A Carta



                             >25 Julho de 1991<

 Estava uma manhã de domingo como qualquer outra em um bairro no subúrbio de Londres, tudo estava tranquilo nos últimos onze anos. Muitos comensais foram presos, outros muitos morreram na tentativa de fugir e aquele-que-não-deve-ser-nomeado já não dava as caras desde da noite da tragédia dos Potter.


 Na casa dos Tonks, a única filha do casal entraria em seu último ano em Hogwarts, então estava ansiosa para chegada das aulas.


- Dora... Desça, pois o almoço já está pronto.


- Já vou mãe...


 Ela despachou sua coruja com as cartas para os amigos e desceu logo em seguida. Quando já se encontrava na cozinha sua mãe se virou procurando alguém, que pareceu não encontrar.


- Vá chamar seu primo para almoçar...


- Mas mãe eu...


- Vá logo, pois está esfriando!


- Tá bem! - disse ela com desaprovação.


 Ela seguiu até a biblioteca de sua casa, não era muito grande, mas continha uma boa quantidade de livros, tanto trouxas quanto bruxos. Havia um grande tapete em frente à lareira, onde havia um menino de onze anos sentado. Estava vestido com uma camisa branca por baixo de um casaco de moletom preto com a calça de mesma cor, seus sapatos de couro preto já estavam bastante gastos por gostar tanto de calça-los. O garoto estava sentado junto a pilhas de livros, vários deles sobre história da magia, poções e feitiços.


- A mamãe pediu para eu te avisar que o almoço está pronto. - disse a garota.


- Diga a ela que já irei! - disse o menino com frieza na voz desviando os olhos para voltar a sua leitura.


- Você que sabe, sabe como ela fica brava quando não estamos todos juntos na mesa na hora de comer - ela respondeu dando de ombros, fechando a porta.


- Irritante. - falou o garoto para o nada.


 Ele se levantou pegando os livros, e devolvendo-os aos seus devidos lugares. Logo que terminou, seguiu para a mesa na copa da casa. O cômodo era simples, não tinha muita decoração, apenas um ou dois quadros com pinturas abstratas. Havia uma mesa ao centro, onde seus tios e sua prima já se encontravam sentados esperando sua chegada para iniciarem o almoço.


- Achei que não viria mais... - disse a mulher de cabelos castanhos claros com um rosto alegre, espantando suspeita de que estaria brava com o atraso do garoto.


- Desculpe tia Drômeda, eu estava lendo, sabe como eu sou não consigo parar até terminar a leitura. - ele disse com um leve sorriso.


- Eu sei meu filho, e sei o quanto você adora ler e isso é muito bom!


- Ah, já ia me esquecendo, hoje chegou algo para você - disse um homem sorridente de cabelos louro sentado ao lado de Andrômeda.


- Pra mim? E o que é tio Ted? - perguntou o garoto curioso.


- Uma carta... - respondeu o tio com um sorriso ainda maior.


- Não acredito... É a carta de Hogwarts, não é? Eu vou pra lá? Onde está? Deixe-me vê-la... - disse o garoto pulando de sua cadeira e correndo para o tio.


- Hum... Sim, deixo... Era previsível sendo que seu aniversário de 11 anos será amanhã. Mas você tem que me prometer uma coisa antes.


- O que você quiser tio, qualquer coisa eu prometo...


- Ok, então você irá amanhã visitar seu primo Draco que está de cama por causa de um resfriado!


 Ninfadora abafou o riso, sabia o quanto o primo odiava essa parte da família.


- Ah não, tudo menos visitar os Malfoy! Eu prefiro ir visitar aquela assassina em Azkaban do...


- Não diga isso! Ela ainda é sua mãe! - repreendeu Ted.


- Mais não deixa de ser uma assassina! E além do mais, eu já vim morar com vocês para não ter que conviver com aqueles... Aqueles esquisitos. O senhor se lembra de o que eles me disseram quando estava saindo de lá? Que eu estava indo para a casa dos Traidores. Que a tia Drômeda era traidora do sangue, por ter se casado com o senhor!


- Eu sei disso, mas por incrível que pareça eles gostam de você! Eles sempre te enviam presentes, eles nunca nem se quer olharam para a Dora isso é verdade, mas eles gostam de você, e você não deveria julgar seu primo pelos erros de seus tios...


- Eu não ligo para os presentes que eles me deram, muito menos se eles gostam ou não de mim, eu não gosto deles e ponto final! Muito menos daquele nariz empinado do Draco, quero mais é que ele fique mais três anos naquela cama... - falou o menino, ouvindo um murmúrio de apoio de sua prima.


- Tudo bem, não iremos mais discutir então, se você não quer ir tudo bem. Tá aqui sua carta... - disse Ted entregando a carta ao garoto que pegou todo sorridente se esquecendo, rapidamente da discussão anterior. - Vamos, leia em voz alta...


- Está bem,


 


"Diretor: Alvo Dumbledore


(Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos).


Prezado Sr. Black:


Temos o prazer de informar que o senhor tem


uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts .


Estamos anexando uma lista de livros e equipamentos necessários.


O Ano Letivo começam em 1 de Setembro. Aguardamos sua


coruja antes de 31 de julho, no mais tardar.


Atenciosamente


Minerva McGonagall


“Diretora Substituta.”



- Bom, ao que me parece, - disse o garoto retirando outro pedaço de pergaminho de dentro envelope e entregando ao tio que examinou atentamente - essa é a lista de materiais...


- Meus parabéns meu filho... - disse Andrômeda, abraçando o garoto. - Tenho certeza de que Hogwarts acabou de ganhar um grande e muito talentoso jovem bruxo.


- Obrigada tia... - falou o garoto que parecia pouco a vontade com a demonstração de afeto de sua tia. - Mas tia, eu estou com medo...


- Medo? Medo de quê? - pergunto Ninfadora troçando com garoto.


- De cair na Sonserina! Quero dizer, eu não quero que todos saibam logo de cara, que eu sou filho de Comensais da Morte... E eu não quero ser mau! Dizem que todos que caíram lá ficaram maus.


- Que bobagem é essa agora Seth, esqueceu que a mamãe foi da Sonserina, e além do mais não são muitos que irão saber que você é filho da Bellatrix, afinal você não tem o sobrenome dos Lestrange. Eles podem achar que você é filho do Sirius... - disse a garota com um sorriso maroto.


- Ajuda muito, saber que irão achar que sou filho do traidor dos Potter! - disse o menino um pouco triste com os comentários.


- Não se preocupe com isso filho, não importa o que os outros digam ou pensem sobre você, o que importa é o que e quem VOCÊ é! E você é um garoto maravilhoso e muito inteligente, isso é o que importa. - disse Ted tentando animar um pouco o garoto. - E tenho certeza de que será o melhor aluno de Hogwarts, esteja na casa em que estiver, e nós estaremos aqui muito orgulhosos de você...


- Concordo com seu tio - disse Andrômeda tentando ajudar.


Sob o olhar da mãe Ninfadora concordou:


- É mesmo, você pode ser um chato às vezes, mais ainda assim é muito mais inteligente que maioria das pessoas com quem estudo! - disse ela sorrindo.


- Obrigado, se não fossem vocês, talvez eu estivesse trabalhando de escravo na mansão Malfoy...


- Como a Cinderela dos contos trouxas, limpando a mansão! - disse Ninfadora rindo da imagem que se formava em sua cabeça, de seu primo com um vestido rasgado esfregando o chão.


- Não, para isso eles têm o Dobby, pobre elfo. - respondeu o garoto se lembrando do elfo que tanto lhe ajudava quando morou lá. - Tio Ted, e os materiais, as aulas começam daqui a uma semana...


- Não se preocupe levarei você e Dora amanhã ao Beco Diagonal, afinal é seu aniversário, e já que não está disposto a visitar seu tão querido primo Draco.


- Ele não precisa de mim, poderá pedir ao pai para que pague alguém para visita-lo! - disse o garoto sob as risadas da prima.


 Na manhã de seu aniversário, junto a sua prima e seu tio, Seth foi para Beco Diagonal, comprar seus materiais para seu primeiro ano Hogwarts. Seguido pelo tio, entrou em uma loja para comprar ingredientes para poções, junto a um caldeirão. Depois foi correndo para o Olivaras, onde compraria sua tão sonhada varinha. Mas seu tio acabou por ir acompanhar Ninfadora que iria comprar o vestido para o Baile de Formatura, o garoto acabou por entrar sozinho.


  O lugar era escuro, com várias prateleiras, todas repletas de caixas, no qual Seth deduzira serem as varinhas. Próximo ao balcão havia uma menina com os cabelos castanho, cacheados e bem armado, estava sorridente, segurando uma varinha em suas mãos. Do outro lado do balcão havia um senhor já bem idoso segurando uma das caixinhas que havia nas prateleiras. De repente, um vaso que estava atrás do homem explodiu. A garota pareceu um pouco decepcionada.


- Definitivamente não é esta a sua varinha Srta. Granger. Espere aqui, irei buscar outra... - disse o senhor ao mesmo momento em que notou o garoto, que parecia assustado com a pequena explosão, parado em frente à porta de sua loja - Ora, eu estava mesmo lhe esperando Sr. Black, entre. Quanto à senhorita, me entregue à varinha, vou guarda-la. Mas como já lhe informei, a varinha escolhe o bruxo! Então... De uma volta pela loja.


- Mas eu não deveria ficar aqui até o senhor voltar? Quero dizer, o senhor deveria estar junto comigo enquanto estiver andando pelas prateleiras...


- Não seria um pouco mais divertido a senhorita mesmo ir procura-la? Ou melhor, que ela mesma lhe acha-se? - disse o senhor já lhe dando as costas e sumindo entre as prateleiras.


 Seth entrou fechando a porta logo em seguida. Ele adentrou a loja observando o senhor que estava sumindo num dos corredores a sua frente. Logo que se deu conta estava parado ao lado da menina que explodira o vaso.


- Olá - disse a garota com o belo sorriso de minutos atrás - Meu nome é Hermione Granger!


- Ahm... Meu... Meu nome é Seth - disse ele tentando não transparecer o nervosismo - Seth Black...


- Muito prazer Black, é seu primeiro ano Hogwarts também? - disse ela estendendo-lhe a mão, mostrando-se simpática.


- É... Sim - disse Seth pegando a mão da garota - o prazer é meu Srta. Granger. - falou um pouco mais confiante.


 A garota se soltando da mão menino começou a perambular entre as prateleiras. Seth intrigado a seguiu. A garota sentindo-se observada, instintivamente virou-se buscando encontrar algo, e se deparou com Seth segurando uma das caixas. Ele ainda preocupado em disfarçar, tomou um susto ao ouvir a voz de Olivaras em suas costas.


 - Aqui está Srta. Granger, ao que me parece à senhorita não encontrou sua varinha. Tente esta. - disse o homem lhe entregando uma varinha, e logo se voltando para o garoto, que ali estava parado sem reação com a caixa na mão.


- Vejo que o senhor teve mais sorte que a Srta. Parece que temos uma escolha. Deixe-me ver. - disse o velho pegando a caixa das mãos do garoto. Nesse mesmo instante algo chamou a atenção de ambos. - Estranho! Este cheiro é...


- Rosas! - diz Seth, olhando fixamente para a direção de Hermione, que estava rodeada por flores.


- Oh, como eu lhe disse Srta. A varinha escolhe o bruxo! Bom, - disse o velho, abrindo a caixa, estendendo a varinha para Seth, que ainda estava atônito com a visão que acabara de ter. - Senhor? - disse Olivaras chamando a atenção do menino - Creio que a varinha não será útil ao senhor, senão em tuas mãos.


 O garoto voltando-se para o homem receoso pela reação que a varinha teria, estendeu-lhe a mão para alcança-la. No momento em que a tocou, uma negra e espessa nevoa lhe rodeou, ele se viu envolto por braços que se formaram em torno de si ao meio a nevoa, foi então que se deparou com algo que lhe parecia um fantasma. Uma jovem, de cabelos avermelhados e olhos verdes, lhe sorria. Uma felicidade o invadiu, e fez com que ele sorrisse para ela. Então a nevoa retornou, e no lugar da moça surgiu sua mãe lhe abraçando. E diferente do ele esperava, um sentimento bom deu lugar ao ódio que sempre sentira por ela. De repente a fumaça se dissipou trazendo o garoto novamente para o meio das prateleiras, e junto à fumaça, apagou-se o sentimento ao qual ele não soube definir, trazendo de volta a raiva.


- É, está é a sua!- disse o homem olhando o menino atentamente - Interessante, nunca sabemos o que esperar das reações das varinhas, é... Mas definitivamente, está é a sua! - Depois de alguns instantes em silêncio, o homem parecendo lembrar algo fala - Interessante...


- O quê? O quê é interessante de novo? - perguntou o garoto irritado.


- Está varinha tem uma irmã, por assim dizer, não possuem o mesmo núcleo, mas sim a mesma estrutura.


- E quem é o dono da tal irmã? - perguntou Hermione não se contendo.


- O dono dela já foi um aliado das trevas...


- Ele é um Comensal? - interrompeu Seth.


- Sim ele foi comensal Sr. Black, mas ele se virou contra seu mestre, para se aliar a Albus Dumbledore, se tornando espião. Muitos não acreditaram na lealdade dele, mas ele está até hoje ao lado de Dumbledore!


- E qual é o nome dele?


- Acredito que o Senhor e a Senhorita são bastante inteligentes, pois suas varinhas demonstram isso. Creio eu que iram descobrir rapidamente de quem se trata, assim que pisarem em Hogwarts! Boa sorte aos senhores. - disse Olivaras se virando e desaparecendo entre as prateleiras novamente.


- Ele não bate bem, né?! - Seth perguntou para Hermione, que ainda olhava atentamente para onde o senhor havia desaparecido como se esperasse ele voltar.


- Não mesmo! - disse ela sem tirar os olhos do corredor.




 

Compartilhe!

anúncio

Comentários (1)

  • rafinha granger-potter

    Eh!!! mais um cap! ta perfeito! eu amei mto! qro continuaçao logo, hein?! vc demorou mto desde a última vez, qro outro cap mais rapido ou vou morrer de curiosidade, vc nao quer ser responsavel por isso, nao é? adorei principalmente o inicio, me lembrou eu e meu irmao a conversa da tonks com o seth... kkkkknao demora, pf!bjss e inspiraçao pra vc, rafaela

    2012-02-14
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.