Diante do Espelho





Olá!


Então... Aqui está a primeira parte da festa de casamento de Gui e Fleur, que dividi em dois capítulos. Não podia deixar de reproduzir esses diálogos dos personagens já que alguns deles estão praticamente se despedindo da fic. Afinal, como todos nós já sabemos, os três amigos agora partem sozinhos para a jornada em busca das horcruxes. Para Ron e Mione, que tinham os seus sentimentos fortalecidos pelo clima de paz e aconchego d’A Toca, tudo também se torna mais confuso e sombrio. Mas uma flor pode furar o asfalto, como bem nos lembrou o poeta Drummond de Andrade, portanto, o amor tem forças para resistir e, de modo especial, se fortalecer na dor.


Boa leitura!


Morgana


P.S: Dessa vez não vou pedir comentários longos, para não inibir meus leitores. Bastam duas ou três palavrinhas. Mas quem quiser escrever mais, fique à vontade (risos).
 


Alguns recadinhos:


Gego, não fica magoada comigo por dividir o casamento em duas partes; acho que capítulos muito longos não fluem. Garanto que vou postar o próximo mais rápido do que imagina.


Bells, dedico este capítulo a você. Não planejava postar hoje. Dia dos Pais, sabe como é... Mas, depois de você comentar ontem que “acorda todo dia pensando na fic e tem até sonhado com a continuação”, eu me apressei para atualizar logo!


Lulu, já estou preparando o seu “presente de aniversário”.


 


* * * * *


 


 


 


 


 


Como o tempo passara rápido! Em menos de duas horas, os convidados do casamento começariam a chegar. Ron se sentia exausto. Nunca havia trabalhado tanto. Enquanto Harry conversava com Lupin e Tonks, que tinham chegado mais cedo para ajudar nos últimos preparativos da festa, o ruivinho subiu ao seu quarto para tomar banho e se arrumar. Ao olhar para cama, no entanto, fez o que seu corpo pedia e se atirou no colchão. “Vou descansar dez minutos”, falou para si mesmo.


Quando ajeitava o travesseiro, tocou no livro que ganhara dos gêmeos e acabou abrindo na página marcada com o retrato de Hermione. “Engraçado... Acho que essa foto não estava aqui. Já avancei mais dois capítulos”, refletiu, sem dar muito importância àquele pequeno fato. Lamentou não ter conseguido terminar a leitura, já que o tempo fora tão curto nos últimos dias. Fechou os olhos, pensando na amiga e acabou cochilando.


Ron sentiu algo estranho, delicado e irritante ao mesmo tempo, tocando o seu nariz. Não conseguiu conter um espirro forte e, ao abrir os olhos, viu uma grande pena que se movimentava sozinha próxima ao rosto dele. Não era preciso ter uma bola de cristal para saber que aquilo era mais uma brincadeira dos gêmeos. E logo o rapaz ouviu a risada dos dois, que aparataram usando idênticos ternos verdes musgos. Apenas as gravatas eram diferentes: a de Jorge, azul marinho, e a de Fred, marrom.


- Que maldição! Não posso nem ficar em paz no meu próprio quarto? – resmungou Ron.


- Calma, irmãozinho! Tentamos acordar você de outras formas, mas parece que essa foi a única que funcionou – disse Jorge.


- Caso tenha esquecido, nosso irmão mais velho vai se casar em menos de duas horas – continuou Fred.


- Eu sei muito bem disso e já ia me levantar – Ron falou irritado.


Os gêmeos tinham reparado que o irmão mais novo cochilara abraçado ao livro com o qual lhe presentearam e não podiam deixar de comentar algo sobre isso. “E então, Roniquinho? Já aprendeu as 12 lições infalíveis para conquistar aquela bruxinha metida à sabe-tudo e de sangue quente?”, perguntou Fred. O rapaz admitiu, ainda com a cara amarrada, que não terminara a leitura.


Depois de fazer um muxoxo, Jorge limitou-se a dizer que Ronald era moroso demais. Fred, balançando reprovativamente a cabeça, assegurou que outros rapazes também estavam interessados na menina. “Quem, por exemplo?”, Ron interrogou desafiante.


- Certo búlgaro de sobrancelhas grossas e nariz comprido. Você lembra dele? – provocou Jorge.


- Cara, por que você está falando daquele búlgaro ridículo? Hermione não tem mais qualquer contato com ele – afirmou desconfiado.


- Não tinha! – corrigiu Fred.


- O que você está dizendo?! – questionou incrédulo.


- Exatamente isso que você pensou. Acabamos ver o nome do seu ídolo, Vítor Krum, na lista de convidados que confirmaram presença no casamento – garantiu Jorge.


O rosto de Ron perdeu a cor e, boquiaberto, o rapaz olhou assustado para os irmãos antes de conseguir falar. “Como assim? Quem convidaria o Krum para uma festa na minha casa?”, perguntou.


- A nossa cunhada Fleur Delacour – declarou Fred.


- Ou você esqueceu que ela e Krum ficaram amigos durante o Torneio Tribruxo? – lembrou Jorge.


Sim, aquela hipótese absurda era possível. Mas Ron se recusava a acreditar. O jogador de quadribol que o havia feito experimentar a pior derrota da sua vida não podia invadir A Toca, abrigo da grande e feliz família Weasley.


-Não é verdade! Vocês estão inventando isso só para me irritar – elevou o tom de voz, voltando a amarrar a cara.


- Se acha isso, o problema é seu.  Mas não custa caprichar no visual – sorriu Fred.


- Quando há concorrência, não dá para descuidar. Penteie bem os cabelos, use um perfume decente, escove os dentes com cuidado...


- Podem sair do meu quarto, por favor? – pediu com a voz perigosamente baixa.


Os dois se olharam e abriram aqueles sorrisos sarcásticos que tanto enervavam Ronald Weasley. “Roniquinho, vamos fazer isso, mas antes queremos lhe entregar uma coisa”, falou Fred. “Você não merece, mas decidimos fazer isso por Hermione”, completou Jorge.


- E o que vocês vão me dar? – interrompeu Ron, os encarando de braços cruzados.


- Pelo que observamos, você leu apenas oito capítulos do livro – prosseguiu Fred.


- Nove! Eu li nove capítulos – corrigiu Ron.


- Ótimo, já melhorou um pouco. Mas ainda não é suficiente – afirmou Jorge.


- Ainda mais porque você não tem muita concentração e memória – alfinetou Fred.


- Qual é? Agora vão me insultar? – Ron irritou-se.


- Na verdade, vamos lhe ajudar. Por isso gastamos nosso precioso tempo preparando um pequeno resumo das 12 lições do livro – contou um sorridente Jorge.


- Não escrevemos muito porque você não tem fôlego de leitura mesmo – desdenhou Fred com um sorriso idêntico.


O mais jovem dos Weasley olhou para os gêmeos de um jeito interrogativo. Definitivamente, não entendia aqueles dois. Será que de fato queriam ajudá-lo a conquistar Hermione? “Não, nem pensar. Tudo que Fred e Jorge fazem é um desastre!”, constatou.


- Aqui está, Roniquinho. Guarde em local seguro, longe daquela bruxinha curiosa – aconselhou Fred entregando um papel azul claro dobrado ao irmão.


- Mas precisa ler e colocar em prática – concluiu Jorge dando uma piscadela.


Antes de desaparatar, os dois lembraram a Ron que ele precisava se apressar. Junto com os gêmeos e Harry, ele tinha sido designado por Molly para receber e conduzir os convidados aos seus lugares no salão.


Apesar de não ser vaidoso, Ron sempre tivera uma especial atenção com os cabelos. Harry se divertia ao ver o tempo despendido pelo amigo em frente ao espelho, escovando seus fios vermelhos, que ficavam sempre muito brilhantes. Também não descuidava dos dentes e não saia sem perfume. Os conselhos dos gêmeos, portanto, eram desnecessários. Seu único problema eram as roupas, muitas delas de segunda mão, “herdadas” dos irmãos mais velhos.


Para o casamento de Gui, no entanto, Ron exigira uma veste a rigor nova. A que ganhou dos gêmeos, no início do quinto ano, estava curta e apertada. O rapaz nem desconfiava, porém, novamente a roupa dele foi patrocinada por Fred e Jorge, que repassaram alguns galeões para a mãe. A loja Gemialidades Wesley vendia muito bem e os dois já ganhavam melhor que o próprio pai.


Ron se olhou rapidamente no espelho e se surpreendeu ao ver o quanto ficara elegante no terno azul marinho, com lenço na lapela e gravata em tom vinho. “Será que Hermione vai reparar mais em mim agora?”, foi o que veio espontaneamente à sua mente. Mas logo lembrou dos gêmeos falando que Vítor Krum iria a festa e sentiu um aperto no coração. Colocou o resumo das “12 lições infalíveis” no bolso interno do paletó e desceu apressado as escadas, tentando não pensar em mais nada.


xxx


Com talento e agilidade, Gina fez a maquiagem de Hermione, tendo o cuidado para que ficasse o mais natural e suave possível, como a amiga pedira. Em seguida, ajudou-a com os cabelos. “Será que você consegue coloca-los mais lisos e sedosos?”, Mione perguntou. “Com certeza. Tudo é possível quando se sabe usar a magia certa”, garantiu a sorridente ruivinha.


Hermione se olhou mais uma vez no espelho. Com a cintura marcada, saia esvoaçante, manga japonesa curta e um discreto decote nas costas, o vestido lilás valorizava a beleza delicada da menina. Uma forte dor a atingiu ao lembrar-se da mãe, que com tanta dedicação e carinho a levara para comprar a roupa de festa. “Meus pais estão bem, em segurança”, repetiu mentalmente como sempre fazia quando a saudade apertava.


A ruivinha ficou feliz ao ver, pela primeira vez, a amiga se detendo mais tempo no espelho. Sabia que um pouco de vaidade era saudável. De fato, Mione estava se permitindo contemplar a própria imagem, com os pensamentos perdidos em certo ruivinho. Nunca se sentira tão bonita e segura de si. Sorriu ao se lembrar do Baile de Inverno, há quase três anos, quando se produziu pela primeira vez. Foi naquele dia que se deu conta do impacto que um visual caprichado podia causar no amigo. Ele nunca a havia encarado daquele jeito antes. Tinha certeza que também hoje receberia esse mesmo olhar de admiração.


Deu uma última ajeitada no cabelo cuidadosamente alisado, com algumas mechas presas atrás por um prendedor prateado em forma de borboleta e o restante das madeixas soltas. De repente, uma nuvem cobriu os seus pensamentos felizes. Lembrou de Ron dançando com Lisbeth, um sorrindo para o outro.  Não teve muito tempo para essas recordações doloridas.  Gina, linda em vestido dourado de dama de honra, interpelou a amiga.


- Nada de tristeza hoje, Mione. Você está deslumbrante! Imagino a cara de bobo que Ron vai fazer quando vir você linda assim! – disparou a ruiva.


- Gina! Por que você está falando isso? – protestou.


- Ah, Mione, não se faça de inocente. Vai dizer que não sabe da paixão do meu irmão por você?  – a ruiva questionou com ênfase.


- Não sei não, Gina. Ele nunca falou que gosta de mim – confidenciou em um tom mais baixo.


- E precisa falar? Nunca reparou no jeito que Ron olha para você, não assistiu as crises de ciúme dele? – perguntou sem conter um sorrisinho.


- Preciso que fale sim! Se não tem coragem para isso, com certeza é porque não gosta de mim – argumentou.


A morena falou essa última frase sem muita convicção. Afinal, Ron tivera coragem de beijá-la na boca. E fez isso com determinação e paixão, precisava admitir. Não foi um simples selinho de amigo. Mas Hermione sentiu-se na obrigação de interromper aquele momento. Depois disso, as poucas palavras do ruivo sobre tão significativo acontecimento a levaram a acreditar que ele havia agido sem pensar e já se arrependera do beijo.


- Claro que não é isso. Ron ama você, mas reconheço que é covarde. Aliás, não sei o porquê da insegurança dele. Talvez ache que não tem chance de conquistar alguém tão inteligente e brilhante como você – refletiu Gina.


 - Somos amigos há tanto tempo. Ron sempre disse o que pensava, muitas vezes fazendo questão de discordar das minhas opiniões e reforçar as deles. Por que não teria coragem de falar que gosta de mim? – a morena pensou em voz alta.


- Sinto muito, Mione. Você podia gostar de muitos outros bruxos, mas foi se apaixonar justo por Ron que, além de inseguro, tem vergonha de falar dos sentimentos...


- Quem disse que estou apaixonada por Ron? – tentou disfarçar.


- Hermione! – a ruiva exclamou como quem reprova uma criança que faz arte – Nesse aspecto você não é muito diferente do Ron. Somos amigas há tanto tempo e ainda quer negar o óbvio? E sabe de uma coisa? Não entendo como você, uma pessoa tão decidida, pode esperar pelo meu irmão. Por que não toma alguma iniciativa?


- Você quer que eu peça o seu irmão em namoro? – interrogou incrédula.


- Não precisa tanto – sorriu – Com sua inteligência, você vai saber dar o empurrãozinho necessário para o cabeça-dura do Ron tomar coragem.


- Ron desafia toda a minha inteligência e lógica – admitiu.


- Vai ver foi isso que fez você se apaixonar por ele – ponderou abrindo um belo sorriso.


Não puderam continuar a conversa porque, neste momento, alguém bateu à porta. “Meninas, com licença”, falou Molly, entrando no quarto. A srª. Weasley já estava pronta. Com uma maquiagem suave, os cabelos presos em um coque clássico, usando vestido e chapéu na cor roxa ametista. Hermione nunca a tinha visto arrumada assim e não pôde deixar de reparar como ela tinha belos traços.


“Vocês estão lindas”, elogiou ao ver as duas amigas prontas para a festa. “Ronald já viu você assim?”, questionou olhando sorridente para Hermione. “Claro que não, mãe! Nós nem saímos do quarto”, se antecipou Gina, para alívio de Mione.


- Gina, querida, você pode me deixar a sós um momento com a Hermione? – pediu Molly, surpreendendo as duas.


- Tudo bem, mãe. Estou querendo mesmo ver se a Fleur já terminou de se arrumar. Ela deve estar linda – respondeu Gina que, vencendo a implicância inicial, já passara a gostar da futura cunhada.


A bruxinha estava intrigada. Sobre o que, afinal, Molly Weasley gostaria de conversar em particular com ela? Não podia ser sobre Ron. Ou podia?


“Você está realmente muito bonita. Ronald, com certeza, também vai achar isso”, reforçou Molly. A morena corou intensamente e não soube o que responder. Srª. Weasley continuou, parecendo não notar o quanto a menina ficara encabulada. “É justamente sobre o Ron que gostaria de conversar com você”.


- Er... sobre o Ron? E qual é o assunto? – Mione perguntou ainda com o rosto vermelho.


- Antes de falar do Ronald, eu gostaria de reforçar que não apoio a decisão dos três de deixar Hogwarts para cumprir essa tarefa perigosa delegada por Dumbledore a Harry. Mas vocês são maiores de idade e, infelizmente, não tenho como impedi-los – lamentou Molly com expressão preocupada.


- Não vamos fazer uma loucura, pode confiar. Estamos nos preparando para essa missão – argumentou a menina.


- Por mais que se preparem, vão enfrentar bruxos poderosos e maléficos. Essa missão por si só é uma loucura – prosseguiu Molly com a voz nervosa.


- A senhora quer que eu tente convencer Ron a não nos acompanhar? – deduziu.


- Bem que gostaria, mas conheço o meu filho. Ele tem grande fidelidade aos amigos e não vai deixar Harry e você sozinhos. Sei que isso pode parecer uma tolice de mãe, mas me preocupo sinceramente com Ronald – confessou a srª. Weasley.


- Ron é um excelente bruxo, alguém fiel aos seus princípios, corajoso. Sem falar que é divertido e isso, nos momentos de tensão, é de grande ajuda. O apoio dele será fundamental para Harry – argumentou Hermione.


- Reconheço que ele tem talento como bruxo e, especialmente, valores. Ronald não gosta de falar sobre isso. Mas Dumbledore me contou sobre alguns dos atos de coragem do Ron durante esses anos em Hogwarts, como a vitória no grande tabuleiro de xadrez bruxo e a forma como enfrentou as aranhas gigantes. E sei o quanto meu filho teme aranhas – falou.


- Dumbledore não exagerou. Ron age com grande coragem nas situações mais desafiadoras – garantiu a menina.


- Mas ao mesmo tempo, em algumas questões, Ronald ainda é inseguro. Talvez a culpa seja minha. Com tantos filhos, não consegui dar a Ron a atenção que devia. Ele sempre reclamou de usar livros e roupas de segunda mão – reconheceu, dando uma fungada.


- A senhora é uma ótima mãe. Dedicada e carinhosa com os filhos – disse Hermione, sem deixar de sentir certo estranhamento por estar consolando aquela mulher sempre tão segura.


- Nem tanto, Hermione. Se fosse assim, Percy não teria se afastado da família – lamentou.


- Mas os filhos têm liberdade para fazer as próprias escolhas, muitas vezes até contrariando tudo o que aprenderam dos pais – analisou a bruxinha, lembrando que Tom Riddle, apesar de ter sido acolhido com todo carinho por Dumbledore em Hogwarts, preferiu se tornar o Lorde das Trevas.


- Bem, mas voltemos ao Ronald – falou Molly, enxugando uma lágrima com as costas da mão – As suas palavras e opiniões, Hermione, são muito consideradas por Ron. Por isso gostaria de lhe pedir que tivesse paciência com ele e o apoiasse nos momentos difíceis.


Hermione ficou consternada com o pedido. Tantas vezes tivera convicção que a distração favorita daquele menino sardento de cabelos vermelhos era discordar e questionar as opiniões dela. Agora Molly dizia justamente o contrário. Mas claro que ela o apoiaria e tentaria, por que nem sempre era fácil, ter paciência com aquele a quem já pertencia o seu coração! Por isso a sua resposta foi tão convicta que consolou um aflito coração materno.


- Não se preocupe. Eu e Harry vamos apoiar Ron. E ele também, com certeza, vai dar grande contribuição à missão – garantiu a morena.


Molly se despediu, dizendo que logo os convidados começariam a chegar. Antes de sair, tirou da bolsa um pequeno envelope. “Já estava me esquecendo. Minerva deixou com Arthur, no Ministério da Magia, o presente dos noivos e também este bilhete para você”, falou. A menina agradeceu e sorriu para a srª Weasley que, parecendo recuperar seu jeito sempre apressado, disparou pela porta afora chamando vários nomes ao mesmo tempo. “Ron. Harry. Fred. Jorge. Vocês já estão a postos? Os convidados não demoram a chegar”, comandou.


Como tantos acontecimentos cabiam em tão poucos dias? Essa era a pergunta que Hermione se fazia as lembrar dos fatos surpreendentes e inesperados vividos desde que chegara À Toca. Decidiu não pensar nessas realidades por ora e abriu o pequeno envelope branco, do qual retirou um cartão, escrito com a graúda e desenhada letra da professora Minerva.


Cara Hermione,


Compromissos pessoais me impedem de estar presente às bodas do srº. Guilherme Weasley e srtª. Isabelle Delacour. Gostaria de aproveitar a oportunidade também para reencontrá-la, mas, diante dessa impossibilidade, quero que saiba da minha confiança em seu talento de bruxa e, acima de tudo, em seu excelente caráter. Lembre-se, porém, que nos livros aprendemos as fórmulas dos feitiços. Para executá-los, é preciso ter fibra e coração, como uma verdadeira grifinória.


Afetuosamente,


Minerva McGonagall


“Fibra e coração, como uma verdadeira grifinória”. Sim, ela precisava disso também agora. Não sabia a razão de tanta ansiedade. Parecia até que o casamento era dela. Foi quando mirou o espelho e se surpreendeu, como se não conhecesse aquela bela moça que a contemplava com seus inteligentes olhos castanhos. Onde ficara a nerd de nariz empinado, cabelos cheios, dentes grandes e dificuldade para fazer amigos? Sim, Hermione devia reconhecer que se tornara menos rígida, livre de regras excessivas e, acima de tudo, mais feliz. E se existia um culpado por essas mudanças, ele atendia pelo nome de Ronald Billius Weasley.


Ron, sempre Ron, a fazia experimentar sentimentos confusos e contraditórios. Como aquele garoto que a irritava e a levava a ficar com o rosto vermelho de raiva, também a deixava assim, com o coração descompassado e as pernas bambas, corada de pura inibição? E depois de ter falado para ela tantas palavras desaforadas e a impulsionado a dizer palavras mais desaforadas ainda, possuía esse poder de calar a voz da menina com um gesto tão simples e complexo ao mesmo tempo. Sim, o rapaz a beijara na boca. Mas, acima de tudo, a olhara de um jeito intenso, profundo, quase abissal. E também sorrira com aquele sorriso verdadeiro, transparente, feliz e único.


Respirou fundo e sorriu para a própria imagem refletida no espelho. Precisava ter fibra, coração, coragem. Como uma verdadeira grifinória. Pegou a bolsa de contas e abriu a porta do quarto, com ansiedade e emoção. Estava pronta para assistir, pela primeira vez, a uma cerimônia de casamento bruxo.


xxx


 Para ouvir antes, durante ou depois de ler o capítulo:


Wherever you will go


http://irpra.la/m/100340


So lately, been wondering
Who will be there to take my place
When I'm gone you'll need love to light the shadows on your face
If a great wave shall fall and fall upon us all
Then between the sand and stone, could you make it on your own


If I could, then I would
I'll go wherever you will go
Way up high or down low, I'll go wherever you will go

And maybe, I'll find out
A way to make it back someday
To watch you, to guide you, through the darkest of your days
If a great wave shall fall, and fall upon us all
Then I hope there's someone out there
Who can bring me back to you
(…)

 


 

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Comentários (17)

  • FernandaGrif2

    #Lumos Olá Morgana, como vai? espero que bem. Eu amo cada capitulo que você posta e acho que nem preciso dizer isso.. ou preciso? de todo o modo sua historia é incrivel e nos deixa com o coração todo abobalhado a cada vez em que os dois teem momentos ou estam ate mesmo sozinhos como este capitulo mostrou. Aguardo ansiosamente pelo proximo. Beijos e ate a proxima ;)

    2012-08-13
  • ViviKa

    Oii Morgana!! Bom, preciso falar que o capitulo esta ótimo mais uma vez? Sua história está cada vez mais intrigante! To amando a preocupação da Molly. Ela consegue demonstrar toda a confiança em Hermione, o que a-torna mais fofa! To muito anciosa pro próximo capitulo! O casamento, o encontro e tudo! Muito boa mais uma vez! Beijos!

    2012-08-13
  • Morgana Lisbeth

    Olá, meninas! Obrigada por me fazerem companhia!   Gego, se tudo sair como planejo, penso em postar o próximo capítulo na terça-feira, dia 14. Falta um “floreio de varinha” para terminar. Claro que será dedicado a você! Espero que curta... Lumos, não vou lhe enganar, teremos momentos bem sofridos mesmo, mas também outros tão ternos...  Espero continuar contando com seus comentários. Lulu, com certeza uma supermãe não deixaria de recomendar o filho a alguém mais ajuizado, ainda mais sabendo que essa pessoa é apaixonada por ele (risos). Eu não podia também abrir mão dessa participação especial dos gêmeos (rs). Quanto às cenas de ciúmes... Inevitáveis, não? :) Willi, fico feliz demais por estar recebendo comentários seus a cada novo capítulo. Bem, Hermione e Ron estão ambos bem ansiosos. Para duas pessoas apaixonadas, participar de uma cerimônia de casamento é sempre significativo. Molly, de fato, tem uma confiança especial em Mione, diria até que torce para o namoro da menina e Ron logo começar. E Vítor Krum, hein? Ressurgindo das cinzas, como fênix, para abalar os nossos bruxinhos... *_*Beijos para todas! 

    2012-08-13
  • willi santana

    capitulo lindo, eu imagino a ansiedade de Hermione, ser ter ninguem esperando ja é uma tortura aparecer quando agente se senti linda, quanto mais com o amor da nossa vida andares abaixo??? é tenso, e pra piorar com uma guerra se aproximando.... a preocupação de Molly é tocante, e ela demostra toda a confiança que tem em hermione com esa conversa!! amei e estou ansiosa para o encontro o dos dois, o casamento, e o ponto: Victor Krum!!! Jesus que pressão!! beijos a ate o próximo!!!

    2012-08-12
  • luluweasley

    Oioi! Adorei a conversa de Molly e Mione. Foi tão... lindo *O* Ri sozinha ao imaginar os gêmeos acordando Ron. mal posso esperar pela segunda parte, será que vai ter cenas de ciúmes muito grandes? o.o isso me preocupa. Ah, Agosto cheio de aniversários... Fiz um texto especial para uma amiga minha em julho, e hoje é aniversário de outra amiga. Estou sob pressão para fazer um mais bonito.Estou em maus lençóis...Se eu não puder entrar na FeB dia 17, já deixo meus parabéns para uma autora tão perfeita. Feliz aniversário adiantado! E obrigada pelo "presente de aniversário" que está por vir. kkkkk, Bjs!

    2012-08-12
  • lumos weasley

    Gostei muito do capítulo! Estamos rumando para uma nova fase na vida deles a caça as horcruxes, que sei serão momentos de tensão e mais insegurança!Bjs!  

    2012-08-12
  • Gego

    Preciso dizer que tá perfeito? *-*Claro que não tô magoada com você. Na verdade, acho até melhor a divisão.Só me promete uma coisa, não demora pra avisar quando o próximo capítulo será lançado, por favor. Assim você reduz um pouco a minha ansiedade. kkkBeijos! 

    2012-08-12
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