The Story of Us









I used to think one day we'd tell the story of us
How we met and sparks flew instantly
And people would say 'They're the lucky ones'


 


Eu costumava pensar que um dia ia contar a história de nós
Como nos encontramos e as faíscas voavam instantaneamente
E as pessoas iriam dizer 'Eles são sortudos'


 


             Hermione Granger e Draco Malfoy se odiavam, e isso não era surpresa para ninguém. Trocavam farpas desde o primeiro ano em Hogwarts, e chamavam-se carinhosamente de "Sangue-ruim" e "Doninha loira". Mas por uma inconveniência do destino, ambos foram escolhidos monitores no quinto ano. E, com uma ajudinha a mais desse, os turnos eram no mesmo horário. Só que em locais diferentes. Por isso nunca se encontravam.


             Até aquela noite de sexta-feira, quando Hermione decidiu passar na cozinha da escola, digamos que para um "lanchinho noturno", e depois resolveu dar uma olhada nas masmorras para irritar um pouco o seu amado inimigo. E estava procurando-o por um bom tempo, achando que a explicação para a ausência do loiro era apenas uma falta de sorte, quando ouviu um barulho num corredor à frente do que estava.


             Alarme falso, não era ele. Eram apenas dois alunos se agarrando. "Sonserinos", pensou com desdém, mas então parou de andar. "Sonserinos!", pensou novamente, seguindo para o casal pronta para dar sua advertência.


             Procurou-o por mais meia hora, e já estava voltando para a torre da Grifinória conformada de que Malfoy estava cabulando o monitoramento, e agendando mentalmente um horário para no dia seguinte dedurá-lo para Minerva, quando ouviu outro barulho.


             Olhou para os dois lados abruptamente, procurando a origem do som, mas parou ao ver uma porta surgindo da parede ao seu lado. "Ah, a Sala Precisa", pensou. Mas passou a mão na cabeça ao perceber o próprio pensamento. "Não estou precisando de nada no momento. Por que a Sala pareceu?".


             Entrou. E para sua surpresa, ou nem tanto, quem estava lá? Sim, Draco Malfoy.


             — É, Malfoy, acho que você foi descoberto.


             Ele pulou do sofá onde encontrava-se deitado, e já de pé encarou uma Hermione sorridente, com os braços cruzados e encarando-o fixamente.


 


I used to know my place was a spot next to you
Now I'm searching the room for an empty seat
'Cause lately I don't even know what page you're on


 


Eu costumava saber meu lugar era um lugar próximo a você
Agora eu estou procurando na sala uma cadeira vazia
Porque ultimamente eu não sei mesmo em que página você está


 


             — Procurando por mim, Granger? — percebendo a cara de "como você sabe?" que Hermione estava, completou: — Por qual outro motivo a Sala Precisa se mostraria para você?


             A resposta veio rápida e direta:


             — Estava, sim. Mas não te achei onde devia estar. Minerva vai gostar de saber disso.


             Hermione exibia um sorriso triunfal no rosto, e encontrava-se encostada na parede onde minutos antes tinha uma porta. Draco sorriu de volta.


             — Eu nego. Você não tem provas, e todos sabem que me odeia. — disse, sentando-se no braço do sofá e descansando as mãos nas pernas. — Poderia ser só mais uma maneira de me irritar.


             — Desculpe te desapontar, Malfoy — Hermione começou, olhando para as mãos despreocupadamente, e então mirou o loiro, voltando a cruzar os braços. —, mas eu infelizmente encontrei um casalzinho lá nas masmorras, e tenho eles como testemunha. Além de todos os quadros daquela parte do castelo.


             Então era assim. Ela o delataria para a professora e venceria novamente. Não se importava com o castigo, ou em ser suspenso do cargo de monitor, mas odiava pensar no sorriso triunfante que Hermione destinaria a ele por isso. E foi tal pensamento que o levou a fazer o que fez, a dizer o que disse.


             — Nesse caso, não me resta outra alternativa a não ser te calar. — disse, levantando-se e indo em direção à menina.


             — E posso saber como faria isso? — Hermione respondeu calmamente, sabia que venceria Malfoy qual fosse o feitiço que lançaria nela, e já esperava com a mão em cima da varinha, que repousava em seu bolso.


             Draco apenas colocou as mãos para cima, como em sinal de rendimento, e explicou-se:


             — Sem varinha, Granger. — olhou para a mão da grifinória, que continuou lá como um protesto silencioso da garota. "Sempre desconfiada", pensou antes de continuar, parando a uns quinze centímetros da mesma. — Eu não preciso de magia para conseguir o que quero.


             E dizendo isso ele fez a única coisa que ela pensou que ele não faria. Draco Malfoy beijou Hermione Granger. Embora no começo ela tenha relutado contra o corpo do loiro, que estava colado ao seu, decidiu-se por corresponder. Afinal, esse seria o único modo dele parar. Separam-se após alguns segundos, um beijo rápido, falso.


             — Ora, ora, Granger. — Draco começou, encarando os olhos fechados de Hermione com um sorriso maroto nos lábios, prendendo-a entre seus braços encostados sobre a parede. — Vejo que gostou. Nenhuma porta se abriu atrás de você.


             Ela abriu os olhos e deparou-se com dois pequenos círculos cinzas a olhado. Tinha entendido o que ele quis dizer. Se ela realmente quisesse sair dali, a Sala teria aberto sua porta. Mas isso não aconteceu. Então ela havia gostado? Bem, não sabia dizer. Odiava o garoto à sua frente, mas sentiu uma pontada do peito quando este separou-se de sua boca.


             — Doninha maldita. — disse simplesmente, antes de enlaçá-lo pelo pescoço e começar mais um beijo, só que desta vez ambos precisavam daquilo. Sim, ambos. Porque Draco também tinha gostado, impressionantemente. Era um beijo urgente, sem nenhum amor e nenhuma paixão, apenas uma necessidade momentânea de dois jovens. Inexplicável.


            


Oh, a simple complication, miscommunication's lead to fall out
So many things that I wish you knew
So many walls up I can't break through


 


Oh, uma simples complicação, falhas de comunicação levaram à precipitação
Muitas coisas que eu queria que você soubesse
Muitas paredes que eu não posso romper


 


             Miserável era o destino, que insistia em juntá-los. E quanto mais se envolviam, mais errado aquilo parecia. Draco conseguiu realmente calar Hermione, mas viu-se preso a ela. Aquilo era bom. Era proibido, talvez por isso fosse algo viciante, e quanto mais comia da maçã, mais queria ter dela.


             Eles continuavam encontrando-se casualmente, sempre escondendo-se de tudo e de todos, mas não se importavam. Faziam seus turnos juntos, parando vez ou outra no corredor para "namorar", embora não fossem namorados. Ainda nutriam um ódio profundo um pelo outro, e os elogios amigáveis entre eles continuaram, mas tudo isso parecia sem sentido quando estavam juntos. Palavras eram desnecessárias.


             Mas os olhares começaram a ficar mais freqüentes, sentiam-se desconfortáveis na presença um do outro, e uma vontade imensa de ficar junto. O que era apenas uma maçã proibida virou uma macieira carregada. Não conseguiam parar, viam-se toda noite e queriam mais. Mas ainda não era amor. Não podia ser.


             Apenas uma necessidade, muito forte e inacabável, mas não havia nenhum sentimento envolvido no casal. Aliás, nem um casal eram, somente inimigos conhecendo-se melhor para depois continuar a guerra. Adiavam a batalha o máximo que podiam, e assim o ano passou.


             Hermione tendo de explicar para os amigos sua constante ausência, e mentindo sempre, claro. Draco, por sua vez, ficou mais frio e inacessível. Não devia explicações a ninguém, e não as daria mesmo que tivesse.


             Era o último dia no castelo, iriam embora depois do almoço, e Hermione havia sumido. Assim como Draco. Mas ninguém estranhara o fato, uma vez que muitos outros alunos também sumiam pelo castelo no último dia.


             E na Sala Precisa, temendo pelas longas férias que teriam pela frente, Malfoy e Granger despediam-se, não com palavras, mas com beijos. A "relação" deles ficara apenas nisso, simplesmente porque estava de bom tamanho para ambos. Entregarem-se assim para o outro já era suficientemente estranho, e não sabiam se estavam prontos para uma "entrega completa".


             Já estavam lá há mais de meia hora, e não haviam trocado uma palavra sequer. Embora Draco soubesse que sentiria falta dela, não tinha coragem de dizer um "vou sentir saudades", e Hermione criava coragem para arriscar um "me procure em Londres", mas nada saiu. Finalmente decidiram-se por usarem o tempo que teriam sozinhos para pensar.


             E com um último beijo, mas não menos caloroso, saíram da Sala, cada um seguindo seu rumo. Opostos, para variar.


 


Now I'm standing alone in a crowded room and we're not speaking
And I'm dying to know is it killing you like it's killing me?
I don't know what to say since the twist of fate when it all broke down
And the story of us looks a lot like a tragedy now


Next chapter


 


Agora estou sozinha em uma sala lotada e não estamos nos falando
E eu estou morrendo de vontade de saber: isso mata você, como está me matando?
E eu não sei o que dizer desde a virada do destino quando tudo quebrou
E a história de nós se parece muito com uma tragédia agora


Próximo capítulo


             Voltaram para a escola, já estavam no sexto ano. Instintivamente procuraram-se em meio a multidão de alunos no salão principal, e encontraram-se. Mas ficou apenas nisso. Uma troca de olhares, e Draco rumou para fora do local. Aquilo doeu para Hermione, embora negasse, e ver a frieza naqueles olhos que antes a olhavam com desejo fez com que se distanciasse do loiro.


             Não sabia porque, mas ele a evitava. Não a havia procurado depois das férias, e ela também não o faria. O orgulho falava mais alto do que seu coração, embora negasse que este estivesse envolvido na batalha interna que havia sido travada em sua mente. Ela não amava o sonserino, mas sentia sua falta.


             Era assim em toda refeição no salão principal: ela buscava os olhos cinzentos, e podia contar nos dedos as vezes que os encontrou. Ele permanecia sempre de cabeça baixa, mas não parecia triste. Arrogante? Não. Solitário. Assim como ela, que inconscientemente se distanciara de seus amigos. Ainda andava com eles, mas não era mais a Hermione alegre e sabe-tudo que queria responder todas as perguntas. E para a única pergunta que realmente importava ela não tinha a resposta: O que aconteceu?


             Entre eles, com eles. Não havia sido um sonho, ou algum feitiço que jogaram nela, porque Draco havia mudado. Não para um menino bonzinho e apaixonado, mas parara com seus insultos constantes para com a "Sangue-ruim". Quando ocorriam, o que era raro, havia apenas frieza em seus olhos. E as frases pareciam automáticas, robóticas, como se as tivesse decorado para não fazer feio ao vivo.


             Harry jurava que Draco era um Comensal. Havia colocado a idéia na cabeça e não havia quem tirasse isso da mesma, nem mesmo Rony e Hermione, o primeiro por achar que nem para isso a Doninha servia, e a segunda por acreditar que os motivos eram outros.


             — O que você acha, Mione? — era Rony quem falava. E encarava a grifinória em espera da resposta.


             Hermione encontrava-se sentada numa cadeira próxima a uma grande janela da torre da Casa, e parecia perdida em pensamentos. Como estivera nos últimos tempos: avoada, pensativa, distraída, estranha.


             Só foi responder quando sentiu um cutucão no braço esquerdo.


             — Oi? Falou comigo? — dirigia-se ao ruivo que havia sentado numa cadeira de frente à sua.


             — Perguntei se... — parou de falar ao ver que a amiga voltara a encarar a escuridão dos jardins do castelo. — Ah!, esquece.


             — Hermione? — foi Harry quem chamou. Como sabia que não obteria resposta, sentou numa cadeira ao lado da jovem e segurou-lhe a mão, conseguindo sua atenção. — Você tem certeza de que não tem nada pra nos contar? — ela parou, e pareceu pensar por um momento encarando as mãos juntas sobre o braço da poltrona.


             "Ele odiava quando segurava-lhe a mão, mas ficava corado. Era a única maneira de tirar a palidez de seu rosto, e fazer-lhe sorrir", pensou, e sorriu com o pensamento. Afirmou com a cabeça para o amigo e dirigiu-se para a porta da Sala Comunal, voltando-se antes para os dois que a olhavam curiosamente.


             — Vou fazer minha ronda. — E saiu.


             Nunca mais o havia visto durante o monitoramento, mas sabia onde estava. E pela primeira vez cabulou seu turno e dirigiu-se para a Sala Precisa. Precisava vê-lo, ouvi-lo, mesmo que uma última vez, mas precisava disso para se libertar. Não podia mais, e nem queria, viver como uma robô: sem vida, mas andando.


 


How'd we end up this way?
See me nervously pulling at my clothes and trying to look busy
And you're doing your best to avoid me
I'm starting to think one day I'll tell the story of us
How I was losing my mind when I saw you here
But you held your pride like you should've held me




Como nós acabamos desse jeito?
Me vejo puxando minhas roupas nervosamente e tentando parecer ocupada
E você está fazendo o seu melhor para me evitar
Estou começando a pensar que um dia contarei a nossa história
Como eu estava perdendo minha cabeça quando eu vi você aqui
Mas segurou seu orgulho como você deveria ter me segurado


 


             — Demorou para vir. — foi o que Hermione ouviu ao entrar na Sala, e voltou seu olhar para o garoto que estava deitado num sofá. O mesmo sofá, o mesmo loiro, a cena do dia em que tudo aconteceu veio à mente da grifinória. Ela ignorou o comentário, e rumou para um outro sofá de frente para o de Draco, sentando e encarando o mesmo.


             — Você sabe o motivo da minha... — parou por um momento, e completou: — visita.


             Porque era assim que se sentia: visitando o menino em sua casa, desconfortavelmente. Encaram-se por um momento, e então ele sentou-se.


             — Que eu saiba, Granger, não te devo explicações.


             Foi "curto e grosso", literalmente. Não tinha emoção em sua voz, e os olhos continuavam frios, o que intrigava Hermione. Ela estava se devorando internamente para manter o controle e não jogar toda sua angústia na cara do sonserino, e tinha quase certeza de que deixava isso transparecer nos olhos, mas não ligava. E ele permanecia frio, imóvel, intocável.


             — Não quero explicações. — disse simplesmente, mantendo a voz calma. A conversa havia começado de modo casual, como dois desconhecidos conversando pela primeira vez, sem saber o que falar nem o que sentir.


              Ao perceber que o loiro ainda a encarava, como que esperando uma continuação, ela continuou:


             — Quero respostas.


             E por mais improvável que isso possa parecer, Draco riu. Não um riso irônico, nem arrogante, mas divertido. Essa era a Hermione que conhecia, sempre querendo respostas, não suportando a dúvida.


             — Então está certo. — começou, largando-se no sofá como se estivesse em casa, apoiando a cabeça nos braços que se encontravam cruzados atrás desta. — Você tem direito a três perguntas.


             Hermione sorriu. Conseguira o que queria: perguntas, que vêm seguidas de resposta, por conseguinte. Só precisava de uma certeza.


             — Aceito. Mas somente se tiver a certeza de obter respostas verdadeiras.


             — Tem minha palavra.


             — Se tem uma coisa que aprendi e que levo muito a sério é não confiar em nenhum Malfoy. — levantou-se, colocando um pequeno frasco na mesa de centro entre os dois sofás, voltando para onde estava logo após, e olhando para Draco, esperando uma reação.


             — Veritasserum? — perguntou vacilante, pegando o frasco e analisando-o por um momento após receber a confirmação por parte da garota.


             Abriu, então, o pequeno pote, jogando sua tampa em um canto qualquer, e bebeu o conteúdo todo de uma vez. E digamos que a ação do rapaz deixou uma Hermione assustada encarando-o, primeiramente por esperar uma relutância por parte dele, e segundo por...


             — Uma gota bastava. — sussurrou, e foi ouvida pelo loiro, que apenas deu de ombros.


             — Primeira pergunta. — disse apenas, fitando aqueles olhos castanhos que tanto lhe perturbavam.


 


Oh, I'm scared to see the ending
Why are we pretending this is nothing?
I'd tell you I miss you but I don't know how
I've never heard silence quite this loud


 


Oh, tenho medo de ver o final
Por que nós estamos fingindo que isso não é nada?
Eu quero te falar que sinto sua falta, mas eu não sei como
Eu nunca ouvi este silêncio tão alto


 


             E foi o que permaneceu: o silêncio. Draco, esperando as perguntas, e Hermione, escolhendo quais seriam feitas.


             — Por que você passou a me evitar depois das férias?


             Era uma pergunta simples, até idiota, mas isso vinha matando a menina por dentro todos esses dias que se passaram desde o começo do ano letivo. Ela havia apoiado os cotovelos nas pernas, apoiando-se neles, curvada para frente como se a resposta fosse chegar mais rapidamente estando assim. Draco permaneceu parado, e respondeu olhando para o teto.


             — Porque eu passei as férias com meu pai. — falou simplesmente, e completou depois de alguns segundos: — Uma guerra está para começar, e você sabe muito bem disso, Granger. E os planos que Lucius tem para mim não são dos melhores.


             Ele parecia ter terminado, e permanecia em silêncio olhando para o teto. Hermione processava o que havia acabado de ouvir, mas não fazia sentido. Estava prestes a soltar um "E o que isso significa?", mas Draco foi mais rápido.


             — Pensei que fosse mais inteligente, Granger... — sorriu, e encarou-a. — Só achei mais fácil parar com isso agora que num momento um pouco mais conturbado.


             E ele continuou a olhar para aqueles olhos castanhos, e olhava para os do loiro, mas parecia não realmente vê-los. Abaixou a cabeça quebrando o contato visual, e ficou uns minutos assim para formular a próxima pergunta.


             Finalmente ia perguntar o que estava em sua mente, mas parou ao ver um sorriso de lado nos lábios do jovem. E ela conhecia esse sorriso: ele estava pensando, provavelmente em algo estranho o bastante para causar esse efeito no loiro.


             Mudou sua pergunta, então.


             — Em que está pensando?


             Ele não respondeu de imediato. Encarou-a por um tempo, e quando ela já estava começando a ficar irritada com o garoto, esse levantou-se e dirigiu-se a ela, que permaneceu sentada, endireitando-se.


             Curvando seu corpo sobre o de Hermione, Draco chegou bem perto de seu ouvido, mas não disse nada. Apenas mordeu de leve seu lóbulo, e desceu pelo pescoço da castanha trilhando um caminho de beijos intercalados com algumas mordidas, incrivelmente carinhoso. Enlaçou-a pela cintura, levantando-a, e sorriu ao ouvir um gemido da parte da garota.


             E continuou sorrindo ao senti-la enlaçar seu pescoço, puxando-o para mais perto, como se isso fosse possível.


             — Malfoy... — ela começou, mas parou ao sentir os lábios de Draco chegarem ao canto de sua boca, sem realmente beijá-la. Voltou a explorar o pescoço de Hermione, e ela aproveitou a deixa para continuar. — Você não respondeu.


             Então ele voltou à orelha da garota, dessa vez deixando seu hálito fresco em contato com a pele dela.


             — Eu só estava pensando em como fui idiota ao ficar te beijando ano passado... — ele parou, voltou a olhá-la e percebeu a confusão no rosto da garota. — ...sem aproveitar o que eu tinha, sem tentar dar um passo à frente. — completou.


             Foi o suficiente para ela, que venceu a distância entre eles e beijou-o como se precisasse daquilo para não morrer no segundo seguinte. Separaram-se apenas quando perceberam a Sala mudar, e o ambiente aconchegante de um quarto surgir.


 


Now I'm standing alone in a crowded room and we're not speaking
And I'm dying to know is it killing you like it's killing me?
I don't know what to say since the twist of fate when it all broke down
And the story of us looks a lot like a tragedy now


 


Agora estou sozinha em uma sala lotada e não estamos nos falando
E eu estou morrendo de vontade de saber: isso mata você, como está me matando?
E eu não sei o que dizer desde a virada do destino quando tudo quebrou
E a história de nós se parece muito com uma tragédia agora


             Encontravam-se abraçados, um fino lençol cobrindo seus corpos ainda quentes. O silêncio prevalecia no local. Draco afagava-lhe os cabelos, Hermione fazia desenhos invisíveis no peito nu do mesmo. Ambos sem coragem de começar uma conversa.


             Tinha direito a uma pergunta ainda, mas não pensava nisso. Pensava no que acabara de acontecer, não queria que esse momento acabasse. Nunca.


             — O quê a gente faz agora? — ela perguntou, sem encará-lo. Continuava a dançar com a ponta do indicador no peito do garoto, e não se importou com a demora da resposta.


             Percebeu a respiração do loiro acelerar, embora ele tentasse parecer calmo.


             — Essa é sua última pergunta? — ele parara de afagar-lhe os cabelos, gesto que a fez encarar-lhe.


             Apenas assentiu com a cabeça, esforçando-se ao máximo para não desviar o olhar. Ele pareceu pensar.


             — Não há nada pra fazer, Granger. — ele soltou um longo suspiro, precipitando-se para cima, fazendo com que Hermione sentasse, imitando-a em seguida. Segurou-lhe o rosto entre as mãos, depositando um selinho em seus lábios. — Você sabe que isso nunca ia dar certo.


             Eles encaravam-se, as testas coladas. Ela fechou os olhos e uma única lágrima teimou em escapar-lhe. Levantou-se e recolheu suas roupas, que encontravam-se espalhadas pela Sala. Vestiu-se rapidamente, sem encarar o loiro que continuava sentado na cama, sem entender a reação da grifinória.


             — O que foi? — ele havia se levantado e vestia suas calças pretas enquanto a observava colocar a capa.


             — As perguntas acabaram. — disse, de costas ao sonserino. Respirava pesadamente e não poderia fraquejar agora, quando precisava ser forte. Teria de fazer o que tinha de ser feito naquele momento, sabia que depois não conseguiria. — Já consegui minhas respostas.


             Ela virou-se para encarar o loiro, que permanecia sem camisa e sem reação. Percebendo que ele não falaria nada, virou-se e rumou para a parede onde sabia que ficava a porta, vendo esta surgir vagarosamente. Mas parou ao sentir uma mão gelada segurar-lhe o pulso direito, e Draco surgir em sua frente logo em seguida.


             Então ele fez o que ela menos esperava. Assim como na primeira vez que a beijara. Simplesmente abraçou-a, como se pudesse prendê-la ali para sempre.


             — Eu te amo.


              Aquilo a pegou desprevenida. Esperava de tudo: que ele pedisse pra continuarem a se encontrar, que ela não fosse embora, que ficasse um pouco mais com ele. Mas não estava preparada para tamanha declaração. Nunca estaria, não para ouvir isso vindo de Draco Malfoy.


             Mas ela apenas continuou abraçada ao loiro.


             — Por isso eu não posso arriscar sua vida. — depositou um beijo no topo da cabeça de Hermione, e foi procurar a sua camisa. Ela continuava parada, os braços ainda no ar.


             Quando o sonserino calçava os sapatos, ela enfim teve reação e dirigiu-se à porta, agora já totalmente materializada. Mas voltou-se ao garoto antes de fechar, não somente a porta, mas um dos milhares de caminhos possíveis a seguir. Ao sair, estaria deixando para trás seu passado, presente e futuro. Sabia que aquele era o caminho certo, de algum modo. Mas era impossível. Ele o fazia impossível.


             — Eu também te amo. — ele olhou-a, parando com apenas metade de sua capa no corpo. — E saiba que não pensaria duas vezes antes de lutar contra tudo e todos por esse amor. Mas sozinha, bem, acho que não faria sentido. — ele continuava estático, e uma lágrima solitária escorreu-lhe a face. "Parece que não é tão frio, afinal", Hermione pensou, rindo ironicamente, e completou: — Acho que essa é a diferença entre um Sonserino e uma Grifinória.


             Foi embora, e Draco soube: para sempre.


 


This is looking like a contest of who can act like the careless
But I liked it better when you were on my side
The battle's in your hands now, but I will lay my armor down
If you say you'd rather love than fight


 


Isto esta parecendo uma disputa de quem pode agir com mais indiferença
Mas eu gostava mais de quando você estava ao meu lado
A batalha está em suas mãos agora, mas eu vou colocar minha armadura para baixo
Se você disser que prefere o amor do que a luta


 


             Ele agiu como um sonserino agiria, não a procurou e evitava-a a todo custo. Sabia que ela havia dado a palavra final, e não voltaria atrás. Sabia disso principalmente porque continuava a mesma. Sim, ela agia como se nada houvesse acontecido.


             Tratava-o com a costumeira indiferença, implicando com o loiro como sempre fez. Não evitava-o, não olhava-o com ódio, rancor ou qualquer outro tipo de sentimento. Talvez a única mudança: seu olhar não demonstrava nada.


             E assim a guerra passou. A Ordem venceu, o Lorde das Trevas sucumbiu finalmente. Draco havia conseguido escapar ileso, embora seus pais tenham sido mandados a Azkaban.


             Casou-se, assim como Hermione, mas não com ela.


             — Papai, e se eu não for escolhido para a Sonserina? — era seu filho, Scorpius. Encontravam-se na entrada do Expresso Hogwarts, e o alvoroço era geral.


             — Não tem problema. — respondeu, abaixando-se para ficar na altura do menino. — A casa não importa, e sim quem você vai escolher ser. — sorriu para o garoto, que pareceu não entender o que o pai queria dizer com aquilo. Apenas abraçou-o, em seguida vendo-o correr para dentro do trem.


             Mas ele esbarrou em alguém. Uma menina ruiva. Os olhos castanhos. Ah!, reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar. Os olhos dela, da sua Hermione.


             Olhou para os lados, procurando-a. Encontrou a mesma poucos metros à sua esquerda, e ela o encarava. Sorriu involuntariamente, e teve o sorriso retribuído por ela. Não podia deixar seu filho cometer o mesmo erro, por isso correu ao menino, que encontrava-se abando a mão direita para a mãe da janela de um vagão.


             — Filho — disse, vendo o menino curvar-se por sobre a janela. —, não seja um bobão. — sussurrou no ouvido do garoto, que riu. Então apontou para a ruivinha que encontrava-se ao seu lado, abanando para os pais, e completou: — Gostei da escolha.


 


So many things that you wish I knew
But the story of us might be ending soon


 


Tantas coisas que você queria que eu soubesse
Mas a história de nós pode estar chegando ao fim em breve


 


             — Potter. Weasley. — cumprimentou os dois homens. — Granger. — sorriu para a mulher. — Manda um "oi" pro resto da família. — dirigiu-se a Rony, indicando com um movimento da cabeça alguns ruivos à direita.


             — Malfoy. — Harry devolveu. — Se me dão licença. — disse, indo encontrar-se com a esposa.


             — A gente pode não estar mais em Hogwarts — Rony começou, ficando vermelho, parecia controlar a raiva. —, mas eu continuo a não gostar de você, Malfoy. — sorriu amarelo, e virou-se para Hermione. — Vamos, querida?


             — Já vou. — respondeu a castanha, e ao ver que o ruivo olhava-a interrogadoramente, completou: — Quero implicar um pouco com ele. — sussurrou, sorrindo, o que fez o marido rir e se afastar.


             — Não consegue viver sem meus "elogios", não é? — Draco riu, cruzando os braços despreocupadamente.


             — Acho que é você quem sente falta de uma boa surra. — Gargalhou alto, seguida do loiro, o que fez a aglomeração Weasley-Potter olhá-los, assustados. — Bom saber que deu um jeito na vida. — disse, apontando para o lugar onde havia um trem a pouco tempo.


             — É... — deu de ombros. — Não podia viver chorando pelo que não foi.


             Ela ficou séria, ele também.


             — Malfoy... — ela começou, mas foi interrompida.


             — Não precisa falar nada, Granger. É passado, o melhor e esquecer — deu de ombros novamente. — ou apenas fingir que está tudo bem. — sorriu tristemente.


             Ela teve que segurar-se para não abraçá-lo ali, na frente de todos. Sentia saudades do loiro, mas estava feliz com Rony. Não podia estragar tudo.


             — Só queria te dar isso. — disse, quebrando o clima pesado que estava entre eles, olhando de soslaio para ver o Weasley estava distraído.


             Hermione pegou a carta da mão de Draco, fitando-a por um momento antes de guardá-la na bolsa. Sorriu para o homem à sua frente, e foi ao encontro de seu marido antes que fizesse algo do qual se arrependeria depois. Não teve tempo de ver o sorriso que se abria nos lábios do sonserino porque quando virou-se este já havia desaparatado.


             Mais tarde, sozinha em seu quarto, enquanto Rony tomava banho, ela abriu a carta. Sorriu ao ler as palavras centralizada no papel.


 


 


"Obrigada por ter-me feito quem sou hoje.


                                                                    Draco Malfoy


                                                                    PS: Te amo, para sempre."


 


 


 


Now I'm standing alone in a crowded room and we're not speaking
And I'm dying to know is it killing you like it's killing me?
But I don't know what to say since the twist of fate, and it all broke down
And the story of us looks a lot like a tragedy now


 


Agora estou sozinha em uma sala lotada e não estamos nos falando
E eu estou morrendo de vontade de saber: isso mata você, como está me matando?
Mas eu não sei o que dizer desde a virada do destino, e tudo quebrou
E a história de nós se parece muito com uma tragédia agora


 


 


The End


Fim


 




Compartilhe!

anúncio

Comentários (1)

  • RiemiSam

    Eu amo esse casal e qdo não conseguem terminar juntos fico imensamente triste. Mas qdo a história é bem escrita deixa uma sensação boa do que poderia ter sido. E a sua é uma boa história. Valeu!

    2013-07-14
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.