Esclarecimentos



2 – Esclarecimentos


- Eu nunca esqueci disto Rowling, e sei que nunca esquecerei. – Disse se levantando. – Faça o que quiser da minha vida agora... Você já a destruiu mesmo não é? Assim como fez com a sua, anos atrás.

- Isso já não me machuca mais Potter! – riu cinicamente – Essa dor já foi curada há tempos, mas você não percebeu... E nunca vai perceber, por que você não pode! Acha que tudo que escrevi é mentira, pois está muito enganado, está enganado também se acha que eu somente escutei a sua história...

- Como assim Rowling? – Harry disse irônico. – Quem mais poderia te contar a minha história? Dumbledore? Minerva? – Harry se sentiu mal com o que disse, se sentia mal com tudo que havia acontecido no passado, Rowling riu mais ainda, mas dessa vez não parecia tão cínica, e sim misteriosa.

- Nem todas as feridas se curam Potter. Algumas nos corroem até a hora de nossa morte. Ou acha que todos são como você? Cruéis, narcisistas e possessivos.

- Eu não vim aqui para debatermos nossos defeitos, queria e quero tirar satisfações com você, não irá escapar tão facilmente Rowling!

- Muito bem... E nos já fizemos isto. Já relembramos algumas coisas... Boas, ruins, mas eu realmente... Não pretendo mudar a “minha” história. – Rowling movia as mãos freneticamente no ar, Harry continuava a olhar mecanicamente.

- Sua? – Harry perguntou se alterando novamente.

- Eu a escrevo, ou se esqueceu disto? A partir do momento que eu seguro a caneta eu te manipulo, te faço uma marionete. Você está sempre suspenso por mim, com apenas uma vírgula... Posso acabar com você, com seu noivado, com suas amizades! Você está em minhas mãos! – Ela levantou-se e virou-se de costas para Harry

-... – Loucas, mas verdadeiras. Aquelas palavras estremeceram o corpo de Harry. Como pode ser tão bobo. – Você não faria isso. – A virou de frente puxando agressivamente, sentiu aquela dor na cicatriz... Novamente... Estava agindo como ele, até mesmo depois de morto... Voldemort continuava a atormentá-lo, noite e dia, para sempre em suas memória. – A largou, escondeu o rosto com as mãos, e sentou-se.

- É ele novamente não? – Rowling, sentou-se de frente a ele, suspirou e começou. – Quantas vezes eu já disse à você. Ele está morto! Não existe mais.

- Mas eu o sinto. – Harry desabafou. - Durante todos os dias da minha vida eu o sinto cada vez mais presente em mim! – Ele tirou as mãos do rosto. Haviam lagrimas em seus olhos. Rowling pode sentir que mesmo depois de tanto tempo, ele ainda era uma pessoa fria, sem nenhuma vontade de viver...

- Harry... Todos nós temos um Voldemort dentro de nós, às vezes realmente somos pessoas ruins e maldosas... Às vezes esquecemos de ser bons, esquecemos que temos alguém para quem viver! Esquecemos de fazê-las felizes... Ele me ajudou Harry... Meu “Voldemort” interior me ajudou a escrever a sua história... Eu não sei, talvez por inveja, por pena... Ou até mesmo por vingança... Eu não entendo bem porque fiz isso. Mas eu sentia a necessidade de te fazer algum mal. Eu sempre estive presa a você, sempre. E você sabe como é se sentir preso em alguém...

- Eu não imaginava que você se sentisse assim... Eu realmente não imaginava. – Harry pareceu desconcertado com tudo que a mulher disse.

- Harry... Alguma vez você me viu como pessoa, com vida própria, e não só como a mulher que escreve sua história? – ele abaixou a cabeça - Não! Para você ver como não é Voldemort que está te “possuindo”, é você que está se destruindo! Você já disse para Hermione o quanto a ama hoje? Você já perguntou se ela está bem? Você já se preocupou com o que gira em torno de você?

- Não... – Ele foi sincero, com ela e consigo mesmo... Nunca realmente teve vontade de contar história às crianças, nem de brincar com elas... Mas se sentia obrigado... Talvez achasse que aquilo o tornasse uma pessoa boa... Mas não... Aquilo não o tornava bom ou caridoso... O tornava sujo, o tornava podre...

- Você precisa disso... Você precisa acreditar em si mesmo! Não seja o que é por conveniência... E sim por vontade... Por amor! – Harry sorriu, todos os sentimentos pareceram se tornar tão claros e intensos, nunca poderia imaginar que o que lhe - fazia sentir mal era o seu próprio eu... – Vá... Vá e seja você mesmo... Seja o Harry inocente e puro de 11 anos... Seja um garoto livre de problemas, livre das lembranças, essas que tanto te machucam. Tenha uma vida Harry Potter! Uma vida que merece ser aproveitada!

- Obrigado Rowling... Eu nunca imaginei... Que você realmente se sentisse presa... Obrigado... – Ele se levantou, sorriu e pela primeira vez... Sentiu-se livre, como se tivesse ganhado asas e sido liberto de correntes negras que o prendiam as lembranças do passado.

- Não se preocupe com a sua história Harry, pois nada que eu escreva vai mudar o que você sente por Hermione... Eu só queria um pouco de liberdade, queria que você entendesse... Mas não vá pensando que Gina irá tomar o lugar de Hermione na “minha” história... E Hermione não ficou com Rony... “Leia nas entrelinhas” – ela piscou.

- A... Sim... Agora, adeus Rowling... Acho que você não vai mais precisar de mim, saiba que você realmente me ajudou muito, e nunca me esquecerei disto.

- Vá em paz... – Ele deu uma ultima olhada na mulher... Saiu desta vez para não voltar. Saiu para ser livre, como já fora um dia. Agora ele iria viver.

E dentro daquela casa, sozinha, a mulher tornou a repetir para si mesma: Eu te amo Harry Potter...

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(N/A:NOSSA! Desculpa mesmo pela demora... Esperam que entendam festas, comemorações, etc e tal. Mas pra recompensar a espera está ai... o segundo e penúltimo cap. Não se decepcionem com ele, eu sei que vocês imaginaram o Harry “destruindo” a Rowling... Mas não deu. Não consegui escrever isso! É só. Tchaus)

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