Gota de sangue



Aquele era seu pior inimigo. O mais cruel,o mais cínico, o mais impiedoso. Um inimigo que falava a verdade. Sempre a mais pura e cruel verdade. Toda aquela verdade que Hermione conhecia muito bem e que nunca a abandonava.
Mesmo amedrontada, Hermione não deixa de encara-lo.Lá estava ele,encarando a garota de volta,com os próprios olhos de Hermione.

-- Feia...

Hermione sufocou um soluço

-- Gorda...

Uma lagrima formou-se na pontinha da pálpebra.

-- Que cabelo horrível...

Como um bichinho que foge, a lagrima saiu da toca e foi se esconder nos labios dela.

-- Você plantou uma rosa no nariz, é?

-- Cale a boca...por favor...

-- Sabe que essa rosa vai ficar amarela? Amarela e graaande...

Hermione então reconheceu aquele gostinho amargo em sua boca, vindo cada vez mais forte.

-- Por favor...me deixe em paaaz..

-- Você vai espremer a rosa amarela. O seu nariz vai inchar...

Os lábios de Hermione apertaram-se,molhados,se palavras.Aquela garota,que sempre tinha resposta pra tudo, sempre uma gozação na hora certa,uma tirada de gênio que deixava qualquer provocador sem graça, não sabia o que dizer quando seu grande inimigo apontava sadicamente cada ponto fraco que havia para apontar.

-- ...e você vai ter vergonha de voltar ás aulas na semana que vem, todos os bruxos da escola vão rir de você...

-- CALE A BOCA!

A raiva foi tanta que a escova de cabelo voou com força, acertando o inimigo em cheio, bem na cara.

-- Hermione! Venha cá. Morreu ai no banheiro, é???

O chamado penetrou-lhe os ouvidos,acordando a menina do pesadelo que ela sofria acordada. A voz irritante da mãe, estridente como uma campainha dedespertador. Devia de estar com enxaqueca. Na certa ia reclamar de alguma coisa.
O combate com o inimigo estava suspenso, por hora. Hermione sacudiu a cabeça, como se despertasse, e esfregou o rosto, apagando as marcas da luta. Uma ultima olhada para o inimigo. Ele a olhou de volto, agora com uma rachadura de alto a baixo.

‘’Sete anos de azar’’, pensou Hermione. ‘’Ah, o que são sete,para quem já viveu quatorze dos anos mais azarados do mundo?”

- Hermioneee!! – ainda mais irritada, a voz da mãe invadiu o banheiro. – não me ouviu chamar??

‘’Quatorze anos de azar’’, ainda pensava a menina ao abrir a porta. ‘’Será que minha mãe quebrou DOIS espelhos quando eu nascii???’’


***

A mãe apertava as temporas com as mãos,como se a cabeça fosse cair se a largasse.

-- Você sabe que eu não posso gritar,querida. Você devia...

-- Ta bom, mãe. O que a senhora quer?

-- Ai,ai. Tia Lílian acabou de telefonar. É o aniversario do Harry e ela faz questão que você vá.

-- Harry? Que Harry?.

-- O seu amigo ora,quase seu primo. Não lembra dele? Vocês brincavam tanto, até diziam que um dia iriam casar...

-- Ah, mãe! Isso já faz um século...

-- É, faz tempo mesmo. Também, não parava de se mudar, mas agora vai sossegar. Montou uma casa que é uma beleza. Lílian vai fazer uma festa para Harry que...

-- QUE DROGA! Aniversario de criança!

-- Harry faz 16 anos, Hermione...

-- Eu não quero ir.

-- Não discuta! Você vai e pronto. Minha cabeça esta me matando!


***

-- É claro que eu vou! – concordou Cho, do outro lado da linha – As férias estão no fim mesmo, e os programas andam raros. Acho até gozado: sempre sou eu que tem que arrastar você pra alguma festa, mas você sempre arranja uma desculpa, sempre tem que estudar...
-- Acontece que eu não quero ir sozinha, Cho. – desculpou-se Hermione, como se tivesse convidado a amiga para uma sessão de tortura. – Minha mãe ‘’exige’’ que eu vá. É o aniversario do Harry, um amigo...primo...sei lá, que eu não vejo há anos. Dizem que sempre foi o melhor aluno da classe. Um chatooo! E o pior de tudo é que foi transferido para a escola de bruxaria. A partir de segunda-feira, vou ter de conviver com o chatinho a vida inteira. Faltam só dois dias... a festa deve ser tão chata quanto ele. A gente fica só um pouquinho e...

-- Você fala isso como se você não fosse a melhor da sala! Ora pois, nem reclama! E alem do mais, já disse que vou. Uma festa é uma festa. E esta não deve ser mais chata do que as outras.


***


Lá estava ele de novo. O inimigo, agora todo rachado de cima a baixo. Levemente seus dedos tocaram a face fria do inimigo, bem na rachadura.
Hermione deixou as lagrimas correrem fartas pelo rosto. Foi ai que o inimigo resolveu feri-la mais fundo e cortou-lhe o dedo com a borda da rachadura. Na rachadura, no peito do inimigo, ficou uma gota de sangue.
O dedo não doía quase nada. Era ‘’ali’’ que doía.






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