A escuridão



O caminho era escuro e sombrio,as árvores cobriam toda a vista para a mansão no barranco,o vento era forte e cortante nem mesmo um bruxo realmente frio como Ciaran podia não sentir arrepios.


Ele era branco como a lua,os olhos negros e vazios estavam repletos de dor,o cabelo cinza e liso se espalhava pela testa de um bruxo alto e forte com 20 anos.


A silhueta do casarão cinzento e assombroso já se mostrava em meio à escuridão enquanto ele se aproximava,não havia luz dentro nem decorações que pudessem chamar a atenção,era um verdadeiro esconderijo.


Ciaran chegou ao seu destino,entrou com os pés enlameados na varanda.


- Finalmente meu senhor voltou,deixe-me limpar seus pés. – Um corcunda saiu da casa,ele era velho e magro,seus olhos esbugalhados e maldosos,um sorriso banguela saia de sua torta boca no momento.    


- Não tenho tempo para isso Gobbo,tenho que falar com o Lord das trevas. – Ciaran fez uma careta e entrou na casa.


- Mas,meu senhor Ciaran. – O corcunda o seguia pelo corredor. – Ele está muito nervoso e fraco,disse que não queria ser incomodado.


Ciaran ignorou o servo,subiu pelas escadas de madeira negra e entrou num próximo corredor,passou por algumas portas e entrou na do fim do corredor.


- Fique aqui. – Ele disse rispidamente.


O corcunda se encolheu mais ainda e deu um ultimo olhar preocupado a Ciaran que entrou pela porta.


Era um grande quarto,estava escuro,as janelas eram grandes e altas com grades,ficavam cobertas por grossas cortinas azul-meia noite que caíam até o chão escuro de madeira polida,um grande guarda-roupa estava coberto por um pano vermelho vinho,várias luzes verdes flutuavam ao teto,dando uma sensação fantasmagórica ao lugar,poltronas verde-escuro rodeavam em volta de uma grande cama,repleta de cobertores e travesseiros brancos que embalavam um corpo frio,branco e magro.


Ciaran avançou para a cama em passos calmos,não havia medo nele e nem qualquer reação diferente.


- É você Ciaran? – Uma voz gélida e rouca veio da cama.


- Sim,sou eu. – Ele parou ao lado da cama.


- Ainda não tem medo de mim,não é mesmo? – O ser na cama deu uma fraca gargalhada. – Será que vai continuar assim quando eu retomar meus poderes? – A voz se tornou mais perigosa.


Ciaran apenas deu um sorriso falso. – Pensei que minha frieza o orgulhava.


- Sim,mas não quando me desrespeita. – O ser tossiu fortemente.


Ciaran pegou uma jarra ao lado da cama,em cima de uma cômoda antiga e serviu um líquido azul-claro no copo.


– Não deve se esforçar tanto,fica cada vez mais difícil encontrar o Lírio Gargalue.


Ele derramou o liquido na boca sem lábios do ser,que tomou desesperadamente.


- Os maiores comensais da morte tinham medo de Lorde Voldemort e olhe agora onde todos eles estão. – O olhar de Ciaran continuou frio. – Alguns em Azkaban sendo vigiados por dragões,ou qualquer outra coisa que aqueles fracos do ministério usam,outros estão sendo vigiados de perto mesmo estando em liberdade,e mais da metade deles estão mortos,eu não temo nada,enfrentei diversos bichos-papões naquela escola de magia e nenhum conseguiu mostrar alguma coisa,nem mesmo o senhor, famoso Lorde das Trevas pode me deixar com medo,mas ainda assim eu tenho que enfrentar meu destino e o objetivo dele é trazer de volta ao mundo Tom Riddle.


- Não me chame assim,eu já lhe disse,menino insolente. – Os olhos de Voldemort de tornaram vermelhos,mas então clarearam para cinza e um sorriso se plantou em sua boca. – Você ainda me surpreende,é insolente demais,mas também tem um admirável talento,isso eu admito,não posso compará-lo com nenhum servo meu que já existiu,todos eles queriam poder e minha aprovação,mas você Ciaran,me trouxe de volta a existência,sem nem mesmo ganhar nada,pelo menos até agora,eu ainda não compreendo qual é o seu destino,você vive me falando dele,mas nunca explicou.


O garoto criou um olhar tão congelante quanto o mais frio gelo. – Meu passado é o único culpado,a mim foi dada uma missão,meu falecido pai a entregou logo depois de morrer com uma doença contraída na Ásia,ele deixou a mim seu desejo de reviver o Lorde das Trevas e é isso o que farei.


- Você ainda esconde muito de mim,eu posso não conseguir descobrir o que se passa em sua mente,mas eu sei que ainda existe mais nessa sua história.


- Não gaste energia tentando invadir minha mente Tom. – Vendo o olhar ameaçador em Voldemort ele continuou. – Nem mesmo tentando me fazer como um servo seu,eu já dei muitas provas que não preciso da sua aprovação,apenas faço meu dever e ele tem ficado cada vez mais difícil se quer saber.


- O que você quer dizer com isso?


- É simples. – Ciaran tirou uma pedra do bolso. – Isso,é a pedra da ressurreição.


- Você está maluco. – Rosnou Voldemort. – Isso era uma das minhas horcruxes.


Ciaran riu. – Você tem razão,era uma das suas horcruxes e também é a pedra da ressurreição.


- Você usou isso para me trazer de volta? – Voldemort riu friamente. – Parece que não funciona muito bem,tenho que sobreviver dependendo desse Lírio idiota.


- Esse Lírio só serve para te fazer existir e é cada vez mais difícil de encontrá-lo,o único modo de conseguir trazer suas forças de volta é trazendo sua alma,ou uma pequena parte dela,depois você pode fazer o que quiser com ela.


- E como você pretende trazer minha alma de volta,ela foi destruída por aquele maldito menino.


- Aquele menino,se tornou um homem,ele tem filhos e uma família tão fiel e forte que mesmo que você voltasse agora,sem as preparações certas seria impossível se reerguer no poder.


- Eu sou Lorde Voldemort,o ser mais poderoso...


- Se fosse tão poderoso não teria sido derrotado por Harry Potter.


Os olhos de Voldemort faiscaram em vermelho-vinho.


- Mas ainda existe uma esperança,se formos silenciosos podemos conseguir o necessário para seu poder voltar.


- Continue. – Disse o Lorde ainda enraivecido.


- O plano é simples,o mundo da magia está calmo aparentemente,os bruxos se descuidaram desde a última guerra na Grã-Bretanha,então só precisamos ser silenciosos,soube que nos E.U.A existem alguns comensais refugiados,a Inglaterra não está muito amiga deles,então alguns de seus seguidores podem ser reunidos de volta,mas o mais importante depois disso é conseguir um poder mágico muito forte.


Os olhos de Voldemort se voltaram atentos a Ciaran. – Um poder mágico muito forte?


- Essa pedra é a primeira parte,existe dentro dela um pequeno fragmento da sua alma,se você tiver uma alma de novo,poderá ter seus poderes e força,mas para retirar essa alma precisamos de uma força mágica muito forte,é onde entra a segunda parte,recuperando sua alma você poderá encontrar novos seguidores e botar terror no mundo novamente. – Ciaran fez cara de tédio.


- Como pode existir uma parte da minha alma aí se isso é uma horcrux destruída?


- Harry Potter tinha em si um pedaço de sua alma,em algum momento antes de você tentar matá-lo ele usou  pedra,suas emoções foram tão fortes que nem mesmo sua alma conseguiu aguentar,uma pequena parte dela se dividiu e entrou na pedra que ficou perdida na floresta,meu pai me deu ela antes de morrer.


- Entendo...e o que está esperando?Procure a força mágica.


- Não é tão simples assim,andei olhando nos livros que roubei da minha antiga escola e encontrei algo que pode ser... – Ele ficou pensativo.


- E o que é?


- Por enquanto eu não tenho certeza de nada,assim que descobrir eu te informo.


- Você sabe que eu odeio quando faz isso,já estou esperando você descobrir coisas há muito tempo. – Voldemort aos gritos voltou seus olhos cor-de-sangue para o garoto.


- Foi assim que eu te trouxe a uma sub-vida,pelo menos você pode gritar comigo e aterrorizar meu servo então não reclame,quando eu descobrir te conto,por enquanto vou ficar de olho,fiquei sabendo que teremos visitas ao país em breve,isso pode ser interessante,agora eu tenho que ir,vou atrás de mais um estoque de Lírios Gargalue.


Ciaran foi se distanciando da cama quando ouviu uma voz fria e penetrante.


- Ciaran.


- Sim? – Perguntou o garoto.


- Você não teme que eu te mate depois que voltar ao poder?


Não ouve nenhuma mudança nas emoções de Ciaran,ele respondeu naturalmente. – Como eu disse,meu único objetivo é cumprir meu destino.


- Você não vai me contar qual foi a grande perda que o deixou assim,não é mesmo?


Ciaran saiu do quarto deixando Voldemort sozinho.


- Menino insolente,talvez quando eu voltar a ter plenos poderes eu possa usá-lo,mas só depois que ele tomar uma boa dose da maldição cruciatos. - O Lorde das Trevas se virou cuidadosamente na cama e adormeceu.


Ciaran saiu frio e impaciente do quarto.


- Meu senhor,foi imprudente de sua parte...


- Não me diga o que fazer Gobbo,eu sei muito bem que você só quer realizar o desejo do seu antigo patrão,e é por isso que não suporto as suas bajulações falsas.


- M-meu senhor eu não...


- Não adianta fingir,se quer saber eu não ligo para a sua lealdade,eu vou cumprir meu dever e é apenas isso. – Ciaran disparou pela porta da frente deixando o corcunda sozinho na varanda.


- Meu senhor,tudo corre como planejado. – Gobbo sorriu maliciosamente e olhou Ciaran andar rapidamente pelo caminho entre as árvores. 

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