Black Garden (Parte 3) - A Poç



Black Garden Parte III - A Poção Retaliadora - BETADA


image


Os anos voaram como os pássaros voam no inverno, em uma dança de liberdade. E era isso o que representava pra gente cada ano que passava. Para a última geração dos Black, um ano mais perto da liberdade. Para mim particularmente, era um ano mais perto da descoberta, quando todo aquele treinamento inútil faria algum sentido. Inútil, porque àquele ponto, eu já planejava voar para muito mais longe das fronteiras mágicas. Mas eu estou saltando muito rapidamente sobre minhas memórias, permita-me retroceder um pouco, reformular o início do fim.


     Esse era apenas mais um de meus sonhos comuns. Eu estava sozinha correndo dentro do bosque do outro lado do portal, o bosque que eu não via por tantos anos. Atravessava uma densa neblina, ansiosa seguindo o barulho dos cascos, esses cada vez mais altos, anunciando seu retorno.


         Atrás das árvores e da neblina finalmente eu via o ser encapuzado, sua mão fina e esticada para mim num convite sombrio. Então tudo o que eu via eram seus olhos azuis escuros e traídos. Eu tentava enxergar por dentro de seus olhos e o que eu vira fora o pior. O flash verde de uma maldição da morte, um grito e um corpo. Muito tensa me aproximei do corpo. Era só um sonho, não havia nada mais que eu pudesse fazer, porém me arrependi quando notei ali meu pior pesadelo. Era o corpo de Sirius.


       Fazia um tempo que eu não era acordada por um pesadelo, eu pensava enquanto encarava o pátio da propriedade através da vidraça da minha janela. Dali a algumas horas amanheceria. Lembrei então da última vez que eu acordara minhas irmãs com meu grito quando tivera a visão com o Lord das Trevas, anos atrás… com pesar todas aquelas memórias voltavam. Lógico que seu rosto macabro me assombrara para sempre, mas não com aquela realidade toda.  


    Meus pesadelos costumavam ser apenas sequências da noite da visita do Lord Voldemort, onde ele insistia em ler minha mente, achando em mim e não em minha irmã mais velha, sua arma secreta, e me levando consigo. Eu acordava sempre ao ser jogada dentro do coche pelo próprio Voldemort. E acordava sempre muito agradecida.


         Eu passara os últimos anos tentando me convencer de que aquele era o curso natural das coisas e que quando Bellatrix voltasse, tudo continuaria como se ela nunca tivesse partido. Voltaria com histórias fantásticas para contar sobre uma terra distante chamada Avalon… Mas de alguma forma, meu inconsciente arrumava uma forma de assimilar o retorno da minha irmã mais velha com algo terrível que eu, até então me recusava mesmo em pensar a respeito, e pela primeira vez citava-o em minha cabeça: O assassinato do meu primo.


        Eu rezava todas as noites para que aquela não fosse uma visão; mas quanto mais eu rezava, mais eu era ignorada, mais eu me conformava que tudo caminhava exatamente em direção de como eu sempre temia. Era apenas uma questão de tempo.


         Eu encarava meu reflexo na vidraça de cristal com o brasão da minha família, meus olhos mantinham aquele tom esverdeado já fazia duas semanas e meu rosto parecia finalmente firmar sua forma definitiva visto que adotara o mesmo nariz e queixo no último ano. “As bochechas precisavam ser tão volumosas?” Eu constantemente me encarava no espelho para me acostumar aquela forma, porém não acontecia. Era como sempre, o rosto de uma estranha. 


       Eu encarara a cama de Narcisa, ela dormia tranquilamente e voltara minha atenção para o pátio da propriedade dos Black. O dia do retorno de Bellatrix se aproximava, eu sabia, pois mais constantes eram os meus sonhos. 


           Seis anos haviam se passado desde a última vez que eu falara com minha irmã. Anos de estudo de magia numa escola de bruxos, Hogwarts, e devo dizer, valia a pena esperar pelo ano letivo. Hogwarts era, de todas as formas, o local mais mágico existente. Eu invejava aqueles que podiam ficar na escola no Natal.


          Eu tentava ser uma boa aluna, uma boa bruxa. Ephram conseguira me convencer que eu só tinha a ganhar investindo em mim mesma. Mas minha fuga fora adiada há muitos anos, pois antes de tudo eu queria rever minha irmã. Queria saber o que fora feito dela. Era bizarra a forma como evitavam seu nome, como se tivesse morrido. Era Sirius quem sempre falava nela. Quando o repreendiam ele também falava dela;


 


“O que vão fazer, me exilar como fizeram com Bellatrix?”


“Bella está recebendo tratamento especial”, respondera nosso pai uma vez.


“Vai saber o que isso significa!”, resmungava meu primo se retirando da mesa.


 


         Eles conseguiram apagar o sorriso dele por alguns anos, mas depois de um tempo, quando voltamos à propriedade dos Black seu sorriso estava de volta.


        Fora em Hogwarts quando conhecera seus melhores amigos na Grifinória que Sírius tivera sua melhor fase. Bonito, abusado e campeão de Quadribol, Sirius se tornara tão popular em Hogwarts que parecia ter se esquecido de Bellatrix completamente. Os Black tinham razão sobre uma coisa, realmente Sirius fora longe sem a minha irmã por perto. Tinha muitas namoradas e era um aluno exemplar. Seu melhor amigo era o apanhador da Grifinória no time de Quadribol, James Potter, que parecia corresponder completamente ao grau de loucura do meu primo.  A rivalidade de Sirius e Lucius só cresceu em Hogwarts, é claro, Lucius por sua vez era campeão da Sonserina.


           Durante todos os meses de recesso da escola, nós, os Black e os Malfoy, continuávamos a nos reunir na mui antiga e nobre casa dos Black regularmente, como se fossemos uma única família. Eu sempre achara que preparavam-nos para ser um exército de bruxos das trevas a parte, mas sua real intenção era que nos acostumássemos com  a ideia de união.  Já estava claro que nosso pai prometera a mão de Bellatrix a Lucius, de Narcisa a Sirius e eu provavelmente fora prometida a Ephram. Claro que não falávamos nisso, fingíamos que éramos donos de nossas vidas, e que poderíamos com facilidade mudar aquela sentença na hora definitiva ou mesmo que nossa opinião seria levada em consideração se nos comportássemos como dignos da família. Uma ilusão tão idiota que ninguém admitia, mas secretamente era a esperança de todos.


        Depois de horas que eu fiquei lembrando os detalhes de toda aquela novela, toda a casa acordara. Eu corri para o bosque da propriedade, pulando por cima de Monstro e empurrando os quadros irritantes e rabugentos da família. Ignorar as críticas destrutivas dos membros mortos da família Black se tornara meu mais novo passatempo nos últimos anos.


       Os raios de sol mal apareciam por entre as nuvens e a neblina, parecia que ainda era noite e essas eram as condições de tempo favoritas do tio Orion para treinamento.


– Vocês possuem apenas quinze minutos para encontrarem e trazerem os cinco diamantes. – Dissera Tio Orion para mim, Narcisa, Sirius, Ephram e Lucius em fila, em posição de partida com as devidas varinhas firmemente em punho.


       Eu conhecia aquele placar de cor. Lucius transformaria aquele treinamento no seu próprio jogo de caça particular. Lucius também piscara para mim ameaçadoramente do outro lado da fila, anunciado que eu seria a primeira ser abatida.


– Mantenha distância de Lucius. – Aconselhara meu primo ao meu lado cortando o contato visual. – Está bem? Eu vou distraí-lo e você corre para o bosque e não se deixe encontrar mais, aliás ele vai estar muito ocupado tentando roubar os meus diamantes. – Assegurara Sirius tentando me encorajar, me iludir de que tinha qualquer chance de eu escapar daquela besta sem ser estuporada. – Não se preocupe, Andy. – reforçara meu primo ao ver que eu não me convencera.


– Atenção… – Alertara tio Orion apontando a varinha para o céu, em seguida fogos saíram dela e nos cinco corremos para dentro do bosque.


      Minha querida irmã ainda botara o pé na frente para que eu tropeçasse e ficasse para trás. Ao cair pude ver Lucius correr com um sorriso sádico para cima de mim, ele queria me aniquilar antes mesmo de eu encontrar o meu diamante.


– Fim de Jogo Andrômeda – debochara Lucius perigosamente, mas fora estuporado pelas costas por Sirius que gritou “vai” e sem pensar duas vezes eu corri para mais dentro da floresta o mais rápido possível.


             Os Black e os Malfoy adoravam aquele jogo. Podiam analisar o potencial farejador de cada um e ainda se divertiam com o clima de caça e presa.  De qualquer forma, eu tinha de encontrar o meu diamante. Antes fosse estuporada por Lucius ou Narcisa do que voltar sem ele.  Eu poderia me unir a Sirius ou Ephram sem correr o risco de ser abatida, com sorte, só não podia atravessar o caminho de Narcisa ou Lucius. Ele especialmente gostava de retornar sozinho, como nos últimos anos se ocupara em se tornar o melhor comensal. Começava sempre uma chacina por mim, terminando sempre em Sirius, quando conseguia pegá-lo desprevenido. Acontecera de Lucius conseguir superar Sírius, pelo simples motivo que com os anos o interesse do meu primo mudou, enquanto Lucius era obcecado por poder, Sirius o era por Quadribol e garotas.


         Mas nos duelos dentro da família eram os únicos momentos em que éramos todos iguais, diante do mesmo destino, com a mesma missão de impressionar os chefes da família. Isso porque em Hogwarts, dentro da multidão de jovens bruxos, mantínhamo-nos distantes um dos outros, cada um provavelmente por suas próprias razões.


         Sirius que sempre fora do contra, se encontrou quando foi selecionado para casa da Grifinória. O único da família a ter essa sorte, uma de suas ações surpreendentes! Narcisa é claro, ficara desiludida por ser afastada do príncipe pelo Chapéu Seletor. Ela, Lucius e Ephram foram automaticamente colocados na Sonserina, o que lhes caiu muito bem. Na minha vez, anos mais tarde eu tremia dos pés a cabeça mesmo sob o olhar seguro de Sirius. Ele me alertara que eu poderia escolher, o que eu não levei em consideração. O Chapéu Seletor reconheceu a minha sina.


“Ah pobre menina, sofre tanto dentro de sua família das Trevas. Eu sei o que você almeja. Quer ir para Grifinória para ficar junto de seu primo. Mas será que isto seria o melhor para você? Seu primo é independente e precisa se desvencilhar da família. Você sonha com aventuras, mas para seguir seu destino vai precisar mais que coragem… Precisará de uma ousadia e malícia certa, precisará ser muito esperta. Talvez…na Sonserina tenha melhor oportunidade de se focar, de surpreender mesmo os membros da sua família. Sonserina abre muitas portas para bruxos do seu sangue, jovem menina….”


       Só abri os olhos depois de ouvir o barulho dos aplausos vindo da mesa da Sonserina. Vi a cara de Sirius da mesa da Grifinória decepcionado. Não acreditando no que acontecera. Fora quando eu notara que meu grande sonho havia se quebrado. Hogwarts não seria minha nova casa, e minha nova família não seria só Sirius. Eu lhe enviara um sorriso sem graça de longe e me adiantara para a mesa verde e prata onde Lucius parecia satisfeito. Ou seria surpreso? Narcisa como sempre contrariada em meu momento de glória, revirara os olhos me dando espaço na mesa da Sonserina, satisfeita em debochar da minha cara:


– O Chapéu Seletor deve estar com algum problema. 


– Não seja ridícula Narcisa. – retrucara Ephram aparecendo para me abraçar. Eu conseguira sorrir pela primeira vez, pelo menos eu não estaria completamente sozinha. – Para onde mais uma legítima Black iria?


       No início eu estava deprimida, achei que seria a melhor coisa do mundo morar na Grifinória, e ter de conviver com Lucius o ano todo era algo realmente transtornador. Porém com o tempo percebi que o Chapéu Seletor estava certo. Os Grifinórios eram mesmo estranhos. Todos aqueles bruxos eram na verdade. Mas a Sonserina me era muito mais familiar, realmente. Eu me sentia segura entre as gárgulas, serpentes e os mistérios das masmorras.


        Os outros grupos,os Grifinórios e Lufa-Lufas especialmente, viviam em constante festa, bagunceiros… Sempre tão escandalosos, como se a vida no castelo fosse uma peça de teatro. O pior dos grupos era um da Grifinória, obviamente liderado pelo meu primo e seu melhor amigo. Eles, apesar de terem crédito nas aulas conseguiam ser extremamente inconvenientes. Adoravam acabar com a paz alheia, principalmente dos mais quietos. Era irritante como se divertiam fazendo alguém miserável, como se procurassem fama, adoração.


        Sirius com o tempo ficou ocupado com o assédio e a popularidade. Ele nascera para pertencer a Grifinória, se sentia o rei do castelo às vezes. Falava comigo quando necessário, me salvando da exclusão quando me via sozinha. Eu ficava feliz quando ele se lembrava de mim. Todos os Sonserinos me olhavam com raiva, pois eu estava em contato com um Grifinório e especialmente Sirius, que era inimigo declarado de Lucius.


       Verdade é que todos evitavam Sirius e ele correspondia, como se nunca pertencesse à mesma família. Eu sabia que Sirius ficava mesmo ofendido quando lembravam o parentesco. No entanto, Ephram sempre jogara dos dois lados. Ele gostava da fama de Sonserino intimidador e era popular na Sonserina, mas às vezes era visto com Sirius e seu grupo. No entanto, sempre que o questionavam a respeito, sua marra prevalecia. Narcisa sempre mantivera pouco contato comigo e ficava furiosa quando alguém lembrava que éramos irmãs. Ela tinha seu próprio círculo de amigas da Sonserina.


             Mas eu acabei me adaptando ao universo maravilhoso que era Hogwarts. Sirius tinha razão sobre todos os ensinamentos de magia naquele lugar serem fascinantes. No entanto, a inclinação política da escola era diferente da nossa família, estimulava a magia branca e reprimia toda magia negra. E não era mesmo aceitável falar muito a respeito fora da Sonserina. Era o que os Sonserinos chamavam da perpetua ditadura pós Slytherin e conseqüência da inclusão dos nascidos trouxas na escola. 


         Estar de volta na mui antiga e nobre casa dos Black todos os anos no recesso da escola era uma faca de dois gumes. Eu tinha mais a atenção de Sirius, pois em Hogwarts ele nunca estava sozinho, mas em compensação eu era o alvo e passatempo de Lucius e não tinha muitos locais para eu me esconder dele.  


         Eu parara de correr para recuperar um pouco o fôlego, vigiara os quatro cantos a minha volta e não parecia ter sinal de ninguém. Tirei minha bússola enfeitiçada do bolso. Cada um dos Black tinha a sua, e eu aprendera recentemente a usar a minha para encontrar tesouros.


            A seta apontara para o norte da floresta e os outros três ponteiros grudavam ao primeiro anunciando que meu tesouro estava em algum lugar próximo.  Eu fechara os olhos e me concentrara. Nenhum feitiço funcionaria para invocar algo que um Black tentasse esconder. Eu precisaria sentir a presença do diamante, essa era uma técnica especial do Ephram “Usar os olhos da mente” e não farejar com o nariz, visto que não éramos capazes de literalmente farejar qualquer coisa. 


            O interior da floresta me atraía cada vez mais. Logo vi um brilho vindo de dentro da árvore e encontrei ali escondido, meu diamante. Até que não fora tão difícil, pensei. Mas foi eu dar um passo para trás que eu caí, igual a um porco selvagem na típica armadilha de Tio Orion.  Lá estava eu presa dentro de uma rede mágica e pendurada pelo pé num galho do carvalho. Merda! Eu pensei. Assim como meu diamante caíra da minha mão e agora brilhava no chão além dos meus dedos. Eu tinha poucos minutos antes de Lucius chegar naquele ponto. Nenhum feitiço funcionava na rede então eu transfigurara um punhal afiado da sala de relíquias mágicas e cortara o nó do meu pé. Eu senti a queda no meu calcanhar e pulso direito, mas estava livre e corri mais para dentro da floresta, para direção oposta das explosões que vinham do sul.


           Então ouvi um barulho diferente e me escondi atrás da árvore de guarda. Notei a parte inferior de um barranco, me aproximei e revirei os olhos ao notar que se tratava apenas de Sirius e Narcisa se agarrando como de costume.


image


           Claro que aquilo era por demasiado entediante para eles e minha irmã se aproveitara da oportunidade para escapar com meu primo. Nos últimos anos minha irmã conseguira o que tanto queria: a atenção especial de Sirius. Visto que ela ficara cada vez mais linda, irresistível mesmo para Sirius Black que publicamente a detestava.


image


          Eu sei… é praticamente impossível de compreender qualquer coisa de nossas mentes quando adolescentes. É uma soma de atitudes e sentimentos contraditórios que ao mesmo tempo dizem nada e decidem em muito nossas vidas. E eu que vivia a implosão das minhas emoções colecionava razões para me matar um dia. Razões eu tinha, ali estava uma, só faltava coragem, algo que provavelmente chegaria com a idade, eu pensava, como a menstruação.


           Claro que o primeiro pensamento era o de me locomover da cena do crime, mas algo na forma decidida em que ele a segurava, a beijava, me intrigava. Algo na forma em que minha segunda irmã mais velha se rendia a ele me paralisava também, e novamente eu a invejava de leve. Então eu a ouvira se pronunciar, tentando escapar dos beijos sufocantes do meu primo.


– Se você quiser… podemos não voltar, ficar aqui a tarde toda e ninguém vai notar. – Eu estranhara, demorei pra entender o que ela pretendia, e Sirius acho que também demorara, mas quando entendera parara na mesma hora.


– Você não está querendo….


– Se você quiser… eu não vou contar para ninguém. – Ela dissera decidida. Foi quando eu entendera finalmente, que ela estava querendo se entregar de vez para ele. Meu queixo caiu e minha respiração ficou cada vez mais tensa, temi pelo meu primo como se o próprio Voldemort o quisesse.


– Você está maluca! – Ele debochara rindo dando passos para trás, dando as costas deixando minha irmã arrasada.


– Maluca? – ela gaguejara… – Mas há meses… eu achei…


– Só estamos nos divertindo, Narcisa. Eu sempre te falei isso. Eu tenho o mesmo tipo de relacionamento com outras cinco garotas – Sirius a cortara.


          Vi a cara da minha irmã de longe ficar muito vermelha e senti pena ao ouvi a voz fria do meu primo.


– Eu não pretendo me casar com você. Não vou te desonrar. Veja isso como um voto do meu respeito por você, aliás. Você é minha prima, garota tola. – Ele concluíra dando um peteleco em sua testa loira rindo da cara dela.


         Foi quando eu notei que era o momento de eu sair de cena para minha própria segurança que eu caíra de novo, pisando em falso e rolando para dentro do barranco. Com certeza aquela não era a minha manhã, eu estava destinada a morrer nas mãos de alguém. Conforme eu voltava a reagir do tombo, tentando enxergar as coisas a minha volta e vi meu primo super preocupado.


– Andy! Tudo bem? Você está bem? – Logo ouvi a voz furiosa da minha irmã e seu olhar de fúria, não sei se mais por eu estar ali ou por eu não ter quebrado meu pescoço na queda.


– Idiota! O que está fazendo aqui? Devia quebrar o pescoço por ficar espionando os outros! – Ela gritava.


– Cala a boca, Narcisa! – Reclama Sirius me ajudando a levantar.


– Há quanto tempo você está aqui?!– Ela me interrogara transtornada.


– Não muito. – Eu respondi calma – Só tempo suficiente para constatar que você é uma oferecida.


          Pronto. Pra que? Eu tinha fisgadas suicidas, é claro. Só lembrava que minha irmã também possuía uma varinha e era mais forte que eu, quando ela a usava contra mim e dessa vez seu feitiço pegara em cheio no meu peito e doera muito.  


image


           Não fora forte suficiente para me apagar, mas me atirara pra trás e doera muito. Ao recuperar o movimento das pernas novamente, vi Sirius segurar Narcisa enquanto gritava com ela. Procurei por meu diamante ainda em meu bolso, ouvi ao longe alguém se aproximar. Pensando que só podia ser Lucius, me ocupei para me arrastar o mais rápido possível para longe dali. 


          Eu apertara o passo, como que fugindo de comensais numa verdadeira batalha. Sentimento típico de quando estou entre meus primos. Olhei para trás e bati de frente com Ephram que me segurara.


–Ah! Por um momento achei que fosse seu irmão. – Suspirei aliviada.


          Ephram podia realmente ser confundido com Lúcius, se não fosse pelo penteado diferente. Ele tinha um corte no rosto, mas parecia tranqüilo.


– Eu o segurei enquanto pude. Consegui recuperar o meu diamante e roubar o dele. – Ele me mostrara vitorioso.


          Aquilo realmente era impressionante. Escondemo-nos ao ouvirmos as vozes de Narcisa e Lucius. Revoltada, ela reclamava que Sirius roubara seu Diamante. Vi Ephram fazer sinal de silêncio do outro lado do tronco, ele murmurara pra mim:


– Só há um meio de sair da floresta: passando por eles.


– De forma alguma eu vou dar minha cabeça para eles. – eu murmurava de volta, mas ele não se importava.


– Quando eu contar três – Ele me informara, apontando a varinha para onde eles deviam estar. – Um…. dois…


        Na mesma hora um cachorro preto saltara por nossas cabeças. Era Sirius transformado. Eu e Ephram não tivemos escolha a não ser correr atrás dele visto que Narcisa e Lucius tentavam explodir nossas nucas.


– Vai! Por ali! – gritara Ephram e eu correra para onde ele apontara enquanto ele ficava para trás para atrasá-los. O que não adiantou visto que Lucius acabara por capturar Ephram e Narcisa a mim quase que simultaneamente.


         Narcisa se realizava ao me arrastar com os punhos amarrados para fora do bosque como Lucius fazia com Ephram, como se fôssemos seus escravos. Eu olhava Ephram derrotada, mas esse piscara pra mim como se estivesse tudo bem. Quando nos aproximamos do tio Orion, notei Sirius encostado no chafariz com um sorriso vitorioso.


– Como previsto, eu trago os prisioneiros e os diamantes. – Dissera Lucius fingindo desdém para Tio Orion. – Sirius trapaceou. Fugiu porque se transformou em cachorro.


– E você foi feito de idiota por um cachorro. – Retrucara tio Orion ao jogar o saco de veludo de volta para Malfoy. Ali não continha mais os diamantes, mas pedras de carvão. – Sirius me trouxe os cinco diamantes faz tempo!


– Que! Como… ?


– Tão tolo, Malfoy… – rira Sirius.


– Eu te disse que meu irmão caía facilmente em ilusionismo. – debochara Ephram.


– Mas não é justo…! – Reclamara Lucius sendo cortado pelo senhor Malfoy:


– Francamente, Lucius.


– Eles fizeram complô para fugir de mim!


–      Claro, você é uma máquina assassina. – debochara Sirius rindo com Ephram.


       Eu rira aliviada também. Eles conseguiram mesmo roubar meu diamante sem eu perceber, fazia tempo que eu não via a cara de derrota de Lucius e era divertido.


– O resultado não foi de todo ruim. Ao menos vocês conseguem trabalhar em equipe. – Dissera meu pai virando-se para mim, Ephram e Sírius. E eu fiquei orgulhosa de estar incluída no elogio. – Estão prontos para descerem até Archway Gate.


         Eu mal conseguira ouvi-lo terminar de falar conforme meus primos comemoravam. Senti um arrepio gelado descer pela minha espinha. Eu não gostava da idéia de ter uma missão no mundo dos trouxas, mas meus primos estiveram esperando aquele momento desde sempre.


– Vamos coletar prisioneiros para o Lord? – Perguntara Lucius ansioso, com um brilho pidão nos olhos, Tio Orion revirara os olhos.


– Claro que não. Onde meteríamos uma cambada de trouxas?  Irão coletar suas forças vitais para o novo projeto do Lord.


– E depois os aniquilamos? – Insistira Lucius.


– Não, Lucius! A ordem da Fênix estará em Archway…


– Legal! – Exclamara Sirius e os dois irmãos juntos.


– Isso significa que vocês não podem ser reconhecidos sob nenhuma circunstância. Ou estragarão tudo.


– Mas podemos lutar! – Insistiram Ephram e Sirius, ansiosos também por adrenalina. Sugar a energia vital era um simples feitiço em grupo, claro que queriam mais do que isso.


– HAHAHA – Rira meu pai – Primeira missão e acham que vão matar alguém. Crianças de hoje em dia.


         Fora quando uma brisa estranha passara por todos os galhos das árvores da propriedade até chegar onde estávamos trazendo consigo uma sensação antiga que eu demorei algum tempo para reconhecer, mas que deixou um silêncio perturbador no ambiente. O silêncio só fora quebrado por Monstro que se pronunciara depois de se aproximar às pressas.


– Ela… Ela… se aproxima da propriedade….


– De quem está falando Monstro? – Perguntara nossa mãe.


– A senhorita… – Ele gaguejava nervoso e eu completara para ele.


– Bella…. – Só podia ser.


          Vi Sirius abrir um sorriso de orelha a orelha, mas antes que pudesse se mexer fora puxado pelos ombros para trás e amarrado no chão por raízes enfeitiçadas.  Fora tão rápido que eu me assustara, mas se tratava de Lucius naturalmente, mesmo Ephram rira da cara do primo.


– Não pense nisso nem por um segundo sequer! – Ele rugira ao derrubar Sirius e passando por cima dele, seguindo os adultos.


– Eu tinha me esquecido que ela voltava esse ano. – ouvi distante a voz de Ephram, e Narcisa resmungar “grande coisa” e então eu também seguira as pressas pra frente da propriedade.


        Um a um, chegamos para frente do prédio. Lucius ajeitava os cabelos oleosos o que seria uma cena engraçada se não fosse o meu similar nervosismo. Bellatrix estava de volta depois de seis anos!


        Como no meu sonho, avistamos o cavalo branco se aproximar a galopes, sua capa verde brilhante dançava com o vento, mas ainda não podia ver seu rosto por baixo do capuz. Olhei para trás e notei Sirius encarando apreensivo por cima dos degraus da escada, como que ainda suspeitando que realmente fosse ela, sorrindo feliz apenas quando o cavalo estava metros da propriedade.  


– Lucius, anda, vai receber sua noiva. – Ordenara senhora Malfoy, sem precisar, pois Lucius estava ansioso por fazê-lo, para desgosto de Sirius.


– É Lucius, cuidado só para não levar um coice. – lembrara Ephram. Lucius respondera com um olhar raivoso.


      Fora um momento e tanto quando Bellatrix chegara e abaixara o capuz revelando-se uma bruxa ainda mais intrigante do que eu me lembrava. Seu olhar turquesa, agora territorial como uma ave rapina analisava tudo em volta, e nossos rostos, como se contando se estávamos todos ali. Uma linha escorregara por seus lábios quando notara Sirius.


image


– Bellatrix querida! Que viagem longa você fez! – se pronunciara Walburga primeiramente. Logo seguida de minha mãe e os outros chefes da família.


– Sra. Black – Cumprimentara minha irmã ainda de cima do cavalo na sua voz sombria e quase ameaçadora. – Sr. Black. Sr e sra. Malfoy. Mãe. Pai.


           Ela cumprimentara cordialmente um por um enquanto alisava a crina de seu cavalo branco que recupera o fôlego da viagem.  Olhei instantaneamente para nossa mãe, mas não havia nenhum olhar de culpa, porém tinha um leve ar de satisfação em revê-la.


– Bellatrix. Conseguiu ficar ainda mais linda. Achei que não fosse possível. – Dissera Tio Orion muito cortês.


– Minha filha favorita! – Cumprimentara nosso pai primeiro quando essa descera do cavalo, pela primeira vez emotivo de verdade, segurando-a num abraço firme.


         Um por um todos os adultos a receberam com um beijo no rosto, o que era uma cena horripilante mesmo para minha família, se fosse comigo nunca confiaria num abraço. Mesmo tio Arfaldo reapareceu depois de meses para ver o retorno de Bellatrix e recebê-la.


– Seja bem vinda de volta! – ele dissera.


– Tudo bem, todos para dentro. Bellatrix deve estar faminta. Monstro por que não está na cozinha? – Ordenava tia Walburga.


      Por último minha irmã cumprimentara-nos sarcasticamente:


– Promessas da família.


– Há, disse “o peão mais forte” – exclamara Sirius brandamente empurrando Lucius no caminho e passando por cima dele agarrando Bellatrix num abraço forte e demorado.


– Não é que você sobreviveu sem mim. – debochara Bellatrix.


– Eu não podia morrer antes de te derrotar, lembra? Fiz essa promessa.


– Promessa que nunca vai ser capaz de cumprir. – debochara ela de volta.


– Ah adquiriu um senso de humor… as pessoas realmente mudam. – Ele debochara ainda mais sarcástico antes de ser empurrado no chão por um loiro brutamontes.


– Seja bem vinda, Bellatrix. Como minha noiva, eu tratarei de dar um jeito para que Sirius não a perturbe constantemente. Certas pessoas não amadurecem.


– Verdade! – retrucara Sirius.


        Lucius fora tão galanteador que por muito pouco não caí na gargalhada com a cara de nojo de Sirius e Ephram. Bellatrix por sua vez continuava por encarar Lucius ameaçadoramente até que este engolira em seco.


– Eu sempre soube que eu viveria para te assassinar um dia, Lucius. – Sirius e Ephram engasgaram em risadas.


– Como assim?


– Eu te mataria num piscar de olhos antes de você repetir essa insanidade. – Ela ameaçara no mesmo tom de voz passando por ele. Lucius rira seco tentando disfarçar o nervosismo claro.


– Irmã. Quero saber tudo sobre Avalon. – Dissera Narcisa cordialmente beijando-a no rosto.


– Nada de seu interesse te asseguro. – respondera Bellatrix entediada e então sorrira para mim. – Caçula. – Ela dissera simplesmente e eu tomei impulso, corri para abraçá-la. Ainda ouvi Narcisa murmurar “Dramática”. – Nossa, você cresceu. Praticamente do meu tamanho.


           Eu não conseguia falar, quanto mais eu tentava mais corria o risco de trasbordar em lágrimas. Fora como eu nunca imaginara, ela alisava meus cabelos como uma verdadeira irmã mais velha, como os trouxas faziam.


– Está tudo bem… Eu vou entrar, tomar um banho para o banquete… tive uma longa viagem.


         Era ela mesma ou outra pessoa? Por um segundo eu não sabia se era real ou se eu sonhava. Tudo finalmente acontecia, ela finalmente voltara e tudo seguia como deveria ser? Eu não sabia se me sentia feliz por seu retorno, ou se me lamentava por ser a confirmação de minhas visões terríveis…


image


            No banquete eu não conseguira comer nada, só ouvia as ativas instruções do Tio Orion e nosso pai. Estavam todos muitos animados com o retorno de Bellatrix e com nossa primeira missão. Não havia espaço para ninguém sequer perceber minha agonia interna, mesmo que as maiores instruções estivessem sendo enviadas a mim, visto que eu era a chave daquela missão.


            O feitiço de colheita de energia vital dos trouxas era uma magia negra antiga que aparentemente só nossa família conhecia. Um dos resultados da obsessão perfeccionista Black. Aparentemente através da música éramos capazes de recolher toda a energia vital dos trouxas, até levá-los à morte se quiséssemos. Tudo através dessa magia vampiresca, macabra, porém tão sutil que mesmo os bruxos não eram capazes de identificar. Um dos segredos do livro das sombras da nossa família. A magia era capaz de deixar sob transe mesmo o mais poderoso dos bruxos, talvez mesmo o Lord das Trevas.


              Apesar de extremamente poderosa, não era uma magia muito divertida, não tinha a adrenalina pelo qual fomos criados. Era de uma forma fácil, uma caçada fácil demais. Mesmo assim, era um dos meus momentos de estranha paz, visto que eu era o tom mais alto, do qual sem, a magia não funcionaria.


            Poderia cantar o quisesse que não seria perturbada e seria seguida pela minha irmã e meus primos. Não importa o que fosse, desde que tivesse efeito, desde que suas mentes e corações estivessem conquistados e sua energia vital fosse sugada para dentro do frasco mágico. Essa era uma das razões pelos quais os Black e os Malfoy se referiam a si mesmos como seres especiais, seres vampirescos. De certa forma, o éramos.


        Era madrugada de sexta-feira. Estávamos os seis empilhados atrás do palco em um bar inglês na área norte de Londres, em Archway High Gates, território trouxa. Observar os trouxas festejarem num pub era como uma excursão de Hogwarts por entre a terra dos ogros. Os trouxas conseguiam ser tão… “curiosos” a ponto de nos deixar sem palavras por longos minutos. A forma como festejavam, se embebedavam… como conseguiam se concentrar inultimente por horas em frente de objetos imóveis e irracionais e fazer tanto escândalo em volta. 


     A platéia do pub fazia festa para um sujeito que cantava uma espécie de hino irlandês do interior, enquanto nos pendurávamos no batente atrás do palco abobados com aquela cena. Uma mulher alcoolizada especificamente começava a se despir enquanto o velho cantava. E eu não sabia quem estava mais bêbado, o público ou o cantor.


– Trouxas…. – dissera Lucius finalmente enojado sem conseguir parar de assistir a cena. – Realmente patéticos… O mundo inteiro em guerra e não conseguem nem por uma noite não se alcoolizar.


– Qual a diferença deles para um bando de primatas, sério? – perguntara Narcisa também enojada.


– Primatas não bebem. – respondera ele.


– Se não os enfeitiçarmos era capaz de fazermos fãs. – considerara Sirius de repente.


– Cala a boca. – Cortara Lucius impaciente. – Não parem de cantar até que o último imbecil esteja desmaiado… ouviu, Andrômeda?


– Sim. – eu respondi com um tom sarcástico.


– Estrague isso e eu arranco suas cordas vocais fora.


– Ótimo, daí não teria mais nenhuma utilidade…


– Ela não vai estragar nada. – Dissera Ephram em minha defesa, segurando Lucius que parecia decidido a me bater. – Andy adora cantar e sabe que essa missão é importante. Não é, Andy?


– Como se eu cagasse pra isso - eu retruquei querendo mesmo que Lucius perdesse a linha e me livrasse daquele ritual, mas fui salva pelo trouxa.


– Vocês já vão entrar. – Dissera um trouxa finalmente reparando no nosso visual incomum. – Uau, gostei do look aí. Faz tempo que não temos uma banda punk rock gótico por aqui. A galera vai vibrar.


– Punk o quê… – Perguntara Sirius confuso.


– Qual é o nome da banda de vocês? – pergunta o cara animado para Lucius que respondera em ameaça.


– Saia do caminho ou Morra!


– Ahh Legal. – respondera o cara correndo para o palco. – É isso aí galera agora vocês ficam com uma banda barra pesada, a banda “Saia do caminho ou Morra!” – a resposta do público fora barulhenta para nossa surpresa.


– Muito bom, Lucius. – Elogiara Sírius animado.


– Imbecil. – respondera Lucius ainda mais enojado com os trouxas antes de subimos ao palco.


         As luzes vistas do palco eram muito mais fortes. Por um segundo encarando as faces daqueles trouxas ignorantes, pareceu que éramos nós os alvos de ataque colocados sob uma posição vulnerável. Eu viajara por alguns segundos perdida em meus pensamentos.


– Comece quando quiser. – Pressionara Narcisa impaciente atrás de mim. Ela e Bellatrix se posicionavam cada uma de cada lado meu, criando um triângulo de energia.


       Os garotos estavam espalhados pelo palco com seus instrumentos. Lucius olhara uma última vez para cada um de nós antes de começar a guiar com as notas calmas da guitarra negra, sendo seguido por Ephram em seu violino e logo por Sirius que solava em sua gaita.


           Vi os olhares apreensivos daquelas pessoas começando seu estado de hipnose, surpresos com aquele som tão inesperado. Só nós, bruxos, que fazíamos em conjunto aquela melodia podíamos sentir a freqüência sonora mágica puxar para fora de seus corpos como um Dementador, sua energia vital.


           Mesmo assim as pessoas pareciam em profundo relaxamento, êxtase, era mesmo um encanto mortal. Eu poderia ser por completo consumida pela culpa, visto que era complô daquele atentado horrível contra pessoas que eu considerava inocentes, se eu não fosse também encantada pela melodia, por si só carregada por ela como que uma correnteza. Então ouvi o som da minha própria voz, insegura, porém firme. Ephram estava certo sobre eu não poder estragar tudo.


 


Let me out let me out


(Me deixe sair me deixe sair)


release my skin from this aching disguise


(liberte minha pele desse disfarce doloroso)


i’d like to be myself for a little while


(Eu gostaria de ser eu mesma por um tempo)


 


          Eu fechara os olhos, de certo estava em paz, como que entrando num sonho de forma consciente, e conforme eu cantava podia sentir na pele aquela energia toda, e minha mente viajar, como se nem eu estivesse em controle daquele feitiço. Era como se eu não estivesse mais presa aquele corpo, minha realidade tivesse sido quebrada e eu fosse também energia impossível de ser contida.


 


in this hole i’m all alone


(neste buraco estou sozinha)


i’m waiting for you to come and take me home


(Eu estou esperando por você para vir e me levar para casa)


into your loving arms i’ll


(em seus braços carinhosos eu vou)


 


         Lúcius, Ephram e Sírius estavam em sintonia perfeita. Tudo fluía de forma natural, éramos um coral perigoso como Tio Arfaldo sempre comentava. E o diria novamente se estivesse ali assistindo aquelas rostos se derretendo aos encantos de Lucius e de Sirius. Minhas irmãs me acompanhavam num ritmo de onda, tornando aquele feitiço três vezes mais poderoso ao cantarem comigo.


fly….


(voar ….)


i love you


(eu te amo )


i love you


(eu te amo )


 


              Pobres trouxas, se sequer alguém interviesse por eles…alertando-os para que não nos desse ouvidos. Mas estavam condenados ao nosso encanto. Em coro, nós três puxávamos com as próprias mãos aquela energia de seus corpos como que uma coreografia amaldiçoada. Tantas eram as lendas entre os trouxas… e mesmo assim não eram capazes de se proteger, sequer reconhecer um ataque de bruxas. E eram séculos que a mesma técnica nunca falhara.


let me out let me out


(deixe-me sair deixe-me sair)


see what i’m hiding inside


(veja o que eu estou escondendo por dentro)


my heart is yours, my heart is yours, my heart is yours


(meu coração é seu, meu coração é seu, meu coração é seu)


till the day i’ll


(até o dia em que eu)


die…..


(morrer…)


 


       Numa intenção terrível mantínhamos o contato visual. Prendíamos em nosso magnetismo que sabíamos, para aqueles trouxas, era irresistível. Que sorte eles tinham, por estarem servindo de cobaia para algumas crianças bruxas apenas, ou por certo perderiam suas vidas. Não daquela vez. O Lord não queria que nos revelássemos ainda, queria suas vítimas poupadas. Por hora. Ou queria ver nosso desenvolvimento… de uma forma ou de outra, aquele era só mais um ritual, uma etapa de nosso treinamento e nossa desintegração moral…


i love you


(eu te amo)


i love you


(eu te amo )


 


           Lucius e Sírius terminaram a magia. A guitarra e a gaita carregando em suas notas finais de uma forma quase gentil os últimos resquícios de energia roubada, simultaneamente sendo contida no frasco mágico, sendo lacrado por Lúcius.


– Pronto. O jantar do Lord está pronto.


 


         Nossa missão fora um sucesso. Nós cinco voltávamos em nossas vassouras comemorando nas nuvens, embriagados com o próprio poder. Livres aquela noite, como uma gangue de jovens comensais. Afinal, era aquilo o que finalmente éramos. E nosso ataque fora tão sutil que eu não conseguia parar de pensar naqueles pobres trouxas. Mas mesmo Lucius, como que realmente embriagado, estava feliz com nosso desenvolvimento e me elogiava.


– Você foi incrível Andrômeda! As três irmãs Black são a maior arma da nossa família HAHAHA! – Gargalhava Lucius por entre o vento da madrugada.


– Pela primeira vez eu tenho que concordar! – Gritara Sirius de volta. – Vocês estavam no comando! Até mesmo eu me senti sob a maldição impérius! Andrômeda!


– Você está sendo a estrela da noite. – Bellatrix dissera para mim ao surgir ao meu lado, sorrindo confidente e eu sentira meu rosto corar.


           Todos ainda fomos repreendidos quando chegamos à propriedade dos Black, pela bagunça que causamos no caminho, deixando um rastro de meteoro na nossa rua (pelo menos era o que os trouxas pensariam). Mas mesmo os nossos pais ficaram impressionados com o resultado da nossa missão, tamanha era a energia vital recolhida, muito além do esperado pelo Lord.  Ríamos do ocorrido até a hora de irmos dormir, esquecendo que estávamos com aquela energia toda, servindo de sustento para o maior monstro do mundo mágico. 


        Eu dormira rápido e em exaustão. Quando acordei, já estava sozinha no quarto. Lembrei com carinho do esconderijo do outro lado do portal, sabendo que Sirius e minha irmã não tinham fugido pra lá uma vez que o portal havia sido interditado. Quando desci para o salão de duelos, nenhuma surpresa vi da vidraça, os dois conversando debaixo da macieira. Narcisa voltara ao seu mal humor natural, visto que Sirius nunca mais a daria atenção.


          Bellatrix parecia parcialmente concentrada em um livro enquanto Sirius se debruçava em sua direção do seu jeito intrometido. Logo notei que Lucius também encarava aquela cena da vidraça da outra extremidade do salão.  Parecia que ele seria capaz de assassinar os dois se não fosse pelas posições sociais.


– Não fica assim, irmão. Você ainda pode casar com a Narcisa. – Debochara Ephram fazendo tio Arfaldo rir alto da cara rabugenta de Lucius e eu também ri.


– Pelo menos não sou eu que vou casar com o “bicho papão de saias” - disse me encarando.


– Ele está é com inveja. – murmura Ephram pra mim, me chamando com a espada de esgrima de volta para o duelo. Lucius continuava por assistir os dois através da vidraça.- Porque ele sabe que nunca fará o tipo da Bellatrix.


– Há! Veremos. – Dissera Lucius. – Espera até chegarmos a Hogwarts. Até o fim do ano letivo Bellatrix vai estar mais que convencida a casar comigo.


– Eu sinto pela sua inocência, meu irmão.


– Cala a boca! – Retrucara Lucius e eu rira.


        Coitado de Lucius, achando que podia influenciar minha irmã mais velha a gostar dele, visto que ele era impossível de se gostar. Eu tentava imaginar que planos ele poderia ter.


– Ah esses dois! – reclamara minha mãe de repente. – Andrômeda, vá,mande sua irmã entrar.


          Eu dera de ombros para Ephram e obedecera, correndo para o quintal da propriedade. Aproximei-me da macieira sorrateiramente. Sirius ria ao terminar de narrar uma de suas detenções com seus amigos da Grifinória.


– Você realmente caiu na Grifinória. Achei que era uma piada de mal gosto do Lucius. – Dissera minha irmã mais velha.


– Bella, você vai amar Hogwarts! Você vai amar Quadribol! Você vai amar James e Lílian!


– Quem?


– São meus amigos. James é louco e Lily é um gênio, como você.


– Como eu? Eu duvido… – retrucara Bellatrix levemente afetada.


– Seria perfeito se você também fosse para Grifinória… – Sirius pensara alto.


– Você acha que tem qualquer chance disso acontecer? Eu, desfilando de braços dados com Grifinórios? Eu provavelmente serei o pior pesadelo deles.


            Ela terminara a previsão com prazer no seu tom de voz e mesmo Sirius ficou sem saber o que dizer.  Ele ocultara sobre sua reputação entre os Grifinórios, talvez pela primeira vez preocupado com a opinião de alguém. Ou talvez fosse porque quisesse matar a saudade de minha irmã. Como antigamente, sem perceber eu espionava os dois por alguns minutos.


– E Avalon? Como foram todos esses anos lá? – Perguntara meu primo mudando de assunto. Seu tom era receoso, porém curioso. Bellatrix voltara-se para as próprias memórias e seu semblante era indecifrável.


– É uma escola de magia como outra qualquer. Só não temos distrações tolas como “Quadribol”…


– Sem Quadribol! Pobrezinha… o quê mais? – Exclamara Sirius perturbado.


– Nada de especial. Apenas muitas regras… e uma bela paisagem…


– É? Que tipo de regras?


– Regras de sobrevivência, Autonomia… – Sirius parecia notar como Bella ficara mais sombria conforme lembrava seu exílio, e tentara descontraí-la sem muito sucesso.


– Achei que as técnicas do meu pai fossem assim… – Debochara Sirius fazendo Bella derramar uma linha sarcástica em desafio.


– Tio Orio sofreria nos treinamentos em Avalon.


– Nao foi justo o que tia Druella fez… Te mandar para Avalon… – A voz de meu primo ficara pesada.


               Vi seu semblante desaparecer por baixo de seus fios negros conforme sua cabeça caía para frente. Vi minha irmã engolir seco, mas não demonstrara nenhuma outra reação além desta, continuava a encarar seu livro de poções indiferente.


– Todas as vezes que imagino aquele dia em que o Lord das Trevas nos visitou… o dia que encontramos aquela espada no gelo… Se eu pudesse chegar a minha tia primeiro…


– Você não poderia ter feito nada… – ela o cortara indiferente.


– Mas eu mantenho a minha palavra… – Pressionara Sirius, e pela primeira vez eu o via tão perturbado e sincero, encara Bellatrix de frente, forçando-a encará-lo de volta. – Não precisamos ser marionete do Lord das Trevas. Agora estamos juntos de novo, podemos fugir para o mundo dos trouxas e… – Seu olhar brilhara em provocação o que fizera Bellatrix dar um meio sorriso intrigada…


– E o quê?


– E você pode se casar comigo, para matar todos de desgosto de vez.


         Sirius reservara seu sorriso mais galanteador, e eu pude notar minha irmã corar discretamente, mas ela voltara sua atenção para seu livro, o que deixara meu primo tão acostumado com a conquista, incomodado, mas fora logo surpreendido pelo comentário de Bella.


– Você é rápido, Sirius Black. – fora então que notara seu olhar turquesa brilhar em desafio de volta, e seu sorriso tímido era ameaçador. ­ – Mas você nunca foi um oponente a altura…


– O que isso sequer devia significarEu te provo qualquer hora… – Respondera Sirius convencido, mas meu estômago se apertava ao observar aquela cena, pois não parecia um desafio para duelo de sempre, e sim um convite romântico.


           Pude ver minha irmã lutando contra seus próprios instintos e nervos, fingindo que os lábios do meu primo não a provocavam nem um pouco. Era como vê-la vulnerável pela primeira vez.


– Pena que eu conheça todos os seus truques… – Ela debochara engolindo em seco conforme ia perdendo para os encantos do primo que se aproximava ainda mais, tocando de leve seu queixo.


– Não todos… – Ele sussurrara e fora minha vez de engolir seco, verdade que ela não conhecia a fama de sedutor do meu primo. Ela rira secamente.


image


– Que Feitiço você poderia conhecer que tivesse qualquer poder de me atingir, primo?


– Duvido que tenha aprendido isso em Avalon…


– Tire suas patas de cima da minha noiva, Black!


          Lucius surgira atrás de Sirius, fazendo esse cair quase em cima de Bellatrix. Eu também levara um susto, meu coração estava acelerado e eu não entendia como ainda não tinham prestado atenção em mim.


– Do que foi que você me chamou? – Ameaçara Bellatrix ao levantar-se de frente para Lucius que engolia o orgulho, ajeitando o cabelo platinado com elegância, obviamente satisfeito por roubar a atenção de minha irmã.


– Você quer bancar a rebelde até a noite de núpcias, fique à vontade. A propósito, você fica ainda mais linda com raiva.


– Você é louco se acreditou por um algum segundo que eu e você fôssemos nos casar um dia, Lucius.


– O que você vai fazer, Bella? Pedir a Cyngus que cancele um Voto Perpétuo para que você possa casar com Sirius? – Lucius rira da própria piada com soberba.


– Meu pai pode se casar contigo, eu no máximo planejo sua dolorosa morte. – Retrucara Bellatrix com frieza em tom de ameaça que me surpreendeu de não fazer Lucius se mijar.


         Ele aproximara seu rosto de forma ameaçadora até minha irmã, pela primeira vez nada intimidado por ela.


–      Sua família vendeu você para a minha. Você será uma Malfoy, supere isso!


         Os olhos azuis turquesas de rapina de minha irmã brilharam em ódio, mas Lucius ignorara, voltando-se para Sirius com indiferença como se fosse muito melhor que ele, como de costume.


– Continue assediando Bella, e me dará a perfeita desculpa para te aniquilar.


– Acho que é seu dia de sorte então, porque eu estou disposto a te matar pela mão de Bella. – Sirius parecia alcoolizado, sorrindo com audácia transfigurando a própria varinha em uma espada fina de esgrima. – Façamos disso um duelo mais justo. – Ele dissera em pequena reverência.


        – O que foi que eu disse, Ephram? Sirius vai morrer antes de completar 17 anos. Aposta ganha.


        A esse ponto eu obviamente já saíra de onde estava e corria para o meio da confusão, ajudando minha irmã a protestar aquela insanidade. Mas nenhum dos dois prestava atenção na gente, pois ambos queriam aquele duelo até a morte, desde que nasceram.


            Lucius especialmente parecia embriagado de satisfação, como se estivesse prestes a realizar o grande sonho de sua vida. E eu temia por Sirius, pois este não pensava racionalmente. Lucius e Ephram eram campeões de esgrima, dentro e fora de Hogwarts, prolongando o legado dos Malfoy. Ephram brincara dizendo que Sirius morreria fazendo pouco caso disso. Eu nunca achara a menor graça apesar de ele ter razão.


– Não sejam ridículos! Eu espero que ambos morram e me deixam em paz! Como se atrevem a me disputar?


        Ephram também corria em nossa direção, mas já era tarde, Lucius e Sirius mantinham-se concentrados unicamente em seu duelo. As espadas estalavam abafando meu protesto. Ephram ainda me segurava para que eu não entrasse no meio, pois era capaz de eu ser cortada ao meio. Eu acompanhava os movimentos de seus pés numa ágil dança assassina, o que parecia ter sido coreografada, pois ambos conheciam bem os passos do outro. Eu não sabia o que Sirius tinha em mente, mas eu sabia que Lucius era sádico e adoraria aleijar Sirius por diversão, apenas para aparecer para Bellatrix. Eu ainda dera um grito quando Lucius derrubara a espada de Sirius com força, mas ele se esquivara rápido enquanto Lucius ria ainda mais satisfeito, acenando para a platéia.


– Chama isso de duelo justo? Você é patético sem magia. Até Andrômeda deve duelar melhor que você.


– Patético? – Debochara Sirius ao pegar a própria espada respirando com dificuldade. – Mas é você quem se prende a um Voto Perpétuo, pois sabe que ninguém nunca vai gostar de você naturalmente. – Ele concluíra sorrindo largamente, o que só servira para alfinetar Malfoy com ainda mais ódio, como só meu primo conseguia fazer.


image


          Lucius investira pra cima de Sirius com força, não cortando-o por muito pouco, pois o próprio era ainda muito ágil, que apesar da desvantagem, se divertia profundamente em irritar o Malfoy, era muito além de Bella. Ephram parecia apoiar Sirius, como que a um duelo normal, mas era óbvio que Lucius não estava dando o melhor de si, estava desconcertado, pois Sirius não parava de provocá-lo.


– Além de que não tem a menor possibilidade dela preferir você, eu sou quatrocentas vezes mais interessante.  


– Você não vai passar de um cachorro atropelado quando eu acabar contigo… – Mas para meu alívio o duelo fora interrompido antes que Lucius perdesse a cabeça de vez.


         Os dois foram jogados para trás por um flash laranja, jogando-os com força a alguns metros de distância. Pelo que dava para notar por suas feições, fora doloroso. Tio Orion se aproximara com sua túnica sinistra arrastando pelo chão de terra, sendo seguido pelo senhor Malfoy, que parecia um vampiro faminto e meu pai que olhava com total desaprovação para mim e Bellatrix.


– É para isso que eu mandei você voltar? – Indagava nosso pai para Bella. – Para criar rivalidade entre os dois?


– Não é culpa minha se são dois imbecis machos-alfas. – Ela respondera indiferente para nosso pai. – Eu não estou ligando. Deixa eles se matarem.


– Você é engraçada. – Constatara o sr. Malfoy cuspido sarcasmo como que prestes a degolar a garganta de minha irmã, sendo cortado por meu primo, que logo fora repreendido por tio Orion.


– Eu disse que ela adquiriu senso de humor.


– Talvez a Srta. Black precise ser lembrada de seu dever como mulher na dinastia Black, esteve muito tempo longe de casa…


            Era um dom dos Malfoy, fazer uma ameaçar soar como um convite para tomar um chá. Mas tal experiência me lembrara muito da visita do Lord Voldemort seis anos atrás. Já Bellatrix não se afetara, encarando o Sr. Malfoy de forma desafiadora…


– Verdade. Eu perdi meus valores familiares. A doutrina de Avalon é voltada para o assassinato. Não se preocupe que eu honrarei seu filho como diz a tradição de Avalon: com o mais terrível dos venenos.


Lá estava minha irmã mais velha, Bellatrix Black, como reza a lenda, finalmente ressurgindo de baixo da terra. Eu não pude deixar de sorrir com orgulho de ser sua irmã, de ver que seu exílio não alterara sua audácia. No entanto, eu ainda era covarde, e temia que a mandassem embora de novo ou pior, já que ninguém vivera para contar a história dos deserdados da família. Mas ela os desafiava sem problemas, e ainda ameaçava aniquilar o herdeiro Malfoy no processo…


        Por um momento achei que o Sr. Malfoy lançaria uma maldição da morte sobre ela, pois sua varinha já estava em mãos dançando em seus dedos conforme cogitava possibilidades.


– Pai, hoaihoiahoiha você só esta atrapalhando… – Para minha total confusão, Lucius começara a atuar de forma completamente improvável,  e era tão terrível naquilo que a única saída parecia ser imitar Ephram de forma descontraída, fazendo o próprio franzir o cenho confuso.


— Cala a boca, seu idiota! – cuspira o Sr. Malfoy para o filho mais velho. – Acha que o Lord quer seus novos soldados duelando até a morte?


– O quê? Eu e Sirius? Besteira, estávamos brincando…


        Era um momento histórico, que observamos Ephram, Bellatrix,Sirius e eu perplexos. Lucius, pela primeira vez na vida mentindo para o pai, para proteger os primos de uma punição, sem qualquer razão aparente.


– Eu estava justamente mostrando para Black que não deve nos atrapalhar.


– Sim, me atrapalhar de te decapitar…


– Sua noiva é um tanto quanto selvagem… – Analisava o Sr. Malfoy e já começava a me desesperar de novo me perguntando o que faria deles.


– Eu não gostaria se fosse de outra forma. – Respondera Lucius confiante, finalmente chamando a atenção do pai que parecia sentir a vaidade reforçada, finalmente satisfeito ao olhar para seu filho mais velho.


         Desta vez ninguém falara mais nada, mas mal acreditávamos na desenvoltura de Lucius que ainda fora cumprimentado pelo pai e os outros donos da família antes de se retirarem. Fora Ephram quem exclamara em protesto diante daquela cena surreal.


– O que diabos acabou de acontecer? O que foi que você usou?


– Eu só não quero que você volte para Avalon tão rápido. – Lucius respondera unicamente para Bellatrix que apenas estreitara as íris turquesa em raiva.


          Lucius piscara simplesmente de forma indiferente, guardando sua varinha no bolso e dando as costas e voltando para dentro da propriedade, abandonando mesmo um Sirius contrariado, sem uma última ameaça sequer. Aquilo também confundira tudo o que eu sabia sobre o Malfoy.


– Se ele continuar delirando, eu vou literalmente envenená-lo com uma víbora de Avalon. – Minha irmã mais velha finalmente cuspira em desprezo depois que Lucius saíra.


– Engraçado Bella, por um momento pareceu que meu irmão que tinha envenenado você.


– Cala a boca, Ephram.


 


          A noite seguinte no Lago Grimmald era uma noite especial na casa dos Black. Candelabros, depois de muito tempo, finalmente estavam sendo usados. Dava para ver o semblante mais radiante de minha mãe e minha tinha tia, que decoraram o salão de jantar com tanta elegância, que jamais havia visto antes.


           Meu pai, Sr. Cyngus Black e meu tio Orion Black embebedavam-se de vinho bruxo rindo de seus próprios planos, enquanto ouvíamos a melodia que Narcisa tocava no piano. Como uma visão romana dos jantares sociais, pareciam que davam a antiga Guerra dos Bruxos por vencida agora com toda a família reunida.


           A razão de tanta “alegria” era o retorno de Bellatrix, o selamento dos negócios entre Black e Malfoy, financiando o casamento de filhos e filhas, mas mais que isso: O Lord também estava feliz, parecia que tudo ia bem para ele e estava bem satisfeito com a coleta de energia vital…


         Tio Orion levantara-se da cadeira principal da mesa retangular, equilibrando-se com dificuldades nas pernas bambas, estendendo sua taça de bronze cheia. Mesmo meu pai, como que completamente possuído, parecendo mais um trouxa bêbado dos pubs de Londres, gargalhava ao segurar o cunhado para que não derrubasse a jarra de vinho.


– Eu sou um bruxo muito orgulhoso… eu esperei muitos anos para ver… – Mas meu tio mal conseguia terminar seu discurso, tanta era a quantidade de vinho em seu sangue. Tia Walburga parecia finalmente incomodada e lhe dera um sermão o que divertiu meus primos, e logo dava instruções para que tocasse corretamente.


           Os Black e os Malfoy eram naturalmente muito exigentes e nem Narcisa, que era praticamente a personificação da perfeição, mesmo no piano, não sofria menos críticas. De certa forma era engraçado ver seu momento de glória se desmanchar tão desastradamente em críticas tão injustas, mesmo que a melodia soasse tão perfeita. A cara roxa de orgulho ferido de Narcisa era bem melhor.


– Narcisa, mas o que é isso? Seu ritmo está completamente errado!  Você está destruindo a melodia e os meus ouvidos! Onde já se viu, uma Black tocar assim? Faz com que eu e sua mãe parecemos ridículas!


        No entanto, Narcisa engolia o orgulho e as lágrimas - se é que elas existiam - sem pausar ou errar uma nota qualquer do piano, tentando alcançar a perfeição almejada. Por um momento senti pena da minha irmã, que parecia sofrer em segredo desejando ser admirada, mas logo passou quando Ephram surgiu se apoiando na frente do piano querendo participar do Bullyng.


– Você toca The Sacrifice pior do que o tio Arfaldo bêbado. – zombara Ephram, fazendo meu primo gargalhar.


          Era mentira. Narcisa tocava angelicamente, apenas tornava a melodia favorita da família um pouco mais lenta e romântica do que de origem. Ou era extremamente tentador zoar com a cara da minha irmã. No entanto, Narcisa respondera o mais novo dos Malfoy sem se atrapalhar com as notas:


– Se alguém aqui tocasse melhor que eu, Ephram, estaria tocando no meu lugar.


– E você acaba de assinar sua humilhação familiar. Ciça bobinha. – Debochara Ephram com um sorriso perigoso.


– Ephram querido, por que não mostra para Narcisa a forma correta de tocar The Sacrifice? – Dissera a sra Malfoy quase que em coro, para satisfação do próprio e derrota de minha irmã que interrompeu a melodia com uma quebrada terrível.


           Narcisa levantara-se do piano com seu nariz empinado, jogando as madeixas claras para trás enquanto passava por Ephram. Cruzara os braços resmungando “Como se Ephram soubesse fazer qualquer coisa direito”, mas seu queixo caíra quando o mais novo dos Malfoy dominara a melodia de forma veloz sem nem ao menos virar ou sequer olhar as partituras. Enquanto avançava nas notas como que um vampiro tocando órgão para uma cerimônia, minha mãe e minha tia desmanchavam-se em elogios.


– Absolutamente apaixonante o jovem Malfoy! – Exclamara minha mãe, fazendo minha prima Narcisa abrir a boca perplexa. - Narcisa precisa aprender mais com seu primo.


– Tudo bem Narcisa, tocar piano não é para todos mesmo. – debochara Sirius fazendo minha irmã crispar ainda mais as íris claras em fúria. – Mas com certeza possui outras habilidades… – eu vira meu primo rir e olhar Bellatrix, que permanecia quieta na mesa apenas observando, porém perdida em pensamentos.


           Talvez eu fora a única a notar a veia no pescoço de Nascisa pulsando enquanto espremia o próprio punho, provavelmente com ciúmes de Sirius que juntava cadeiras com Bellatrix.


          Aparentemente tudo voltara ao normal, como se Bellatrix nunca tivesse partido. Mesmo tio Arfaldo parecia novamente fazer parte daquela família depois de anos em exílio - no seu quarto com seu conhaque - e divertir-se fazendo meu primo rir com algumas imitações e comentários direcionados ao meu pai e tio Orion, que estavam bêbados demais para se importar.


– Olha só o pai de vocês… – Murmurara tio Orion pra gente. – Última vez que o vi bêbado assim foi quando Narcisa nasceu. Dezesseis anos sem beber mais de duas garrafas de vinho e olha a felicidade do sujeito.


– E você quer falar do estado deles? – Alfinetara Malfoy.


– Seu pai não notaria se roubassem-lhe a varinha e as botas. – Rira tio Alfaldo para Sírius e logo se virando para Lucius. – E Malfoy não notaria se fosse dormir com uma trouxa. Ele nunca esteve bêbado assim. – terminara o tio comemorando virando mais uma taça de vinho tão bêbado quanto os outros.


– Como se atreve a falar isso do meu pai? – Brigara Lucius levanto da cadeira, fazendo Ephram e Sirius rirem juntos de Tio Arfaldo.


– Ah crianças, eu vou sentir saudades! – Dissera Tio Arfaldo emotivo, entornando uma taça de vinho enquanto abraçava a mim e Sirius. Lucius revirara os olhos, enojado e voltara para seu lugar.


– Estaremos de volta rápido, Tio, no Natal.


– Infelizmente… – murmura Sirius para Bellatrix.


– Ah eu amava Hogwarts! Se eu pudesse voltar… Voltar a jogar Quadribol….


– Você jogando Quadribol? – Lucius cuspira em desprezo pela primeira vez interessado. – Eu pagaria para ver isso…


– Ah eu era bom… – Relembrava tio Arfaldo com nostalgia. Sirius erguera as sobrancelhas para mim e Bellatrix enquanto ríamos baixo da cara dele totalmente burracho.


     Era uma noite única, em que quase compartilhávamos da mesma alegria do que nossos pais. Mas o que nos animava era que no dia seguinte iriamos para Hogwarts, o que nos deixava por demais ansiosos a ponto de querermos dormir cedo para que o tão esperado dia chegasse logo.


      Mas Sirius e Bellatrix não dormiriam. Eu acordara com o barulho do origami  enfeitiçado de Sirius ciscando a janela. Bella parecia acordada olhando noite afora, como uma sonâmbula e abrira uma fresta da janela para receber o origami. A luz da lua refletia contra sua camisola branca e iluminava parte do quarto e seu rosto, e eu pude ver um fino sorriso espalhar-se por seu semblante, o que me intrigara.


      Em poucos segundos minha irmã mais velha vestira-se com um vestido de inverno e sua capa verde esmeralda e correra para fora do quarto sem fazer barulho, e eu correra para conferir o bilhete de Sirius jogado atrás da cama.


Encontre-me atrás do Portal


            Sirius só podia estar brincando, eu não entendia a que portal ele se referia, pois aquele velho portal fora lacrado pelo próprio tio Orion. Os dois só podiam ser loucos, mas eu não tinha muitos argumentos para questionar aquela maluquice nem sozinha, então para não falhar o costume, eu fora atrás de minha irmã.


         Certo que eu demorara a sair, e não fazia menor ideia de para onde ela tinha ido, além de me autocriticar, lembrando-me que fora por minha causa que eles haviam sido descobertos da última vez. Mas eu era intrometida, curiosa demais, e minha desculpa de ser excluída já havia se cristalizado com os anos. Eu seguia em direção à dispensa da cozinha, antiga passagem do portal, já ensaiando meu discurso de cara-de-pau de que poderiam confiar em mim, e meu estômago se esquentava de uma antiga esperança, tempos esquecida, de que poderia conquistá-los a confiança.


       De frente para a parede de pedra da cozinha, eu olhara em volta uma última vez, a procura de Pirraça do qual eu não teria pena de petrificar caso estivesse espiando, mas tudo parecia sombrio, como se a casa tivesse sido abandonada há tempos. Eu respirara fundo, procurando superar meus medos e passando uma borracha em minhas últimas lembranças naquele lugar com o Lord das Trevas, pois se Bella não desperdiçaria aquela última oportunidade de brincar, eu também não o faria…


“Quimera”


         As  três retas reapareceram em sequência a minha frente, formando a velha porta invisível e eu a atravessara. Minhas botas bateram com força do outro lado do portal e não fora uma queda horrível, como eu me lembrava. No entanto, a paisagem parecia a mesma. Campos abertos e iluminados pelos primeiros raios púrpuras do Sol, e os pássaros cantavam alto e dançavam com a brisa gelada. Eu sorrira em satisfação, ao constatar que tio Orion falhara ao interditar aquela realidade a parte. Não sabia como ele fizera, mas sabia que isso tinha as mãos de Sirius.


         Pude ver a capa esmeralda de minha irmã correr para dentro do bosque abaixo da colina, e corri atrás para não perdê-la de vista. Era um verdadeiro Dejá-vu, que agora eu pensava se tratar apenas de um sonho muito agradável, do qual eu não deixaria de aproveitar.


            Eu me jogara atrás de uma árvore, mantendo a distância estratégica de dez metros do ponto de visão de minha irmã. Bella agora andava em círculos com a calma e a elegância que ela parecera adquirir em Avalon, arrastando sua capa verde pelas folhas secas, com apenas uma intenção secreta, pois não aparentava ser aquela menina que corria atrás do meu primo com um desejo sádico nos olhos, pelo contrário.


             Foi quando eu a notara de verdade pela primeira vez, suas feições delicadas, seus olhos tranquilos, porém concentrados. De longe, se você esquecesse quem ela era, refletia a graciosidade de uma princesa e nem mesmo Narcisa, conseguia tal coisa. Não me surpreendia o fato de Sirius gostar dela.


image


– Pare de se esconder Sirius Black. – Ela ordenara com ligeiro tom divertido.


– Eu sabia que você viria. – Meu primo respondera, revelando-se do lado contrário para qual Bella olhava.


        Eu contornei a árvore para que ele não me visse, e pude ver que ele sorria ao encará-la simplesmente. Ele respirara pesadamente e caminhara até minha irmã, como se seguisse passos mentalmente.


– Eu achei que esse lugar estava perdido para sempre. O que você fez?


          Bella perguntara tentando quebrar o silêncio, mas Sirius apenas respondera uma vez que estava bem perto dela. Sirius era bem alto, e novamente minha irmã parecia levemente afetada com sua proximidade. Engolira em seco e pude ver meu primo sorrir, como que uma fera ciente dos próprios poderes.


– Meu pai pensa que lacrou esse portal. – Ele rira vitorioso, voltando então ao seu tom sério. – Mas é nosso lugar. Eu estava esperando você voltar…


– Para quê? Se mudar para cabana velha?


– Para te dizer uma coisa. – Sirius nunca parecera tão sério.


          As íris turquesa estavam decididas e Bella erguera uma sobrancelha em desafio. Meu estômago formigava de ansiedade. Eu estava realmente prestes a presenciar o que achava? E será que Bella teria sequer ideia das intenções de Sirius? Pois Bella encarava tudo como desafio, e eu sabia que ela passara os últimos anos numa ilha com apenas bruxas, e sua única experiência com o sexo oposto se resumia aos encontros que tínhamos com Sirius e os irmãos Malfoy.


– Quanto mistério… – alfinetara Bella tentando disfarçar seu próprio receio.


– Você confia em mim? – Ele perguntara e era por demais suspeito, e Bella também parecia achar. Meu primo estava escolhendo muito bem suas palavras. Ela olhara de lado, dando um passo para trás, finalmente analisando a situação. –Confia?


– Você é o único em quem confio. – Ela respondera com seriedade após alguns segundos. A resposta parecia satisfazê-lo, pois a linha em seus lábios novamente se esticara em um meio sorriso.


– Então fecha os olhos. – Ele dissera fazendo minha irmã rir sarcástica, mas ele insistira. – Anda, fecha!


        Ela então fechara os olhos, contrariada, e eu me surpreendera com sua ingenuidade, provavelmente achando que Sirius faria um truque mágico.


              Eu vira como em câmera lenta, meu primo subir seus dedos até o rosto de Bella, puxando os fios negros para trás de seu rosto, ajeitando-os atrás de sua orelha. Eu estava hipnotizada por aquele ritual em que o jovem Black analisava cada linha de expressão de minha irmã, conforme tocava seu rosto, sua respiração ficava mais tensa, como uma verdadeira ameaça a vida. Eu me perguntava se ele realmente se atreveria a continuar, sabendo como minha irmã provavelmente reagiria, se ele realmente gostava tanto assim dela, a ponto de arriscar a própria vida por um impulso estúpido.


– Confie em mim. – Ele murmurara uma última vez, o que soara como uma súplica, meio segundo antes de colar seus lábios nos de Bella que parecera se surpreender com o toque apesar de não fazer força para sair dos braços de Sirius, que a segurava com firmeza contra seu corpo com total habilidade, puxando-a pela cintura e segurando-lhe o rosto, beijando-a com cada vez mais vontade como se aguardasse aquele momento por muito tempo, mal a dando chances de respirar.


        Com certeza aquele fora o primeiro beijo de minha irmã, o que não me admira mesmo ela estar tão indefesa ao ato. Especialmente ao ser beijada por Sirius Black. Eu que fantasiara aquilo tantas vezes compreendia perfeitamente sua embriaguez. Mas eu não me sentira mal, no fundo eu sempre soubera que eles ficariam juntos um dia. Era uma cena linda, apesar de tudo e do terrível pressentimento que eu tinha.


           Eu quase me perdera em meu próprio devaneio ao admirar aquela cena romântica, que mais parecia um conto de fadas dentro do conto de terror que era nossas vidas. Vi Bella finalmente lutar para recuperar a consciência conforme Sirius atribuía pequenos beijos em seus lábios acariciando seu queixo, e aproveitando de um momento único para empurrá-lo para longe de si.


       Sirius parecera que só voltara para realidade por causa da distância e ao olhar confuso para Bella como uma criança encontrara as safiras mais temidas da família mirá-lo como uma fera ameaçada.


– Calma, Bella. – Ele dissera simplesmente estendendo uma mão em direção a varinha estendida de minha irmã, que era o verdadeiro perigo.


– Por que… por que fez isso? –Ela rugia transtornada, apontando a própria varinha com mais firmeza em direção ao seu peito, beirando entre a ira e o desespero revelando então sua verdadeira fraqueza. ­– Eu não sou… uma de suas conquistas Black! Logo você se atreve a me atacar?!


– Não quero te atacar… Eu te amo Bella.


– Que… – Bella gaguejava,  tremia diante daquelas palavras, o que me pareceu meio cômico visto que ela sempre fora tão assustadora. 


– Eu te amo, e só você. Eu soube no momento em que Druella te  mandou para Avalon. Escolha a Grifinória e estaremos o tempo todo juntos em Hogwarts. E quando houver um ataque, eu quero que fuja comigo. Eu mato Lucius se ele se puser entre nós. – Sirius declarava-se ainda mais confiante, com um sorriso delirante como se esquecendo do perigo.


– Você é arrogante e mimado como Malfoy! Eu desprezo vocês da mesma forma agora!- Na verdade, estava claro que ela estava apenas super-reagindo por se sentir totalmente ameaçada, e mesmo Sirius parecera achar isso engraçado.


– Não. Eu não quero me casar com você pelo o que você tem ou por poder. Eu só quero amar você. Eu sempre colocarei você em primeiro lugar…


– Amor… – Bella rira-se irada.


– Sim. Amor. Conhece? – Sirius retrucara desafiador dando um passo à frente.


– Nunca ouvi falar. – Ela confessara com desdém, em seguida retornando a seu ar ameaçador – O som da palavra já me ofende.


– É só um sentimento, Bella… como desejo, ciúme…  – Sirius dizia como que consolando uma criança assustada conforme avançava.


– É uma fraqueza! E eu mato quem tentar me enfraquecer ou manipular! Case-se com Narcisa e me deixe em paz! E leve seus sentimentos com você!


       O encontro romântico fora um desastre, eu constatava. Bella cuspira suas últimas palavras como um último aviso e apressara-se para sair de perto de Sirius, que não desistira fácil, tentando impedi-la ficando em seu caminho. Ela então desviara e ele segurara-a pelo pulso. Fora quando algo incrível acontecera. Bellatrix desmaterializara-se completamente por trás de uma fumaça púrpura, fazendo Sirius desiquilibrar-se. Transfigurara-se em um corvo que batera asas três vezes e já estava mais de vinte metros no céu, deixando um Sirius totalmente abobado no chão.


       Surpresa, eu também observara o pássaro negro, minha irmã voar para o topo da colina, até desaparecer atrás do portal.


 


       Por sorte do destino, ninguém notara nossa ausência no Lago Grimmauld pela manhã. Talvez porque tivessem de se preparar para nos levar à estação, talvez porque ainda estivessem sob o efeito das garrafas de vinhos que tio Orion fez questão de abrir.


        Estávamos todos reunidos na sala de estar da arvore geológica da família Black decorando todas as paredes, mostrando nossas posições naquela linhagem, da qual Sirius encarava com ódio, como que ao próprio carrasco. Certo que a reação de minha irmã conseguira destruir seu humor pré-Hogwarts. Minha mãe e Tia Walburga decidiam-se quanto a que ângulo da sala era o melhor para que Monstro tirasse a maldita foto da última geração da família. A Sra. Malfoy ajeitava as roupas dos dois filhos e seus cabelos platinados, sob seus olhares revoltados enquanto os chefes das famílias brindavam uma última garrafa de vinho.


– Tem certeza  que vai tirar a foto vestida assim? – Ephram aparecera ao meu lado de repente e parecia o único a achar a situação engraçada. – Nossa foto vai ficar pendurada pela eternidade, sabe?


– E isso te anima?


– Claro. Acho que todos devemos nos vestir a caráter, todos com rostos infelizes. Mas eu não queria, que quando fossem pesquisar por minha esposa, encontrassem uma garota tão sem graça.


– Você está tentando me elogiar? – eu perguntara confusa.


– Sério, olha só para Narcisa, parece até que vai a um desfile bruxo. As próximas gerações vão achar que ela era interessante, e a gente sem importância. Mas quem precisa saber que já tivemos uma bruxa-camaleão na família?


           Eu não conseguira não rir da preocupação tola e implicância do jovem Malfoy e resolvi zoar com a cara dele. Afinal Ephram aparentemente sempre tinha razão. Eu me concentrei com os olhos fechados com força por um minuto, despertando com a exclamação de surpresa dele.  Então me virei pra ele com um sorrisinho sapeca, balançando minhas madeixas agora ruivas e meu novo vestido azul marinho.


– Legal. Essa cor caiu bem em você…


– Imaginei que fosse do seu gosto…


– E onde está Bellatrix? – Indagara nossa mãe. – Quem é você? Ha Andrômeda! Vá buscar sua irmã…


– Deixa que eu a busco. – Dissera Lucius prontamente correndo escadas acima. Sirius ainda olhara suas costas com raiva estalando seu maxilar. Pouco tempo depois, Bellatrix descera as escadas até a sala de estar, com um traje todo negro de viagem e seus longos cabelos negros também caindo sobre os olhos, como se quisesse desaparecer atrás de uma sombra.


– Por que está vestida assim? É assim que quer aparecer ao lado de seu futuro marido?


– Já estou vestida para o funeral. – respondera a própria deixando minha mãe vermelha de nervoso ao notar o Sr. e a Sra. Malfoy crisparem os lábios.


         Ela se jogara de qualquer jeito na poltrona de veludo vermelho da qual tia Walburga indicara, logo indicando um contrariado Sirius Black a se sentar junto de Narcisa, mas ele sentara-se ao chão. Eu e Ephram nos sentamos no meio rindo do Tio Arfaldo que enxugava uma lágrima emocionado.


– Onde está Lucius? Bellatrix, por que ele não desceu contigo? – Perguntara nossa mãe.


– Ele disse para esperar ele, que precisava ir ao banheiro… para o número dois – Ela dissera simplesmente, tanto eu quanto Ephram rimos, mas Narcisa torcia o nariz e Sirius ainda mantinha-se de pescoço virado.


– Está de brincadeira, menina?!


– Não mãe, quem dera. Ele disse que é parte da ressaca.


             A verdade, eu soube mais tarde é que Bellatrix tinha petrificado e trancado Lucius no depósito de vassouras do Monstro, mas isso só fora descoberto após os adultos desistirem de esperá-lo para a foto por causa do atraso. Então como único brinde para nossas memórias, era que Lucius ficara de fora de nosso quadro eterno. Ephram ainda agradecera a Bella em um sussurro, antes de Monstro bater a foto e o flash nos cegar momentaneamente.


“Obrigado”


“O prazer é meu”


image


        Lucius só fora encontrado por Monstro depois que aparatamos para a Estação e chegou depois da gente, não deixando de mirar Bellatrix com ódio ao passar por ela. Ele parecia finamente aceitar o desprezo dela. Os adultos se despediam e Narcisa fazia um curto discurso em agradecimento. Eu me virei para minha irmã tentando resgatá-la de seus pensamentos.


– Já decidiu para que casa vai querer ir?


– Só existe um lugar para mim em Hogwarts. – Ela dissera quase que em tom conformado, mas ela olhava de canto para Sirius com orgulho.


         O próprio parecera sentir o olhar em sua nunca e virara-se a encarando de volta, com um olhar desafiador. Mas a mensagem era silenciosa, e eu não entendia. Talvez ele já dissera tudo o que pretendia, mas não aparentava um olhar derrotado o que pareceu deixar minha irmã meio inquieta, voltando-se para as próprias malas discretamente.


image


             Bellatrix tinha razão sobre uma coisa, ela se encaixara perfeitamente na Sonserina, sendo admirada por alunos e professores, o que fizera Narcisa morrer de inveja no início, mas logo ela se esforçara para seguí-la onde fosse. E imediatamente não simpatizara com os Grifinórios, tampouco Lufa-Lufa ou Corvinal. Era temida no Clube de Duelos, derrotando Lucius e Ephram diversas vezes, mas esses nunca desistiam de desafiá-la. O mesmo acontecia com os campeões das outras casas, como  Sirius e James, campeões da Grifinória. Bella fazia questão de tornar tais duelos verdadeiros shows de humilhação, que Sirius levava para o lado pessoal, mas parecera adquirir um sádico gosto. Talvez ainda tentando conquistar minha irmã, ou apenas derrotá-la…


image


          A cada vitória, Bella entendia mais sua superioridade perante os outros alunos, e dominara todas as matérias da escola, podendo até mesmo dar aula de Poções ou Defesa contra as Artes das Trevas.  Não demorou para que conseguisse dominar toda a Sonserina, e o castelo, se não fossem pelos Monitores Chefes da Grifinória, Lílian Evans e Remos Lupin, que completavam a rixa com a casa vermelha e dourada.


          Lilian Evans acabara se tornando rival de minha irmã mais velha, justamente por seu status entre os professores, além de que Evans era admirada também pelas meninas da escola, vista como exemplo. Mas o que realmente irritava minha irmã era que ela era amiga de Sirius. Os Marotos de alguma forma sempre estavam perto dela, e mesmo o grupo de amigos do meu primo possuindo uma fama de encrenqueiros, ela parecia ter simpatia por eles. Lupin era monitor com ela, e Potter vivia atrás de sua atenção…


image


           Era uma estranha tensão entre meu primo e minha irmã. Ela frequentemente o espionava, mas não se permitia ser vista. E eu via Sirius por vezes tentando se aproximar para tentar um contato, mas sempre era espantado por um grupo de Sonserinos, que Lucius colocara de plantão em volta da gente.


           A rivalidade entre Lucius e Sirius se estendia para os jogos de Quadribol, obviamente, a ponto de os jogos da Sonserina x Grifinória serem os mais esperados por serem verdadeiro duelo nos ares, e uma partida sem menor cerimônia. Sirius e Lucius rasgavam os céus, atirando balaços precisos, como se ninguém mais fizesse parte do time, e eu constantemente rezava a Merlin pela cabeça de Sirius. James, Ephram e os outros jogadores das duas casas, observavam tal duelo por vezes entediados. Mas para total decepção de Sirius e Lucius, Bella nunca fora assistir a nenhum jogo, e publicamente alegava achar aquele um esporte ridículo. 


            O mais velho dos Malfoy também se aproveitara das circunstâncias para se aproximar de Bella, desta vez convidando-a a fazer parte de seu pequeno clube de artes das Trevas, o Clã das Serpentes. Inesperadamente minha irmã mais velha aceitara, mas na condição que eu também entrasse para o clube, o que Lucius permitiu contrariado. Ele faria qualquer coisa por ela, eu percebia. E quando eu questionara minha irmã sobre aquilo, ela me dera a simples resposta.


– Eu não quero aturar Narcisa e os Malfoy sozinha. E você não tem amigos, então não reclame…


        Eu realmente não tinha nada que contradissesse aquele argumento tão verdadeiro. Eu não conseguira realmente fazer amigos em todos os meus anos em Hogwarts. Minhas amizades se resumiam em Ephram, e Sirius quando ele se lembrava de minha existência. Incrível como mesmo Bella e Narcisa conseguiam socializar melhor que eu. Mesmo que para Bella se resumisse em espalhar o terror geral. E eu nunca conseguiria manter amizade com ninguém pós- trabalho feito em dupla ou algo do tipo. De qualquer forma, eu estava feliz de ser requisitada por Bella, de repente todos me notavam, e me olhavam com receio, como se indagassem se eu seria tão poderosa quanto minha irmã mais velha… devo admitir, não era tão ruim.


          A cerimônia de aceitação do Clã das Serpente fora um tanto quanto exagerada. Lucius reunira os pouco integrantes, que mais pareciam sua gangue de Comensais da Morte, no último salão das Marmorras em uma madrugada. Tochas de fogo verde iluminavam o ambiente sombrio e gótico. Aquele quarto também era conhecido como o velho quarto de Salazar Slytherin, pois era o quarto mais decorado com serpentes e esmeraldas que simbolizavam seus olhos. Era um quarto meio sombrio demais, até mesmo para um Sonserino, mas  Lucius adorava-o. Ele se considerava o próprio herdeiro de Salazar Slytherin, como que príncipe da Sonserina por ordem natural, o que era insanidade. Bella constantemente o ridicularizava por isso, mas Ephram gostava de por pilha na imaginação fértil do irmão.


 Ora Bella, deixe-o sonhar… – Dizia Ephram com um sorriso. Então o próprio reaparecia atrás dele dizendo confiante.


– Quando o Lord voltar, você ouvirá da boca dele, quem é o herdeiro de Slytherin.


        Lucius logo saltara para o centro do salão com um sorriso anfitrião, que dava até medo e começara seu discurso.


– Saudações, companheiros! Hoje receberemos em nosso clã, duas bruxas sangue-puro da Disnastia dos Black diretos! Minhas primas Bellatrix e Andrômeda Black!


      Os outros integrantes, inclusive Ephram nos aplaudiram por um período breve, mas eu ainda pude ouvir Narcisa resmungar “Oportunidade única da Andrômeda de socializar” e rira sozinha.


– Mas vocês estão cientes, que é preciso mostrar seu potencial e comprometimento. – Lucius continuara misterioso…


– Vai me desafiar novamente…? – debochara Bellatrix.


– Mas não para um duelo de esgrima! O desafio de vocês é contra os Grifinórios. – Lucius concluíra fazendo os demais sonserinos rirem e apoiarem. – Grifinórios são estúpidos e inconvenientes! São perturbadores da paz alheia! Vândalos, presunçosos… E aquela irritante mania de criar caso e chamar atenção!


          Conforme os Sonserinos comemoravam e aplaudiam cada palavra dita eu começava a me arrepender de estar ali, quando vira Ephram revirar os olhos em descaso, como se ele também estive naquele grupo contrariado, porém nada dissera.


– Como se viéssemos para esse castelo para assistir um show de circo e não para estudar magia!  E ainda temos de obedecer as suas estúpidas regras?


– O que você quer? Que eu vença a Taça das Casas para você…


– Pode deixar isso comigo. Eu quero é que vocês derrubem a Evans e o Lupin do cargo da Monitoria-Chefe.  – novamente os sonserinos do clã comemoravam e apoiaram-no.


– E como é que faremos isso?? – Fora minha vez de questionar aquele absurdo, mas só conseguira fazer Lucius me olhar com mais desprezo.


– Isso é seu problema, Black! Mostre-se merecedora de estar aqui!


          Eu me virei então para minha irmã mais velha procurando suporte, pois afinal era por causa dela que eu estava ali, mas a própria apenas dera de ombros, e eu sabia que ela estava gostando daquele desafio. Só faltara agradecer ao Malfoy pela desculpa perfeita para armar contra Evans e o amigo de Sirius, pois Bella sabia que o atingiria também.


           Passamos a semana seguinte toda observando Evans e os Marotos, não que sua rotina fosse interessante, mas sabíamos que os Marotos tinham um segredo, pois constantemente eram vistos tramando e correndo às gargalhadas. No entanto, todo mês havia uma trégua, em que Remos Lupin, o mais quieto dos quatro Grifinórios, ficava doente na Ala Hospitalar. Sirius e os outros ficavam revisando nas visitas por uns quatro dias ou mais até Lupin voltar às aulas, totalmente abatido.


– É como se ele sofresse de uma TPM pesada… Todo mês… – Eu indagava para mim mesma em voz alta, enquanto observava o quarteto com minha irmã…


– A Lua Cheia se aproxima… – Ela dissera pensativa, observando Sirius dar uns tapinhas de consolo nas costas de Remos que parecia preocupado.


– Sendo que ele não menstrua… então não pode ser isso. – Eu completara, tentando entender o comentário dela. Fora então que algo estalara em minha cabeça… Era como se ela desvendasse o grande mistério com apenas uma constatação.  Como eu não havia pensando nisso antes ? – Lua Cheia… você acha que Lupin é um…


           Eu não conseguira terminar aquela frase, pois ainda estava atônita com aquela possibilidade, em vez disso eu apenas olhara em volta, fechando ainda mais o círculo com minha irmã.


image


– Eu nunca conheci um pessoalmente. Mas o que mais poderia ser? – Ela dissera com um ligeiro sorriso vitorioso.


– O que você esta pensando em fazer, Bella? Expor Remos para Hogwarts? Isso provavelmente destruiria sua vida…


– Preocupada com o Maroto… – Ela me alfinetara com um tom divertido, e eu não pude deixar de corar.


– Não é nada disso, mas ele é um cara legal. Não é implicante como Potter e Sirius…


– Tsc, ele deve ser tão “legal” como os dois ou não andaria com eles. Afinal, os Grifinórios são todos ridículos. Mas não precisamos expor para Hogwarts… para uma pessoa só já basta. – ela concluíra com um brilho sinistro nos olhos.


        De fato, o plano de Bellatrix era muito mais terrível. E antes de começar esse relato, gostaria de deixar bem claro que eu não me orgulho nem um pouco de ter feito parte disso. Como uma insignificante carpa, eu só estava seguindo o cardume. Até então, eu não estava completamente consciente de todos os riscos que aquilo implicava. Eu também andava despreocupada e irritada com as constantes implicâncias dos Grifinórios e o afastamento de Sirius. Queria ficar mais unida à Bellatrix e também queria o respeito dos sonserinos, então para primeira noite de Lua Cheia, preparamos uma emboscada.


         Na véspera da Lua-Cheia, Remos já estava abatido e notávamos que os outros marotos ficavam mais discretos. Bella rira secamente achando engraçado o momento em que Lupin correra para vomitar em uma lixeira, já sentindo os primeiros efeitos da transformação enquanto seus amigos faziam de tudo para acobertá-lo. Eu começara a sentir pena do Grifinório pela primeira vez, mas Bella se deliciava com sua caça secreta, como se o tivesse envenenado pessoalmente. Ephram então surgira nos distraindo e logo analisando a reação de minha irmã e a minha.


– Vocês sabem que não precisam seguir uma palavrar do que Lucius disse, não sabem? Esse clube é pura atuação… Não precisa se meter nas rixas do meu irmão.


         Ele dizia com descaso, como se Lucius só sofresse de uma crise por popularidade, mas olhava mais para mim do que para Bella, provavelmente sabendo que eu era mais maleável e que Bella estava demasiada envolvida no jogo.


– Mas Lucius não esta exagerando. Os Grifinórios realmente perturbam a paz alheia e merecem uma lição.


          Tanto Ephram quanto Bella me olharam surpresos, eu mesma estava surpresa em me ouvir apoiar um trote, no entanto, mantive a compostura. Nenhum dos dois dissera nada, Bella parecia sorrir com as íris turquesa orgulhosa de mim. Ephram me olhara apreensivo uma última vez antes de seguir ao encontro de outro Sonserino que o chamava para o treino de Quadribol. E eu só correspondera o olhar de despedida numa silenciosa mensagem “Vai logo, me deixa, eu escolho meus riscos, seu chato”.


        Ainda vimos a Evans também aproximar-se de Remos com ar preocupado, oferecendo-se para cobrir o turno dele aquela noite como de costume, dizendo-o para ir a Ala Hospitalar.


– Acha que a Evans sabe? – eu perguntara.


– Duvido, ela é tapada demais. – respondera Bella, torcendo o nariz ao ver Sirius e Potter cheios de cortejos para a ruiva. Ela desviara-se dos dois, dando um passa-fora no Potter e viera em nossa direção. Bella logicamente não deixara de implicar também…


– Incrível a sua dedicação às normas da escola, Evans. Tão atenciosa. Sempre cobrindo todas as Alas do castelo, sozinha… – A própria parara de frente para Bella, com um sorriso de irônica saudação.


– Não precisa se preocupar, eu dou conta da segurança do castelo, Black… pode dormir tranquila.


– Eu espero que sim. – Respondera Bella numa atuação surpreendente, que até mesmo Evans desconfiara. – Seria horrível se sofrêssemos um ataque, justamente quando o Diretor está fora e o Monitor-chefe doente…


– Não saia da Sonserina e não terá nenhum problema… – Evans respondera ironicamente, esbanjando seus dentes perfeitos em um típico sorriso Grifinório antes de seguir seu caminho deixando minha irmã com uma expressão de nojo. Mal sabia Evans, que Bella é quem pretendia um ataque.


                Tirar os Marotos do caminho fora fácil. Sabíamos, no entanto, que uma simples detenção não os deteria, então resolvemos apagá-los de vez. Bella não blefava sobre os venenos que aprendera em Avalon, e sabia exatamente qual preparar e a dosagem certa para que os marotos ficassem em coma até a manhã seguinte. Estávamos no quartinho de estoque do professor de Poções, que Bella arrombara sem menor problema, ela recolhia alguns ingredientes específicos e outros apenas deixava para trás e voltara-se para mim.


          – Não tem cravo de salgueiro!


           – E agora? – Eu perguntara já imaginando que sobraria pra mim.


          – Deve ter na estufa de Herbologia. Sabe qual é? Pegue alguns galhos, eu vou começar a poção antes que escureça. – Ela me indicara e eu apenas concordara e saíra do quarto.


            Realmente tinha uma reserva de cravos de salgueiro na estufa, e não fora difícil furtar no meio da tarde, para minha sorte não tinha ninguém no caminho, e eu voltei muito rápido, e satisfeita, mas parei atrás da porta ao ouvir a voz do meu primo.


– O que você está fazendo aqui? – Perguntara Sirius de uma forma quase agressiva,  provavelmente suspeito.


– Como é que você sempre sabe onde estou? – Eu ouvira minha irmã perguntar surpresa, ele sorrira como se realmente tivesse uma poder escondido, mas logo voltando ao seu tom indiferente. – Se veio me convidar novamente para seus estúpidos jogos de Quadribol perdeu seu tempo…


– Ouvi dizer que Malfoy conseguiu te convencer a entrar para sua ridícula gangue. – Ele dissera em deboche. – É verdade? Que dizer que Malfoy já esta mexendo com a sua cabeça?


– Há! Lucius não tem esse potencial… – Ela dissera com um suspiro debochado. – Mas às vezes chegamos a um consenso. - E eu podia ver pelo espaço da porta entreaberta, meu primo se aproximar de minha irmã com sua típica intimidade.


– É? Que tipo de missão Lucius te passou? Me matar? – ele murmurara com um sorrisinho.


– Isso mesmo. É melhor tomar cuidado… – Ela respondera com sarcasmo.


–  Claro que se você realmente me quisesse morto, eu já estaria debaixo da terra. Então posso ficar tranquilo.


– Eu não ficaria se fosse você. – Bella dera as costas a Sirius indo em direção a porta.


– Saiba que os meus terríveis sentimentos por você não mudaram nada. – A voz de Sirius era confiante e decidida, fazendo minha irmã parar de andar como se seus pés estivessem presos a um buraco no chão. – Eu não vou desistir de você, só porque você está apavorada.


image


– Apavorada? – Ela virara-se com as íris turquesa brilhando em ameaça, mas tentava sorrir em sarcasmo. – Qual parte do “Eu não sinto nada” você não entendeu?


– Não foi isso o que eu senti, quando você me beijou de volta. Tem certeza que não sentiria nada… se eu te beijasse de novo?


– A única coisa que você vai conseguir beijar é a sujeira do chão, Sirius.  Não me perturbe mais com isso, é meu último aviso.


– E se eu continuar te desafiando? E se eu te derrotar?


– Não seja idiota, você nunca vai me derrotar.


– Mas e se eu te derrotasse? Me beijaria de novo?


– Você não pode aderir meios trouxas…


– Eu não vou.


– E se você perder? Você vai desistir para sempre?


– Isso depende. Se você perder, vai me dar uma chance?


– Eu nunca perco, Sirius.


– Mas eu já te mostrei que existe uma primeira vez para tudo.


             Ele respondera com um sorriso galanteador, piscando uma última vez ao passar na frente de Bella, porta afora, deixando-a emburrada para trás. A única razão pela qual ele não me vira, era o fato de eu saber me esconder muito bem, usando meus poderes para camuflagem, como quando eu me escondia atrás de uma estátua.


– Há quanto tempo você está aí? – Claro, que não funcionava com minha irmã.


– Não muito. Eu consegui o cravo de salgueiro. Ainda quer fazer isso?


– Eles não vão nem mesmo saber o que os atingiu.


         E ela estava certa. Claro que, mais cedo ou mais tarde, Sirius adivinharia, mas não tiveram  a menor chance de se prevenir. Quando seu veneno estava pronto, bastou um simples ilusionismo vindo da varinha de minha irmã mais velha para misturar o veneno na garrafa de cerveja amanteigada da qual os marotos dividiam ainda comemorando a vitória da Grifinória. Remo, obviamente, não estava com eles, já devia estar se preparando para a Lua-Cheia.


              Fora surpreendentemente fácil. Vimos os três marotos desmaiarem a caminho da Torre da Grifinória, como um abraço de bêbados e nos apressamos para arrastar seus corpos para dentro de um armário de vassouras próximo.  Eles acordariam apenas pela manhã, provavelmente achando que beberam demais, não nos atrapalhariam em nada.


           De noite, quando todos os alunos se encontravam em suas determinadas casas e os corredores do castelo ficaram vazios com exceção dos fantasmas, e de uma grifinória que monitorava aquelas noites, todo o castelo, sozinha. A lua cheia ainda não aparecera, permanecendo escondida atrás das nuvens. Como planejado, eu mudara o tom de meus cabelos castanhos avermelhados, para um loiro claro e longo, deixando alguns cachos aparecerem na beirada do capuz conforme eu corria no fim do corredor de onde a Evans estava, chamando sua atenção.


– Hey, você! Precisa voltar para sua casa comunal agora mesmo! – Ela correra em minha direção o mais rápido que pôde, mas eu já estava três lances de escada abaixo indo em direção para a área externa do castelo – Hey, volta aqui!


       Evans obviamente não me reconhecera, eu procurara parecer uma terceiranista da Lufa-Lufa e provavelmente conseguira. Ela provavelmente notara a caveira verde com língua de cobra que iluminava o céu de dentro da Floresta Proibida, pois seu tom era de muito mais desespero.


– Não! Precisa voltar!


            Ela tentara enfeitiçar meus pés, mas não tinha nem a distância ou a visão para mirar e sua única escolha fora correr atrás de mim. Eu corri para dentro de uma passagem do Salgueiro Lutador, de onde vimos Remos entrar mais cedo e sabíamos ser a Casa dos Gritos, e fiquei escondida embaixo da escada quebrada. Vi Evans entrar decidida e ficar surpresa com o ambiente sombrio, mas logo se desesperar com um grito que viera do andar de cima. Eu sabia que era Remos, e mesmo Evans parecera reconhecer sua voz e resolvera subir os degraus.


– Remus!


– Lilian? AH! Nao  se aproxime! Saia daqui! Rápido! – Eu o ouvira gritar de volta, mas já era tarde, ela já estava lá em cima.


             Eu quase dera um grito abafado quando eu vira Bella aparecer no escuro e conjugar  um feitiço silencioso de desarmamento em Evans que apenas recebeu a bomba em cheio sendo jogada de volta no segundo andar, enquanto sua varinha voava para as mãos de Bella, que com uma linha de satisfação no rosto, apenas girara nos calcanhares para se retirar da Casa do Gritos, como se fosse mais um duelo simples, fazendo um último sinal com a cabeça para que eu a seguisse. Antes de fazê-lo eu dera uma última olhada para Evan no topo da escada que parecia recuperar a consciência aos poucos, enquanto Lupin continuava gritando.


         Uma vez fora do Salgueiro Lutador, Bella ainda lacrara a porta da passagem com o fecho normal, e voltara-se para mim.


– Como acha que a Evans vai sobreviver a isso? – Eu a questionava pela primeira vez, mas ela mantinha sua passividade.


– Não seja boba, Andrômeda. Lupin nunca mataria a Evans, no máximo faria dela sua companheira. Se esconda, Ephram está vindo.


image


         Nós corremos para trás das árvores e ouvimos o uivo do Lobisomem de dentro do Salgueiro e Ephram correr e explodir a passagem. Lílian Evans pulara pra fora da árvore como uma trouxa fugindo do próprio Voldemort, para os braços de Ephram, ainda fraca pela maldição que recebera da varinha de Bella.


     Ephram a puxara pra longe do Salgueiro e abraçara em proteção, enquanto estendia a própria varinha em outra mão. Evans parecia completamente indefesa e transtornada sem sua varinha, quando uma enorme besta, meio lobo, meio homem saiu também do Salgueiro e uivou para a Lua. Eu finalmente percebia o grande perigo daquela situação e perguntara a Bella se não devíamos ajudar Ephram, no entanto, Bella se deliciava ao observar aquele espetáculo.


image


– Bella! Ephram não conseguirá detê-lo sozinho! – Eu insistira já me preparando para ajudar, mas ela me segurara.


– Dê um pouco de crédito a Malfoy.


          Ela não parecia nem um pouco preocupada e eu resolvera seguir o exemplo e observar Ephram se virar, e ele fora inteligente, como de costume. Ao invés de atacar Lupin, ele conjurara um Patrono, e uma enorme cascavel de luz sibilara o Lobisomem dando perigosas investidas, que mesmo para um Patrono era bem ameaçador, fazendo o lobisomem Remos Lupin correr para dentro da Floresta.


– Esta vendo? Você se preocupa a toa… – dissera Bellatrix com seu tom irônico, mas sua voz era bem distante.


        Eu me sentia zonza ao observar surpresa o lobisomem fugir e o Patrono de Ephram se dissipar em câmera lenta, enquanto ele ainda consolava a Evans em um abraço apertado. Aquela sensação estanha caiu sobre mim, como uma brisa congelante.


       “Eles não tinham nenhuma ligação, mas estavam destinados, aquele encontro estava destinado, eles precisavam um do outro para se salvarem, mas…”


         Tempos que eu não tinha uma visão e a sensação fora de total náusea, como o princípio de algum envenenamento, mas era só uma sensação, mais uma triste revelação do futuro caindo sob meus órgãos e eu podia ver acontecer diante dos meus olhos, bastava não desviar o olhar deles.


“Mas Ephram também seria a razão de sua morte… Ephram seria escolhido por Voldemort, e ele usaria seus sentimentos para matar Lílian…”


       Mas por quê? Eu me perguntava, por que os era reservado tão terrível destino? E a resposta viera como uma conclusão da profecia.


“Porque sempre foi e será sim. A Maldição se fortifica toda vez que os herdeiros se apaixonam”


        Fora eu quem acordara na Ala-Hospitalar, com a luz forte dos candelabros e o cheiro forte de amônia e Mandrágora que vinha das poções de recuperação. Eu me levantei com pressa, tentando me lembrar do momento antes de apagar, e me senti enjoada ao lembrar novamente daquela profecia.


– Devagar, camaleão. – Fora quando eu notara Ephram do lado do leito com um olhar aliviado.


– Ephram… me desculpe.


– Eu sei que a Bella te manipulou, você podia ter morrido. – Ele dissera simplesmente. – A Evans não foi morta por sorte.


– Ela está bem? E Lupin?


– Estão bem, apesar de tudo. Mas perderam o cargo de monitoria-chefe. Lílian por ter se colado em perigo e bem, Lupin se demitiu do cargo. Pelo visto, Lucius conseguiu o que queria graças a vocês.


– Eu preciso te dizer uma coisa, Ephram… – Fora então que eu transbordara, eu perdia o controle emocional construído por anos pela primeira vez, e Ephram se assustara.


– Mas não precisa ficar desse jeito, todos sobreviveram!


– Não é isso! Eu preciso te dizer meu segredo… Eu preciso dizer para você!


– Que segredo…


– Eu tenho tido visões sobre nossos futuros desde a infância… Eu soube que Voldemort estava atrás de um tesouro e que viria atrás dos Black, que ele batizaria o herdeiro de Slytherin… eu vi o retorno de Bellatrix e Sirius será assassinado no futuro e…


– Que…


– E quando você salvou a Evans eu vi o seu destino, Ephram! Eu vi que o Lord das Trevas escolhera você porque você ama a Evans, e através de você… Ele vai matá-la. Eu sinto muito… muitíssimo…


              Eu dissera tudo como que em um único fôlego e entregara-me ao choro compulsivo que durou longos minutos. Um choro derrotado, que eu prendera por anos, como se fosse eu a responsável por aquele terrível fardo. Ephram permanecera em silêncio e ao encará-lo atônita vi seu semblante sempre tranquilo e eu não sabia se agora ele me achava maluca ou achando que eu estava apenas tendo um devaneio.


– Eu não estou delirando, Ephram. É verdade.


– Eu acredito em você, Andy, está tudo bem.


– Bem? Mas…


– Mas você pode ter se enganado. Por que Voldemort me escolheria? Por que ele iria ter interesse em matá-la?


– Eu não sei. Por causa de uma Maldição. Acredite, eu nunca estou errada sobre essas visões. Sempre que eu tenho uma visão alguma coisa acontece, Voldemort nos visitando, o retorno de Bellatrix…


– E eu não amo a Evans, hoiahoiahaoihaoi.


– Ainda não. Mas vai.


– Olha, Lucius vem sendo preparado para ser batizado por Voldemort a vida toda, quando ele escolhê-lo então você verá, que às vezes você pode simplesmente ver errado.


– Ele escolhera você, porque você é o destinado para Evans e não Lucius… Você vai ver. – Ele apenas rira da minha cara, mas eu já estava satisfeita por ter contado meu segredo e por ele não estar me chamando de maluca, eu não precisava convencê-lo afinal, tudo se confirmaria naturalmente, eu sabia.


          Os acontecimentos das horas seguintes foram ainda mais improváveis. Naquela mesma tarde eu encontrara Bella com um humor renovado, até mesmo se divertindo com o Clã das Serpentes na área externa do castelo. Duelava com Lucius perto do lago como se fossem velhos amigos, parando para me cumprimentar quando eu me aproximara.


– Você me assustou, irmãzinha. Você teve um ataque de pânico? – seu comentário podia ser confundido mesmo com uma provocação irônica, mas eu sabia que era seu jeito de demonstrar afeto. Lucius também me olhara diferente, fazendo uma mini reverência que eu achei viria seguida de uma maldição, mas não viera.


– Andrômeda Black, você superou todas as nossas expectativas! – Ele dissera quase galanteador, arrancando gargalhadas dos outros Sonserinos, e eu não pude segurar um sorriso. Era a primeira vez que eu me sentia realmente aceita em um grupo. Então ouvimos uma voz enfurecida vindo de alguns metros atrás de mim.


– Bella! – Sirius estava em posição de ataque com sua varinha estendida para onde Bella estava com um olhar possuído. Minha irmã apenas dera um sorrisinho irônico, como se seu dia estivesse ficando cada vez melhor. Ela impedira Lucius de se meter, ficando de frente para Sirius.


– Primo, o que posso fazer por você? – Ela perguntara em deboche, e eu dera distância como os demais fechando o cerco em volta dos dois.


– Sirius, deixa isso para lá. Não acho que foi Black… – A própria Evans inocentemente, viera atrás de Sirius para impedi-lo, e agora estava aos seus calcanhares defendendo minha irmã, mas Sirius a cortara sem desviar as íris com ódio de Bella.


– Por favor! Qualquer um com um mínimo de inteligência sabe que isso só pode ser obra dela! – Ele rugira completamente convencido enquanto Bella sorria como se ouvisse um elogio. Nesse momento a notícia de que Sirius desafiava Bella para um duelo sério já tinha se espalhado por todo castelo e muitos alunos já aglomeravam em volta para assistir. Eu ainda tentara falar…


– Sirius…


– Tudo bem, Andy! Eu não estou chateado com você! Isso é entre eu e Bellatrix. O que você estava pensando, garota?!  Faz ideia do que poderia ter acontecido?!


– Eu achei que você acharia engraçado…– debochara Bellatrix –Vocês Grifinórios adoram uma boa brincadeira…


– Sua lunática! – Retrucara Evans. – Devolva minha varinha!


–  É só isso o que você quer então? Veio defender sua amiga?


– Sim. Você vai devolver a varinha de Lílian. Mas esse também será meu duelo final com você!


image


 Bella apenas fizera uma reverência em resposta e eu nunca vira meu primo duelar assim, todos precisaram sair de perto por causa da chuva de feitiços. Então que eu percebia que ele e minha irmã não duelavam para valer a anos e mesmo Bella, que sempre o subestimara tanto, parecia surpresa, apesar de parecer se divertir, ela precisava constantemente se esconder. Talvez porque ela não tivesse reais intenções de machucar Sirius, já meu primo nunca parecera tão decidido a desarmá-la ou pior, e aquilo me deixava confusa.


        Os Marotos e demais alunos da Grifinória gritavam em suporte cada vez que Sirius estrategicamente recuava e atacava Bella, com uma avalanche de feitiços que eu nunca o ouvira antes usar, como se estivesse treinando para aquele evento há meses. Lucius e o Clã das Serpentes já pareciam tão confusos quanto Bella, que fora pega totalmente desprevenida. Meu coração estava igualmente acelerado, conforme eu corria para acompanhar aquele debate, como os mais interessados nele; e verdade que Sirius mostrara seu verdadeiro potencial, que era sua condição física e sua agilidade, tornando impossível não vibrar sempre que ele se defendia com perfeição dos feitiços escabrosos de Bella.


           No meio dos feitiços, ambas as varinhas deram lugar a espadas, alterando o nível do duelo e agora os raios eram substituídos por tensas cruzadas das lâminas. Então quando pareceu o final do duelo. Em questão de minutos, como um choque, numa investida muito rápida, como se Sirius tivesse toda sorte do mundo e tivesse bebido a poção da sorte absoluta, encurralara Bella de costas a um milímetro de perder totalmente o equilíbrio em direção ao Lago Negro.  Nem eu, nem ninguém conseguia acreditar no que estava vendo a não ser o próprio Sirius. Ele tinha sua espada encostada no pescoço de Bella que mantinha a sua ainda em seu punho, mas apontada para o chão.


– Acabou Bella, eu venci. – Dissera Sirius com simplicidade. Bella ainda passara um tempo sem acreditar – Esse é o momento em que você decide; Se você cumpre sua palavra ou se dizemos adeus. Escolha bem, pois é a última chance que eu te dou.


       Sirius dizia com muita seriedade e ninguém parecia entender o que estava acontecendo, obviamente só eu, pois me lembrava de seu último contrato, do qual Bella parecera acabar de se lembrar. E pela primeira vez eu a vira cogitar a ideia… abaixar sua guarda, talvez porque ela ainda estivesse em choque, talvez porque pela primeira vez ela tenha tido medo de perder a amizade de Sirius para sempre. Ela tremia ao falar…


– Eu não posso…


– Pode sim. – Ele dissera com firmeza e fora realmente a cena mais romântica que eu já presenciara. – Confie em mim, ou eu juro, você nunca vai saber o que eu realmente sinto por você.


           E acontecera o inacreditável.


– Tudo bem, Sirius Black, eu me rendo.


            Meu queixo caíra, exatamente como de Lucius, Ephram e todos os demais e Sirius ainda levara alguns segundo para registrar aquela surpreendente resposta, mas quando o fizera finalmente sorrira satisfeito, como se acabasse de passar uma borracha em todo aquele desentendimento bobo, então puxara Bella para um beijo apaixonado e dessa vez ela não revidara.


         Beijaram-se até que aos poucos todos desistissem de assistir e fossem embora totalmente confusos. Eu ainda vira Narcisa correr com os olhos cheios de lágrimas para dentro do castelo e Lucius derrubar quem estivesse em seu caminho conforme se retirava com ódio.


         Eu nunca me esquecerei daquele aniversário de Sirius, que ele comemorara no Halloween, do qual ele era o Anfitrião e Hogwarts parecia seu castelo. Eu nunca o vira daquele jeito, muito menos minha irmã mais velha que estava irreconhecível com aquela felicidade, como se tivesse sido abduzida ou estivesse sob a maldição Imperius. Mas era unicamente eles vivendo um conto de fadas que sempre fora proibido.


image


Eu admirava Bella, que nunca estivera tão linda, e tão despreparada. Eu  e Ephram observávamos os dois em sua glória enquanto Lucius apenas se embebedava sem conseguir tirar as íris caninas dos dois que dançavam no meio do Salão, como se estivessem sozinhos, se encarando por detrás das máscaras negras, enquanto Sirius a guiava com graciosidade. Era uma cena linda, mesmo os professores suspiravam. Sirius tinha uma graça natural, realmente parecia um príncipe, e Bella parecia o par perfeito. Eu ainda admirava a determinação de Sirius mentalmente, como ele conseguira dobrar minha irmã tão bem.


– Viu, Andy… você esta deixando de prever os finais felizes… – dissera Ephram para mim em confidência.


         Eu sorrira em resposta, mas no fundo sabia que algo não estava certo, que aquilo não condizia com minhas visões, e que provavelmente não duraria… Era horrível aquele pressentimento de que algo terrível aconteceria em consequência, mas como sempre eu preferira não dar mais nenhuma notícia ruim…


       Esse baile de Hallowen ficou na minha mente, pois fora a última vez que vi meu primo e minha irmã sorrirem e se permitirem aquela íntima liberdade, que lhes foi tirada tantos anos atrás. Mas a terrível notícia chegara dias depois…


        A coruja cinza e velha de tia Wallpurga pousara na mesa da Grifinória naquela manhã comum, jogando um pergaminho nas mãos do meu primo. Pude vê-lo ainda dar uma piscadela para mesa da sonserina onde Bellatrix estava enquanto abria o pergaminho e sua expressão de felicidade mudar para completa tristeza e então voltasse para gente com olhos embaçados d’agua enquanto dizia apenas uma palavra sem som. E a leitura labial fora simples e terrível.


“Tio Arfaldo esta morto”


        Sirius estava devastado, e eu me consumia por uma tristeza e uma frieza inexplicável. Doía não conseguir chorar, não conseguir acessa a fonte de minhas lágrimas, tamanho era o buraco, o vazio que eu sentia. Eu sabia que cada um tinha seu tempo para processar uma perda, e eu invejava a dor de Sirius tão transparente e de alívio, pois ele não conseguia parar de chorar e soluçar por dias. Era uma imagem totalmente perturbadora ver os Marotos consolando o que sempre fora mais descontraído.


       E eu me odiava, ou odiava o destino, ou Merlin, ou qualquer ser responsável pelo meu dom, pois se mostrara inútil… eu não conseguira perdoar o fato de não ter previsto aquele fato terrível, ou sequer ter uma visão do ocorrido… apenas um terrível sentimento de que Sirius estava certo em estar tão devastado, de que Sirius estava certo sobre tudo, que afinal não havia outra explicação para sua morte, por mais dramático que isso soasse, conhecíamos nossa família, e que provavelmente Tio Arfaldo tinha sido assassinado para servir de lição para gente, mais especificamente, Sirius e Bella, que se atreviam a viver a própria vida…


image


         Mas constatar isso só aumentava nossa dor, e principalmente a raiva de Sirius que só conseguiu encontrar uma pessoa para descontar. Ele duelara e trocara socos com Lucius, a quem responsabilizou de falar deles para a família, e fez pouco caso da morte de tio Arfaldo, mas não foi suficiente para aliviar sua dor… Toda sua felicidade fora roubada e substituída por momentos deploráveis, o que deu muita pena.


       Nas férias de Natal, meu primo decidira que nunca mais retornaria ao Lago Grimmauld 12, resolvera deserdar completamente das suas obrigações com a família Black, que não havia mais nada para ele lá agora. Eu compreendia perfeitamente, e Sirius já planejava fugir a anos, no fundo sabíamos que depois daquilo ele não retornaria. E era realmente terrível a ideia de voltar para o Lago Grimmauld sabendo que nossa família havia assassinado tio Arfaldo, para ouvir novas instruções sobre nossas vidas por sermos suas ovelhas e ovelhas do Lord das Trevas.


        Mas a verdade era que não podíamos fugir, não havia como fugir, estávamos todos interligados pelo sangue e o assassinato do Tio Arfaldo era só para nos lembrar isso. Bella tentara lembrar Sirius, Ephram também tentara, mesmo eu tentara, mas Sirius se recusava a pensar racionalmente e reconhecer que precisava voltar. Então ele fugira para casa dos Potter…


         No último dia antes das férias de natal, fora quando eu conseguira chorar, por perceber que estava perdendo meu primo, que era aquele o fim de nossa infância.


          Eu não aguentara vê-lo acenando em despedida com um sorrisinho triste do campo do castelo enquanto eu ia para meu coche e acabei largando tudo e correndo para seus braços como uma criança desesperada. Ele obviamente me abraçara de volta como o melhor primo do mundo e enxugara minhas lágrimas, ignorando as próprias. Eu sabia que ele queria me dizer alguma coisa, alguma frase de consolo, algum conselho ou promessa, eu também queria dizer alguma coisa, mas não conseguíamos, a garganta doía, as palavras escapavam… Então sem conseguir aguentar mais daquela tortura, do mesmo jeito que eu abraçara eu partira e correra para dentro do meu coche. Tentei não olhar mais para trás, mas não resisti ver ele se despedir de Bella.


        Ela o encarara quase que em desafio, contrariada, e ele parecia olhá-la de volta com culpa, aquilo me doeu mais ainda.


– Então acaba assim… a nossa história. Eu te dei uma chance e é você quem vai fugir… – Bella dissera quase sem voz, absorvendo as próprias lágrimas.


– Eu não estou fugindo, estou dando as costas aos Black. Vem comigo…


–  Para casa dos Potter? Você sabe que eles vão nos achar, vão matar a mim, a Andrômeda, você e quem estiver no caminho. Não temos como escapar de nossa família, e você sabe disso. Você está cometendo um erro grave!  


– Prometa-me que não casará com Lucius, que você vai me esperar.


          Ele dissera com um sorrisinho descontraído e esse fora o momento que eu não suportara olhar mais e nem imagino qual fora a resposta de Bella, mas acho que não teve nenhuma, pois ela entrara no coche com brutalidade poucos segundos depois com os olhos vermelhos sangue gritando a ordem para partir.


        Eu correra para a janela do coche para ver o corpo de Sirius diminuir aos pouco com a distância, ele ainda acenara uma última vez e eu caíra de volta no banco chorando compulsivamente. 


       E Sirius estava certo em não voltar para casa dos Black, o que nos aguardava lá era uma sentença, o veredicto do Lord das Trevas. Claro que os Black estavam revoltados com o filho, não apenas por ter deserdado, mas por ter se unido a ordem da Fênix que era liderada pelos Potters. A ponto de Walburga Black queimar seu rosto da árvore-genealógica da família. E tio Orion deixou claro que não tinha mais filho.


        Bellatrix congelara, parara de falar e voltou a ser uma garota viajante em outro universo. Lucius em compensação parecera ganhar a taça de Quadribol. Eu entrei em depressão profunda, achei que estava condenada a viver naquele Mausoléu, escrava do Lord das Trevas para sempre, com apenas uma lembrança de uma infância mais ou menos feliz. Estava tão infeliz que quase não tremera de nervoso quando O Lord das Trevas resolvera nos fazer uma nova visita.


        Sua cobra Nagini dançava novamente sob meus pés, já conhecidos e o Lord arrastara sua manta até mim, encarando-me de frente com estranho interesse e logo passando por Lucius, Ephram, Narcisa, e finalmente Bella… o peão mais forte, que agora ele chamava de diamante bruto.


– Eu estou encantando com o desenvolvimento de vocês… eu posso sentir o quanto o poder de vocês evoluiu… Por isso eu os escolhi para uma missão muito importante.


        Ele materializara a nossa frente um baú que continha cinco curiosos artefatos que distribuiu entre a gente.


– O medalhão de Salazar Slytherin… – Ele colocara em meu pescoço. E o toque de seus dedos frios era mais terrível que o peso maligno do medalhão – A Taça de Helga Lufa Lufa – Ele entregara a Narcisa – O Diadema de Corvinal – Ele colocara sob a cabeça de Bellatrix como que coroando seu prodígio – O meu antigo diário… Eu deixo contigo, Lucius… Você se provou de confiança e um grande líder…


– Será uma honra, Milorde, cuidarei com a minha vida…


– E contigo Ephram, eu deixo o anel do meu avô Servolo, herdado do verdadeiro Salazar Slytherin… pois você é meu Herdeiro. Você assumirá em meu lugar.


Eu não pude deixar de olhar para Ephram com o olhar de “Eu disse” apesar de não me deixar nada feliz e ele tentara esconder seu descontentamento, assim como Lucius que eu sabia estava arrasado. Era a grande decepção de sua vida.


– Vocês guardam minha vida. Quando eu cair, vocês esconderão esses objetos até o momento do meu retorno.


– Sim, mestre. – Respondemos em coro.


– E como prova de sua lealdade quero que ataquem a casa dos Potters ainda esta noite. Matem todos os Potters e o traidor Sirius Black !


         Pude ver Lucius comemorar aquela missão como último milagre. Narcisa não aguentara conter um suspiro sofrido, ela de fato devia gostar do primo, fora quando eu notara que ela sempre apenas fingira indiferença, mas agora se entregara ao sofrimento. Bella e Ephram, no entanto, não protestaram. Apenas se olharam, como se pudessem ler a mente um do outro e tivessem um segundo plano. Era curioso, pois eu só vira Bella ter essa confidência com Sirius.


       Nosso tio fingiu não se afetar em nada com nossa missão, visto que Sirius Black não tinha mais nenhuma ligação com ele, mas pude ver Walburga caminhar de forma fúnebre para dentro da propriedade. Monstro também comemorava conforme saíamos da propriedade e montávamos nossas vassouras. Com outros oito Comensais da Morte com a gente, enviados do Lord. E eu só tinha aquele pensamento em mente:


“O que diabos estava acontecendo? Seria obrigada a assassinar toda família Potter? Seria obrigada assassinar meu querido primo?”


      Eles não poderiam estar sérios quanto aquilo, eu pensava nos ares, conforme voamos  acima de Londres sem trocarmos uma palavra, apenas seguindo Lucius que liderava a missão, excitado. E eu sabia que não podia questionar ninguém, nem mesmo minha irmã ou Ephram, ou Lucius provavelmente me mataria também por traição, por não querer cumprir as regras de nosso mestre. Apenas rezava para Merlin para que eu acordasse daquela terrível realidade.


        Com um pesar horrível eu vi Lucius apontar para uma casa na rua abaixo e inclinar-se em sua direção e o seguimos. Fora tudo muito rápido, mal pousamos no quinta da casa e o flash de maldições a minha frente já me cegavam, seguido do barulho das explosões e a fumaça que nos envolvia. Aos poucos foram surgindo mais bruxos e um veio para cima de mim, e eu não podia nem perder tempo em identificar quem era, só constatei que não era Sirius segundos antes de estuporá-lo.


      Logo por entre os raios e explosões eu identifiquei um grito e um lamento horrível, que me desesperou a ir à procura de Sirius, mas vi que se tratava de James Potter que chorava diante dos corpos de seus pais enquanto Ephram lutava contra comensais que tentavam acertar James. Então eu vi que Sirius, ensanguentado duelava com Lucius enquanto Bella lutava contra aurores e Comensais como uma pessoa completamente perdida sem lado nenhum naquela batalha.


      Eu vira os crucias segundos, em que Lucius conseguira desarmar Sirius depois de muita dificuldade, o momento que achei que ele finalmente o mataria, mas fora amaldiçoado pelas costas por minha irmã mais velha, apagando em seguida. Sirius tentara dizer alguma coisa ainda de joelhos, mas Bella o pressionara para que fugisse.


– Agora não adianta mais, Sirius! Ele te quer morto! Anda, fuja, desapareça no mundo e nunca mais volte! Entendeu? Se você voltar, não vai sobreviver!


          Sirius não dissera nada, correndo para ajudar o amigo James que ainda soluçava agarrado ao corpo da mãe. James só sobrevivera, porque Ephram ficara fazendo sua cobertura.


– Sinto muito, James, não havia como avisar, Voldemort acabou de nos mandar aqui! Eu sinto muito, mas vocês precisam partir! – Ephram dizia para um inconsolável James Potter. Os outros quatro aurores que sobreviveram ao ataque ainda apontavam suas varinhas para a gente, ainda confusos e prontos para nos matar, mas James os mandara abaixar a guarda.


–      Não! Os deixe ir! Se não fossem por eles, estaríamos todos mortos!


– Outros comensais estão a caminho. Vocês precisam sair daqui para que possamos explodir a residência, rápido! – Bella os mandava partir e Sirius obrigava James a desistir da ideia de matar Lucius.


– James ! Não vai adiantar! Temos que ir agora!


          Vultos começavam a contornar a propriedade quando finalmente eles se agarraram a uma chave de portal rápido demais para dizer adeus. No entanto, outra voz me despertara, conforme eu observava Narcisa arrastar Lucius ainda desacordado enquanto Bellatrix explodia o resto da casa, e eu observava como se fossem fogos de artificio.


– Andrômeda! Andrômeda! – Eu finalmente virara para Ephram que agora me sacodia apreensivo, me trazendo de volta para a realidade.


– Sim. Estou bem… apenas foi tudo tão rápido. – eu gaguejava.


– Me escute. Essa é sua chance de fugir também. Tem que ser agora ou nunca. – Eu o olhava confusa, pois não entendia do que ele falava, Parecia que tinha batido a cabeça e delirava.


– O que esta dizendo… ? – Eu indagara, pois tudo começava a perder o sentido a minha volta conforme as explosões continuavam e eu vira Bella terminando de cremar todos os cadáveres, o que me causara um novo arrepio e náusea.


– Essa é sua chance única, Andy, você precisa ir também. Entenda, a guerra começou. A realidade é que já é muito tarde para Sirius e James, e é muito tarde pra gente também, nos não temos escolha, teremos de servir Voldemort. Mas você não precisa, Andy, você tem escolha e isso não é vida para você…


– Para nenhum de nós. Eu estou tão presa quanto você Ephram.


– Não, Andy ! Você tinha razão sobre tudo e se ficar a qualquer momento Voldemort vai descobrir sobre sua vidência e vai te fazer de escrava e vidente pessoal! Não se preocupe comigo ou Bellatrix, nos já aceitamos nosso destino. Você tem o poder de se libertar do laço de sangue, lembra? Voe para longe daqui, só pare quando estiver bem distante, transforme-se completamente Andy, altere totalmente seu DNA, vire uma pessoa normal, uma trouxa normal e nunca mais retorne para o mundo dos bruxos… Eu direi que você morreu no ataque e que seu corpo foi carbonizado!


– Isso não vai funcionar e ele vai te matar! Eu não sou capaz de mudar meu sangue nem DNA, você é louco!


– Confie em si mesma, Andrômeda! Confie em seu potencial! Você só precisa superar seu próprio limite, concentre-se como nunca fez nada vida, e conseguirá! – E disse isso já me dando um último abraço de despedida. – Prometa-me que você não vai olhar para trás, que vai se transformar para sempre e tentar levar uma vida normal trouxa! Prometa-me, Andy, que fará tudo isso ter valido a pena!


– Eu prometo. - Eu dissera chorando e ele me empurra para longe apontando para o alto.


         E eu correra para transfigurar minha vassoura ainda aos prantos e dei impulso, e como eu prometi, não olhei para trás, mas pude ouvir ainda sua voz como um sussurro em meu ouvido.


– Tenha uma boa vida, Andy.


       E essa é minha breve história de vida como bruxa, parte da minha origem que eu deixei para trás. Eu cumpri a promessa que fiz a Ephram, afinal, ele me libertara de uma vida horrível, era o mínimo que eu podia fazer. Eu usei toda minha concentração para mudar todas as minhas células e DNA e parti para o mundo que eu sempre observei. Eu senti o feitiço da família se quebrar quando troquei o sangue que circulava em minhas veias.


          Ephram tinha razão, eu só tinha que confiar em mim mesma e em meu potencial e sei que ele ficaria orgulhoso…


       E quanto a minha antiga família, eu acabei vendo em minha mente o que acontecera. Ephram tinha razão sobre as tragédias continuarem e que aquela fora minha chance única de escapar de um fim horrível. Ephram viveria para cumprir seu horrível destino como herdeiro de Slytherin e ver a Evans e o Potter, com quem acabara se casando, sendo assassinados. Assim como Sirius viveria para também ser condenado a Azkaban, acusado injustamente pela morte dos amigos…


image


           Já o que acontecera com Bella fora o pior, a visão do ocorrido me acordara numa madrugada em um hotel barato trouxa o que me fizera chorar por dias seguidos. Ela ainda se rebelara contra casar com Malfoy, acabara também sendo punida, pelo próprio Sr. Malfoy que a envenenara com uma terrível porção chamada Olictavus.


             Eu conhecia tal poção apenas por nome, pois quando bem nova eu encontrara um livro das artes das trevas que explicava sobre quatro terríveis poções proibidas, e uma dela era a Olictavus que não continha outra definição que “Retalhamento Bruto Emocional” e seu efeito era a anulação total de sentimentos ou empatia, e não existia antídoto.


          Eu ainda passei muitas noites em claro, em desespero e cogitando quebrar minha promessa a Ephram, só revivendo aquela visão em que todos os Comensais de Voldemort, inclusive nossa família imobilizava minha irmã, obrigando-a a tomar a poção proibida, e o que é que ela se tornara após isso.


       Eu sabia que os únicos que não participaram do ocorrido foram minha irmã, e os jovens Malfoy que foram deixados de fora do ritual e que mesmo Lucius protestara aos gritos, mas nada puderam fazer… E nem eu nada poderia fazer… E era por isso que não adiantava voltar. Ephram tinha razão, se eram capazes de fazer isso com Bella, mandar matar Sirius, o príncipe, o que não fariam comigo…  Além de que eu ainda era péssima em Oclumência. O Lord leria minha mente e saberia de tudo, da traição de Ephram, Bella, mesmo Narcisa que ficou de boca fechada… e provavelmente seríamos todos mortos…


        Mesmo assim, eu não me sentia bem em desfrutar de uma nova vida de forma egoísta. Mas eu nao tinha escolha… Eu devia isso a Ephram, a Bella e Sirius… ao tio Arfaldo.


image


 


N/a: Quanto tempo, meus queridos leitores! Eu queria agradecer a cada um individualmente, mas nao tenho condições físicas no momento, a lista é gigantesca. Muito, muito obrigada mesmo por todas as belas palavras de carinho, apoio e desespero hahaha. Eu nao sei o que dizer... ou como agradecer toda a paciência de vocês. 


Quero agradecer especialmente a querida Caroline Façanha, porter se oferecido a me ajudar e ter tido o trabalho de Betar este captulo, eu estaria perdida sem você com terriveis erros ortograficos. te amo <3


A mûsica neste capitulo é I Love You : https://www.youtube.com/watch?v=-9d1pI8rXqo&index=26&list=PL5k2LnGFJS2DRzn2ZzoVZsE5NNXUnb2Ee


O próximo capitulo nao sera Black Garden, sera o retorno de nossos queridos personagens e de DHR, eu so precisava concluir Black Garden antes, e consegui fazê-lo em humildes 60 paginas, espero que gostem e comentem, mesmo que nao gostem... Começarei a copiar o próximo cap pro note amanha de amanha ok? Nao sofram, nas próximas 24/48 horas tem mais ;)


Deixarei para responder as maravilhosas Reviews (antigas inclusive) Apos o cap5 “Baile dos Trouxas”, ok? Ate o próximo cap. Amo vocês!


Atorredasgargulas.tumblr.com


https://twitter.com/angy_aps


instagram.com/angyguarani


grupo aps no face: https://www.facebook.com/groups/175920395777363/


Angy 


 


N/B: UAU. Isso que eu chamo de uma montanha-russa emocional. Angra, que história linda. Estou querendo ler tudo de novo, todas as partes já! Espero de coração que a história de Draco e da Hermione não seja tão sofrida quanto a de Sirius e de Bellatrix. Teve uns momentos mini ataque cardíaco, em principal da Bella dizendo sim. Seria menos dolorido, agora penso, se ela se recusasse a ceder, porque então a culpa seria dela e não do destino. Muito ansiosa pelos próximos capítulos e muito feliz por ter tido a chance de betar um capítulo tão maravilhoso. Mas devo dizer que também estou um pouco triste de abandonar esses personagens para trás, já que não leremos mais sobre eles. A menos que haja flashbacks a caminho. Devo acumular esperanças?


Resposta: Querida Caroline, eu nao tenho como agradecer, voê salvou miha vida. Fico muito feliz que tenha gostado desse capitulo, se o resultado foi bom saiba que é por causa do suporte das meninas, o seu incluso . Sinto por ter de relatar um passado tao triste, mas foi necessario, vera que explicara muita coisa. Vamos rezar para certos erros nao se repitam. Quanto a su duvida fique tranquila, eu também nao conseguiria abandonar esses personagens, e pretendo sim colocar outros flashbacks no meio da série, mais para o futuro. Mas agora teremos u pouco de DHR primeiro. ;)

Compartilhe!

anúncio

Comentários (10)

  • Ligia Madison

    Nossa isso foi muito triste eu chorei muito o destino deles é super trágico principalmente o da Bella, estou louca pela continuação.

    2014-09-25
  • Pamela Barros

    UAU! Adorei o Black Garden, ficou simplesmente incrível! Mas confesso que estou muito feliz com a volta do DHR :D

    2014-08-02
  • Helena Melbourne

    Muito bom o capítulo. Amei!Morrendo de dó da Bella agora e da Andy. Ela está solteira? Porque lembro que na saga ela era a mãe da Ninfadora Tonks com um trouxa, se eu não me engano, Ted Tonks.Você não vai demorar tanto agora, ne?PelamordeDeus! Você não pode fazer isso com agente. Estamos sentindo muita falta de dramione.Beijos da Leninha. 

    2014-07-29
  • Byanca

    NÂO TO ACREDITANDO , meu deus, você voltou, eu admito que tinha desistido de APS minha fic preferida com toda a certeza, e quando eu vi que tinha atualização sai dando pulinhos pela casa, obrigada por voltar <3

    2014-07-21
  • Dark Moon

    Acho que to vendo coisas ou estou tendo um colapso, vendo essa atualização. E miragem certo?nossa esse foi um presente e tanto pra minha vida triste ameiii esse episodio. Achei mesmo que tinha desistido de apaixonada pela serpente, q nao ia mais atualizar afinal tem o que? quase um ano ou mais q nao atualiza, acho que tem bem mais na verdade. Hum vi que falou que em dois dias atualizaria mais nao atualizou, fara isso ainda? com que frequencia vai atualizar???? nao desiste por favor, serio mesmo, essa é uma das minhas DHG que mais amo, muito melhor que a original. Vou esperar anciosamente por atualização. bjos 

    2014-07-20
  • Shammy

    Nossa! Parabéns pelo retorno!! Isso que eu chamo de retorno triunfal, pois voltar com um inicio desses não é pra qualquer escritor não!! Bem, não lembro de ter comentado antes, pois comecei a ler a séria a pouco tempo e não sabia se você esta acompanhando os comentários pós APS1,2 e 3..... Logo aqui esta. Adorando a continuação e amando ver sua progressão escrita, pois percebe-se do primeiro APS até esse o quão rica a historia vai se tornando. Novamente meus parabéns e ate o próximo capitulo. Bjs :)

    2014-07-18
  • Luiza Granger Malfoy

    JESUS, NÃO ACREDITO!!! Eu tava morreeeeeendo de saudades de APS e li tudo o mais rápido possível! Amei amei amei amei amei conhecer essa parte da vida dos Blacks e Malfoys, a transição de adolescência pra adulto tão drástica...Quando eu falei com você no twitter e você respondeu falando que tava escrevendo os caps novos pelo celular, fiquei chocada e pensei ‘ok, vai demorar um bocado mas tudo bem, vale a pena a espera‘ e como vale! Você escreve muitíssimo bem, uma das melhores aqui do FeB com certeza. E APS faz parte da vida de muita gente, todos queriam que voltasse logo.Mas, sem querer ser chata, ainda bem que acabou Black Garden (apesar de ter sido foda) hahahaha quero Dramion e Ephram!Então, obrigada por não ter desistido!!

    2014-07-17
  • Bia Litz

    Quando vi a atualização da fic nem acreditei! Que saudades de APS <3 Black Garden foi simplesmente maravilhoso (como tudo que você escreve, né?). Pobre Andy, espero saber mais sobre o que ocorreu com ela. E espero loucamente por DHR, então seja boazinha tá? hahahahSem dúvidas é a melhor Dramione que li! Estou pensando em imprimir essa fic pra guardar pra sempre.Não demora Angy, pls! 

    2014-07-17
  • Pah F Potter

    nossa como eu esperei por isso! perfeito demais o capitulo ! q saudades eu estava de aps. vc tem que virar escritora! sao perfeitas as suas estórias. por favor da proxima vez nao demore tanto para atualizar e obrigada por proporcionar essa leitura fantastica

    2014-07-15
  • Yohana S

    To jogada e sofrida no chão!! ADOOOOOOOREI! Tirando o fato que eu estava MORRENDO de saudades de APS e que praticamente comi cada palavra, ler essa versão da vida dos Mafoys e Blacks foi FODAAA! Eu sempre tive uma quedinha pela Bella, ótima personagem! É outra coisa saber tudo o que aconteceu, tudo que fez ela ser quem é agora. Foram os 3caps que explicam na verdade muito do que vem por aí. A gente pensa no que vem sabendo de onde veio. Putz. Só quero mais mais e mais! Obrigaaaaaada Angra, por não mandar a gente se catar e continuar escrevendo - apesar da loucura toda que é a tua vida e a nossa vida de chatos-que-te-perturbam-toda-maldita-hora. É isso aaaai, até a próxima!  

    2014-07-15
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.