Um Dia Daqueles



Você já teve um dia “daqueles”? Aquele dia em que o universo parece conspirar contra você e que tudo o que você tenta fazer pra consertar dá errado? Não? Pois eu já... mais precisamente HOJE foi um dia daqueles! Bem, vou começar me apresentando:

Meu nome é Draco Malfoy e estou no sétimo ano da escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Um lugarzinho interessante até, mas sem muitas opções de diversão já que os professores adoram dar tarefas para os monitores. Eu sou um monitor. Não um monitor qualquer, eu sou o monitor-chefe. Não que isso seja grande coisa, na verdade só dá mais trabalho, mas você acaba ganhando prestígio por isso... e também é divertido ver os primeiranistas morrendo de medo de você. Isso me lembra como o meu dia começou...

Eu acordei com o barulho que o idiota do Goyle, um dos meus capangas... digo... amigos, fazia. Ele parece uma locomotiva de tanto que ronca. Sério, às vezes eu acordo pensando que um trem tá passando bem ao meu lado! Bem, o fato é que eu acordei com um dos roncos dele e descobri que estava atrasado pro café da manhã. Bela segunda-feira. Acordar com uma locomotiva e ter que perder o café da manhã porque a primeira aula do dia era Poções. O prof. Snape é muito exigente e não admite nem um minuto sequer de atraso. Posso me orgulhar de dizer que nunca cheguei atrasado a uma aula dele. Perdi muitos cafés da manhã, mas nunca me atrasei.

Vesti meu uniforme e prendi o distintivo de monitor-chefe nele. Logo ao chegar a sala comunal da sonserina eu tive um mau pressentimento. Certo, não foi bem um mau pressentimento, foi mais é uma troca de olhares com a Pansy, o que é quase a mesma coisa. Desde que soube que os planos de vida dela incluíam como prioridade “casar com o Draco” eu a tenho evitado. Ok, ok, eu admito que a cara de buldogue que ela tem também ajudou na minha decisão. Mas não vou falar nisso agora.

Voltei ao dormitório com a sensação de que tinha esquecido alguma coisa... e tinha. Goyle continuava dormindo. Gritei no ouvido dele um sonoro “ACORDA SUA ANTA”, mas não obtive resultado. Só depois de chutar ele pra fora da cama é que a criatura resolveu acordar... e faltava pouco tempo para a aula de poções. Fiz a lesma se vestir logo e ir comigo para a sala de aula. Crabbe estava na Ala Hospitalar desde sexta-feira, graças ao Potter e sua trupe. Tenho que admitir que era até um alívio ter somente uma locomotiva no dormitório e não duas. Meus ouvidos imploravam por isso.

Assisti à aula somente em corpo porque os pensamentos estavam muito longe. Estava pensando em como me vingar do Potter Perfeito. Talvez se eu derramasse acidentalmente a poção do morto-vivo em dose excessiva na comida dele... ou então se eu esperasse ele voltar cansado do treino de quadribol e o azarasse pelas costas... ou ainda se eu simplesmente desse um soco naquela cara e fizesse aquela cicatriz idiota dele aumentar um pouco de tamanho. Acordei dos meus devaneios com as “possíveis” mortes do Potter com o Goyle dizendo que minha poção Polissuco estava errada. Dei uma olhada pra poção da Granger Sangue-Ruim – o que foi uma tortura, diga-se de passagem, e constatei que realmente a minha poção estava errada. A da Granger estava borbulhando enquanto a minha estava mudando de cor. Ótimo. Tudo o que eu precisava. Depois de ficar mexendo durante o mês inteiro aquela maldita poção, ela dava errado! Fui obrigado a chamar o professor e esperar que me desse instruções para melhora-la. Ele até tentou dar uma ajuda, mas a poção não tinha conserto.

Estava morrendo de raiva quando deixei a sala de aula e pra piorar o meu humor um pirralho do primeiro ano pisou no meu pé quando eu estava a caminho da aula de Herbologia, nos terrenos do castelo. Pobre garoto... Foi fazer companhia ao Crabbe na Ala Hospitalar. Tive de ouvir um sermão da Granger. Ela é monitora-chefe também. Enumerou todas as regras que eu infligi ao lançar aquele monte de azarações no garoto (que pra minha felicidade, aliás, única do dia, era da grifinória. Tenho acessos de riso até agora quando penso sobre o assunto). Quase tive que deixar o cargo de monitor-chefe, mas o professor Snape conseguiu com que só tirassem alguns pontos da casa. Tive que ouvir um sermão dele também, mas sobre prudência. Aproveitei muito mais o dele do que o da Granger. O professor disse que eu teria que cumprir detenção e que o castigo só não foi maior porque o garoto que eu azarei era da grifinória. Às vezes é bom ter alguém que odeie tanto grifinórios quanto eu.

Depois de não ter me dado bem na aula de transfiguração e ainda esbarrar com a Weasley Fêmea no corredor, fui almoçar. A comida, óbvio, não chega aos pés da que temos na Mansão Malfoy, mas até que deu pra encarar. Goyle, que estava sentado do meu lado, comia como um porco. Como já deu pra perceber eu tenho muitas formas não-carinhosas de me referir ao meu caro colega. Mas devo dizer que todas, sem exceção, fazem jus ao seu “jeito de ser”. Eu não tenho culpa dele ser esse verme puxa-saco!

Depois do almoço me dirigi à biblioteca a fim de terminar os cinco centímetros restantes de pergaminho do meu dever de história da magia. Para minha surpresa a Pequena Weasley estava lá também. Tá, ela não é tão pequena assim... tem um corpo razoável, os cabelos vermelhos até que não são de todo o mal, a voz dela é bem suave quando não está gritando e aqueles olhos... hum-hum... Ela é um lixo. Um lixo completo em que eu não devo pensar. NÃO DEVO. Ok, continuando a narração do meu dia “daqueles”... Encontrei logo o livro que eu procurava e sentei na mesa que me mantivesse mais afastado daquela Weasley Pobretona. Gastei meia hora tentando encontrar algo que eu pudesse acrescentar na minha redação mas, inferno! Eu já tinha escrito tudo!

Pra minha infelicidade o meu grito de protesto (“Inferno!”) escapou dos meus lábios e um minuto depois eu estava sendo expulso da biblioteca pela Madame Pince. Isso não seria tão ruim se eu não tivesse vislumbrado a Weasley Idiota rindo de mim. Aquela infeliz riu de mim! Se eu já não tivesse quase perdido o meu distintivo eu juro que azararia ela na frente da professora mesmo, mas decidi esperar uma oportunidade melhor pra me vingar. Agora revendo os fatos... acho que deveria tê-la azarado ali mesmo!

Já na aula mais chata que existe (sim, história da magia... o que mais iria ser?!) tive que entregar meu dever com cinco centímetros a menos. Acho que o Fantasminha nem notou... Por falar em notar... será que ele sabe que morreu?

Segui caminho para as masmorras. Queria me atirar na cama e só levantar na hora do treino de quadribol. Para mais uma de minhas infelicidades nesse dia desastroso, Pansy estava parada em frente à entrada da sala comunal da sonserina.

- Draco, nós precisamos conversar. – disse ela.
Incrível como essas simples palavras podem causar tanto pânico. Como se fossem chamados pra fora com um feitiço convocatório, todos os malditos alunos da sonserina resolveram assistir ao “showzinho” da Pansy... eu mereço! Eu mereço!!

- O que você quer? – fingi não me importar com o que quer que ela fosse me dizer.

- Quero saber por que você não fala mais comigo, me ignora completamente! – ninguém merece, mas nessa hora ela começou a chorar... e como se as lágrimas fossem ímãs, mais pessoas nos cercaram – Você tem que me dar uma explicação!

- Certo... – comecei eu, nem um pouco certo do que eu deveria ou não dizer... quando se trata da Pansy, todo o cuidado é pouco – eu só não tenho vontade de falar com você.

Acho que disse essa frase num tom desdenhoso demais, porque ela desabou em lágrimas. Depois de cerca de dois minutos de soluços por parte dela, eu resolvi falar:

- Olha, Pansy... Isso não tem nada a ver com você. Eu estou... passando por um momento difícil da minha vida, você sabe, eu preciso de um tempo pra... organizar minhas idéias e...

- Quanto tempo? – perguntou sem me deixar continuar com as mentiras deslavadas que eu contava. Não estava nada fácil inventá-las com praticamente toda a casa nos olhando!

- Eu não tenho certeza...

- Draco Malfoy, você precisa saber que eu amo você!

Nessa hora ela se aproximou perigosamente de mim. Eu estava atordoado, enojado. Eca! Pansy Parkinson disse que me amava! Mas ainda não é hora de querer pôr o meu almoço pra fora...

- Você me ama também, não é? É por isso que está me evitando... está com receio da minha resposta. Mas agora você já sabe, Draco, meu amor!

Aquela... aquela... coisa pulou no meu pescoço depois de proferir essas palavras insanas e tentou... tentou... arg! É nessa hora que quis pôr meu almoço pra fora! Ela tentou me beijar! Vou ter pesadelos pelo resto da vida! Felizmente pude me esquivar do seu ataque (quem diria que treinar quadribol ia servir de alguma coisa!), mas por conta disso tive que ouvir um berro estridente. Juro que não sei como os vidros não se quebraram. Só podem ser enfeitiçados! Pansy se aproximou de mim novamente, mas dessa eu não consegui escapar. Ela me deu um soco e saiu correndo corredor afora. Um soco no meu rosto perfeito! Neste exato momento o meu lindo rosto com pele de bebê está com uma enorme mancha roxa! Bem abaixo do meu olho esquerdo! Maldita! É claro que antes o soco que o beijo – arg!

Depois de ameaçar deixar todos os que ali estavam em detenção se não saíssem da minha frente, consegui finalmente chegar na cama do meu dormitório. Me joguei ali e peguei no sono. Mas num dia como esse nem mesmo em sonho eu tive paz! Sonhei que estava correndo de um buldogue gigante que queria me lamber e que o Potter me ajudava. Depois que ele mostrava aos seus amiguinhos que eu estava com ele, o Weasley me jogava pra perto do buldogue novamente e a Weasley fêmea ria sem parar enquanto eu continuava a correr. Acordei assustado. Nem tive tempo pra pensar direito porque estava atrasado pro treino de quadribol.

Segui meu caminho com passos largos até me encontrar fora do castelo. Mal havia começado a andar normalmente do lado de fora e algo bate em mim. Algo não, alguém. A Weasley novamente. Inacreditável! Passo semanas sem sequer colocar os olhos nessa ruiva e hoje tive o desprazer de encontrá-la mais de uma vez.

- Não olha por onde anda, Weasley? – perguntei com o melhor sorriso sarcástico que consegui dar naquele momento.

A idiota não me respondeu. Simplesmente passou reto e ia continuar a andar se eu não a tivesse detido.

- Você não tem educação? – perguntei segurando-a pelo braço.

- Tenho, mas não gosto de desperdiça-la. – ah, resposta perigosa a dela. Não me agradou nem um pouco. Apertei mais o braço da garota. – Vai me soltar.

- Não. – respondi seco. Não tinha percebido na hora... mas agora lembrando dos fatos, acho que eu não sorria mais.

- Acho que você não percebeu, mas eu não lhe perguntei... eu afirmei que você vai me soltar. Só me resta saber se vai ser por bem ou por mal.
Céus! O que aconteceu com aquela ruivinha boboca de quem eu podia rir a vontade?! Esse lado violento dela eu realmente não conhecia. Confesso que foi até interessante ver a segurança nos olhos dela enquanto eu continuava a segurar o seu braço, o apertando muito agora, quase não sentia meus dedos. Mal posso esperar para ver se consegui deixar uma marca nela amanhã de manhã!

- Ah é? E se eu escolher que vai ser por mal? – perguntei triunfante. Tinha certeza de que ela estava blefando e não podia fazer nada contra mim.
Me odeio por ter esquecido de desarmá-la. Esqueci completamente do fato de ela ter uma varinha. A garota me atingiu em cheio com um impedimenta... Fiquei caído no chão até recobrar meus movimentos... depois segui para o campo de quadribol.

Como se tudo até agora não fosse ruim o suficiente, fui atingido duas vezes por um balaço! Num mísero treino! Alguém lá em cima não gosta de mim. Nessa hora eu comecei a pensar seriamente na possibilidade de alguém ter me jogado uma maldição... sei lá. Parecia que eu era o irmão desgarrado do Longbotton Retardado (arg! Me embrulha o estômago só de pensar!). Dá pra notar que a situação estava difícil pro meu lado. Pensar em mim, Draco Malfoy, loiro, lindo e gostoso com uma possível associação ao Longbotton... bem, nem preciso comentar o meu grau de insanidade.

Fui a Ala Hospitalar para que Madame Pomfrey cuidasse dos meus ferimentos. Tive que ouvir Crabbe reclamar que eu não o havia visitado desde sexta-feira. É claro que eu não iria visitar aquela ameba... não sei como ele pôde pensar uma coisa dessas. Depois de curado com a ajuda de uma poção (de gosto horrível, devo informar), desci para o Salão Comunal... afinal, eu precisava fazer os meus deveres. Sentei na mesa da sonserina e passei a redigir uma redação sobre a importância dos animagos serem registrados. Já era quase hora do jantar quando terminei... Minha mão doía consideravelmente.

Guardei minhas coisas no dormitório da sonserina e voltei ao Salão Comunal bem em tempo de jantar. Dei uma olhada na mesa da grifinória tentando encontrar uma certa ruiva e ver como estava o seu humor depois daquele nosso “papinho” nos jardins. Para minha satisfação a encontrei e nossos olhares se cruzaram por um milésimo de segundo. Mas isso foi suficiente para saber que a Weasley estava mais esquentada do que de costume. Me diverti ao vê-la lançar longe uma tigela de batatas que o Longbotton Retardado passou pra ela. Comi minha salada e minha torta de abóbora sem maiores complicações. Só Pansy que me lançava olhares matadores a cada dois minutos.

Permaneci na mesa após terminar de comer. Eu queria uma chance pra atormentar a Esquentadinha que ainda estava sentada à mesa da grifinória e queria me livrar da Pansy que, pelo que me informaram, ficaria muito feliz em deixar o lado direito do meu rosto roxo também. Esperei pacientemente até que a Weasley se levantasse... e isso não foi nada rápido. Fomos quase os últimos a deixar o salão. Pra quem estava irritada até que ela comeu bastante. Não que eu tenha ficado olhando pra ela o tempo todo... claro que eu não faria isso... mas deu pra notar, entende?!

A segui por um corredor sem saber que eu também era seguido. Manti uma certa distância para que ela não me notasse. Teria a minha vingança. Quando estávamos finalmente sozinhos em um dos corredores pelos quais passamos (impressionante como tem gente circulando por aí numa hora dessas...) eu resolvi que era hora de aborda-la. Eu sei que isso não é muito do meu feitio e que em outros tempos eu teria me divertido mais em fazer ela ficar com furúnculos por conta de um feitiço que nem saberia de onde teria sido lançado, mas devo dizer que estava ansioso pra ver a cara da Weasley quando eu a azarasse. Nunca pensei que as coisas iriam acabar daquele jeito. Eu sei que não devia esperar que algo desse certo nesse dia maldito, mas confesso que tinha lá minhas esperanças...

- Gosta de andar sozinha por corredores escuros, Weasley? – perguntei destilando todo o veneno que podia... algo que aprendi a fazer com o prof. Snape.

Ela deu um salto quando ouviu a minha voz. Isso me animou um pouco. É sempre bom saber que as pessoas têm medo de você.

- Malfoy? – perguntou com a voz falhando... não sei se era por causa da raiva ou da surpresa.

Resolvi aproveitar o momento e tirei minha varinha do bolso das minhas vestes. Estava preste a dizer densaugeo quando alguém me empurrou pelas costas. Quem foi? Não dá pra adivinhar, não? Exato. Pansy Parkinson. Essa garota tá obcecada! Nesse exato momento estou tentando me concentrar e ela está batendo na porta do dormitório desesperadamente. Sorte que todos já estão dormindo e ninguém vai me perguntar o que ela quer. Como eles não acordam? Não sei... magia talvez.

Depois de ser empurrado, me voltei para ela e vi que estava chorando (de novo!). Muito a contragosto perguntei o porquê da choradeira...

- Eu sabia! – disse ela em meio a soluços.

- O quê? – perguntei tentando parecer amigável... mas acho que falhei na tentativa.

- Sabia que tinha uma garota envolvida! – disse apontando para a ruiva atrás de mim, que, devo acrescentar, não sabia se ficava ou se corria.

- Não me ponha no meio das suas briguinhas de amor – respondeu a Weasley com um detestável sorriso.

- Não pense que eu não vi você sair logo depois de ela ter se levantado no salão comunal! Então é com ela que você está agora, Draco? – disse Buldogue...er... Pansy.

Não me contive e dei uma gargalhada. Ri tanto que sairiam lágrimas dos meus olhos – se eu as tivesse. Pansy estava dizendo que eu estava atrás da Weasley... pelo que pude entender com algum interesse maior do que vingança... Por algum motivo isso me pareceu muito engraçado na hora. Nem sei ao certo quando as duas começaram a brigar. É, elas brigaram. Como duas trouxas. Rolaram pelo chão e se socaram. Foi uma cena um tanto quanto... interessante. Pelo menos até elas se levantarem e passarem a jogar feitiços uma na outra, sendo que tive que me atirar no chão para não ser atingido. Pra piorar a situação Filch apareceu. E quando eu digo “pra piorar” eu quero dizer pra piorar mesmo! A Weasley atingiu o Filch bem no olho com um furúnculos e enquanto ele gritava de dor e caía de um lado, eu lancei um petrificus totalus na mesma hora em que a garota Weasley lançou um estupefaça na Pansy.

Não preciso dizer que nosso barulho chamou a atenção dos professores, que logo vieram e encontraram Filch gritando, Pansy desmaiada e eu e a ruivinha com as varinhas apontadas um para o outro. Pegamos uma bela detenção e tivemos que cumpri-la naquela mesma noite! Pansy ficou na Ala Hospitalar (os doentes de lá cresciam consideravelmente e me sinto até um pouco orgulhoso em dizer que contribuí pra estadia deles naquelas camas) e conseqüentemente isenta da punição. Filch foi se tratar por lá também.

A prof. McGonnagal nos levou até a sala de troféus. Teríamos que polir todos os malditos e empoeirados troféus. Pensei que foi até uma punição pequena em vista do que fizemos, mas eu estava enganado... de pequena aquela sala não tem nada! Começamos a polir os troféus sem trocar uma única palavra. Depois de cerca de uma hora a Weasley deixou um troféu cair fazendo um som estridente que me deixou com um zumbido nos ouvidos.

- Tentando me matar de susto, Weasley? – perguntei tampando os ouvidos.

- Não esperaria ter tanta sorte. – respondeu ela.

- Então está querendo chamar a atenção? – consegui sorrir, o zumbido passou.

- De quem? – perguntou ela... que garotinha arrogante!

Fiquei em silêncio. Não consegui pensar em nada pra dizer. Continuamos polindo os malditos troféus; eu fiquei com os da direita e ela com os da esquerda da sala. A prof. McGonnagal tinha nos dado as instruções da nossa detenção e saído, parece que tinha algo importante para resolver. Depois de passada mais ou menos uma hora... (se não me engano, faltavam quinze para às dez da noite) um monitor veio nos avisar que devíamos parar de polir os troféus e nos dirigirmos aos nossos dormitórios. Não entendi o porquê disso, já que não tínhamos polido nem a metade dos troféus, mas não posso dizer que isso não me alegrou. Minhas mãos já estavam doendo.

- Espero que você pense duas vezes antes de tentar me azarar, Malfoy. Principalmente se a sua namorada estiver por perto. – disse a garota quando estávamos saindo da sala de troféus.

- Vou pensar, Weasley, e você não vai gostar nada disso. – respondi.

Quando finalmente cheguei a sala comunal da sonserina fiquei sabendo porque tínhamos que voltar para o dormitório. Comensais atacaram Hogsmeade. E eu nem sabia disso! Meu pai realmente não confia em mim. Isso me deixa muito irritado. Ele me subestima, mas um dia ainda vou provar que posso ser melhor do que ele, ah, vou!

Finalmente esse dia maldito terminou! Estou no meu dormitório, deitado na minha cama tentando pegar no sono. Passa da meia-noite e apesar de todos os problemas, está uma noite bem tranqüila e silenciosa, agora que a Pansy parou de esmurrar a porta. O engraçado é que ela parou logo que o relógio marcou meia-noite... Volto a pensar que alguém me amaldiçoou... mas quem teria essa coragem?! Essa idéia é ridícula. Pelo menos tenho um motivo pra atazanar a Weasley agora... foi ela quem me provocou. Ela não sabe com quem está lidando.

Vou dormir. Esse dia me roubou todas as forças. Talvez amanhã eu tenha mais sorte.

FIM? Talvez não...

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