SALTO MORTAL






Meus pés alcançaram, em seguida, a estrada já conhecida que era a rua principal de Hogsmeade.


Não pude deixar de pensar, após ver a paisagem familiar, no como tantas coisas mudaram em tão pouco tempo. As ruas, porém, davam uma sensação de hostilidade, como se nós não fossemos mais bem vindos – o que ficou óbvio logo em seguida. Não tive tempo suficiente para recordar todas as memórias, agradáveis e penosas, que aquele lugar me trazia.


Um grito penetrante cortou os céus, um alarme que denunciava a todos que estávamos ali. Um Feitiço Miadura, pelo que eu me lembrava das aulas de Feitiços.


A porta do Três Vassouras se abriu e, para meu horror, doze Comensais da Morte surgiram, as varinhas em riste, procurando a causa do alarme: nós.


Senti Rony erguer a varinha sob a capa, mas Harry o impediu. Sabia que qualquer feitiço lançado nos denunciaria. O grito silenciou-se de repente.


- Accio capa! – ouvi um novo berro cortar o ar. Agarrei as bordas da Capa da Invisibilidade, mas, para minha surpresa, ela não nos escapou. Novos gritos se seguiram, mas não distingui o que diziam; minha cabeça ribombava, sem saber o que fazer. Pela primeira vez em anos, me senti vazia e paralisada de medo.


Os Comensais avançaram, e recuamos correndo na direção oposta. Meu instinto natural de sobrevivência e meus anos de experiência com feitiços imploravam por uma reação, um ataque. Mas qualquer tentativa poderia ser nosso fim. Eles eram muitos.


- Vamos embora! – murmurei, aflita – Desaparatar agora!


- Grande ideia – cochichou Rony, mas em seguida ouvi um Comensal berrando:


- Sabemos que está aqui, Potter, e não tem como escapar! Nós o encontraremos!


- Estavam de prontidão... – disse Harry. Mas eu perdi completamente o resto do que dizia. Meu cérebro latejava com o excesso de nervosismo; senti uma vertigem me atingir, e tive que usar todo o meu autodomínio para não cair na inconsciência. Ouvi poucas frases desconexas no meio da minha confusão mental, mas pude distinguir os Comensais planejando mandarem dementadores.


Minha esperança, minguante, desapareceu totalmente.


Não... dementadores, não.


Isso significava Patronos. E isso seria praticamente nos entregarmos.


Além disso, outra aflição me atingia. Não queria chegar nem um pouco perto deles; não queria sentir a  minha pouca felicidade se esvair como um balão de gás cortado, nem lembrar de recordações horríveis do passado. E eu não encontraria felicidade o suficiente para dar forma a minha pobre lontra prateada; eu não tinha nenhuma ali, condenada á esperar a morte... ou um beijo de um dementador...


- É melhor desaparatar, Harry! – eu disse, desesperada.


Eu segurei sua mão e rodopiamos, mas não saímos do lugar. Os Comensais pareciam ter congelado o ar, impedindo-nos de aparatar. Um arquejo de Rony ao olhar para trás me despertou para o perigo.


Mais de dez dementadores deslizavam para nós, cercando-nos e impedindo a fuga. Senti minhas mãos tremerem, meus joelhos cederem um pouco. Nosso desespero e desalento era um banquete para eles.


A onda me atingiu, e me fez ver tudo o que eu queria nunca mais recordar, como se acontecesse ali, na minha frente. Meu tio morrendo na cama de sua casa, após anos lutando contra um câncer... meu primeiro gatinho, ainda filhote, estrangulado na rua, com os olhos fixos, imóveis e arregalados, morto por um vizinho antipático... a primeira briga dos meus pais, na minha frente, que só acabou quando minha mãe terminou com um olho roxo... meu primo atropelado enquanto brincava na rua, seu corpinho quicando como uma bola calçada afora... Rony nos deixando sós na floresta, naquela tarde chuvosa, após outra briga...


Rony pareceu sentir que eu não conseguia mais me sustentar, e abraçou minha cintura, apertando minha mão. No meio daquela enxurrada de lembranças horríveis e prestes á morrer, não pude deixar de sentir uma pequena e quente fagulha de felicidade. Se fosse aquele o nosso fim, ao menos eu morreria ali, ao lado do meu melhor amigo, e abraçada ao garoto que eu amava.




 Oi, pessoas!
Em primeiro lugar, peço mil, um milhão, um trilhão de perdões por ter a cara de pau de surgir de novo aqui depois desse período monstruoso de ausência. As provas e trabalhos da faculdade e alguns contratempos em casa reduziram a zero o tempo que eu teria para me dedicar á fan fic.... mas, bem, ai esta o segundo capítulo. Espero que gostem e comentem!
Ah, e não notem se eu botar outro capitulo, literalmente, só ano que vem, beleza! Beijos a todos e divirtam-se!

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Comentários (3)

  • TTS

    Nossa! AMEI esse capitulo tb... Você escreve muito bem!

    2013-03-03
  • Lu Ranhosa

    Ui to amando "Rony pareceu sentir que eu não conseguia mais me sustentar, e abraçou minha cintura, apertando minha mão. No meio daquela enxurrada de lembranças horríveis e prestes á morrer, não pude deixar de sentir uma pequena e quente fagulha de felicidade. Se fosse aquele o nosso fim, ao menos eu morreria ali, ao lado do meu melhor amigo, e abraçada ao garoto que eu amava" que coisa mais linda,

    2013-01-31
  • Neuzimar de Faria

    Oi, Pessoa! Não me incomodo por esperar até o ano que vem, desde que você poste o próximo capitulo no dia 1º. rsrsrsrs Feliz Ano Novo!!!

    2012-12-29
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