarem com a eterna exclusão social que sofreram do que era capaz de contar. Porém Draco Malfoy, que nunca tivera problemas para se socializar e quem sempre fora tão popular e conhecido, já nascera sem escolhas.


 


              Draco Malfoy... 


 


             Agora Dumbledore sentia um pesar sinistro em seu peito. Sempre tão dedicado a Harry, a quem via uma criança excluída e já destinada a grandes batalhas, preocupado com sua formação e caráter... Enfim Harry não tivera tantos problemas para formar o próprio caráter, apesar de sofrer muito na infância e conhecer a discriminação, acabara por ter pessoas que o quisessem bem e zelassem por ele. 


 


             Já Malfoy, nunca o tivera... Nem das pessoas que o criaram, nem das pessoas que já o viam como um jovem de maus elementos. Devia ter se empenhado mais em Draco Malfoy... agora ele se lamentava, sentindo seu coração velho adoecer mais um pouco. “Ele se tornou o que todos já esperavam porque ninguém interviu por ele... Nem eu”.


 


           Sim... Ele também merecia aquela noite.


 


           


          E o Herdeiro de Slytherin saberia aproveitá-la...


 


 


 


             Hermione podia sentir os cacos, frios e afiados jogados dentro do seu peito. Segurara seu pingente fume num instinto rápido e quase idiota, para conferir se este estava inteiro constatando que era realmente dentro de si que acontecera o acidente. Seu diamante estava aos cacos... A única jóia preciosa que possuíra, o único artefato valioso que a importara... Na sina de nunca ter nada, ou melhor, ter pouco... aprendera a lapidar as poucas coisas que tinha. E no medo de perdê-las, aprendera por endurecer a proteção que possuía...


 


             E céus, como fora que ficara tão fraca e miserável? Quem fora o primeiro a raspar seu coração? Harry? Seu suposto melhor amigo? Que lhe ensinara sobre menosprezo, desvalorização, pena e remorso antes de lhe falar sobre amor? Draco? Que lhe ensinara tudo sobre humilhação e descriminação, dando-lhe mesmo um novo sentindo às lágrimas e tristeza antes de decidir trata-lhe com mais carinho?


 


          Oh, mas não era justo, era? Odiar agora todos os homens da Terra, só porque descobrira que todos possuíam o talento de feri-la.... 


 


         Ephram tinha razão... Estavam em Guerra agora, os seus sentimentos não importavam mais... E agora os passos do lobo branco se aproximavam, vinham agora para caçá-la, sentia-o farejá-la e quase adivinhara quando uma linha divertida derramara-se pelos lábios do loiro...


 


 


Ei princesa. – Os olhos de Hermione arregalaram-se com um arrepio sinistro ao pé da nuca, sentira como se Draco o estivesse sussurrando atrás de sua orelha, roçando os lábios em sua extremidade. Sentira-se enjoada e confusa, como se ingerido alguma espécie de veneno. Tudo isso por não suportar aquela linha inimiga que era a fronteira entre o conforto de sua voz e o pânico de estar próximo do portador. – Estou aqui em baixo. 


 


               Que idéia era aquela de descer para o baile? Estaria muito mais segura na torre da Grifinória. Nem ao menos acompanhante ela tinha... Por que se permitiu um intervalo de suas ironias? Um momento de fuga do seu mudo desesperador para dançar e rir, como se fosse uma garota normal.


 


             Mundo esse que supostamente, seu namorado não seria um comensal e a esperaria ao pé da escadaria com um brilho nos olhos (perigoso sim, mas unicamente no contexto sexual). Bem... pensara Hermione, O cara de seus sonhos a estava esperando ao pé da escada... mas ele é um comensal, e o brilho de seus olhos não a permitiam sair de trás da pilastra. 


 


            Harry tinha razão, ela notara, em arrasta-se aos dias e anos de sua vida com aquele peso de tristeza por perceber antes de todos, que o momento de felicidade era limitado... até mesmo escasso... e para aqueles que o sabiam, muito mais difícil...  


 


– Não Precisa ter medo de mim... Eu nunca faria nada para machucar você... Não você. 


 


            Hemione entendia-se que Draco devia ter um conceito muito diferente do dela quanto ao termo “machucar”, mas aquelas últimas palavras do loiro, um tanto quanto cínicas, ajudaram Hermione a reunir as lembranças do assassino que vira na Mansão Malfoy. O loiro de costas largas, a enorme serpente tatuada... a franja branca e suada caída contra a face num olhar de diamante restaurado. Arrancaram-lhe as dores do amor... e por sua livre e espontânea vontade no desejo de enxergá-la ainda nas feições de Hermione. Aquela velha intenção de humilhá-la... como se ela não fosse reconhecê-la. Enfim conseguira a coragem necessária para sair de trás da pilastra. Então uma voz conhecida começara a cantar...


 


 "Ouvir a Musica"


“Pride can stand a thousand trials


(O orgulho agüenta um milhão de provas)


The strong will never fall


(Não cai nunca o que é forte)


But watching stars without you


(Mas vendo estrelas longe de ti)


My soul cried


(Minha alma chorou.)”


 


 


             Era a voz de uma mulher negra que começara a cantar e Hermione quase gritara de susto ao notar que era a mesma mulher que cantava, a mesma canção de vinte anos atrás em sua visão com a Evans e o Ephram. 


 


             Todas as dores de seu corpo acentuaram-se. Estava em pé no meio da escada com aquela sensação de perda ao encontrar os olhos cristais de Draco, que pareciam refletir na verdade seu coração de diamante lapidado ainda inteiro, diferente do seu. 


 


            Aquela música era como um pára-quedas, sua coragem que no meio da colisão não se abrira. Pelo contrário, debatera-se contra o vento tornando a queda muito mais desgovernada e veloz. Caindo diretamente pro subsolo do castelo, mesmo que seu corpo permanecesse ali, quinze degraus acima do de Draco, que apenas a encarava com um semblante misterioso atrás da máscara, o padecer de uma garota apaixonada. Quase insinuando que amaciaria sua aterrissagem, mas com um brilho nos olhos que não incentivaria ninguém a saltar de cabeça.


 


 “Grieving heart is full of pain 


(O coração entristecido está cheio de dor...)


All of the aching


(Toda a dor)”


 


                O Lobo vira sua presa no topo da escada tão imponente e ferida como uma miragem de ninfa. Daquelas tão belas e desejadas, perigosas e sofridas. Feições de uma rainha retraída.  Sua tiara brilhava acima de seus cachos desgrenhados completando o traje de bela amargurada. 


                 Encontrara imediatamente o lobo branco em forma de homem que a aguardava quinze degraus abaixo. As feições dela eram duras, exigindo ao máximo de si mesma entre outras: coesão, racionalidade, frieza, maturidade... mas o ar que era puxado para seus pulmões era tão tenso e amedrontado como o de uma lagarta sem asas, uma borboleta no seu único dia de vida, presa entre as paredes de vidro.


                 Hermione descera um degrau, e o simples gesto fora suficiente para revelar a Draco o tamanho de sua ferida. Draco sorrira, tinha algo na garota que o encantava. Era sua fragilidade, sua inocência de menina brava, Suas feições intimidadas e reprimidas de quem ainda espera uma prova de amor... mesmo quando não acredita mais nele. Tão linda era a forma que ela sonhava, pensara ele, tentando inutilmente enganar-se e mais inutilmente enganar a ele...


 


“'Cause I'm kissing you, oh


(Porque eu estou beijando você)


I'm kissing you, Love


(Eu estou beijando você, amor)”


 


                Os degraus iam diminuindo, e ao se aproximar cada vez mais de Draco, Hermione sentia aquela brisa gelada contra a sua pele, aquela maresia de arrepios e incertezas similar de quando se aproximava do mar... infinito e misterioso. Era assustador o modo como aquele caminho se tornara ainda mais terrível do que ela imaginava.


                Isso porque quanto mais se aproximava, ia notando, não as feições de assassino e fera que esperava, as feições que refletiam a áurea que ele trazia para o castelo e que ela sentira todo momento contra a pilastra. E sim no lugar, feições de garoto... extremamente pálido, mas saudável, com um sorriso brincalhão e caloroso que pareciam afim de lhe fazer uma graça atrás da máscara.


                Parecia ter sido transportada no tempo, de uma forma dolorosamente anestesiante, pois Draco nada parecia ter mudado. A castanha perguntava-se se só ela era capaz de ver o garoto meio arrogante e atraente por trás da máscara. Se ela estava sob algum feitiço ou apenas despertara de uma péssima realidade. Mas a maior ameaça que Draco parecia apresentar, quanto mais se aproximava dele, era um comentário arrogante e debochado, ou agarrá-la numa atitude de posse. 


            Sentira uma punhalada forte que identificara como saudade. “–Não terei de te forçar a dançar comigo desta vez, terei? ” Ela lembrara da última vez que descera as escadas no mesmo sorriso nos lábios do loiro com a missão de tentá-la.


            Faltavam cinco degraus e o sorriso do loiro se alargara, olhando-a de cima a baixo, deixando Hermione zonza com também um sorriso inocente nos lábios. Perdera a linha do raciocínio, aquilo devia ser um sonho, o único lugar seguro para onde poderia ir para os braços de Draco que ele a receberia com aquele belo sorriso. Poupara-se por continuar a resistir aquela ilusão, pois ela era por demais agradável. Ele não era o Herdeiro de Slytherin ali, era seu Draco... que a esperava para a ultima valsa do baile.


 


“Touch me deep


(Toca-me fundo)


Pure and true


(E pureza e verdade)


Gift to me forever


(Meu presente eterno.)”


 


             Um grande Candelabro de Cristal também começara a descer no céu estrelado do salão, prendendo a atenção de todos ali presentes que encantaram-se com a iluminação do baile. Mas Draco e Hermione não desviaram o olhar um só momento, nem mesmo quando o pingente de cristal fume no colo de Hermione refletia como uma estrela quando encontrara com os reflexos dos cristais do candelabro. 


             Hermione parecia uma princesa indo de encontro a ele, seu rosto castanho de traços delicados emoldurado por revoltadas madeixas castanhas despenteadas, seu vestido estava agora em tons de um verde claro arrastando uma longa calda majestosa atrás de si.


         Quando apenas três degraus separavam os dois, Draco estendera uma das mãos para a castanha, ainda sustentando o olhar interessado, deslumbrado... 


           Quando Draco Malfoy notara naquela sangue-ruim Grifinória todas as razões de sua vida... aquele olhar de orgulhoso apaixonado e controlador que a obrigaria ser dele àquela noite, brincando e saboreando-se com seu gênio difícil. A castanha no mesmo sorriso largo e deslumbrante imediatamente aceitara a mão de Draco. E num impulso rápido e acolhedor, os lábios se juntaram.


 


“'Cause I'm kissing you, oh


(Porque eu estou beijando você)” 


 


              Toda a história que Hermione conhecia parecia ter se esvaído. Seus lábios eram tão doces e ásperos como sempre foram os lábios de Draco Malfoy. O tempo estava tão devagar... mal podia-se ouvir o tocar do relógio da torre, mas a melodia continuava contornado aquele quadro. Tudo em volta parecia girar e Hermione sentira-se a mais feliz do mundo. Merlin... nunca sentira felicidade como aquela. Não lembrava direito do motivo que a separava de Draco, mas tudo se iluminara quando ele voltara para ela... quando ela o vira ali, esperando por ela... quando a beijara prometendo naquele beijo, que ela ainda era dele e o seria para sempre.


              Os lábios tinham uma aspereza mais selvagem, um gosto amargo... ela sentia, uma possessão e fúria imediata, como se sugasse os restos do seu diamante através daquele beijo. Como se seu beijo fosse arrancar pedaços dos seus lábios, porque no amor dos Lobos o beijo era mais agressivo. Como se a cada investida do loiro ficassem um pouco mais além do chão, subindo e dançando para além do teto mágico do castelo. 


            Hermione sentira uma lágrima descer, não conseguindo conter o alivio que sentira, aquela sensação de liberdade e vitória. Não era mais necessário nem Esperança, mesmo que fosse capaz de reunir, pois tudo acabara bem... Draco estava ali com ela... abraçando-a numa valsa lenta, protegendo-a ate de suas inseguranças internas, beijando-a regularmente entre um pensamento confuso e outro.


– Seus lábios frios não me enganam... É você de verdade! Atrás dessa máscara, seu olhar cinza e pálido... É o meu Draco que está aqui, de volta pra mim... – Dissera Hermione numa voz rouca e desesperada, agarrando-se mais ainda a Draco e acariciando-lhe os fios platinados numa gota de luxúria e felicidade ao contestar que era tudo realidade.


 


“I'm kissing you, Love


(Eu estou beijando você, amor)”


 


           


         A valsa estendera-se agora instrumentalmente, mas nada em volta era precisamente registrado, pareciam sozinhos, isolados um com o outro. Draco correspondera o abraço de Hermione tão firme e seguro na precisão que ela necessitava. Sentia naqueles braços frágeis toda fragilidade adquirida, o quanto aquela alma fora maltratada e estava ali finalmente sentindo-se segura, nos braços que almejava. 


 


             O Lobo tinha o queixo apoiado no topo da cabeça de Hermione que sorria e fungava contra o seu pescoço. Ele puxara o rosto castanho de Hermione com as mãos beijando-lhe de leve a testa. Ela fechara os olhos recebendo toda a porcentagem daquele carinho, daquele consolo, que doía mais do qualquer outra coisa.


 


 


- Me desculpe pela dor que te fiz passar. Eu prometo que nada mais agora vai nos separar...


 


            Hermione fungara ainda mais contra o peito de Draco, abraçando ainda mais aquela realidade, com medo de se perder dela, ser sugada para fora dela.


 


- Nunca mais deixarei alguém te fazer mal... Nunca mais te deixarei sozinha... – Ele falava em seus ouvidos, atravessando todos os nervos da garota como choques de ressurreição.


 


- E a guerra? – Perguntara Hermione agora num fio de desesperança, finalmente se lembrando de algo que os cercava. Os olhos arregalados em medo... as unhas cravando-se nas vestes do loiro sentindo-se perder-se aos poucos.


 


- Essa guerra não tem nada a ver com a gente Hermione... Temos um ao outro e é só isso o que importa. 


 


           Sua voz soava como um canto profundo com a missão de adormecê-la, de acalmá-la... o sussurro querido vindo daqueles lábios que também lhe beijavam atrás da orelha. 


 


– Eu estive pensando na gente... – Ele dissera agora engolindo em seco acariciando de leve o ombro esquerdo de Hermione. – Parece que eu tenho um acervo gigante na minha mente de todas as coisas que você já disse... de todas as vezes que seu olhar cruzou o meu... parece que eu posso reviver todos os momentos em que vi você atrapalhar-se com os próprios cabelos por causa do vento... 


 


              Hermione ouvia cada palavra arrastada que saia dos lábios do lobo como se um martelo batesse contra seu peito, fechando os olhos de leve, sendo embriagada pelo veneno delicioso da Serpente.


 


- Do seu olhar franzido e escuro atravessado de mágoa todas as vezes que te chamei de Sangue-Ruim... Lembro de como você me pareceu dolorosamente linda da primeira vez que o fiz. Tínhamos doze anos e eu nunca sentira nada parecido como aquilo... me nocauteara de forma absurda o seu olhar... Aquele olhar de garota rejeitada pelo amor... Eu me apaixonei pela sua Beleza Amarga.


 


- Amarga... Traumatizada... Qual a verdadeira diferença? – Ela dissera mecanicamente sem perceber.


 


- Vamos embora daqui... construir aquilo que tantos tentam tornar impossível... Vamos nos livrar desse mundo cheio de “pessoas que se importam” porque pra elas não passamos de peões... E peões não amam... – Ele acariciara-lhe a nunca – peões não podem ter o que nós temos Hermione... o que vamos ter...


 


- E o que vamos ter? – Ela perguntara num tom derrotado, mas precisamente necessitada de ouvir os argumentos do loiro. De alguém que tinha esperanças, porque ate então ela já havia perdido. – Culpa? Traição? O sangue de outros em nossas mãos? Em nossos beijos?


 


- O sangue de outros, exatamente! – Draco repetira agora um pouco mais alterado. E aquela ligeira alteração apertara ainda mais o peito de Hermione. – Não temos que carregar nada disso Hermione! 


 


        “Não temos que carregar nada disso” aquelas palavras ainda se repetiram dentro da mente da castanha, surpreendendo-a, brincando com ela.


 


- Não estou mais tão certa disso... – Ela respondera perdida em todas as sílabas.


 


- Mas para isso acontecer algumas pessoas realmente devem morrer. E eu não quero esperar pra ver quem sobrevive. 


 


             Ela sentira um arrepio perigoso em sua espinha. Não conseguia identificar de onde vinha a ameaça e isso a apavorava, pois Draco permanecia indiferente. 


 


- Eu entendo que você não tenha o emocional adequado para enfrentar tudo o que está por vir... afinal, você é só uma garota...  mas eu preciso passar por isso tudo, por nós dois. Entende? Eu sou o único que tem a força para fazer o que têm que ser feito...


 


           Hermione subira os olhos para o nada, sentindo uma onda gigante aparecer aos poucos por trás de si, pronta para engoli-la de volta para o fundo do oceano. As lágrimas grossas iam na mesma velocidade da compreensão, inundando as pupilas amendoadas de Hermione, e Draco que ainda a embalava num abraço romântico, pelo salão no som da valsa, agora esticara o canto dos lábios num sorriso com um pitar doce de satisfação.


 


“Where are you now?


(Onde você está agora?)


Where are you now?


(Onde você está agora?)”


 


 


- O que está tentando me dizer? Eu não consigo mais te entender... – A voz da castanha estava recheada de um medo pavoroso, implorando que ele afogasse-lhe os cabelos rindo-se da piada que fizera. Os primeiros sinais da consciência dentro de um sonho.


 


- Ah não se preocupe Herdeira de Sépia, - sua resposta viera no mesmo sussurro comprometedor, como quem diz carinhosamente que tudo vai ficar bem. – você vai entender. Eu vou acabar com essa guerra pra vocêEu vou matar todos eles. Eu não me importo de fazer sacrifícios, não por nos dois. Eu não tenho valores. Já os seus valores... são importantes pra você. (Esses não devem ser ameaçados).


 


                O tom cruel do fim de suas palavras fizera Hermione infectar-se do recinto de seu orgulho, sugando de uma só vez de volta para as órbitas castanhas as grossas lágrimas, e remoer-se em seu íntimo e dentes, aquela tristeza e dor tão humilhantes. Finalmente entendera o verdadeiro jogo de Draco, e seu verdadeiro poder de fogo. 


 


                  Ele a envolvera numa espécie de hipnose, onde seus maiores desejos se realizariam. Draco voltaria para ela e a guerra não seria mais problema deles. Ele a livraria de seus maiores pesadelos para depois devolve-los de forma que o divertisse. Ainda nos braços do lobo, Hermione despertara e reconhecera sua crueldade...


 


“'Cause I'm kissing you,


(Porque eu estou beijando você)


I'm kissing you


(eu estou beijando você)”


 


            Respirara fundo, mais de uma vez e pesadamente, controlando os berros que vinham de dentro do seu ser, temendo por aquele nome que ela se preparava pra dizer. A palavra chave para o despertar daquele sonho, a prova viva e consciente de que ela fora uma idiota e que tudo não se passara de uma doce ilusão de sua cabeça infantil e Fraca. Céus, dizê-lo era aceitar sua derrota mais uma vez, e enxerga o buraco da bala contra o seu peito... jogar-se ao chão.


 


Malfoy. – Ela dissera rouca e consciente. 


 


          Draco não conseguira conter um suspiro divertido. Sorria na nuca da castanha, e agora seu sorriso surgira perigoso e selvagem, porém sem sair das suas quase inexpressivas feições.


 


 - O que você tem Granger...? Parece confusa. – Perguntara a voz de Draco ao pé de seu ouvido.


 


          O deboche quase invisível entre as palavras. Seu tom de preocupação soara tão verdadeiro que deixara Hermione ainda mais nauseada e angustiada. Desejando desesperadamente acordar daquele pesadelo, sair de perto dele e daquele ator que brincava com ela.


 


- Por que você voltou? – Ela perguntara quase sem voz, num murmúrio.


 


- O que você acha? - ele respondera em cumplicidade no mesmo tom sussurrado que ela. 


 


          A castanha arrepiara-se ainda mais com aquela resposta. Via-se completamente indefesa, pela primeira vez nos braços do loiro temera pela sua vida. O lobo sentira o cheiro daquele desespero e sorrira mais uma vez de leve.


 


          A garota parara de ouvir a valsa, e seus pés também pararam incertos no meio da pista. Seu corpo ainda entrelaçado com o lobo, seus ouvidos embriagando-se com a respiração da Serpente. Sentira náusea e exaustão no momento que a coragem pousara no topo de seu estômago, forçando-a e encará-lo. 


 


           O faria ali pela primeira vez, saindo da ilusão do Comensal e forçando-se a ignorar todos os impulsos de seu ser, procurara os olhos caninos de Draco, encarando-os de forma tão dura e ameaçadora que conseguira ver um sentimento de pena estender-se pelas pupilas extremamente cinzas e ferozes, pupilas de um ser irracional, selvagem...


 


         Aquele homem não mais conhecia sentimentos e guiava-se unicamente pelo instinto, ela via. E seu instinto no momento era feri-la e o fazia magnificamente bem, de forma ainda mais calculista e cruel. Ler os olhos de Malfoy fizera Hermione enxergar o quão patética estava aos olhos do lobo, ali suspirando suas aflições, agarrando-se a ele num pedido de socorro. Logo a ele. Era tanta humilhação que sentia que sentira uma violenta vontade de vomitar e quase o fizera quando mais uma vez não conseguira segurar seu próprio instinto covarde ao se pronunciar tão miseravelmente.


 


- Vá embora. - Até mesmo Draco se surpreendera com as palavras da castanha. Não era um pedido, apesar de não ser seguido por “Por Favor” podia-se entender ali claramente um ato de misericórdia. Draco rira e forçara Hermione a continuar a valsa, que tão indefesa e fraca não tinha forças para se defender.


 


- Embora? Não, antes de tomar o que é meu por direito. – Ele dissera descontraído porem igualmente perigoso. Num tom que nunca vira sair dele antes.


 


          O cenho da castanha franzira-se em confusão, tinha nojo do modo que não conseguia sair dos braços dele que agora guiava seu corpo como que a uma boneca de pano.


 


- Do que está falando...? – Ela perguntara lutando contra o mal estar e pavor que tentavam expulsar o pouco de coragem que conseguia identificar dentro de si. 


 


          Draco abrira um sorriso vitorioso. Que sorriso lindo, igualmente selvagem e perigoso. Hermione virara o rosto com brutalidade ainda mais nauseada e esse gesto fora suficiente para permitir mais aproximação do loiro.


 


           Apavorando-a num gesto rápido ele agora segurara com uma das mãos o pescoço da castanha encostando os lábios na outra extremidade do mesmo, como se a qualquer momento fosse cravar os caninos em sua pele e sugar de uma só vez o sangue gélido e sem vida da garota, que se assustara também com o sentimento de derrota que quase a fizera desejar que ele o fizesse por um momento. Mas numa torturante indecisão ele se demorara por roçar os lábios em sua pele enquanto gesticulava palavras que agora, novamente, ela mal entendia.


 


– Ainda agora... a caminho de Hogwarts, pude sentir o leve cheiro do suor contido no ninho entre seus seios... 


 


          Hermione sentia-se cada vez mais mole, mais tonta, mais entregue aquela droga mágica que era seu tom de voz.  Seus dedos desceram pelo seu colo tocando o pingente fume e sua pele com intimidade. 


 


- Seu peito subir e descer em ansiedade... seu coração acelerado... Posso escutá-lo bater. Posso ouvir o vento revolta-se lá fora cada vez que toco a sua pele. Todo o seu corpo desejando o meu, implorando para que eu te maltrate, porque de alguma forma... – O lobo rira – A dor te excita. 


 


        Hermione abrira pouco os olhos embaçados, coberta de vergonha e pudor, sentia-se nua aos seus braços, ele explorando toda a sua intimidade. 


 


- Sempre que eu te machuco você se entrega ao doloroso romance que você criou na sua cabeça... A idéia de que nunca poderá ser feliz comigo torna nossa paixão imediata. 


 


        O hálito quente do lobo tocava-lhe a nunca, corada e tensa tinha a impressão que todos em volta podiam ouvi-lo falar, mesmo que o soubesse impossível. Sentia-se exposta como nunca antes. 


 


– Mesmo agora, cheirando a medo, posso sentir você desejar que eu a possua... E eu poderia fazê-lo aqui mesmo, na frente de todos... Poderia expor sua intimidade que você não questionaria. E isso tudo me faz lembrar que você está em divida comigo. 


 


         O cenho da castanha franzira-se mais ainda não acreditando no que estava ouvindo, perdida em algum elo entre o pudor e incompreensão, raiva e humilhação. Odiava o modo como falava com ela, como se sabendo perfeitamente as conseqüências que se seguiriam dentro dela e o saboreasse mais ainda.


 


- Eu não tenho nenhuma dívida com você. – Fora a única coisa que conseguira dizer e desejou não ter-lo dito pelo quão infantil soara.


 


- Tem sim. Eu ganhei todas as apostas. Você se apaixonou por mim e o admitiu de formas muito mais óbvias do que se você o tivesse dito. 


 


         Hermione derramava-se em tristeza e enjôos na mesma velocidade que ele o dizia, lutando contra o seu corpo de todas as formas que conhecia para que não chorasse, não implorasse... não machucasse ainda mais a si mesma por não suportar estar na sua pele. 


 


– E como prêmio da aposta, eu vim exigir você, deitada em baixo de mim. 


 


        Os olhos da castanha arregalaram-se em espanto como que uma sétima faca fosse atirara contra as suas costas com o peso de um machado. 


 


– Que seja nosso acordo, não deixando nada pendente... Eu te deixo finalmente em paz, tanto porque não há mais nada que eu queira de você. 


 


        A castanha mantinha-se congelada, enojada daquele pesadelo horrivelmente envolvente por suas cruéis caricias. 


 


– O que me diz Granger? Se entregue pra mim, completamente que eu poderei arrancar gritos de prazer da extremidade mais sombria do seu orgulho de uma forma que o Potter nunca saberia fazer.


 


           A menção àquele nome despertara Hermione, ela empurrara Draco para longe enojada de sua fragilidade enquanto o loiro inundava o salão do castelo com sua gargalhada. Agora ela sabia que todos prestavam atenção e nunca vira Draco tão divertido com seu constrangimento antes.


 


- Como você é sensível meu amor... – Ria-se Draco. 


 


         Hermione respirava com dificuldade sentindo-se espremida entre os demais olhares, encurralada em sua armadilha. Fizera menção de sair dali às pressas, não suportando continuar perto do loiro.


 


 – Fugindo? Hermione Granger Fugindo???  – Dissera a voz grossa e roucamente debochada de Draco às suas costas, Hermione parara intacta. 


 


           Agarrara-se ao seu orgulho completamente ferido, já incapaz de garantir-lhe alguma segurança, seus dentes rangiam-se dentro de sua boca incapaz de reagir como uma leoa raivosa como sempre fazia.


 


            Draco via as costas decotadas de Hermione enrijecerem-se de um sentimento estranho que ele estudava com precisão e interesse. O maravilhava a forma que ela se mantinha firme mesmo que fosse tão transparente. Divertia-o adivinhar até que ponto ela conseguiria atuar sua bravura, instigava-o também nessa mesma precisão e percebera, por um milésimo de infeliz descontentamento que não mentira ao todo de sua brincadeira, realmente nunca a desejara como naquele momento, tão bela e raivosa guardando poderes além de sua compreensão e ao mesmo tempo se mostrando tão vulnerável ao ridículo meio que era o amor.  


 


           Virara-se de vagar engolindo em seco ao encontrar o olhar cristal de Draco atrás da mascara, cada vez mais satisfeito com suas reações... como se as previsse, planejasse e calculasse nos mínimos detalhes.


 


Você tem razão. – a voz ríspida da castanha o desperta. De vagar então ela virara-se para o loiro num olhar tão embaçado e frio como as vidraças daquele castelo.


 


             O lobo incomodara-se com aquele tom de voz da garota, com aquele resquício de orgulho que ela conseguira reunir, se perguntando se nada era capaz de quebrar aquele diamante. Então uma voz dentro de si o acalmara. Não, ele era. O espírito grifinório da garota só o tornava mais divertido. 


 


– Eu sempre desejei você. – Ela admitira sem pesar e o sorriso do loiro apenas se alargara em satisfação, aquele sim era um placar inesperado. – Você soube podar meu gênio difícil e ir me conquistando com seu simbólico ego infantil. Me tomando pra si como um menino mimado que quer um brinquedo. E eu admito que teve o momento em que eu quis ser seu brinquedo. Eu quis ser seu capricho, porque era o capricho do qual você não abria mão, exigia. Você me exigia. 


 


           O lobo se aproximava em passos lentos e perigosos de gato selvagem, quase num ritual. A aproximação intimidava Hermione ele vira, mas esta fizera um esforço mais que sobrenatural para manter-se em quaisquer que fosse sua estratégia. Patética estratégia, notara ele ainda sorrindo. 


 


– Mas agora que estamos botando as cartas na mesa – ela atrevera-se a rir – o que mais você espera, que...


 


- É inútil. – Ele a cortara perigosamente esperto, perigosamente perto. A castanha gaguejara perdendo por um momento a linha do seu raciocínio calculista que poderia ser sua salvação. – Eu posso ouvir o que você pensa. – Ele dissera simplesmente fazendo a garota novamente pairar a beira de sua derrota. Engolindo em seco ela tentara ignorá-lo.


 


- Eu queria dizer: Parabéns. – Ela tentara manter a voz confiante e gelada. Ele a olhara ainda mais de lado, interessado. – Você realmente usou todas as armas que tinha...


 


- Não, minha querida. Eu nem comecei. – Ele a cortara novamente, dessa vez causado uma pausa maior entre os dois pares de olhos que desafiavam-se. 


 


         Os olhos amêndoas não conseguiram manter o contato visual por muito tempo, recuando covardemente para uma possível segunda iniciativa. Todos os seus passos pareciam extremamente detalhados para o loiro, como se observasse uma equação antes muito complexa.          


 


- Eu realmente desejei que você viesse. – A voz da garota agora soara humildemente recolhida quase numa declaração dolorosa, com os olhos virados para o nada, abaixo de seu queixo largo.- Precisava dizer tudo o que fui incapaz de dizer... o que de fato nos matou...


 


- Nada mais importa agora. – Ele fora rápido em cortá-la dessa vez, assustando-se com a própria iniciativa de defender-se do que ela ainda não tinha dito. 


 


          Envergonhado daquela reação voltara-se a levantar o queixo no seu sorriso largo e confiante. A castanha porém mantinha-se no seu olhar gélido e nem um pouco afetado, mesmo que agora pairasse nele.


 


Me desculpe. – O cenho do lobo automaticamente franzira-se, seus lábios se entreabriram-se deixando a mostra caninos ameaçadores. 


 


           O Herdeiro de Slytherin finalmente fora afetado, e a percepção disso já condenava a castanha de forma macabra. O lobo respirava fúria e as feições da garota a beira do precipício, agarrada a seu orgulho como que a alma, despertavam-no impulsos assassinos. 


 


– Me desculpe... – ela repetira agora com os olhos mais embaçados, e cada palavra sua botava-a ainda mais em perigo. – Por não ter amado você... Por não ter acreditado em você... – O loiro contorcia-se obrigando-se a ouvir. – Por não ter ficado ao seu lado... Como eu fiz com o Harry. – O Loiro finalmente abrira o maior sorriso de todos, o mais perigoso e ameaçador de todos.


 


- Você é péssima com piadas também. – Ele cuspira em sarcasmo, mas a garota continuara.


 


Você despertou em mim algo que ele nunca conseguiu. Mas ele também desapertou em mim algo que você nunca conseguiu. – O loiro fizera menção de rir, mas a castanha o cortara firme. – Leia a minha mente e diga-me se estou mentindo! – Draco dera um inconsciente passo pra trás ligeiramente transtornado com a veracidade das palavras da garota. – O que eu sentia pelo Harry... de certa forma, me fazia bem... me deixava feliz... Agora você...


 


- Está pisando em terreno perigoso aqui Granger...


 


Me dava repulsa. – Nenhuma palavra descrevera tão rispidamente aquele sentimento que ele reconhecera nela tantas vezes. O loiro tinha nojo da ousadia da garota, e mais nojo ainda, de uma forma até mesmo cômica – ele reconhecera – o modo como se afetava. – Você não precisa mais me atacar...


 


- Convença-me.


 


Eu finalmente entendi. – Ela ignorara-o mesmo que não pudesse o mesmo com seu olhar confrontador. – Você está preso a ambições além da minha compreensão e a mesquinharias com as quais eu nunca conseguiria viver. – O loiro contava os segundos que conseguia manter-se longe de seu pescoço alvo, sentia vontade de matar com as próprias mãos. – Você mexeu comigo por todos aqueles motivos que uma garota como eu reuni no quebra cabeça do seu próprio conto de fadas. Mas você Malfoy, você não tem caráter. Você está abaixo de mim.


 


             O Silêncio era Perturbador, nenhum dos dois sabia o que estava acontecendo a volta. Sentiam-se cercados por curiosos perplexos e ao mesmo tempo no extremo vazio, onde uma flor delicada desafiava um gigante e de alguma forma conseguia paralisá-lo, mesmo que não fosse certo se esse era capaz de sentir.


 


- Não Granger, você que está abaixo de mim. – Dissera Draco com o maxilar estalando em fúria, crispando tanto os lábios que era incrível como esses não sangravam. – Esmagada entre o meu sapato e o chão. E junto de você está o Potter e os ridículos ideais dele. Minto, Você é Ridícula.


 


- Estamos acertados então. Não temos mais nada para tratar. – Dissera Hermione apressada para sair de perto do Comensal e de sua própria fragilidade horrivelmente costurada, mas fora paralisada pelo loiro que a agarrara perigosamente por trás, num abraço que significava mais uma armadilha que qualquer outra coisa, e nesse ponto nem a preciosa poeira de seu diamante conseguira manter-se indiferente.


 


- Não nada disso, Sangue-Ruim. – Ele murmurara ao pé de sua orelha, roçando perigosamente o seu corpo no da castanha prendendo-a de forma feroz. – Você ainda me deve você. Nua e Entregue, como sempre desejou e como sempre temeu.


 


            Hermione fechara os olhos, perdida no estranho efeito que a valsa que se fez ouvir novamente aos seus ouvidos causara. Agarrada num abraço tão firme que quase o era acolhedor. Apesar do conhecido perigo que estava sujeita se entregou àqueles últimos segundos de pura estupidez e inutilidade. 


 


             E se morresse assim? O quão horrível seria? O cheiro de seu amor grudava na sua pele, embriagando-a, entontecendo-a. Seu corpo roçando ao seu, prendendo-a unicamente para si, num instinto de devorá-la. Até o tom áspero de sua voz anunciando o perigo num canto hipnotizante que eram suas palavras, rodeando-a de um cruel conforto que era seu beijo mortal.


 


           Enfim eis o abraço da Serpente, ela notara agora abrindo os olhos para um candelabro de cristal no teto do salão logo acima de suas cabeças. O mesmo candelabro de suas visões, agora quase indiferente, num pacto secreto com o lobo, sugando suas forças vitais. Então num gesto simples e sem resistências ela girara o corpo de volta para o loiro mascarado, encarando novamente cristais ainda mais fatais para ela.


 


- A única chance que você teve comigo foi enquanto eu estava inconsciente. – Ela dissera com a mesma frieza daqueles olhos. – Eu nunca me entregaria pra você. Mesmo que você me obrigasse, seria apenas um corpo indiferente. Você sempre se perguntaria se eu não preferiria estar com outra pessoa em outro lugar. Porque você sabe que muitos me tratariam muito melhor que você. Você nunca me teria de verdade. Nunca vai ter.


 


            E dizendo isso Hermione saíra de perto do loiro que até então ficara sem reações, só então vendo a castanha ir em alta velocidade entre as pessoas que pareciam surgir do nada, em direção ao palco.


 


- Diga-me que você não me ama! – Ele exigira de forma agressiva aparecendo ao lado da castanha e pegando no seu braço com força, já completamente alterado, como se de uma vez pra outra embriagado com o próprio ódio. 


 


          A castanha respirava com dificuldade, realmente assustada com a agressividade dele. Sentindo seu braço ser esmagado por uma força sobrenatural, sentia-se de frente para a fera que a atacara na Floresta Proibida alguns meses antes. – Diga-me que você não me ama! – Ele repetira fora de si, impedindo-a de seguir seu caminho.


 


- Você está me machucando! – Ela dissera assustada e ao fazê-lo quase desmanchara-se em lágrimas sentindo o próprio peito ser esmagado.


 


- Você quer cantar? Mostrar para toda Hogwarts como você é uma sangue-ruim incompreendida? Nãão. – Ele dissera debochado ainda agressivo empurrando-a para trás e subindo no palco com passos pesados voltando-se para todos os demais no salão com um sorriso perigosamente poderoso. – Vamos fazer diferente dessa vez. – Ele dissera no microfone de forma confiante.


 


             Todos que se encontravam nos arredores do salão aos poucos iam sendo atraídos para perto do palco em passos receosos e interessados. Draco exalava uma presença ainda mais ameaçadora a cima do palco, como se acabasse de derrotar Dumbledore tomando posse do castelo. As garotas em especial, Hermione via, se aproximavam para deslumbrar aquele comensal com uma ingênua luxúria nos olhos, como que hipnotizadas atraíssem-se pelo próprio Drácula. 


 


           Todos escutavam Draco como que a um deus embriagador, conquistando-os, prendendo-os no feitiço que era a sua Herança Maligna. Em um gesto simples ele desfizera o nó abaixo do pescoço soltando a capa negra de seu corpo e jogando-a para longe de si como que jogando as próprias asas. O gesto era tão hipnotizante que não se notara como surgira uma guitarra negra com aspecto gótica que Draco prendera ao próprio corpo.


 


– Essa música eu dedico a uma Bruxa Elemental. – Draco dissera numa fronteira entre a declaração íntima e a ameaça. Hermione sentira que era um ambiente perigoso demais para permanecer, mas o bater de Draco nas cordas de Prata prendiam-na ao chão.


 


"Ouvir Musica"


 


 


“What if I wanted to break


(E se eu quisesse terminar?)


Laugh it all off in your face


(Rir de tudo na sua cara)


What would you do?


(O que você faria?)


(oooh ooooh ooooh ooooh)”


 


             O Lobo Uivara chamando as entranhas da castanha. Outros instrumentos o acompanhavam estendendo seu rito de caça que era sua canção. Os pulmões de Hermione se encheram de um ar venenoso de forma tão intensa e ágil quase perdendo a consciência. 


 


            Odiava a forma como o passado a surpreendia pregando peças no decorrer de sua vida para que nunca se desprendesse delas: brincalhonas, sádicas, cruelmente estúpidas que eram seus fiapos de Esperança. Ela era presa ao passado, aos seus enigmas nunca explicados numa proporção muito mais absurda que ao presente, independente do quão óbvio e cruel este fosse ou ao quão belo poderia ser. 


 


         Mas a voz de Draco... de anjo desertado, de puro mal aprisionado, arranhada no elo de garoto e homem preza na eterna juventude e imaturidade e no velho e antigo Orgulho e Amargura. Aquela voz transparecia toda sua crueldade e ela era Apaixonante. A castanha vira naquele príncipe maligno o garoto nos Jardins da Mansão Malfoy. Talvez fosse culpa de sua inescrupulosa essência, mas ela vira, que o amor nunca deixaria de se manifestar para ela de forma irônica ou sádica e era à esse romance que estava amaldiçoada.


 


“What if I fell to the floor?


(E se eu caísse no chão?)


Couldn't take this anymore


(Não pudesse mais agüentar)


What would you do?


(O que você faria?)”


 


         A sedução de sua voz ia-se transformando num chamado agressivo, numa paixão embriagando-se de raiva que delirava a todos num show como nunca antes visto em Hogwarts. Era o momento de maior gloria de Draco em Hogwarts e ele o usava na sua missão contra a ela, perfurando-a com palavras que ela nunca poderia locomover de si, seladas com o berro cruel e apaixonado do lobo.


 


“Come break me down!


(Venha me destruir!)


Bury me, bury me!


(Me enterre, me enterre!)


I am finished with you!


(Eu terminei com você!)”


 


- Não. – Dissera Daniel Conl inconscientemente numa negação intima ao ver Draco em cima do palco. 


 


             Totalmente perdido na identificação do amigo completamente possuído e desenterrando hábitos esquecidos. O Francês com o cenho franzido obrigara-se a desviar a atenção do loiro para procurar pelo rosto mais infeliz dentro daquela multidão e não fora com muita dificuldade que o encontrara.Ela estava cercada por um estreito circulo vazio, iluminada pelo candelabro de cristal. Levara poucos segundos para identificar as feições mais derrotadas de Hermione e voltar-se com um olhar ainda mais feroz para o amigo no palco.


 


“What if I wanted to fight


(E se eu quisesse lutar?)


Beg for the rest of my life


(Implorar pelo resto da minha vida)


What would you do?


(O que você faria?)”


 


                 Hermione mirara de volta o olhar cinza e sombreado de Draco, cheio de malícia e acusação como era sua canção. Muitas garotas suspiravam ao ver Draco cantar para a grifinória, invejando sua sorte, totalmente ignorantes de como aquele gesto refletia na castanha. Draco o sabia muito bem e apreciava. Hermione engolia aquelas palavras como pedaços do amor que tinham, agora presos em sua garganta. O loiro sorrira perigosamente quando vira Hermione petrificada na falta de reações e não disfarçara mais suas mensagens direcionadas.


 


“You say, you wanted more


(Você diz que queria mais)


What are you waiting for


(O que você está esperando?)


I'm not running from you (from you)


(Não estou correndo de você) (de você)


 


Come break me down!


(Venha me destruir!)


Bury me, bury me!


(Me enterre, me enterre!)


I am finished with you!


(Eu terminei com você!)


Look in my eyes!


(Olhe nos meus olhos)


You're killing me, killing me!


(Você está me matando, me matando!)


All I wanted was you!


(Tudo que eu queria era você!)”


 


                    Sim, ela se obrigara a encarar novamente seus olhos extremamente selvagens e enxergara neles a veracidade de suas palavras, berrando mais do que o grito do loiro. “Tudo que eu queria era você” eis o resumo de tudo o que fora aquele romance, sua causa e destruição.  Algo áspero e endurecido descera da extremidade de seus olhos amêndoas ferindo sua face de leve num arranhão. Era sua lágrima enrijecida em granizo. A dor era asfixiante, enxergara no vazio dentro de seu peito seu limite, virando-se o mais rápido que podia para longe do palco, como um fantasma agoniado entre os demais estudantes. Mas o uivo do loiro a prendera novamente.


 


“I tried to be someone else


(Eu tentei ser outra pessoa)


But nothing seemed to change


(Mas nada pareceu mudar)


I know now, this is who I really am inside!


(Eu sei agora, isto é o que eu realmente sou por dentro!)


 


           Segurando o próprio pingente, vira o Comensal jogar os fios platinados encharcados de suor para cima, preso no microfone com os olhos pressionados, como um Lobo agora a uivar para Lua. Era mais do que uma mensagem para ela, era uma mensagem para si mesmo do lobo branco não mais enjaulado dentro de si. 


 


“Finally found myself! Fighting for a chance I know now,


(Finalmente eu me encontrei! Lutando por uma chance eu sei agora)


THIS IS WHO I REALLY AM!


(ISTO É O QUE EU REALMENTE SOU!)


Ah, haaah


Ah-ha ohh”


 


           “Socorro” dissera uma voz quase inaudível no intimo de Hermione que não conseguia desviar os olhos feridos do lobo.


 


- Você precisa sair daqui. – Dissera imediatamente uma voz decidida no ouvido de Hermione, a garota assustada com o sua resposta imediata vira o olhar verde e escuro do francês Daniel Conl já puxando-a firmemente pelo braço como quando a puxara na floresta Proibida em resgate para longe de Epharam. 


“Ah, haaah


Ah-ha ohh”


 


- Eu não cons... – Tentara Hermione sem sucesso.


 


- Ignore-o! – Ordenara Daniel de forma ainda mais firme. 


 


              Daniel a puxava na mesma determinação e velocidade que a repercussão crescia como numa fuga coreografada, onde o francês empurrava as pessoas em seu caminho com impaciência.


 


“Come break me down!


(Venha me destruir!)


Bury me, bury me!


(Me enterre, me enterre!)


I am finished with you!


(Eu terminei com você)


(You! You!)


(Você! Você!)”


 


- Estamos quase... – Dissera Daniel sem virar-se para trás, enxergando o portão principal do salão pra fora do castelo ainda distante enquanto puxava Hermione incessantemente. Draco assistia do palco o percurso dos dois indiferente, perseguindo-os unicamente com a sua voz e canção que eram mais do que feitiços lançados às costas dos dois.


 


“Look in my eyes!


(Olhe nos meus olhos!)


You're killing me, killing me!


(Você está me matando, me matando!)


All I wanted was you!


(Tudo que eu queria era você!)


Come break me down!


(Venha me destruir!)


Break me down, break me down!


(Me destruir, me destruir!)


What if I wanted to break?


(E se eu quisesse terminar?)”


 


                A música cessara dando espaço para a algazarra maior em volta do palco exatamente no momento em que chegaram no portão do salão do castelo, mas fora outra voz que os interrompera.


 


 - O que pensam que estão fazendo?! – Os dois se viraram encontrando o olhar mais severo da escola no semblante de Minerva McGonagal.


 


- Ahh bem... – Gaguejara Daniel.


 


- Todos estão terminantemente proibidos de saírem do castelo até a hora da partida, sabem disso! Não serviram pra nada as palavras do diretor?


 


- É que estamos tentando ter um encontro mais romântico Professora. A senhora não vai querer atrapalhar a nossa noite, vai? – Daniel sabia que seu charme brincalhão era capaz de amolecer um pouco a rigidez da diretora da Grifinória, mas esta apenas procurara com o olhar preocupado o semblante da castanha que permanecia vidrado no chão.


 


- A senhorita deu espaço para que o Malfoy se apresentasse esta noite? – Questionara McGonagal. Conl crispara o lábio em raiva pelo tom que ela usara com Hermione, esta não respondera. – Apesar de todos os acontecimentos desse ano está mais uma vez dando as costas para sua responsabilidade com a escola? Eu lhe dei uma chance Hermione! Se ainda tem alguma consideração com essa escola, comigo, suba naquele palco e sele o fechamento de ano em Hogwarts.


 


- Com todo respeito professora... – tentara Daniel se controlando ao máximo para não falar com sua fúria. – Já houveram apresentações suficientes esta noite... Inclusive do Monitor-Chefe da escola, quem realmente tem o dever de Representar Hogwarts. Se fosse da vontade da escola que Hermione se apresentasse talvez fosse prudente que não a afastassem do cargo de representante substituindo-a pela Parkinson, que também não está aqui.


 


               A subdiretora encontrara-se sem palavras, gaguejara com o próprio constrangimento ao ver-se primeiramente abordada por um aluno como Daniel Conl sobre responsabilidade.


 


- A moral do aluno não deve ser afetar pela da Escola... – Ela dissera sem nenhuma gota de credibilidade nas próprias palavras. O Francês rira.


 


- Convenientemente, se me permite falar. A moral da Escola não estava aqui para abraçar aqueles que realmente precisavam de orientação e agora vamos todos ser transferidos para sedes que SABEM-SE LÁ QUEM estará no comando. Não peça para Hermione lavar a reputação da escola, nem Dumbledore conseguiu isso e olha que ele apareceu no último dia para prestar suas complacências. Comovente.


 


- Daniel. – Dissera Hermione sem voz segurando o braço do amigo, temendo que esse finalmente fosse mais prejudicado ao passar dos limites. 


 


              McGonagal horrorizada parecia dividida entre a ação de punir e dar razão ao aluno, tarefa que desencadearia outra série de problemas para os dois. 


 


– Pode ser nossa última noite em Hogwarts. – A garota completara conformada a fazer o que lhe era exigido.


 


- Você não tem que fazer isso! – Dissera o francês agora unicamente para Hermione, ignorando a subdiretora e estalando o maxilar em ainda mais fúria.


 


-Tenho sim. – dissera a castanha em tristeza acariciando de leve o rosto do amigo, seus olhos ainda abertos e feridos como se nunca houvesse dormido.


 


                Hermione olhara para o palco onde Draco parecia ouvir com precisão cada palavra que eles discutiram entre si com um sorriso nos lábios e fizera uma maligna reverência a castanha oferecendo-a o espaço no palco ao seu lado de forma sarcástica.


 


                 Mas ela não fora, aquele convite do loiro congelara as pernas de Hermione ao mesmo tempo que sua espinha era possuída por um medo pavoroso. Não tinha coragem de se aproximar dele, todo seu corpo implorava para que fosse para cada vez mais longe daquela presença maligna. Hermione puxara ar para seus pulmões profundamente, causando assim um arrepio conjunto dentro do salão. Garotas encolhiam-se sentindo uma brisa gelada roçar pelos seus braços nus. Daniel olhara para o teto do salão e notara o céu mágico transformar-se para uma paisagem mais nublada onde uma fina neve atravessava o salão, uma neve não artificial. A temperatura baixara cinco graus, mas dentro de Hermione tudo parecia petrificar-se.


"Ouvir Musica"


“If I fell in love with you,


(Se eu me apaixonar por você)


Would you promise to be true


(Você prometeria ser verdadeiro)


And help me understand?


(E me ajudar a entender?)”


 


                 Não havia um único som que não fosse o eco da voz de Hermione alastrando-se por aquele salão. Todos estavam voltados para aquela Grifinória, hipnotizados por aquela canção que carregava no som o sentimento mais triste de todos. Malfoy mantinha-se em cima do palco, com as íris cristalinas arregaladas em perigo como que um vampiro confrontado com uma cruz de madeira. Sua pele ia se tornando cada vez mais gelada conforme encarava tenso o canto de Hermione, frágil e sofrido se enchendo aos poucos de coragem tornando-se um desabafo confrontador.


 


“'Cause I've been in love before


(Porque eu já me apaixonei antes)


And I found that love was more


(E eu descobri que o amor era mais)


Than just holdin' hands.


(que só mãos dadas)”


 


               Na entrada lateral do salão um jovem Grifinório de cabelos escuros franzira o cenho quando adentrara a festa com urgência e sendo surpreendido com aquela cena. Harry Potter vira a expressão mórbida de Hermione que parecia dar seus últimos suspiros amaldiçoando a todos num feitiço hipnotizador. Hermione subira a voz ao mesmo tempo que dera um passo em direção ao palco assustando ainda mais o loiro no palco temendo agora a aproximação da garota. Sua fragilidade o atingia com a frieza de cinco espadas. Encurralá-la dentro do orgulho grifinório era divertido para ele, mas aquele gesto de redenção cheio de sentimentos e expondo suas fraquezas o deixava doente.


 


“If I give my heart


(Se eu der meu coração)


To you,


(pra você,)


I must be sure


(Eu tenho que ter certeza)


From the very start


(Desde o inicio)


That you


(De que você)


Would love me more than her.


(me amaria mais que “ele”)”


 


               A dor de Hermione era asfixiante, sentira seu coração parar de bater quase que num ataque cardíaco e era desesperador o modo como tinha consciência para registrar aquilo, passando dentro daquele salão ignorando outra presença que não fosse a de Draco com o olhar feroz de caçador observando-a nos mínimos gestos. 


 


                Engasgava-se em sua fraqueza ele via, esforçava-se para se expressar. Nunca a vira tão entregue ao sofrimento e a ele como naquele momento. Merlin, era tão real... Hermione nunca tivera um sentimento tão morto quanto aquele... Sentia-se um fantasma, um zumbi, um corpo que pensava e andava sem sinais vitais. Hermione fora em passos lentos numa reta única pelo meio do salão até o palco, abrindo espaço entre os estudantes a sua frente que observavam-na passar como que sentindo finalmente a gravidade da situação e de sua presença.


 


“If I trust in you


(Se eu confiar em você,)


Oh, please,


(Oh, por favor)


Don't run and hide.


(Não corra e se esconda)


If I love you too


(Se eu te amar também,)


Oh, please,


Oh, por favor)


Don't hurt my pride like her


(Não fira meu orgulho, como “ele”)”


 


                Saía uma fumaça densa e gélida da respiração de cada um dentro daquele salão, como se estivessem lá fora expostos á tempestade. Não sabia-se já a quantos graus estava dentro do salão, mas Hermione cantava como se estivesse acostumada àquele sereno em volta de seu corpo. Era a única que não se importava em agasalhar-se, pelo contrário parecia convidar aquele gelo para tomar conta de seu corpo, de suas forças vitais.  E quando elevara a voz arranhada de mágoa cortara também profundamente algo dentro de Draco.


 


               Este dera um passo pra trás tentando sem sucesso fugir daquele confronto ao menos visualmente. O loiro tocara de leve o próprio peito numa expressão clara de dor retraída, como se a jóia dentro de seu peito também estivesse prestes a se partir. Seus olhos estavam cheios de uma agonia, como se tivesse algo muito terrível e avassalador dentro das íris caninas que seu corpo era incapaz de demonstrar.


 


“'Cause I couldn't stand the pain


(Porque eu não agüentaria esta dor)


And I


(E eu)


Would be sad if our new love


(ficaria triste se nosso novo amor)


Was in vain.


(Fosse em vão)”


 


               Hermione estava a poucos metros do palco quando interrompera seu trajeto. A mercê do arrogante olhar de Malfoy, segurava o pingente de cristal fume. Sentira aquela textura áspera contra sua face, arranhando-a, uma lágrima tão gélida e petrificada que quase ferira seus olhos. Draco observara todo aquele ritual, toda aquele falecer da garota. Como quem vê assustado o falecer de si próprio.


 


So I hope you see


(Então eu espero que você veja)


That I Would love to love you


(Que eu amaria te amar)


If I fell in love with you.


(Se eu me apaixonasse por você)


 


               Malfoy sentira então algo pontudo e pequeno materializar-se dentro do seu punho rígido, e vira ali o colar com o pingente fume que dera para Hermione. Ela o devolvera, ele constatara engolindo em seco como que a um veneno voraz. O silêncio novamente se apossara daquele salão. 


 


              Todos aguardavam a reação do loiro que mirava totalmente inexpressivo o pingente em sua mão por longos segundos, até que as feições do comensal foram modificando-se. Era uma expressão confusa, sua respiração começara a carregar-se de forma raivosa, porém toda sua ameaça transpassava-se nas linhas de sua boca que esticavam-se num sorriso perigo e perverso. Não era um sorriso divertido, ela notava, era um sorriso de raiva, como se reconhecendo nela uma adversária a altura e quase fosse derrotado por ela. Quase...


 


                  Então o loiro descera os degraus do palco, muito mais pálido, como se escondesse feridas profundas, ainda rindo-se de uma piada íntima enquanto analisava aquele pingente em sua mão, seus passos arrepiando a todos naquele salão inclusive a castanha intacta a sua frente, esperando corajosamente por sua resposta. Porém o lobo passara diante de seus olhos num silêncio indiferente parando unicamente ao seu lado sem conseguir evitar um suspiro divertido antes de sussurrar.


 


Adeus Granger.


 


               Fora instantâneo. Três badaladas fortes vieram do relógio da torre de Hogwarts despertando a todos, inclusive Hermione de uma realidade à parte. Antes que Hermione se recuperasse do susto notara que Malfoy não estava mais ali, o salão começava a se encher novamente de murmúrios quando o diretor tomara o palco mais uma vez.


 


- O tempo nos pregou verdadeiramente uma peça – dissera Dumbledore com um sorriso triste nos lábios. – É meia-noite, hora de voltarem para suas casas. O Ministério se propôs a encaminhar os estudantes da escola até suas casas pessoalmente nesta madrugada. E estão a vossa espera nos limites do castelo.


 


            O chamado do Diretor mal era captado por Hermione, tão pouco a algazarra que começava a tomar conta do salão. Seus pensamentos submersos só estavam voltados para Draco, deixando-a indiferente e qualquer movimento a sua volta. “Acabou... acabou... eu o perdi... para sempre...”.


 


- Alunos da Sonserina me sigam! – Ordenara Snape em voz alta enquanto puxava um eufórico francês pela capa negra.


 


- Me solta! Eu não vou a lugar nenhum sem Hermione! – Gritava Daniel Conl em fúria, tentando ir contra a maré de estudantes que atropelavam-se para sair do castelo em direção aos seus coches.


 


- Hermione vai muito bem escoltada pela Grifinória, Conl! – brigara Snape impaciente.


 


- Hermione é sangue-ruim! Sinceramente para escoltá-la eu só confio em mim! – Dissera o francês pela primeira vez ameaçador para o diretor da Sonserina ao pegar a própria varinha de dentro das vestes. O Diretor, porém, apenas revirara os olhos enojado da infantilidade do garoto.


 


- Que proteção você pretende dar a Granger? – Perguntara Snape com um tom maldoso. – Não se preocupe que Granger vai pra casa com a melhor escolta do ministério. Potter exigiu que ela e os Weasley fossem incluídos no pacote. 


 


          Daniel engolira em seco registrando as palavras de Snape. Achara Hermione no meio da multidão já sendo abordada pelo Grifinório. Daniel entrava em raivoso conflito, seu maxilar explodindo de contrariedade.


 


- É isso não, é? – Indagara o francês ainda acusador para o diretor da Sonserina. – Nenhum de nós sequer vai voltar para Hogwarts. – a voz do loiro saíra rouca e carregada de dor, que fizera Snape perder a vontade de atacar o rapaz. – Nunca mais verei Hermione! Não, é? – O Francês tremia. Snape podia ver como aquele sonserino se preocupava com a garota e sentira uma dolorosa solidariedade ao fato, da qual engoliu como que uma pedra.


 


- Se se preocupa tanto assim com a miss Granger, deixe-a ir, que ela está muito mais segura com o Potter e a Ordem da Fênix do que com mais um filho de Comensais! 


 


- Você não sabe! – retrucara Daniel, mas logo sendo cortado.


 


- Sei que eles são os únicos que podem proteger uma Sangue-Ruim longe de Hogwarts! –. Daniel abaixara a varinha contrariado, as feições do francês fecharam-se em triste conclusão. 


 


               Ele vira as costas nuas de Hermione desaparecendo por vezes na maré de estudantes e seguiu-a com os olhos em câmera lenta até ela desaparecer do castelo com o Potter. Não havia nenhuma brecha mentirosa nos argumentos de Snape, não como impedi-los. Entregá-la a Potter era torturante, mas era o certo. Seu instinto gritava que ele haveria de se arrepender dessa decisão, mas também argumentava silenciosamente.  


 


 – Agora vá para o seu coche que não há mais ninguém aqui que precise da sua bravura. – Só então as últimas palavras do diretor acenderam uma luz na mente do loiro que precisava se concentrar em outra missão.


 


 


 


              Uma nuvem escura cobrira a lua cheia no céu de Hogwarts. Os alunos estavam sendo guiados ao mesmo tempo tanto para dentro quanto para fora do castelo. Era uma estranha saída de emergência, mas da qual precisava ser completamente organizada na idéia dos professores que não viam a hora de tirar aquelas crianças dali – nenhum dia do ano era tão convidativo quanto aquele.


 


            Mas um loiro de mascara conseguira se esquivar facilmente para fora do castelo. Uma selvageria arrastava Draco para os terrenos o que o fizera bater de frente com um quartoanista que caíra de costas no chão. Draco notara o sonserino com impaciência agarrar-se a uma caixa preta em seus braços já pronto para amaldiçoá-lo porém gaguejara de forma ainda mais patética aos subir os olhos pro loiro.


 


- Ahh.. ah.. Malfoy, me desculpe. Eu não queria me por no seu caminho. – O lobo abrira um raivoso sorriso.


 


- É claro que não queria. O que é isso? – O garoto mudara para mais três tons de palidez quando o loiro prendera as íris caninas em seu pacote.


 


- Ahh... é...


 


- Eu não acredito! – Rira-se Draco ainda mais feroz. – Você é o traficantezinho maldito agindo sob minhas costas?


 


- Não! Não! Eu juro, sou só o mensageiro...


 


- Saia da minha frente! – Berrara o loiro num rugido só, agarrando a caixa das mãos do garoto poucos segundos antes desse correr aos tropeços para dentro do castelo.


 


            O lobo arrastara-se de volta para o seu caminho em direção a floresta proibida. Pare ele, todo aquele melodramático percurso de partida o era completamente desnecessário. Não tinha pressa nem de ir, nem de ficar. À mercê do que o guardava ele preferiria ficar ali entre os arbustos da Floresta Proibida. Mas o lobo arisco também estava incomodado. Sua mão direita guardada em baixo da própria capa negra no lado esquerdo do peito, voltava agora ensangüentada diante dos olhos caninos.


 


           Draco engolira em seco um áspero gosto amargo numa fúria silenciosa e outro sentimento que ele não conseguira mais identificar, mas que reconhecera com igual rancor enquanto guardara a caixa aprendida no bolso dentro da capa com sua mão esquerda, pegando o pingente de cristal fume de Hermione que queimava contra a sua pele.  Era mais uma fera literalmente ferida apoiando-se na árvore apenas para recuperar o fôlego perdido, mas logo teimosamente se pondo em posição de ataque. Pronta para morder aquele que o viera socorrer na beira da estrada.


 


             Essa ao menos fora a cena que lembrara Draco quando este pegara um vulto atrás de si pelo colarinho e jogara-o brutalmente num gesto só contra a árvore, sem nem ao menos virar-se.


 


- Ei sou eu! – Dissera Daniel Conl prontamente para um Malfoy de guarda. Draco ainda pensara por alguns segundos antes de soltá-lo, segundos em que seus olhos adotaram um brilho tão sádico que o francês franzira o cenho em ainda mais perturbação. Só então notara a mão direita ensangüentada do lobo. – O que foi isso?


 


 


- Veio se despedir? Eu não tenho tempo Daniel – respondera Draco impaciente, ignorando a perguntando do francês, porém soltando-o. O francês engolira em seco recolhendo em poucos segundos a determinação para mais um confronto com Draco que parecera se entreter como sempre com o processo.


 


- O que você acabou de fazer...


 


- Ah não! Deixa eu adivinhar!  – Rugira Draco num sarcasmo inteiramente enraivecido. – Você está aqui para defender a honra de Hermione! Qual parte da minha mensagem você não entendeu? 


 


- Cala a boca Draco! Este não é você falando. – Daniel tremia de fúria enquanto Draco deliciava-se numa cruel gargalhada. – Você se esqueceu de quem você é? De Hermione? Você é um sonserino, não um comensal! Não acredito que se juntou à eles. À causa deles! O farão destruir o que você mais ama!


 


- Ah Conl, quanto mais você finge me conhecer mais se aproxima da ignorância. Sei quem eu sou neste exato momento. – Respondera Draco ainda sustentando um sorriso perigoso.


 


- Então diga-me quem você é. – Interrogara Dan corajosamente, Draco franzira o cenho em divertida confusão.


 


- É óbvio que não prestou atenção!


 


             Daniel encarara o chão derrotado, com uma triste fúria em volta de si... aquela triste fúria perfurara Draco, irritara-o. Preferia ver o amigo perder a cabeça, avançar em si com os próprios punhos e maldições do que sustentar aquele semblante tão indefeso.


 


- O que está fazendo? – Perguntara Draco numa mistura de impaciência e repugnância. O francês voltara-se de seus pensamentos encarando o loiro mais uma vez.


 


- Como pôde? – o olhar não era quebrado mesmo que o de Draco parecesse o de uma fera irracional aos seus olhos. Daniel encarava o amigo com os verdes olhos embaçados, tentando encontrar qualquer resquício de humanidade em Draco, porque por algum motivo ele ainda parava para ouvi-lo. – Ela nunca esteve tão frágil. Mesmo que você tivesse motivos para se juntar a eles, como pôde ser tão cruel com ela? O que lhe deu este direito?


 


- Assumo a minha culpa por ser sincero.- Dissera Draco numa maldosa elegância que fizera Daniel suspirar de nojo.


 


– É a Hermione! – Nos segundo silenciosos que se prolongaram Draco ainda prestava cuidada atenção às feições do francês derrotado.


 


- É só uma sangue-ruim Daniel. – Ele dissera simplesmente como quem diz para uma criança, quase que a consolando, que aquilo é só um capricho bobo. 


 


        E dando um último suspiro divertido virara-se de costa para o francês indo agora em passos arrastados com uma ligeira inclinada para seu lado esquerdo, até um belo cavalo albino e majestoso que parecera a Dan surgir do nada. Draco acariciara o focinho comprido do animal quase que dizendo para ele: 


 


– Não sinta por nada.


 


             Uma coruja piara no interior da floresta e o chamado dos professores pareceu mais urgente vindo do castelo, lembrando-os de que ainda estava havendo uma retirada no castelo. Fora ao virar-se de volta para o francês que Draco surpreendera-se. Franzira o cenho quase ofendido ao notar um leve sorrisinho confiante no loiro espetado. “ O que é isso agora?”


 


- O que foi? – rangera Draco.


 


- Você está mentindo. – Dissera Daniel se agarrando a última gota de esperança que surgira. O lobo não entendera o que acontecera. – “E daí se somos amigos de Infância? Eu nunca vou deixar um cara que machuca Hermione viver!”. 


 


- Você vai me matar? – Perguntara o lobo sarcástico, mas o francês rira de volta.


 


- Foi o que você me disse antes de ir embora. – O silêncio se ocupara da queda embaraçada dentro do lobo. 


 


           Uma ventania forte batera contra os dois, mas só o cavalo albino se afetara balançando a crina. Os dois Sonserinos apenas se encaravam em sinistro e contrariado comprometimento. 


 


– Eu já devia ter suspeitado. Você ainda a ama. Não importa o que tenha se tornado. Mesmo que tenham varrido tudo de bom que existe em você. Eu não consigo imaginar uma realidade em que você não esteja amando ela. – Draco estava sem palavras, era demais a cega confiança que Daniel apresentava, - Eu entendo agora o porquê teve de fazer tudo isso. 


 


               Draco não conseguia pensar em nada forte ou ofensivo o bastante para quebrar aquilo, contentando-se unicamente num sorriso debochado e cínico, mas o loiro não se afetava mais. 


 


– Mas você é tão estúpido! Ela te ama e estava indo te dizer isso..


 


– É uma pena que não tenha ido! – cortara Draco agressivamente tentando parar com aquele discurso patético. - Eu preferiria ter matado aquela pobre mulher na frente dela.


 


- O que?! – Fora a vez de Draco sorrir confiante. Daniel estava perplexo, transtornado, procurando em Draco uma negação para tudo aquilo. Draco indiferente subia no majestoso cavalo num movimento só. – Que mulher...? O que você fez?


 


- Eu matei alguém! – Repetira Draco com mais ênfase. – E matarei muitos outros! 


 


          Daniel arregalara os olhos num mudo desespero, sentindo todo pesar daquelas palavras do amigo, o pesar que Hermione carregara de volta para Hogwarts, o pesar daquela realidade dita sem nenhum resquício de culpa.


 


- Você estava fora de si... – dissera Daniel inseguro, porém tentando convencer a si mesmo.


 


– Repita isso até que se convença. Daí com prazer, eu te lembro que você está se iludindo.– Draco substituíra o sorriso debochado por uma expressão que quase representava pena - Não há mais nada do seu amigo de infância para se resgatar. Eu sou mais que um Comensal da Morte agora. Supere isso! – E dizendo isso galopara para longe do melhor amigo, da floresta, do enorme buraco que deixara na consciência do loiro espetado...


 


“Hermione...”


 


 


 


- Pare o coche! – Ela ordenara enquanto via pela janela se aproximarem os limites dos terrenos de Hogwarts. Porém tanto Harry quanto Ron e Gina a ignoraram. Já era a terceira vez que ela reunia forças para dizer algo e era ignorada dentro daquele coche.


 


                Os três discutiam apenas os planos de Harry que até então os enfiara quase que a força dentro daquele coche e batera em retirara desde que começara a movimentação de partida no castelo, abrindo o mapa do maroto e vigiando as passagens secretas enquanto derramava as informações que retirara do Escritório de Dumbledore enquanto todos estavam ocupados demais “aproveitando” o baile.


 


               Enfim Harry não soubera nem da metade do que Hermione passara naquele baile. Tudo acontecera rápido demais e tampouco Harry conseguia parar de falar.


 


- Já foi enviado para as três escolas uma lista com os alunos e seus destinos! A de Dumbledore está aqui! – Dissera Harry abrindo outro pergaminho.


 


- Você roubou do diretor?! – exclamara Gina.


 


- Fez bem, você ouviu o que Dumbledore disse: Faça o que for preciso para sobreviver, não confie em mais ninguém! – Dissera Ron abrindo o pergaminho junto de Harry – Aposto que ele estaria orgulhoso de você Harry.


 


- Vocês dois foram inscritos na Beauxbatons. – Disse Harry apontando para os nomes “Weasley” no Pergaminho.


 


- Que? França? – Exclamara novamente a ruiva.


 


- É para onde estão mandando os Sangue-Puros.


 


- Não! Não vamos deixar Londres! Nem nossos pais ou a Ordem da Fênix! – Brigara Ronald.


 


- Na verdade é a mais segura das Escolas. Pelo o que eu entendi Dumbledore recorreu pessoalmente por uma vaga pra vocês dois. Artur deve ter concordado.


 


- Nosso pai nunca concordaria com uma coisa dessas! – Brigara Gina.


 


- Quer dizer que Malfoy também está na lista? – Perguntara Ronald dando uma olhadela para Hermione ainda com o semblante preso no vidro murmurando alguma coisa.


 


- Não. Ele não foi inscrito em nenhuma das escolas. Lúcius deve ter planos maiores para ele.


 


- Claro, destruir cada uma das escolas. – Completara Ronald sarcástico.


 


- Hogwarts. Todos os nascidos trouxas vão ser mandados para um abrigo só.


 


- Claro, prendendo todos eles numa rede só como a um bando de peixes, colocando-os em fila indiana para que seja necessário um Avada só.


 


- Obrigada Pela Visualização Ron. – Reclama Gina dando uma cotovelada forte no ruivo.


 


- Que lugar melhor que Hogwarts para uma chacina, não é mesmo? – Dissera o ruivo sarcástico massageando a costela.


 


- Tem mais. Uma quarta escola foi aberta... em Avalon!


 


- Que?! – Exclamaram os ruivos.


 


- Sim, a escola para onde eles enviarão os “Do interesse do Ministério” ou de Voldemort... como preferir. Só tem dois nomes de Hogwarts nesta lista. – Os ruivos se adiantaram mais apreensivos. – O meu e o de Hermione. – Gina levara as mãos na boca enquanto Ron parecia cada vez mais confuso. – Isso quer dizer que eu não sou mais o único alvo de Voldemort e provavelmente ele já sabe também dos seus poderes Hermione! – Ele dissera no fim se virando para a castanha que continha o olhar na vidraça. O moreno voltara-se contrariado para os dois. – Não importa, ficaremos na sede e então voltaremos para Hogwarts! A guerra vai começar aqui! Não podemos deixar ninguém desprotegido.


 


- Eu preciso falar com Dan... – Hermione murmurara.


 


- Eu sinto muito, mas à essa hora Conl já deve estar sendo encaminhado para Durmstrang. – Dissera Harry acordando então a castanha como que com um balde de água gelada. – É para lá que estão mandando os filhos de Comensais.


 


- Há... – exclamara Rony ainda tentando disfarçar o próprio nervosismo com deboche. – bem que eu estranhei que a lista de Beauxbatons estava curta demais. 


 


         Passaram alguns segundos em que Hermione passara os arregalados olhos castanhos de Harry para Rony até que sacara a varinha parando aquele coche por conta própria.


 


         Os cavalos do ministério foram puxados para trás por rédeas inexistentes enquanto Hermione saía aos tropeços em direção à neve do terreno de Hogwarts ignorando os chamados dos dois aurores em cima do coche.


 


- Mis Granger! Pare agora mesmo!– chamara um dos aurores.


 


- O que ela pensa que está fazendo?! – Respondera uma auror apontando a varinha para a capa cor de sangue que cobria Hermione por cima de seu vestido. – Volte agora Granger!


 


- Espera! Eu cuido disso! – Dissera Harry saindo do coche atrás de Hermione. A castanha pisava firme e decidida na neve em direção ao castelo quando vira Harry se por a sua frente segurando seus braços. – O que está tentando fazer?


 


- Daniel. Ele não sabe!


 


- Que diferença vai fazer? Temos que sair daqui a salvo Hermione! Conl não corre mais perigo do que a gente.


 


- Vocês podem ir, eu vou com ele. – Dissera Hermione tentando passar por Harry, mas este fazia uma forte barreira.


 


- O que? Você perdeu o juízo? Não existe a possibilidade de eu te deixar ir. – Porém uma forte explosão chamara a atenção dos dois de volta para o coche, agora coberto de fumaça enquanto os dois cavalos do ministério corriam para fora do terreno iluminado por uma caveira verde que brilhava no céu.


 


 


 


 


Daniel dera o primeiro passo para fora da Floresta Proibida um segundo antes de ser empurrado de volta por uma rajada forte de vento. Caíra de costas no chão da floresta e se posicionara prontamente com a varinha em punho. Seu cenho franzido procurava alertamente pelo vulto que o encarava por entre as árvores.


 


 - Voltou pra dizer que me ama? O efeito da droga passou? – Dissera o francês num sarcástico ar intimidador ao notar os fios cor de neve sendo desvendados pela luz da lua já reconhecendo a típica mania do melhor amigo de ficar a espreita como um lobo caçador.


 


- Drogas? Por que estou surpreso...? – Respondera o vulto de volta numa elegante indiferença. Daniel sorria de lado esperançoso, com certeza o retorno de lobo significava alguma coisa.


 


- Então Draco? Eu achei mesmo que a gente devia discutir alguns planos futuros antes de nos separarmos tragicamente... do jeito que você terminou agora pouco eu realmente me senti sua ex namorada. – dissera o loiro espetado desleixado abaixando a guarda.


 


- Bem observado. Mas se parar de me confundir com o cretino do meu pai, eu me sinto muito mais confortável para discutir alguns planos. 


 


           Daniel sentira uma onda polar tomar conta de sua espinha dorsal ao mesmo tempo que o vulto se revelara solenemente por entre as árvores. Era absurdo o desespero que tomara conta de si, apesar de desde sempre estar em contato com um mundo mágico, aquela era de longe sua experiência mais fantástica e assustadora. Perdera o juízo por alguns segundos, sem conseguir fazer sentido de nada ao notar aquela figura de pele extremamente pálida e fios platinados por cima de um olhar congeladamente cinza parar a uns três metros de si. Não era Draco.


 


- Quem é você? – Perguntara o francês, mas unicamente porque queria uma versão diferente da qual ele conhecia.


 


           O vulto que aparentava não muito longe dos dezesseis anos e ligeiramente mais pálido e magro que Draco, olhara-o de lado com uma ligeira impaciência.


 


- Você sabe quem eu sou Daniel. Eu vim do futuro, sou o filho de Draco e Hermione Malfoy.


 


- Que?! – Daniel estava sem falas, estava completamente perdido e transtornado com a facilidade com que aquele irmão gêmeo mais novo e mais esquisito de Draco dizia aquilo.


 


- Por favor não fique emocionado, eu não tenho tempo para explicar o quão eu lamento por tudo isso. Ao invés disso: Prepare-se. A partir de agora você está na maior missão da sua vida.


 


 


 


 


 


            Um a um, os violentos vultos negros foram criando forma em volta do coche. Harry e Hermione mantinham suas varinhas apontadas em posição de ataque para a muralha de comensais que surgia a frente deles, até  que um último vulto roxo também esfumaçado se materializara. Hermione sentira uma ardência fugaz em suas entranhas ao reconhecer aquele par de olhos azuis cheio de uma arrogância alucinada da antiga família Black.


 


- Bellatrix Lestrange. – Murmurara Hermione pondo-se a frente do amigo.


 


- Sabem... O meu baile do sexto ano em Hogwarts... – Dissera Bella sem olhar Harry e Hermione diretamente, e sim para as torres do castelo que podiam ser vistas daquela distância. – Fora a noite mais inesquecível da minha vida. – Ela virara-se para os dois grifinórios. Hermione lembrava-lhe uma onça acorrentada lutando para pular em cima dela. – Tirando a parte em que Dumbledore tentava nos convocar para a Liga da Justiça, é claro.


 


 


 


- Daniel Conl...


 


           Daniel ainda seguia aquele rapaz com o olhar, que caminhava em círculos em volta do francês, como o próprio Draco sempre costumava fazer. Começava a recuperar seu fôlego, mas ainda perdido no que devia significar aquilo. 


 


– Eu te imaginava mais alto.


 


- E eu te imaginava menor. – respondera Daniel prontamente, quase que interrogando uma visita por demais suspeita. – Hermione me contou tudo sobre você... e Íris... quando ela e Draco visitaram o futuro. – O rapaz de cabelos platinados olhara-o novamente de lado com um inexistente interesse. – Não sabia que a mesma poção era possível para o passado.


 


- Não é. – Respondera o rapaz secamente.


 


- Então... – o francês engolira em seco, temendo que as coisas perdessem o sentido de novo. – Como isso pode ser possível? 


 


            O rapaz ainda encarara-o por alguns segundos com uma seriedade que fizera com que Daniel sentisse-se muito mais jovem que ele.


 


- Pelo que consta no diário da minha mãe, ocorre uma interrupção no tempo presente no dia 30 de Julho de 1997. Ou seja, hoje. – disse o rapaz simplesmente com as mãos nos bolsos da calça. – Foi dessa interrupção que minha irmã tirou a possibilidade da viagem no tempo. Desse tipo... mais especificamente.


 


- E o que isso quer dizer??


 


- Que o vira-tempo infelizmente foi extinto no meu tempo...


 


- Não! Não! – retrucara Daniel impaciente. – O que quer dizer com interrupção no tempo presente? – O rapaz respirara entediado antes de responder.


 


- Minha mãe tem uma parada cardíaca... em alguma hora... de hoje.


 


- Hermione? O que? Do que está falando?! – Daniel estava desesperado, segurava o garoto, que notava agora realmente ter muitos mais traços de Draco principalmente ao não afetar-se em nada com sua reação apenas olhando-o com uma sobrancelha levantada, pelo colarinho da camisa. 


 


         Uma força o estimulava a procurar pela castanha aos tropeços, mas outra não o permitia perder aquela versão posterior de Malfoy de vista. O rapaz tentara consolá-lo no seu tom sarcástico.


 


- Se acalme, ela só estará morta por alguns segundos. Eu sou a prova viva de que ela ficará bem.


 


  


 


            Hermione fora jogada com força contra uma árvore próxima. Quando caíra sentira uma ardência forte no lábio inferior e um amargo gosto de sangue. Abrira os olhos com dificuldade ainda ouvindo o estalar das varinhas.


 


- Não... Harry... – Hermione levantara-se com dificuldade, sua varinha ainda milagrosamente presa de alguma forma a sua mão, mancando de volta para a batalha seguindo a gargalhada alucinada de Bellatrix.


 


- Saia daqui Hermione! – Gritara Harry de onde estava ao mesmo tempo que defendia-se de um jato de luz verde. 


 


           Mas essa possibilidade não existia. Hermione fungava em ódio e desespero. Todo seu corpo tremia ao ouvir aquela gargalhada, exatamente como flash do último baile de inverno. 


 


– Hermione é sério, saia daqui! – Gritara Harry novamente ao ver Hermione surgir mais próximo de um arbusto. Hermione vira quase em câmera lenta o olha azul, belo e forte pousar nela junto de um sorriso perigosamente vitorioso. 


 


           Um jato de luz violeta batera contra o peito da Comensal jogando a para cinco metros longe, mas Hermione não tivera tempo de aproximar-se. A Comensal surgira atrás de si prendendo-a pelo pescoço ao mesmo tempo em que outro comensal exclamara em alerta.


 


–  Senhora, não podemos ferir a Elemental! 


 


        Hermione debatera-se contra o braço de Lestrange que prendia-a contra si fazendo com que Hermione apontasse a própria varinha pro seu peito enquanto marcava seu pescoço com seus longos dedos e unhas com uma ligeira linha divertida ao pé da orelha da garota.


 


–  Não se preocupe, deve haver outra maneira da pequena Fada aprender a sua lição.


 


 


 


        Quase como se o silêncio da floresta proibida composse uma canção para a noite, onde o luar tivesse o som de uma flauta.


 


 "Ouvir Musica"


 


“Uma noite enluarada
mostra-se linda
uma voz de criança
vai desaparecendo


 


Lá... longe, longe...
bem distante
você também está nesse céu
não está?”


 


 


         Aquela era uma noite por demais movimentada nos terrenos de Hogwarts, mas a floresta parecia à percepção de Daniel, um plano à parte. Daniel mirava o filho de seus melhores amigos com um sentimento por demais angustiante. Mas o jovem Malfoy continuara por manter o alto-controle à cima das condições naturais.


 


– E de que missão você está falando? – perguntara o francês tentando recuperar o controle. O garoto batera de leve nas próprias vestes antes de responder.


 


– Eu não tenho tempo para te explicar todo o processo, vou pelo básico que você já deve estar ciente: O egocêntrico do meu pai se tornou o Herdeiro de Slytherin e a problemática da minha mãe a Herdeira de Sépia das Pedras. Os dois estão presos na infeliz Maldição dos Herdeiros que termina tragicamente da forma que todas as maldições terminam... – Daniel prestava cuidada atenção na rápida narrativa do garoto que parecia ansioso por pular essa parte continuando em círculos. – Vão ficar nessa guerrinha particular e sangrenta até que um tenha a coragem de matar o outro. Não existe herói nessa história.


 


– Era o que eu temia... – comentara Daniel, mas logo se arrependera ao ouvir o suspiro sarcástico do garoto ao seu comentário.


 


– Antares Sépia era uma presunçosa cujo maior talento era tomar todas as decisões importantes por conta própria e erradamente. Na primeira grande guerra entre os bruxos ela liderou o exército contra às artes das Trevas que Salazar Slytherin estava tentando implantar. E Slytherin que apreciava mais do que tudo, poder, é claro, tornou essa guerra pessoal. Saiu do controle, Sépia ficou obsessiva. Seus poderes se desenvolveram de forma sobrenatural, até então Sytherin era o bruxo mais poderoso da história. Suas experiências mágicas o tornaram indestrutível... em outras palavras: praticamente imortal. Era o único capaz de suportar a magia de Sépia, chegou a um pouco que quem se colocasse em seu caminho acabava desintegrado.


 


- Olha, eu estou adorando a aula de História da Magia e a sua visita realmente não é a das mais comuns, mas eu não consigo parar de pensar que Hermione pode estar morrendo em algum lugar nesse exato momento! – Cortara o francês descontrolado, o garoto só revirara os olhos.


 


- Você está acompanhando?! Meus pais herdaram os poderes desses dois lunáticos. Pode parecer muito legal agora, mas vai devastar este mundo como uma bomba nuclear! Quando meu pai completar a sua missão, matar o Potter, a causa dos nascidos-trouxa será esquecida. A história finalmente se repetirá.


 


- Exatamente como Voldemort planeja...


 


- Nem Voldermot faz idéia da percussão dos seus planos. Só existe uma maneira de evitar isso tudo e essa maneira é você.


 


“No final do verão
nós dois nos separamos
e neste parque nos encontramos...
você se lembra ainda daquela constelação?


 


Mesmo muito tempo sem nos vermos
eu ainda acredito nas memórias
eu quero sentir novamente,
a mesma felicidade daquele dia
Juntos, sentindo aquela fragrância...
fogos explodem e brilham como um flash”


 


 


 


– Solte-a Lestrange! – Ordenara Harry com a varinha apontada para a cabeça da Comensal que prendia o corpo de Hermione em frente ao seu.


 


          Por um momento os Comensais recuaram para perto de Bellatrix de forma estratégica. Harry estava eufórico, só a castanha notava que tudo era uma cilada, eles já podiam tê-los derrotado a tempo.


 


         Hermione sentira-se fraca e enjoada pela a devastação de sentimentos que acontecia dentro de si. Achara que aquela noite já havia sido a pior de sua vida e não tivera nem mesmo uma hora de reabilitação. Seus olhos encheram-se de repente de uma grossa camada de lágrimas perante a ardência que se encontrava neles. Ardência acima de tudo de ódio.


 


– Você não faz idéia do quanto eu estou me divertido com isso. – Sussurrara a Comensal no ouvido da castanha. Hermione debatera-se novamente como se estivessem ameaçando-a de arrancarem-lhe o fígado. Sentia as verdadeiras intenções da Comensal e não conseguia encarar Harry e suas esmeraldas completamente ignorantes da situação. – Ele pensa que eu vou machucar você... – A comensal sorrira. – O que será que o faz pensar que eu me importaria com um verme como você?


 


– Eu mantenho minha promessa sua vadia! Eu vou matar você! – Cuspira Hermione para a Comensal que apertara ainda mais seu pescoço.


 


- E como você vai fazer isso? Talvez eu possa te dar algumas idéias...


 


- NÃO! – Mas fora tarde demais, Um jato verde saíra da varinha da Comensal no exato momento que Hermione exclamara. Harry caíra no chão gritando em agonia e seu berro perfurara os tímpanos de Hermione junto de seu último suspiro de consciência.


 


“Eu quero ir onde você está
Eu quero sair deste lugar agora...
na completa escuridão, não consigo enxergar nada
mesmo estando com muito medo, está tudo bem...
Incontáveis céus estrelados
estiveram sempre aqui
Não chore, este é o mesmo lindo céu
que nós viemos naquele dia...”


 


 


              Em Hogwarts os professores rebelavam-se numa segunda estratégia de partida. A agitada aglomeração de alunos agora entrava em pânico com a gigante marca negra no céu, já contando com a aproximação do ataque dos Comensais da Morte enquanto estavam sendo guiados por chaves de portal e passagens secretas.. Já na Floresta Proibida a calmaria sinistra permanecia com o canto das árvores.


 


“Vou além desse caminho
o som dos seus passos
ficam na minha mente
encarando minha própria sombra
e pensando...
mesmo não tentando mudar tudo
os sentimentos de dor crescem, cada vez mais
Não importa o quanto eu acredite nisso
Você, já não está mais aqui”


 


 


- Você, Daniel Conl, jurou lealdade aos dois Herdeiros. E por mais insignificante que isso possa parecer, é na verdade uma das magias mais antigas de todo mundo mágico. – Dissera o rapaz de cabelo platinado para loiro de cabelos espetados que agora dera um passo para trás em confusão. – É o tipo de milagre conhecido por ser o único capaz de criar exceções nesse tipo de Maldição. – O rapaz dissera com um tédio ainda mais profundo junto de uma ligeira repugnância como se falasse de uma matéria escolar da qual detestava . - Vem da linhagem do “Amor Incondicional” Sério, detesto essa parte.


 


- E o que isso significa?!


 


- Significa que você é um Sentinela. Você é o que carrega essa exceção com você. É o único disposto e capaz de lutar pela restauração das almas dos meus pais... – Daniel arregalara os olhos como se escorregasse e caísse em algo realmente desconfortante. – Se é que ainda sobrou alguma...


 


– E como é que eu vou fazer isso? – Dissera o francês depois de alguns segundos de choque, o rapaz se aproximara com um novo sorriso satisfeito nos lábios.


 


– Existe uma espada, forjada pelo próprio Slytherin do seu próprio poder consangüíneo. É a única espada capaz de derrotar o Herdeiro de Slytherin. Encontre-a antes de qualquer um. – Uma ventania ainda mais forte batera de encontro com os dois, o rapaz olhara sério para dentro da floresta. – Meu tempo está acabando... 


 


“Eu quero estar ao seu lado
mesmo se eu for pequeno, 
mesmo se eu for pequeno,
Eu te Amo...
e você precisa de mim, 
mais do que tudo...
Eu tentei realizar os seus desejos
acreditando numa estrela cadente
mas não chore
eu irei te alcançar
neste mesmo lindo céu...”


 


 


 


 


                Uma forte camada de ar explodira do corpo de Hermione pra cima dos Comensais derrubando-os, Bellatrix conseguira aparatar a tempo mais distante e num movimento rápido com a varinha criara raízes que prendiam Hermione estendida no ar. Os olhos da castanha tornavam-se vermelhos assustando de leve a Comensal enquanto toda a neve em volta se agitava.


 


– Esse é o máximo que você pode fazer? – Perguntara Lestrange de forma debochada um segundo antes do chão aos seus pés rachar-se, mas ela novamente aparatara, agora aparecendo atrás de um Harry completamente fraco agarrando-o pelo pescoço como fizera com Hermione. – Acho melhor eu pegar o que eu vim buscar. Dessa vez você não vai me atrapalhar, vai? – A castanha gritara em resposta fazendo com que o vento se rebelasse mais, prendendo os dois num redemoinho de neve. – Isso não vai adiantar Granger!


 


- O que... o que está havendo com ela? Hermione! – tentara Harry inutilmente sair do domínio de Bellatrix, caçando com a outra mão a própria varinha por entre a neve.


 


- Senhora! Não temos como Pará-la! Temos que sair logo daqui! – Gritara o Comensal mais próximo dos dois.


 


- Deixa comigo seu idiota. – retrucara Bellatrix apontando a própria varinha para o redemoinho que cercava o corpo da garota.


 


- NÃO! – protestara Harry, mas logo sendo acertado na cara por Bellatrix caindo de cara na neve.


 


- Congelatus.


 


 


“Mesmo muito tempo sem nos vermos
eu ainda acredito nas memórias
eu quero sentir novamente,
a mesma felicidade daquele dia
Juntos, sentindo aquela fragância...
fogos explodem e brilham como um flash”


 


 


- Não! Espera! Como eu vou encontrar essa espada?! – Questionara Daniel atônito segurando o rapaz pelo braço, o rapaz observara por um momento o desespero do francês com o cenho franzido ligeiramente solidário.


 


- Você precisa encontrar a única Sentinela que já existiu. – Dissera o rapaz. Daniel novamente arregalara os olhos, dessa vez mais esperançoso.


 


- Onde?


 


- Ela vive no lugar mais sombrio e submerso às Trevas do Mundo mágico. Ela é a única que sabe dessa espada, Daniel. A única que pode te ajudar. – A ventania ficara agora mais forte, as nuvens juntaram-se no céu cobrindo a lua e relâmpagos começaram a explodir. – Eu tenho que ir. Você deve começar desde já Daniel. A guerra já começou.


 


- Espera! Eu preciso de mais infor...


 


- Tem mais Daniel! – O francês calara-se instantaneamente para não perder nada. O rapaz falava com ainda mais urgência e pela primeira vez afetado – Algo que está fora da sua missão, mas o que realmente me fez voltar.


 


- O que?!


 


- A minha mãe adquiriu uma doença no coração. – Daniel perdera a cor, seus olhos mantinham-se cada vez mais eufóricos de desespero e confusão. – Não tem nome, não tem cura, é letal! – Daniel gaguejava sem conseguir falar. – Não se sabe ao certo quando e como, mas...


 


- Diga!


 


- Ela vai ser envenenada no seu aniversário de dezoito anos! Pela porção Olictavus! Eu tenho quase certeza que será isso que irá gerar a doença. – Fora a primeira vez que o arrogante jovem Malfoy parecera mais com a criança que Hermione lhe descrevera. Daniel sentira ânsia de abraçar o garoto, mas quase como adivinhando este se afastara.


 


- Eu não irei permitir.


 


- Não. Você vai, este fato você não tem como mudar. Você não pode mudar o Destino Daniel, mas você pode acrescentar à ele. – Daniel movimentava-se tenso, cada vez mais perdido na explicação do garoto. – Nós soubemos a doença tarde demais. Mas eu estou te avisando dela agora. Talvez ainda esteja em tempo de se criar um antídoto! – Daniel encarara por um tempo a seriedade daqueles olhos cinzas com ligeiro traço canino e acenara afirmativamente com a cabeça.


 


- E onde fica mesmo esse lugar mais sombrio e submerso às Trevas do Mundo mágico? – Perguntara Daniel mais confiante fazendo o loiro platinado sorrir de volta.


 


“Eu quero ir onde você está
apertando minha pequena mão
Eu quero chorar, esse é... esse é...
aquele lindo céu”


 


 


 


              Toda a tempestade de neve cessara e Harry vira emergisse em volta de Hermione com um estalar constante de algo sendo cristalizado até que se fechara, prendendo a castanha numa grossa pilastra de Gelo.


 


- O que você fez sua filha da puta!?!?!– Gritara Harry, porém a Comensal o ignorara virando-se indiferente para os demais comensais.


 


- Prendam-no. – Instantaneamente três vultos encapuzados avançaram em Harry prendendo-o com cordas e estendendo-o entre eles.


 


          Lestrange usara mais uma vez o crucio no garoto que gritara mais uma vez, mas suportando ao máximo para ficar acordado. Bellatrix dera uma última gargalhada vitoriosa.


 


 – Esse é de longe o baile de encerramento mais especial. – Dissera ela analisando Harry perder os sentidos de vagar. – Vamos embora. – dissera ela passando pelos comensais que se olharam encapuzados.


 


- Mas e o Potter? O Lorde não vai...?


 


- Dumbledore vai chegar a qualquer momento. – Dissera outro comensal.


 


- O Lorde nunca precisará saber da nossa figuração no baile de encerramento. Deixe que o Herdeiro faça o trabalho sujo. Isso tudo foi só por diversão. – Dissera Bellatrix ao posicionar-se para aparatar, mas antes olhara para o caixão de gelo de Hermione com um sorriso perigoso nos lábios fazendo um último movimento com a varinha que fizera com que o caixão de gelo voasse em alta velocidade em direção ao lago, mergulhando de uma só vez para as profundezas. – Ops...


 



 “Eu tentei realizar os seus desejos
acreditando numa estrela cadente
quero chorar, 
não consegui te alcançar
nestes mesmo lindo céu”


 


 


 


               Era silencioso onde ela estava. Abrira os olhos amêndoas e a paisagem que tivera era completamente embaçada, ofuscada por uma quantidade de luz que lhe doía os olhos. Notara-se surda de repente. “Onde estou” – Perguntara-se sentido frio apesar de estar em um campo aberto e florido que parecia bater muito sol. “Estou no poder dele novamente? Não, isso é diferente...” Olhara em volta em desespero, havia movimentação ali, ansiava em ser notada, precisava de ajuda.


 


              “Harry?” Ela vira, a visão alterada... Embaçada. Mas o rapaz de cabelos negros parecera ouvi-la. Hermione forçara a vista para enxergar o conforto nos olhos verdes do amigo, mas não conseguira... a altura de seus olhos estava sombreada e escura, completando o quadro de suas vestes sombrias e desbotadas.


 


            Hermione sentira o desespero dentro de si propagasse por todo o corpo, como se o sangue do diamante estraçalhado em seu peito finalmente estivesse jorrando-se. Uma voz doce e angelical em sua mente como um uivo das sereias tentava acalmá-la: “Você precisa saber o que vê”. Mas logo o uivo fora substituído pela voz da figura a sua frente.


 


            “Konstantine” – Ele respondera num sussurro, como se sussurrasse a morte. Nenhum nome causara tanto horror na castanha. Fora quando outro som se fez ouvir em seus ouvidos como um baque, uma carga elétrica contra o seu peito que a fizera despertar daquele mundo e sensações de mortes. Como se de forma bruta fosse sugada de volta para seu corpo com vida e tudo não tivesse passado de um flash back.


 


              Hermione vira-se de volta a superfície, puxada pelo braço com brutalidade pra cima do gelo, de joelhos, completamente encharcada com pedaços de gelo ainda em volta de si. Respirava em desespero e frustrada como se fosse ressuscitada através de choques, mas ainda presa às suas últimas lembranças de seus últimos momentos conscientes.


 


- Harry?! Harry! Gina e Ron! – Ela dizia aos choros tremendo de forma alucinada.


 


- Harry e os Weasley estão vivos Hermione, ficarão bem. – Fora então que ela reconhecera o homem que a tirara do gelo como sendo Ephram que a encarava ligeiramente transtornado por trás dos seus indiferentes olhos negros. Para a surpresa de Ephram, Hermione caíra mais uma vez num choro mais forte, agarrando-se às pernas do Comensal.


 


- Você tem razão! – Ela soluçava com a cara coberta de lágrimas e desespero. O Comensal engolira em seco. – Você tem razão! Eu não sou nada! Eu não tenho nenhuma força! Não consigo proteger nem a mim mesma! Eu não estou pronta, ajude-me! Por favor! 


 


             Ephram engolira novamente em seco ao ver as circunstâncias devastadoras em que Hermione se encontrava, aos prantos, completamente nocauteada, agarrada às suas pernas e tocara o topo de sua cabeça num gesto simples e consolador abaixando até a atura da garota sustentando-a pelos ombros para olhá-la nos olhos.


 


- Você pode confiar em mim. Eu te tornarei a mais forte de todas. – Então, um segundo após aquela promessa Hermione caíra exausta e completamente adormecida nos braços do Comensal.


 


 


 


 


                  Essa era uma das desvantagens de se ter um coração puro. Todo tipo de coisa o prejudicava. O deixava em pedaços. O condenava. E ainda por cima carregava com sigo aquele sentimento dolorosamente imortal da esperança. Brincando com suas lesões, sua disposição de restaurar-se por inteiro quantas vezes ainda fosse possível. Pois esta maldita pena de manter-se puro o condenava a esse eterno ciclo de autodestruição.


 


                  Mas talvez, tamanha dor causasse uma reação positiva. Como o veneno de uma cobra, sendo modificado e transformando-se em antídoto. Se aquela fragilidade fosse capaz de se tornar imune, acostumar-se à dor, fazendo que com o tempo esta destruísse seus censores de sensibilidade e emoção. Varrendo aquele sentimento responsável pelo sofrimento mesmo que com isso, causasse em todos os outros alguma lesão.


 


                Tudo o que Hermione queria era ser amada, mas o amor se ocupara de aleijar de diversas formas seu coração. Primeiro a fizeram sentir apenas um músculo morto dentro do peito, agora ela só sentia um vazio de diamante evaporado.


 


             Mas e quanto àqueles que optam por uma retaliação? Aqueles que caminham solitários em seu cavalo platinado igualmente como os fios dos próprios cabelos, como mais um reflexo do luar. Ficam no seu eterno passeio pela noite porque não possuem um lugar confortável para voltar. Me pergunto se o seu pacto com o silêncio se deve a todas as escolhas que teve de tomar e se, se arrepende de ter deixado de amar...


 


            O que os faria ter uma vida assim? Sincera repugnância de amar? Ou motivos que por maldade, não deixam registrar? O que será que se passava com Draco Malfoy, que permanecia no seu comprometedor passeio com o Luar? Será que sabia a Lua os seus segredos? De alguma forma eles pareciam por demais íntimos. Draco guiava seu cavalo albino com apenas uma mão presa às rédeas. Uma majestosa capa negra presa ao pescoço, confundindo-o com a noite. Os primeiros botões da camisa abertos onde avistava-se contra a pela pálida, um pingente de cristal fume, como um recipiente de mágoas.


 


             O loiro tinha as feições caninas franzidas e severas, com uma linha de expressão retraída sentindo em seu peito esquerdo a pior de todas as feridas. Trouxera seus dedos de volta para a sua vista. Estavam cobertos do sangue Malfoy que Draco encarara como que a seu maior inimigo. Respirara pesadamente, continuando seu caminho. Aquela era a ferida que devia levar consigo.


 


            Então o loiro tirara do bolso uma caixa preta e dela tirara um fino cigarro bruxo, analisando-o por um momento, como que lhe dando uma chance de o enfeitiçar. Colocara-o na boca puxando de leve, fazendo o cigarro acender-se em brasas e soltara no ar aquela substância de dentro de si. Esperançoso que com ela fosse mais, qualquer resquício do veneno que a castanha depositara ali. 


 


             Ele era indestrutível, sabia, e por mais que não soubesse explicar de onde aquela ferida vinha, num fundo sabia que a merecia. Não sabia quanto tempo ela demoraria para fechar... mas esperaria, pois de uma forma sádica, era aliviante deixá-la sangrar.


Fim da Terceira Parte


 


Continua...



 


N/a: Olá pessoal, muita gente veio me pedir pra postar novamente o cap 15.2 de aps, pois o site estava fora do ar... então aqui está. Muitissimo obrigada por todo carinho! Pelas maravilhosas Mensagens! Amo Vocês!


 


ps.: quanto a continuação... devo chamar a atenção a uma coisa: Aps tem seis anos e quatro meses... sim, foi difícil a partir da terceira temporada em que os caps começaram a demorar... mas fico orgulhosa de quantos leitores fiéis Aps tem. Obrigada. E prometo que vou me esforçar  e nunca vou abandonar Aps.


 


Angy.


 


 

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Comentários (5)

  • Annabeth Lia

    Merlin! Chorei tanto que meus olhos estão inchados! Como disse a  Pamy Debastiani   estou desidratada. Esses dois precisam do seus "Felizes para sempre" no final do seu conto de fadas. Eles merecem.

    2013-04-04
  • Pamela Barros

    Merlin, como eu chorei. Ah, por favor, faça um final feliz!!! Estou desidratada.

    2013-02-13
  • Bia Litz

    Tem um bom tempo que não passo por aqui, e quando volto encontro esse capítulo maravilhoso me esperando e com minha música preferida dos Beatles! Caramba Angy, tu sabe mesmo como me fazer chorar haha Parabéns pela fic, ela é realmente incrível. *:

    2012-08-02
  • Giulya Gomes

    Adorei :D

    2012-02-12
  • Iasmim Costa

    O QUE?! COMO ASSIM TERMINA DESSE JEITO?! CONTINUAÇÃO DA FIC POR FAVOR! 

    2012-01-23
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