Delatoriu



03- Delatoriu



08 de Setembro de 1976.



Mal as últimas aulas do dia acabaram e Tonks saiu desabalada em direção à sala do diretor. Ela achou que agora que Sirius sabia da sua situação, as coisas ficariam mais fáceis. Que doce ilusão! O rapaz tinha uma lábia tão boa e Tonks uma língua tão solta, que mais de uma vez, ela esteve prestes a revelar coisas cruciais que aconteceriam no futuro. E nisso, eles acabaram discutindo.

Claro que Tonks sabia de toda a história acerca do primo e do modo como ele fora mandado à Azkaban. Mas Andrômeda, uma das poucas pessoas que conhecera Sirius como ele realmente era, sempre defendeu a imagem do querido primo, afirmando que ele nunca seria capaz de trair os Potter e muito menos de ser um aliado d’Aquele-que-não-deve-ser-nomeado. Ainda mais ele, que sempre detestou a família por ser simpatizante da causa do Lorde das Trevas. Que grande besteira!

Com certeza tudo havia sido um grande engano. Nem a chance de ser julgado, Sirius teve, ou teria no futuro. Bem, essa era uma questão realmente complicada.

Mas, agora que Tonks estava convivendo com todas aquelas pessoas que ela sempre ouvira falar, as coisas mudavam de figura. Era simplesmente estranho pensar que em alguns anos, tudo mudaria. Drasticamente. Inevitavelmente.

“Merlin, eu vou enlouquecer”

No começo, o estado de choque e espanto havia sido tão grande, que Tonks mal havia tido tempo de pensar direito, mas agora, que tudo estava relativamente calmo, aqueles pensamentos se tornavam inevitáveis. E para uma pessoa impulsiva como Tonks, pensar antes de falar podia ser complicado demais.

“Tomara que a senha não tenha mudado”

-Geléia de alcaçuz. - A garota falou, espiando ansiosamente as gárgulas que guardavam a entrada para a sala de Dumbledore. E foi com alívio que ela viu a passagem se abrindo, revelando uma escada em espiral.

Ansiosa, ela galgou os degraus rapidamente, e de tão afobada, quase se esborrachou quando chegou no final da escada. Quando ergueu a mão para bater na porta, esta se abriu rapidamente, enquanto o diretor fazia um gesto largo, convidando Tonks para que ela se aproximasse.

A garota sorriu e ajeitou uma mecha de seu cabelo que hoje estava negro e na altura dos ombros.

-Olá, Nymphadora. - Tonks fez uma careta desanimada. - Aconteceu alguma coisa?

-Professor, eu vou acabar enlouquecendo. - Ela desabou na cadeira em frente à escrivaninha de Dumbledore. - Eu discuti com o Sirius agora a pouco, porque ele estava implicando com o Peter. Imagina, implicar com aquele garoto, o coitado ainda vai receber uma Ordem de Merlin e tem o dedo dele, coitado, só vai sobrar um dedinho... - Tonks começou a tagarelar, as palavras saindo atropeladas sem o mínimo de coerência. - Além, de que ele fica me perguntando coisas, e eu não posso falar nada. Mas ele acha que tem o direito, porque é o primo da minha mãe e...

-Nymphadora, se acalme. - Dumbledore sorriu, conjurou uma xícara com chá e entregou à garota. - Beba um pouco, vai te fazer bem.

Tonks sorveu um pouco do chá que estava na sua xícara e respirou fundo.

-Pronto, agora porque não tenta me contar tudo com mais calma?

-Certo, professor. - Tonks deixou a xícara sobre a mesa. - O Sirius descobriu tudo. Bem, ele desconfiou por causa do meu nome, afinal, Nymphadora, não é um nome muito comum.

-Como assim, desconfiou? - o Diretor cruzou as mãos em frente ao corpo e lançou um olhar penetrante à adolescente.

-O Sirius é primo da minha mãe, a Andrômeda, sabe. - O diretor fez um gesto de concordância. - E ele sabe que minha mãe tem uma filha com o mesmo nome que eu. Claro, eu sou a filha da minha mãe e...

Dumbledore sorriu divertido, ao ver a confusão da jovem.

-Tudo bem, Nymphadora, eu compreendi. Então, quer dizer, que a senhorita é prima do jovem Sirius?

-Exatamente, mas o problema é que ele fica me fazendo perguntas. Não sei se o senhor percebeu, mas eu falo muito.

-É, isso é preocupante. Não o fato de a senhorita falar demais. - Ele replicou divertidamente, mas voltou a ficar sério. - Mas Sirius saber de tudo. Bem, talvez haja um jeito de resolvermos isso.

-O senhor não vai lançar um obliviate em mim, não é? - A garota arregalou os olhos de surpresa.

-Não, não, fique tranqüila. Eu apenas vou fazer um feitiço simples, para impedir que a senhorita fale o que não deve falar. - Tonks suspirou aliviada. - Esse feitiço era muito útil quando eu era jovem e não queríamos ter um dedo duro na turma.

Tonks estava realmente surpresa. Nunca ela imaginou que Dumbledore, o bruxo que derrotou Grindelwald, fosse usar um feitiço contra colegas dedo duro.

-Então, tudo bem. - Ela abriu um sorriso. - Manda brasa, professor!

Dumbledore se levantou de sua cadeira e deu a volta, ficando ao lado de Tonks.

-Delatoriu! - Ele sussurrou suavemente, enquanto apontava a varinha para Tonks.

Ela piscou e olhou para o diretor. Aparentemente nada havia mudado. Como se tivesse lido os pensamentos da jovem, ele perguntou:

-Diga-me, Nymphadora, porque Peter receberá uma Ordem de Merlin?

Tonks abriu a boca para responder, mas toda vez que fazia isso as palavras não saiam, como se estivessem presas na garganta.

-Caramba! - Tonks exclamou. - Então, eu não vou conseguir falar mais nada?

-Absolutamente nada do que não deve. - Dumbledore sorriu, voltando ao seu lugar. - Eu deveria ter pensado nisso antes, poderia ter poupado uma discussão sua com o seu primo.

Tonks deu de ombros.

-Não tem problema! - Ela se levantou e ajeitou a mochila nas costas. - Valeu, Professor!

-Estou às ordens, minha cara Nymphadora!

-Professor? - Tonks perguntou, com a mão na maçaneta da porta, pronta para sair do escritório do diretor. Dumbledore olhou bondosamente para a jovem, incentivando-a a prosseguir. - Hmmm, o que o senhor aprontava para não querer ser dedurado?

Dumbledore parecia surpreso com a curiosidade de Tonks, mas não ficou aborrecido com isso. Ele também já fora jovem um dia e entendia perfeitamente bem o quanto a curiosidade juvenil era natural.

-Eu apreciava bastante fazer excursões noturnas pela escola e principalmente visitar a cozinha. - O velho diretor parecia sonhador. - Eu adoro tortinhas de limão.

Tonks sorriu, vendo que a sua curiosidade fora saciada.

-Bem, agora eu tenho que descer para o jantar. Mais uma vez obrigado, Professor.

E saiu da sala, deixando Dumbledore com um sorriso no rosto.


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20 de setembro de 1976.



Como ocorria quase todo o dia, Tonks acordara atrasada. Suas colegas de dormitório: Lilly Evans, Alice Dearburn e Claire Smith, já haviam saído para o café da manhã. Bem, uma das vantagens em ser metamorfomaga é que ela não precisava se preocupar em arrumar o cabelo. Era só se concentrar e pronto, lá estava ela arrumada.

Vestiu o uniforme e saiu catando livros e pergaminhos que estavam espalhados pelo quarto. Bem que Lilly tentou disciplinar a bagunça que Tonks fazia, mas viu que aquela ali era um caso perdido.

Tonks saiu do dormitório e estava atravessando a sala comunal quando viu um grupinho conversando aos cochichos em um canto. Marotos cochichando é algo realmente raro de se ver, já que eles gostavam de chamar a atenção. Quer dizer, Sirius e James gostavam de chamar a atenção, mas como Peter e Remus também faziam parte do famoso quarteto, acabavam sendo famosos por tabela.

-Bom dia, pessoas! - A garota de cabelos azuis e arrepiados cumprimentou animadamente, assustando os quatro rapazes.

-Bom dia, Tonks. - Sirius foi o primeiro a responder. - O que você está fazendo aqui?

-Procurando o meu Kappa de estimação. - ela revirou os olhos. - Duh, Sirius, estou indo tomar o café da manhã, né?

-Desculpa, mas é que você saiu tarde demais. - Ele retrucou.

-Eu só acordei um pouco mais atrasada do que o normal. Só isso. - Ela olhou atentamente para os quatro rapazes e viu que eles pareciam diferentes, principalmente Remus, que estava mais pálido e abatido do que o normal. - E então, vamos descer?

-Pode ir andando, Nymphadora! - James falou calmamente, recebendo um olhar irritado da garota. -Daqui a pouco a gente desce.

Ela apenas bufou e saiu resmungando pelo buraco do retrato. Era exatamente isso o que ele queria. Vendo que estavam sozinhos novamente na sala comunal da Grifinória, os marotos voltaram a conversar.

-Será que ela escutou alguma coisa? - Peter perguntou.

-Eu acho que não, Rabicho. - Sirius respondeu. - A Tonks fica com o raciocínio meio lento de manhã cedo.

-Nossa, parece que você conhece a Tonks muito bem. - James abriu um sorriso malicioso para Sirius. - E então, Almofadinhas, a Tonks vai ser a sua próxima vítima? Ou será que já foi, hã?

Sirius pareceu considerar a questão, simplesmente para não levantar suspeitas com os amigos. Ele havia prometido para a sua prima, que não iria falar nada a respeito dela. Então, para todos os efeitos e aos olhos dos demais, ele preferiu deixar as coisas subentendidas.

-Por Merlin, Pontas, olha o jeito como você fala da garota! - Remus protestou e acrescentou, com um sorriso irônico. - Parece até que o Almofadinhas é algum tipo de assassino em série.

-Olha, que eu não duvido nada, nada disso. - James falou, parecendo muito sério.

-Se eu fosse você ficaria bem quietinho antes de falar de mim, Sr. James Pontas Potter. - Sirius lançou um olhar enigmático para Pontas. - E eu não sou um “assassino em série”, apenas um conquistador. - E abriu um sorriso brejeiro. - Afinal, é melhor ser um “conquistador em série”, do que ser como você, que está atrás da mesma garota há quase três anos e não consegue nada.

Vendo o sorriso triunfante que Sirius exibia, James resmungou alguma coisa que os outros não compreenderam, mas o assunto Evans morreu ali mesmo.

-E então, Aluado, qual vai ser a desculpa desse mês?

Remus sempre ficava desconfortável nessa questão. Odiava ter que mentir e inventar desculpas mirabolantes todo mês, mas era estritamente necessário. Afinal, ele precisava justificar as suas ausências durante a Lua Cheia.

-Sei lá, eu posso dizer que a minha avó morreu e que minha mãe quer que eu vá para casa. - O rapaz respondeu, soltando um suspiro.

-Mas a sua avó não morreu no ano passado, Aluado? - Rabicho indagou, franzindo o cenho.

-Rabicho, o Remus tem duas avós, pode ter sido a outra, não? - Sirius argumentou, recebendo um gesto de concordância de James.

-Certo, a desculpa nós já temos. - James sorriu, esfregando as mãos e parecendo animado. - O que nós vamos fazer nessa semana?

-Que tal uma visitinha a Hogsmeade? - Rabicho parecia sonhador. - Poderíamos dar uma passada na Dedos de mel. Eu realmente preciso renovar o meu estoque de doces.

-Caramba, Rabicho, você só pensa em comida, hein?! - Sirius gracejou, sendo acompanhado nos outros em sua gargalhada.

-Não, não, eu acho melhor não. - Remus parecia pensativo.

-Eu ouvi o Hagrid dizendo que tem filhotes de unicórnio lá no lado leste da Floresta Proibida. - James comentou. - E então? Que tal?

Eles se encararam, um sorriso maroto surgindo nos quatro adolescentes. Para Remus, aquilo não era simplesmente mais uma aventura junto aos marotos. Para ele, aquilo tinha um significado todo especial, era um gesto de amizade e lealdade. O rapaz sempre ficava feliz em saber que tinha a amizade daqueles três, que se esforçavam todos os meses para tornar a sua vida menos triste e trágica.


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Tonks saiu irritada da sala comunal da Grifinória.

“Nymphadora” A garota bufou “Eu ainda processo a minha mãe por perdas e danos morais.”

Quando chegou no salão principal, conseguiu encontrar facilmente as suas colegas de dormitório. A brilhante cabeleira ruiva de Lilly Evans chamava a atenção facilmente no meio da mesa da casa dos Leões. Aproximou-se e sentou ao lado da ruiva, que estava com a cara praticamente enfiada em um livro de Aritmancia.

-Falando sério, ela ainda vai ter um ataque de nervos. - Tonks comentou com Alice, indicando Lilly com a cabeça. - Não quero nem imaginar o estado dela quando chegarem os exames.

-Ih, Tonks, nem tenta falar com a Lilly agora. - Alice sorriu. - Coitado do cara que ficar com ela um dia...

-Coitado do James, você quer dizer, né? - Tonks deu um sorrisinho sabido, piscando para a colega.

As duas riram e Lilly nem notava a conversa das duas.

Então o ruído de asas foi ouvido e várias corujas invadiram o Salão Principal, piando alegremente e procurando por seus respectivos donos. Uma coruja parda e de olhos amendoados pousou em frente à Alice e deixou uma carta sobre a mesa.

-Obrigado, Francis! - Alice afagou carinhosamente a coruja, que dava um olhar interessado na mesa do café da manhã.

Pelo sorriso radiante que se formou no rosto de Alice, Tonks logo deduziu que era carta do namorado da garota, Frank Longbottom. O rapaz tinha terminado a escola no ano anterior e agora estava fazendo a Academia para Aurores. Bem, aquilo havia deixado uma sensação desagradável em Tonks, ao pensar nas coisas que aquele futuro casal iria passar.

Às vezes, Tonks achava que era melhor ter recebido um obliviate e esquecer as coisas que sabia, já que até o presente momento, o diretor não havia encontrado um modo de levar Tonks para a sua real época.

Como não havia nenhuma correspondência para ela, Tonks limitou-se a observar os colegas, enquanto terminava o seu café-da-manhã. Viu que Alice não era a única garota com um ar apaixonado na mesa da Grifinória. Claire Smith, uma garota com cabelos loiros e cacheados, olhos azuis por detrás de óculos ovais, estava debruçada sobre um pergaminho, sorvendo cada palavra de sua correspondência.

Tonks não havia feito amizade tão facilmente com a garota, como tinha feito com Alice e Lilly. A metamorfomaga não sabia a razão disso, mas achava que Claire fazia questão de manter distância dos colegas da Grifinória, passando a maior parte do seu tempo ou na biblioteca ou com uma prima que pertencia à Corvinal.

-E então, alguma novidade? - Tonks perguntou à Alice, quando esta terminou de ler a sua carta.

-O Frank estava me perguntando se já marcaram a data do próximo passeio a Hogsmeade. Provavelmente ele vai me encontrar lá.

Tonks perguntou, simplesmente por perguntar. Ela não compreendia como uma garota podia ficar tão... qual seria o termo adequado? Ah, sim, Tonks achava patético o modo como as garotas ficavam quando estavam apaixonadas. Era tão mais divertido não ter um relacionamento sério, ir apenas aproveitando as oportunidades...

Mas os pensamentos dela foram interrompidos com a chegada de Sirius, James e Peter, que pareciam mais uma manada de hipogrifos selvagens, comendo como se estivessem em jejum há mais de uma semana.

-Mhumm, - James engoliu uma porção generosa de ovos com bacon e se voltou para Sirius. - Já falei com a McGonagall. Nós já podemos marcar os treinos para a próxima temporada de quadribol.

-É, mas precisamos fazer os testes para o novo artilheiro. - Sirius falou. - Não sei de ninguém que possa ocupar o lugar do Frank.

-Nossa, nem tinha pensado nisso. - James parecia pensativo e começou a olhar para a mesa da Grifinória, como se a qualquer momento fosse surgir um artilheiro montado em uma vassoura e com uma goles na mão.

-Pois é, Senhor Capitão, mas é melhor começar a pensar nisso. Eu quero ganhar a taça esse ano. O último ano dos marotos tem que ser o mais perfeito possível.

-Então eu vou reservar o campo de quadribol para amanhã à noite. - James ajeitou os óculos que escorregavam pelo nariz. - Vou colocar um aviso na sala comunal.

-Eu não pude deixar de ouvir a conversa de vocês. - Uma voz feminina falou ao lado de Sirius. - Será que eu posso fazer o teste amanhã?

Os dois rapazes trocaram um sorriso malicioso ao verem que se tratava de Tonks.

-Você jogando quadribol? - Sirius ironizou. - Imagina só, Pontas, o tanto de acidente que não vai ter no jogo. A Tonks mal consegue dar dois passos sem dar um tropeção.

A garota estreitou os olhos, o olhar carregado de raiva. Naquele momento Sirius se assustou. Tonks realmente parecia alguém da família Black.

-Olha aqui, Sirius, - Ela apontou o dedo ameaçadoramente para ele. - Eu posso ser um pouquinho desastrada, mas sei jogar quadribol muito bem, ok?

-Uhh, a garota ficou estressada! - James gargalhava abertamente, sendo acompanhado por Rabicho, que, na verdade, ria sem nem saber o motivo da graça.

-Cara, quando vocês querem conseguem ser bem pentelhos, viu!!! - Ela bufou e se levantou da mesa.

Sirius se levantou logo em seguida, indo atrás da garota. Todo mundo parecia muito interessado na cena, pois todos pararam para observar Sirius sair correndo atrás de Tonks.

-Tonks, espera aí! - Ele gritou, já na porta que dava para o hall. - Eu estava só brincando.

A garota nem deu bola. Saiu andando a passos rápidos, indo em direção à sala de feitiços, que seria a primeira aula daquele dia.

Normalmente Tonks não era encanada com brincadeiras e sempre levava tudo na boa, mas era difícil manter o autocontrole numa situação tão peculiar quanto aquela. Praguejando baixinho, ela estava tão distraída, que mal notou para onde estava indo e quando se deu conta, trombou em alguém, derrubando um monte de livros e pergaminhos.

Quando a garota ergueu os olhos, murmurando vários pedidos de desculpas, deu de cara com ninguém menos que Severus Snape.

-Ah, tinha que ser a aberração! - Ele abriu um sorriso desagradável, olhando Tonks de cima a baixo e parecendo um pouco ameaçador.

-Uh, veja só, o Morcego crescido! - Ela respondeu no mesmo tom.

-Está se achando muita coisa só porque está andando com aquele grupinho estúpido, não é? Eu ainda não esqueci o que você fez comigo no trem, Nymphadora...

-Cara, como você consegue ser rancoroso! E o meu nome é TONKS, entendeu?

-Ei, Ranhoso, o que você quer com a Tonks, hein? - Sirius finalmente conseguira alcançar Tonks e encarava Snape desafiador.

Involuntariamente a mão dos dois procurava pela varinha.

-Nada não, Sirius! - Ela respondeu. - O problema dele é comigo.

-Olha aqui, Ranhoso, eu não quero saber de ver você ameaçando a Tonks, entendeu? - Sirius parou ao lado de Tonks e passou um braço protetor ao redor dos ombros dela.

-Como se eu tivesse medo de você, Black! - O Sonserino respondeu, passando pelos dois, um sorriso cínico nos lábios.

Mas antes que Sirius pudesse retrucar novamente, Snape já estava longe, a capa negra de seu uniforme se agitando atrás de suas costas.

-Idiota! - A garota murmurou, ajeitando a mochila nas costas.

-Tonks foi mal. - O moreno parecia realmente constrangido ao olhar para a garota. - Eu e o Pontas somos uns babacas que ficam fazendo piada de tudo. Se você for ficar irritada com todas as besteiras que a gente fala, vai ser pior ainda que a Evans.

Tonks tentava parecer séria, mas a sombra de um sorriso passou pelo seu rosto.

-E então? Estou perdoado?

Agora Tonks compreendia porque noventa e nove por cento da população feminina de Hogwarts morria de amores por aquele maroto. O jeitinho de cãozinho abandonado dele era tão irresistível, que ela simplesmente não conseguiu ficar com raiva dele.

-Ok, Sirius, tá tudo beleza. - Ela sorriu. - E então eu vou poder fazer o teste, não é?

-Bem, a gente não pode impedir isso.

Aos poucos os alunos do sétimo ano da grifinória foram chegando para a primeira aula do dia, aguardando do lado de fora a chegada do Profº Flitwick.

-E Sirius... - Tonks o reteve do lado de fora, enquanto os outros alunos entravam na sala. - Desculpa se eu ando meio estressada, mas você não sabe como é esquisita essa...bem, você sabe, essa minha situação.

O rapaz deu de ombros.

-Não nego que fico curioso com o que vá acontecer, afinal, a gente poderia se dar muito bem. Você poderia ser até um tipo de vidente, já pensou nisso?

-Sirius...

-É sério, Tonks. - Ele abriu um sorriso maroto.

-Você não tem jeito mesmo, viu. Mas de qualquer modo, isso não poderia acontecer.

-Ah, tem aquele feitiço, né? - O maroto respondeu desanimado.

-Pois é. - Ela respondeu, enquanto os dois entravam na sala e procuravam um lugar vago. Ficaram numa carteira vazia no fundo da sala, perto de James e Peter.

Tonks deu uma olhada pela sala, sentindo falta de alguma coisa.

-Ei, cadê o Remus? - Ela cutucou Sirius, que já estava confabulando com os outros marotos. - Eu não o vi no café de manhã e ele também não está na aula.

-O Remus? - Peter balbuciou, lançando um olhar nervoso para os outros dois.

-É, o Remus. - Tonks confirmou. - Não vai me dizer que ele cabulou aula. Isso seria no mínimo curioso.

-Não, ele não cabulou aula. - Sirius respondeu. - Sabe o que é, Tonks, o Aluado está com um probleminha. - “Um probleminha bem cabeludo”, ele pensou. - A avó dele faleceu ontem à noite e a mãe dele não está muito legal, então ele foi pra casa ficar com ela.

-Sério? - A garota parecia comovida. - Nossa, coitado do cara, né? Deve ser uma situação bem chata.

-É. - Os três marotos responderam ao mesmo tempo, como se tivessem ensaiado a resposta.

Mas a conversa deles na sala de aula parecia interessar outras pessoas. Sirius desviou o olhar dos amigos e percebeu que tinha alguém olhando para eles.

-O que foi, Smith, perdeu alguma coisa aqui? - Ele perguntou rispidamente.

-Desculpa, Sirius, mas eu fiquei curiosa em saber como o Remus estava. - Claire respondeu, as bochechas corando fracamente.

-Ah, agora você quer saber do estado do Aluado, né? - James perguntou ironicamente, mas depois não falou mais nada, porque Lilly, que estava sentada ao lado de Claire, lançou um olhar irritado para ele.

-Calma, Sirius, não precisa falar assim com a garota, né? - Tonks interveio.

-Desculpa, Tonks, mas é que certas coisas me deixam nervoso.

Tonks deu de ombros e não perguntou mais nada. Não queria ficar brigada com Sirius outra vez, a amizade dele já era importante para ela naquela época. Mas que aquela história havia deixado-a curiosa, ah, isso havia...


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Nota da Tonks: Sim, é bom ter amigos garotos. Ao contrário do que todo mundo pensa, eles conseguem ser mais fofoqueiros do que as garotas. E eu, quando quero, consigo ser bem persuasiva.
O que isso quer dizer?
Quer dizer que o James acabou me contando o porquê deles terem sido tão hostis com a Claire na aula de feitiços. Parece que ela foi a ex-namorada do Remus e que terminou com ele no meio do verão por carta.
Cara, isso foi muita sacanagem da parte dela. Olha, eu nem teria desconfiado dessa história. O Remus é um cara na dele e não trata a Claire mal, muito pelo contrário, é sempre gentil e educado.
Ele não merecia isso...




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N/A: Aleluia!!!!!
Gente, devo desculpas a vocês pela demora desse capítulo. Além de me bater um bloqueio básico, eu ando tensa por causa do final da minha outra fic (O País das Fadas). Agora eu entendo por que eu ando travada com essa fic: acho que é porque eu não gosto muito de fics com os marotos e são pouquíssimas as que eu leio.
Ah, só agora eu percebi que cometi uma gafe. Segundo a árvore genealógica dos Black, a Narcisa é mais velha que os marotos, portanto, eles não cursaram o sétimo ano na mesma época. Bem, agora já não dá mais para alterar, então vou deixar do jeito que está. Isso não é um detalhe tão importante, é? =)
Bem, por enquanto a Tonks está se adaptando com a época e com o pessoal. Já deu pra notar que rolou uma certa preocupação de ambas as partes, mas tudo muito sutil.
Agradecimentos à: Sônia Sag, Belzinha, Sally Owens, Anna Black, Lady Stardust, Lara_Evans (já te agradeci pela capa?), Géia, Pazinha, Nie Colare (vê se dá sinal de vida, vizinha), Mrs Radcliffe, Carolzinha, Senhorita Granger, m.dashwod, Natee (leitora nova...wheeee), Betynha, JuLiAnA_PoTTeR_@ . Ufa, se eu esqueci alguém, please, perdoem-me.
Ah, e desculpe pelo aviso ali de 'capítulo chega hoje'. Ele já estava pronto desde ontem, mas o floreios tava fora do ar.
Beijocas e até o próximo capítulo, que eu espero postar em breve.=)




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