Inicio de uma nova vida.



O dia estava bonito, enquanto caminhava até o metrô percebi que todos pareciam estar felizes, realizados ou apaixonados, mas para mim as coisas não eram bem assim, aliás, nunca foram, sempre que algo começava a dar certo para mim, eu estragava tudo. Não me leve a mal, não sou do tipo melancólica ou pessimista, mas era sempre assim, um coração partido, uma demissão, brigas na família, e tudo isso ocorria por uma razão, e a razão era eu.


Já estávamos no meio do ano e aquela era a minha terceira demissão, e enquanto eu levava minhas coisas dentro de uma caixa para casa pensava em como cheguei a esse ponto. Eu morava sozinha em um apartamento pequeno de dois quartos apenas com um peixinho de aquário que ganhara de minha irmã, e minha vida não era das mais empolgantes, sem viagens extraordinariamente incríveis, sem relacionamentos, e agora sem emprego também.


Entrei em casa e deixei a caixa em cima da mesa de jantar e liguei para Luna, minha melhor amiga desde o colégio, estudamos juntas durante todo o ensino médio e fizemos o mesmo curso de administração na faculdade, mas diferente da minha, a vida dela parecia estar maravilhosa, ela tinha o emprego dos sonhos e ganhava bem, tinha um apartamento lindo, enquanto que o meu não tinha um pingo de estilo, e agora ela estava saindo com um cara que conheceu no trabalho. Bufei quando ela não me atendeu, e imaginei o que ela deveria estar fazendo, então liguei para o Draco.


O telefone tocou umas duas vezes antes de ouvir sua voz.


- Alô?


- Alô, Draco?


- Oi Hermione, sou eu.


- Graças a Deus, a Luna não me atende e não consigo passar por isso sozinha, cê ta fazendo o que?


- Assistindo TV, vem pra cá.


- Chego ai em 10 minutos, vou me trocar.


- O.K – desligou.


Troquei de roupa e fui a pé para sua casa, ele morava no prédio da esquina da minha rua, éramos ‘’vizinhos de prédio’’ como ele costumava dizer, e eu achava isso o máximo, assim nos víamos praticamente todo dia, e qualquer coisa que precisássemos poderíamos bater na porta um do outro.


O porteiro nem interfonou, ele já me conhecia o suficiente para saber que eu podia subir, quando cheguei ao décimo quarto andar uma garota loira e muito bonita estava esperando para entrar no elevador, eu saí rindo discretamente enquanto ia de encontro ao seu apartamento, já sabendo que aquela pobre garota era mais uma da lista de Draco. 


- Então quem era a loira de hoje? – Perguntei entrando em seu apartamento.


- Karla, conheci ontem no bar. – Ele estava esparramado no sofá só com a calça do pijama.


- Hm, ainda não entendo como você consegue enganar tantas garotas.


- Peraí – ele falou me olhando e se sentando. – Você já olhou pro cara que está na sua frente? – Ele perguntou apontando para ele mesmo, como se minha duvida fosse ridícula.


- Já. E não vi nada demais – ele riu e jogou uma almofada em mim – Aliás, tem caras muito mais bonitos que você por ai.


- Mais bonitos talvez, mas com certeza não são tão charmosos ou inteligentes como eu.


- É então devia usar essa sua inteligência pra ajudar sua amiga aqui. Juro Draco, não sei mais onde que vou arranjar emprego nessa cidade.


- Ok, relaxa, a gente vai arranjar alguma coisa pra você. Mas você devia tentar mudar de carreira, você odeia o que faz.


- Ah ta – ironizei. – E o que sugere que eu faça? Escreva um livro e publique por ai.


- Exatamente – ele me lançou um olhar sério. – Não um livro, mas Hermi – eu odiava quando ele me chamava assim – você adora escrever, e é muito boa nisso, devia tentar entrar pra redação de algum jornal ou revista, você precisa dar um jeito nisso, e não é só da sua carreira que estou falando.


Era por isso que eu o amava, apesar de ser um galinha sem coração com as outras garotas, comigo ele era o melhor amigo de todos, e ele sempre me dava os melhores conselhos. A ironia é que eu o conheci em um bar, tinha acabado de ser demitida do meu primeiro emprego, a três anos atrás, estava sem ânimo para nada quando ele chegou, admito que se não estivesse tão chateada com o acontecimento teria adorado ser cantada por ele, mas não estava no clima, e no final das contas ele me deu a maior força. No mesmo dia quando cheguei em casa, havia uma solicitação de amizade dele no facebook, eu aceitei, e depois disso não nos desgrudamos mais.


Passei a noite pensando no que ele havia me dito, ele estava certo, minha vida estava uma bagunça e só eu poderia mudar isso. Decidi que iria fazer algo a respeito, eu não poderia ver o emprego dos meus sonhos, e a vida perfeita passar diante dos meus olhos e não agarrar, então cheguei à conclusão que precisava mudar de vida, e no dia seguinte começaria a correr atrás do prejuízo.


Acordei cedo no dia seguinte e comecei a atualizar meu currículo, eu precisava admitir, ele era longo. Quando terminei fui ao correio e o enviei junto com algumas crônicas, para algumas editoras locais que costumavam contratar jovens sem experiência no mercado, apesar de ter trabalhado em diversas empresas, nunca havia trabalhado como escritora, era muito novo para mim, e era o começo da minha nova vida.

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