"As desculpas"



Capítulo 7 – "As desculpas"


O dia seguinte ao do desastroso noivado raiou-se rápido demais, ao menos na opinião de Hermione, mas levando-se em conta que só conseguira realmente adormecer após ouvir o trote lento dos cavalos de Ginger em partida, ela não era um bom ponto de partida para falar-se de horários e afins.


Tão cedo quanto acordou a jovem Granger se pôs em direção ao seu paraíso na terra, a biblioteca, ignorando categoricamente suas damas de companhia que a perturbavam com perguntas sobre casamentos e varões e sua mãe que a perseguia praguejando determinada a ter uma conversinha acerca de "por que não destratar o seu noivo?".


Depois de conseguir escapar de todos que a procuravam incessantemente, dirigiu-se aliviada e feliz ao seu destino, onde passou aquela manhã inteira, do bem polido piano, ao qual tocava com tanta destreza a os seus tão amados livros. Mas engana-se que pensa que sua atenção estava naquilo que fazia, mesmo que as notas saíssem impecáveis e a leitura fosse feita com incomparável perfeição, na realidade, os pensamentos dela vagavam para alguém um pouco longe dali ou nem tanto.




A moça manteve-se naquela situação maçante até uma batida na grande porta interromper a música que tocava e atentar-lhe a quem entrava.


- Olá, senhorita! – entrou com uma bandeja recheada de comidas saborosas Maria falando com seu comum ar altamente feliz, mas, reparando bem, não estava mais alegre que o normal? – Alguém deseja vê-la e falar-lhe! – sorriu marota.


Ao som daquilo, a parte iludida e fantasiosa de Hermione resolveu esconde-se do mais que óbvio e agarra-se a pontinha de esperança que acreditava que a tal pessoa fosse seu pai, Harry, Gina ou até um cavalo vestindo saias! Menos ele, nunca ele...


Infelizmente, ou não, foi justo a figura do alto e robusto homem ruivo que se projetou na entrada do portal, logo atrás da serviçal.


- O que esse sapo abominável faz aqui? – Hermione pondo-se de pé esbravejou furiosa no tom mais elevado que conseguiu.


- Ah, com licença. Vou deixá-los conversarem a sós. – disse Maria apressadamente, enquanto colocava rica bandeja em cima de uma pequena mesinha, depois saindo dali os mais rápido que suas pernas puderam.


- Responda-me! O que faz aqui? – Hermione gritou novamente, reparando num Ronald que trazia no lábio inferior onde mordido fora por ela um feio machucado.


Rony deu alguns passos em sua direção e ela olhou-o assustada e ameaçadora, aliás, não queria nem precisava relembrar o que acontecera na noite anterior!


- Hermione. – envergonhado falou tão baixo que era quase um sussurro – Desculpe-me... Por ontem. Eu não queria ter feito aquilo. – declarou tão forçadamente que parecia estar engolindo cada gota de seu orgulho, e como se elas lhe arranhassem a garganta dolorosamente.


- Oh! Imagine se quisesse! – exclamou Hermione irônica e ácida – Eu claramente agora poderia estar carregando um filho seu em meu ventre! – bradou acusadora.


- Nunca me excederia a esse ponto! – alterou-se igualmente o jovem defendendo-se.


- Não? – as palavras rudes e, além disto, carregadas de sarcasmo, atingiam-no como afiadas facas em brasa. - E quem foi, por acaso, que me deixou com vergões na pele enquanto tentava obrigar-me a algo que eu não queria? – indagou ferina, subindo as mangas do vestido e mostrando-lhe os pulsos com machas arroxeadas e azuladas.


- Que não queria? – perguntou desprezando as marcas e dando atenção as falas. – Estava quase implorando!


- Para ser deixada em paz? Sim, eu estava! – retorquiu vitoriosa por ele ser tão asno que nem dava complemento as suas frases.


Ronald revirou os olhos, o que haveria de ser uma trégua, lembrando que só estava ali porque seu pai o mandara, estava tornando-se mais uma batalha.


- Sabe exatamente pelo o que estava implorando. – murmurou baixo, mas mesmo assim deu a moça arrepios evidentes, e aproximou-se dela.


- Afaste-se! Vá para longe de mim! – rugiu pondo-se no outro extremo da sala, bem afastada de Rony.


- Hermione, pare com isso, vamos nos casar. Não vai odiar-me para sempre... – falava chegando mais perto, no seu olhar, os inegáveis instintos já estavam, e esses o faziam caçar-la como uma pressa.


- Claro que vou! E fique distante de mim! – mandou irritada, o rosto tornando-se vermelho como um pimentão. - Depois do ocorrido da véspera, nunca mais serei burra a dá confiança a você! – proclamou – Biltre infeliz! – xingou a ele, que fitou-a com fúria e humilhação.


- Pois é melhor desistir disso! – era definitivo, perdera as estribeiras – Você querendo ou não casará comigo! Você querendo ou não parirá meus filhos! Você querendo ou não será minha! – gritou Rony.


- Não! Não até que eu possa impedi-lo, seu porco sujo! – esbravejou a noiva em resposta, o simples pensamento que o casamento deles seria real a amedrontava.


Dando um urro de raiva, o Weasley foi a Hermione, segurando-a pelos ombros com violência, forçando-a a olhá-lo.


- Não vai impedir! Não pode impedir! Coloque isso na sua cabeça oca! – vociferou raivosamente para a menina atônica e amedrontada.


- Veja! – manifestou-se a jovem Granger num fio de voz chorosa – Afirma que não tenho alternativa a não ser casar-me e gostar de você, vem pedir-me desculpas pelo que fez ontem, mas já está fazendo a mesma coisa hoje! – os olhos de Hermione estavam rasos d'água – Medo, Rony! É só isso que consigo sentir! Medo e aversão! – exclamou com finas lágrimas deixando rastros molhados nos delicados montes rosados que eram suas bochechas.


O Weasley afastou-se acanhado, olhando para a moça triste com muita rapidez, pois seu constrangimento era demasiado.


- Desculpe-me, Hermione. – murmurou baixo e tímido, porque, afinal, era a segunda vez que a pedia perdão em menos de alguns minutos, e isso era verdadeiramente surpreendente e humilhante! – Mas, Deus! Tira-me a paciência! – bradou.


- Não é minha intenção. – respondeu rude, enxugando algumas lágrimas teimosas que ainda caiam pelos cantos de seus marejados e enraivados olhos.


- Pois, diria eu, que é sim! – Rony diz com a voz tornando-se alta novamente, mas apenas recebeu um olhar desdenhoso e magoado da noiva, que se sentava ao piano.


Um incômodo silêncio instalou-se entre os dois, sendo quebrado apenas pela bela música que emanava do lustroso instrumento musical. O Weasley mirava de vez em quando, de soslaio, a jovem Granger que tocava tão lindamente e que, de cabeça baixa, mantinha-se abatida e emburrada, não dando o mínimo de atenção que ele como se noivo merecia.


- Vá visitar-me em Ginger. – falou em dado momento, e por calado por tanto tempo, sua voz pareceu estranha e até desagradável para os ouvidos.


- Eu irei, - respondeu Hermione ainda sem fita-lo, com uma entonação quase cordata. – se me obrigarem. – finalizou com seu ar rebelde, finalmente olhando-o nos olhos, um sorriso malvado e provocador estampado no delicado rosto.


Ronald, como sempre, aquela provocação enfureceu-se, mas, não dando o braço a torcer para aquela menininha mimada, correspondeu com comparável sarcasmo o seu sorriso e acenando, saiu da suntuosa sala.


"Essa megera vai matar-me antes mesmo que eu suba no altar! Desafiadora e sem um pingo de temor. Adoraria saber de onde tiraram a ideia de que algum homem no mundo a suportaria!", refletia Rony acerca de sua má e, pelo seu chororô, manipuladora noiva após sair daquele cômodo gigante e entediante que era a biblioteca, em direção aos estábulos.


Dentro do cômodo de onde ele se retirara, os pensamentos da jovem Hermione não era muito diferentes. Mas, se realmente existe um tênue linha entre o amor e o ódio, porque eles não haveria de ultrapassá-la?




N/A: Capítulo novo! Porém, desta vez, apenas um, não quero mal acostumá-los... U.U


Rony, como o que já vemos vendo, nada amável, mas hoje um pouco mais vulnerável a unas lágrimas e Hermione não fica para trás, não aceitando algo, ela tornou-se manipuladora e malvada! E eu realmente espero que vocês gostem disso!


Enfim, muito obrigada por quem está lendo, acompanhando, abrindo a página, olhando e pensando: "Que grande porcaria de clichê!"... kkkkk Agora, sem brincadeira, estou demasiadamente feliz com os comentários, as visitas, o grande número de leitores, MUITO, MUITO OBRIGADA *-*


Próxima postagem provavelmente só em 2013! E, já ia me esquecendo, nesse ano novo, muita felicidade, paz, saúde, sucesso, que os sonhos de todos vocês se realizem (e que eu consiga concluir a fic hihihi)! Feliz Ano Novo!

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Comentários (7)

  • Lana Silva

    Não a fanfic não é clichê, é engraçada para uma fanfic de época, é bem escrita, porque as vezes acho mesmo que estou lendo um dos livros de época que eu amo e é uma Romione maravilhosa. Esta de parabéns mesmo \oBeijoos! 

    2013-06-11
  • Louisy

    Ihhh, Liana! Isso talvez demore um pouco... kkkk

    2012-12-30
  • Annabeth Lia

    Capítulo ótimo! Adorei! Mal posso esperar para ver esses dois se acertarem de uma vez! hehe

    2012-12-30
  • Louisy

    Olá, Pacoalina! Também achei esse bem pequeno... No word tudo parece maior. Vou tentar escrever maiores sim! ;)

    2012-12-30
  • Pacoalina

    adorei!!!!pode fazer capítulos amiores?acabam tão rápido que fico com mt vonatde de ler mais!!!kkk

    2012-12-30
  • Louisy

    Sim, mas uma troquinha de farpas básica kkkk Não acho que eles já sintam amor, no entanto, atração sim... Feliz ano novo para você tb! Estou tentando n decepcionar, tá? kkk

    2012-12-29
  • lumos weasley

    Novamente os dois trocando farpas, mas como diz o ditado "quem desdenha quer comprar", eles estão começando a perceber que o que eles sentem não é ódio e sim amor!Feliz 2013! Cheio de tudo de bom! E Sim você vai conseguir terminar a fic, não decepcionar a gente né? 

    2012-12-29
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