A escolha



 


Eu estava sentado em uma das poltronas em frente a lareira a fim de espantar o frio, apenas aproveitando o momento sozinho para pensar nas coisas. Eu percebia que cada dia que passava eu me aproximava mais de Lílian e me afastava mais de Sarah, e ela percebia isso, o meu afastamento, quero dizer. Eu a amava, muito, mas algo em Lílian me puxava para ela, e ao mesmo tempo que eu tentava fugir, eu sempre corria pro lado errado, em direção a ela, e mesmo amando Sarah da mesma forma de antes meu coração parecia ter se dividido em dois: o lado de Sah estava intocado, o amor de sempre ali, mesmo que um pouco mais apertado pelo novo sentimento que crescia ao lado, um sentimento muito parecido com o outro, mas também muito avassalador, que crescia mais rápido do que eu queria. Eu estava confuso. Dois meses tinham se passado, Sophia e Ash ainda estavam estranhas, apesar de tentarem não aparentar isso, e Sarah também começava a ficar, não por influência delas, mas algo parecia sempre fazê-la fugir de mim nos corredores enquanto íamos de uma aula a outra, quando Lílian estava ao meu lado, ou por perto, porém quando éramos só eu e ela, Sarah era a mesma de sempre. Eu passava a maior parte do dia com Lílian indo de uma aula a outra e as vezes na hora do almoço ela se juntava a nós, fazendo Sarah se afastar e ir para junto de Sophia e Ash, fingindo que eu não existia. Algo em Lílian a repulsava. Mas a noite, eu era dela, nós nos sentávamos em alguma poltrona confortável na sala comunal e fazíamos os deveres e ríamos com alguma piada idiota que eu contava.

Eu me sentia culpado por estar sentindo aquilo pelas duas, apesar de estar confuso, e tentar negar, eu sabia que também estava amando Lílian, e ela também parecia estar me amando, e eu não achava certo fazer aquilo com as duas. Eu só não podia ficar longe de nenhuma delas, eu as queria, eu as amava, e teria que tomar uma decisão logo, Sirius tinha me lembrado disso naquela manhã. Remus não estava muito feliz comigo também, mas tentava disfarçar e até conseguia muito bem, Peter dizia que era uma situação difícil e ele estava do lado de Sarah, ele achava que era horrível o que eu estava fazendo a ela, apesar de eu mesmo não saber muito bem o que estava causando a minha estrela. A minha lua. Ao pensar naquilo, saí pelos corredores do castelo, subindo os conhecidos degraus que pareciam nunca acabar, eu tinha vindo muito aqui ultimamente,as vezes durante o dia, as vezes durante a noite. Tinha classificado Sarah e Lílian como Lua e Sol, talvez por eu pensar nas duas em períodos diferentes. A lua era misteriosa, mas atrativa, apaixonante, tão brilhante no escuro, sem segredos, não importava o quanto a noite fosse escura, a lua sempre estaria ali brilhando, mostrando-se. O sol era quente e acolhedor, brilhante, tão apaixonante quanto a lua, mas abaixo das árvores haviam as sombras e nelas se escondiam os meus segredos. Quando terminei de subir as escadas eu a vi, a pele branca iluminada fracamente, o cabelos varridos pelo vento frio daquela noite, era fim de inverno, mas ela parecia não se importar, apesar de seu pijama fino e relativamente curto. Sarah estava tão linda quanto naquela noite meses atrás, mas quando ela se virou assustada para olhar quem a atrapalhava, eu vi algo diferente em seus olhos, eles brilhavam mais do que normalmente, estavam molhados, molhados de lágrimas. Eu a encarei confuso e quando ela finalmente viu que era eu na escuridão, tentou inutilmente enxugar as lágrimas, mas então eu já estava ao lado dela perguntando-lhe o que tinha acontecido.

-Não é nada, é só que... - ela não terminou a frase, olhou pro céu, ignorando novamente a rajada de vento frio que me fez tremer.

-Vamos pra dentro Sah, você vai ficar doente! - eu avisei, pegando na mão dela. 

-Não. - ela disse. Mais lagrimas descendo de seus olhos. E então eu entendi sobre o que Peter estava falando, o que eu estava fazendo a ela. Ela chorava, e eu era o cara que não a mareceia, que fazia uma mulher tão maravilhosa chorar. - Só fique aqui comigo, por favor!

Eu nunca diria 'não' a nada que ela me pedisse, eu tinha certeza disso, se ela me dissesse 'fique' eu ficaria, se disse 'vá', por mais que doesse eu iria, e se ela me pedisse pra esquecer Lílian, eu com certeza faria de todo o possível para tornar isso concreto, mas eu tinha certeza de que Sarah nunca me pediria isso, era boa demais para aquilo, era boa demais para mim. Eu me sentei ao lado de Sarah e passei o braço em volta dos ombros dela, não dissemos mais nada, só ficamos ali, abraçados, olhando a lua e a pequena estrela ao seu lado, que pareciam, apesar de ser impossível, incrivelmente distantes uma da outra em relação a outra noite. 

__________________________________________________________________________________________________________

-James! - Lílian sentou ao meu lado na sala comunal me dando um susto enorme. Sarah estava doente, devido a noite anterior, ela tinha ficado muito tempo no telhado e sua garganta estava completamente inflamada e ela tinha febre alta. Eu não podia subir até o dormitório e ela não podia descer, então, estava ali pensando no que iria fazer.

-Você podia avisar quando chega né? - eu disse assustado e ela gargalhou. Eu gostava da risada dela, e por um momento esqueci de Sarah doente no dormitório. Lílian foi retomando sua expressão séria e se virou para mim. Seus olhos verdes me queimavam, era um verde diferente do de Sah, era um verde vibrante, quente, como o sol.

-Escute, eu queria falar sobre algo com você! - ela dobrou as pernas e as abraçou, apoiando o queixo no joelho. Aquilo me assustou um pouco.

-O que houve Lily? 

-Eu sei que.. não é certo! Emme tentou me convencer a não fazer isso,mas eu tinha! Eu sei que você... - ela parou por um momento e me encarou, minha expressão confusa, eu sabia o que ela diria, mas eu não sabia o que eu faria depois. - Eu sei que você tem namorada, mas as vezes eu sinto que você sente o mesmo por mim e... se não for eu vou entender, mas eu estou realmente gostando de você - seu rosto ficou vermelho, só alguns tons mais claros que seu cabelo. - E, eu não sei o que fazer sobre isso...

-Nem eu Lily... - eu disse mais para mim mesmo.

-O que? - ela perguntou.

-Eu não sei o que fazer... - fui sincero. Eu precisava. - Eu a amo, mas ao mesmo tempo eu amo você, é... difícil e complicado! - eu expliquei.

-Certo! - ela disse, de repente um pouco enciumada. - Pense bem no que vai fazer!

Ela se levantou, caminhou até mim e me beijou a bochecha, se virou e correu escada acima. Meu rosto formigava onde Lílian tinha beijado, e aquilo só me deixou, se possível, mais confuso.

Sarah não estava na aula naquele dia, tinha ido para a enfermaria e Remus me dissera que ela estava bem melhor, tinham se passado dois dias. Ash e Sophia agora me lançavam olhares discriminadores sem se preocupar em disfarçar, e eu me perguntava se elas estavam sabendo algo sobre minha conversa com Lílian. Decidi ignorá-las, apesar de ser impossível já que Sophia era minha irmã e Ash era irmã do um dos meus melhores amigos e namorada do outro. Na hora do almoço eu fui para junto de Lílian, que me recebeu animada com suas amigas, eu não queria ficar perto dos meus amigos, o clima estava tenso, o único que me tratava direito era Sirius. Peter estava furioso, Remus chateado e preocupado. Ash e Sophia pareciam querer me matar. Minha própria irmã querendo me matar.

- Isso não está cheirando bem Pad! - eu disse a Sirius enquanto caminhávamos para a aula de Herbologia, um pouco afastados dos outros.

-Você pediu por isso Jay! - ele disse pesaroso.

-O que foi? A culpa não é minha! - eu disse ofendido.

-Não estou te culpando, tá, talvez um pouco, mas foi você quem fez a confusão! E pensar que tem tantas coisas lá fora e eu me preocupando com sua vida amorosa.

-Eu não pedi por isso, eu não quero que Sarah sofra, Sirius... você acha mesmo que eu me sinto orgulhoso por isso?

-Então acabe com isso James! Ou você vai perder seus amigos!- ele disse e eu o olhei assustado. - Não eu é claro. E além disso, é capaz de que você perca tanto Sarah quanto Lílian...  - ele disse se consertando, nós entramos na estufa e ficamos em frente a dois vasos, lado a lado. - Tá, talvez não Sophia, a raiva dela vai passar, e Peter, nem sei porque ele está tão furioso, ele nunca se importou muito com o relacionamento de vocês. Remus é o mais chateado, ela é irmã dele, dói pra ele vê-la daquele jeito...

-Ela está...

-Péssima! Não posso dizer mais nada! - ele disse fingindo selar a boca com os dedos, então a professora Sprout chegou e pediu silêncio.

Fui até o dormitório e peguei a caixa com o pomo que Sarah tinha me dado, tirei as duas fivelas que o prendiam e o segurei firme em minhas mãos, examinando suas asas que se debatiam por liberdade, e de repente, me senti tão sufocado quanto aquele pomo em minhas mãos e o soltei para que voasse pelo dormitório por algum tempo. Olhei para a caixa vazia, os fios dourados cuidadosamente trançados, o suporte para o pomo em veludo, e então, algo me chamou a atenção. Algo preso embaixo de onde o pomo havia estado. Peguei o pomo e o com as duas fivelas, fazendo-o imóvel novamente, retirei o objeto que ali havia, um pergaminho em forma de coração: 'Eu te dei meu coração, ele sempre foi seu, cuide dele pra mim" estava escrito no verso do coração com a caligrafia desenhada de Sarah, lágrimas rolaram pelo meu rosto, e eu me sentia cada vez mais perdido. Desci as escadas do dormitório correndo e dei de cara com quem eu menos esperava, Sarah, sentada em um dos grandes pufes em frente a lareira apagada, de frente pra mim, as feições dela estavam apagadas e tristes, não tinha nenhum traço da minha Sarah ali, mas de algum modo que eu desconhecia, ela sorriu angustiada. Eu limpei rapidamente as lágrimas do meu rosto, mas ela as viu, seu olhar triste se transformou em preocupação.

- O que houve Jay Jay? - eu a havia magoado tanto, e ela se preocupava comigo.

-Não houve nada! Eu só estou... com saudades de casa! - eu menti rapidamente.

-Você é tão bom mentiroso como bom desenhista! - eu fiz uma careta e ela sorriu novamente. - Eu não vou te questionar, eu não vim falar com você pra isso...

Eu engoli seco pensando no que a faria me encarar de frente agora, magoada como estava, e pensei em como devia ser difícil pra ela.

-Eu vim pra dizer James... - ela continuou com a voz embargada. - Que eu não vou dificultar as coisas pra você e... vamos acabar com isso logo, eu não quero que você se sinta culpado por eu estar triste, isso tudo é culpa minha! 

Eu ia corrigí-la, mas ela não me deixou falar.

-Não, não diz nada... - eu podia ver que ela segurava as lágrimas. - Só me deixe em paz que é melhor!

Ela abaixou a cabeça e rumou rapidamente para a escada do dormitório feminino, subindo mais rapidamente ainda, sem me deixar nem pensar em algo para dizer. Eu me sentia horrível.

E então, estava ai, ela decidiu por mim com quem eu ficaria. Ou talvez eu tenha decidido quando eu não impedi que ela saísse correndo da minha vida. E então, eu percebi que se eu tivesse pensado mais um pouco, eu teria de qualquer jeito escolhido Lílian, mesmo sentindo o coração de Sarah pesar, no bolso de trás da minha calça.

Eu estava sentado em uma das poltronas em frente a lareira a fim de espantar o frio, apenas aproveitando o momento sozinho para pensar nas coisas. Eu percebia que cada dia que passava eu me aproximava mais de Lílian e me afastava mais de Sarah, e ela percebia isso, o meu afastamento, quero dizer. Eu a amava, muito, mas algo em Lílian me puxava para ela, e ao mesmo tempo que eu tentava fugir, eu sempre corria pro lado errado, em direção a ela, e mesmo amando Sarah da mesma forma de antes meu coração parecia ter se dividido em dois: o lado de Sah estava intocado, o amor de sempre ali, mesmo que um pouco mais apertado pelo novo sentimento que crescia ao lado, um sentimento muito parecido com o outro, mas também muito avassalador, que crescia mais rápido do que eu queria. Eu estava confuso. Dois meses tinham se passado, Sophia e Ash ainda estavam estranhas, apesar de tentarem não aparentar isso, e Sarah também começava a ficar, não por influência delas, mas algo parecia sempre fazê-la fugir de mim nos corredores enquanto íamos de uma aula a outra, quando Lílian estava ao meu lado, ou por perto, porém quando éramos só eu e ela, Sarah era a mesma de sempre. Eu passava a maior parte do dia com Lílian indo de uma aula a outra e as vezes na hora do almoço ela se juntava a nós, fazendo Sarah se afastar e ir para junto de Sophia e Ash, fingindo que eu não existia. Algo em Lílian a repulsava. Mas a noite, eu era dela, nós nos sentávamos em alguma poltrona confortável na sala comunal e fazíamos os deveres e ríamos com alguma piada idiota que eu contava.

Eu me sentia culpado por estar sentindo aquilo pelas duas, apesar de estar confuso, e tentar negar, eu sabia que também estava amando Lílian, e ela também parecia estar me amando, e eu não achava certo fazer aquilo com as duas. Eu só não podia ficar longe de nenhuma delas, eu as queria, eu as amava, e teria que tomar uma decisão logo, Sirius tinha me lembrado disso naquela manhã. Remus não estava muito feliz comigo também, mas tentava disfarçar e até conseguia muito bem, Peter dizia que era uma situação difícil e ele estava do lado de Sarah, ele achava que era horrível o que eu estava fazendo a ela, apesar de eu mesmo não saber muito bem o que estava causando a minha estrela. A minha lua. Ao pensar naquilo, saí pelos corredores do castelo, subindo os conhecidos degraus que pareciam nunca acabar, eu tinha vindo muito aqui ultimamente,as vezes durante o dia, as vezes durante a noite. Tinha classificado Sarah e Lílian como Lua e Sol, talvez por eu pensar nas duas em períodos diferentes. A lua era misteriosa, mas atrativa, apaixonante, tão brilhante no escuro, sem segredos, não importava o quanto a noite fosse escura, a lua sempre estaria ali brilhando, mostrando-se. O sol era quente e acolhedor, brilhante, tão apaixonante quanto a lua, mas abaixo das árvores haviam as sombras e nelas se escondiam os meus segredos. Quando terminei de subir as escadas eu a vi, a pele branca iluminada fracamente, o cabelos varridos pelo vento frio daquela noite, era fim de inverno, mas ela parecia não se importar, apesar de seu pijama fino e relativamente curto. Sarah estava tão linda quanto naquela noite meses atrás, mas quando ela se virou assustada para olhar quem a atrapalhava, eu vi algo diferente em seus olhos, eles brilhavam mais do que normalmente, estavam molhados, molhados de lágrimas. Eu a encarei confuso e quando ela finalmente viu que era eu na escuridão, tentou inutilmente enxugar as lágrimas, mas então eu já estava ao lado dela perguntando-lhe o que tinha acontecido.

-Não é nada, é só que... - ela não terminou a frase, olhou pro céu, ignorando novamente a rajada de vento frio que me fez tremer.

-Vamos pra dentro Sah, você vai ficar doente! - eu avisei, pegando na mão dela. 

-Não. - ela disse. Mais lagrimas descendo de seus olhos. E então eu entendi sobre o que Peter estava falando, o que eu estava fazendo a ela. Ela chorava, e eu era o cara que não a mareceia, que fazia uma mulher tão maravilhosa chorar. - Só fique aqui comigo, por favor!

Eu nunca diria 'não' a nada que ela me pedisse, eu tinha certeza disso, se ela me dissesse 'fique' eu ficaria, se disse 'vá', por mais que doesse eu iria, e se ela me pedisse pra esquecer Lílian, eu com certeza faria de todo o possível para tornar isso concreto, mas eu tinha certeza de que Sarah nunca me pediria isso, era boa demais para aquilo, era boa demais para mim. Eu me sentei ao lado de Sarah e passei o braço em volta dos ombros dela, não dissemos mais nada, só ficamos ali, abraçados, olhando a lua e a pequena estrela ao seu lado, que pareciam, apesar de ser impossível, incrivelmente distantes uma da outra em relação a outra noite. 

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-James! - Lílian sentou ao meu lado na sala comunal me dando um susto enorme. Sarah estava doente, devido a noite anterior, ela tinha ficado muito tempo no telhado e sua garganta estava completamente inflamada e ela tinha febre alta. Eu não podia subir até o dormitório e ela não podia descer, então, estava ali pensando no que iria fazer.

-Você podia avisar quando chega né? - eu disse assustado e ela gargalhou. Eu gostava da risada dela, e por um momento esqueci de Sarah doente no dormitório. Lílian foi retomando sua expressão séria e se virou para mim. Seus olhos verdes me queimavam, era um verde diferente do de Sah, era um verde vibrante, quente, como o sol.

-Escute, eu queria falar sobre algo com você! - ela dobrou as pernas e as abraçou, apoiando o queixo no joelho. Aquilo me assustou um pouco.

-O que houve Lily? 

-Eu sei que.. não é certo! Emme tentou me convencer a não fazer isso,mas eu tinha! Eu sei que você... - ela parou por um momento e me encarou, minha expressão confusa, eu sabia o que ela diria, mas eu não sabia o que eu faria depois. - Eu sei que você tem namorada, mas as vezes eu sinto que você sente o mesmo por mim e... se não for eu vou entender, mas eu estou realmente gostando de você - seu rosto ficou vermelho, só alguns tons mais claros que seu cabelo. - E, eu não sei o que fazer sobre isso...

-Nem eu Lily... - eu disse mais para mim mesmo.

-O que? - ela perguntou.

-Eu não sei o que fazer... - fui sincero. Eu precisava. - Eu a amo, mas ao mesmo tempo eu amo você, é... difícil e complicado! - eu expliquei.

-Certo! - ela disse, de repente um pouco enciumada. - Pense bem no que vai fazer!

Ela se levantou, caminhou até mim e me beijou a bochecha, se virou e correu escada acima. Meu rosto formigava onde Lílian tinha beijado, e aquilo só me deixou, se possível, mais confuso.

Sarah não estava na aula naquele dia, tinha ido para a enfermaria e Remus me dissera que ela estava bem melhor, tinham se passado dois dias. Ash e Sophia agora me lançavam olhares discriminadores sem se preocupar em disfarçar, e eu me perguntava se elas estavam sabendo algo sobre minha conversa com Lílian. Decidi ignorá-las, apesar de ser impossível já que Sophia era minha irmã e Ash era irmã do um dos meus melhores amigos e namorada do outro. Na hora do almoço eu fui para junto de Lílian, que me recebeu animada com suas amigas, eu não queria ficar perto dos meus amigos, o clima estava tenso, o único que me tratava direito era Sirius. Peter estava furioso, Remus chateado e preocupado. Ash e Sophia pareciam querer me matar. Minha própria irmã querendo me matar.

- Isso não está cheirando bem Pad! - eu disse a Sirius enquanto caminhávamos para a aula de Herbologia, um pouco afastados dos outros.

-Você pediu por isso Jay! - ele disse pesaroso.

-O que foi? A culpa não é minha! - eu disse ofendido.

-Não estou te culpando, tá, talvez um pouco, mas foi você quem fez a confusão! E pensar que tem tantas coisas lá fora e eu me preocupando com sua vida amorosa.

-Eu não pedi por isso, eu não quero que Sarah sofra, Sirius... você acha mesmo que eu me sinto orgulhoso por isso?

-Então acabe com isso James! Ou você vai perder seus amigos!- ele disse e eu o olhei assustado. - Não eu é claro. E além disso, é capaz de que você perca tanto Sarah quanto Lílian...  - ele disse se consertando, nós entramos na estufa e ficamos em frente a dois vasos, lado a lado. - Tá, talvez não Sophia, a raiva dela vai passar, e Peter, nem sei porque ele está tão furioso, ele nunca se importou muito com o relacionamento de vocês. Remus é o mais chateado, ela é irmã dele, dói pra ele vê-la daquele jeito...

-Ela está...

-Péssima! Não posso dizer mais nada! - ele disse fingindo selar a boca com os dedos, então a professora Sprout chegou e pediu silêncio.

Fui até o dormitório e peguei a caixa com o pomo que Sarah tinha me dado, tirei as duas fivelas que o prendiam e o segurei firme em minhas mãos, examinando suas asas que se debatiam por liberdade, e de repente, me senti tão sufocado quanto aquele pomo em minhas mãos e o soltei para que voasse pelo dormitório por algum tempo. Olhei para a caixa vazia, os fios dourados cuidadosamente trançados, o suporte para o pomo em veludo, e então, algo me chamou a atenção. Algo preso embaixo de onde o pomo havia estado. Peguei o pomo e o com as duas fivelas, fazendo-o imóvel novamente, retirei o objeto que ali havia, um pergaminho em forma de coração: 'Eu te dei meu coração, ele sempre foi seu, cuide dele pra mim" estava escrito no verso do coração com a caligrafia desenhada de Sarah, lágrimas rolaram pelo meu rosto, e eu me sentia cada vez mais perdido. Desci as escadas do dormitório correndo e dei de cara com quem eu menos esperava, Sarah, sentada em um dos grandes pufes em frente a lareira apagada, de frente pra mim, as feições dela estavam apagadas e tristes, não tinha nenhum traço da minha Sarah ali, mas de algum modo que eu desconhecia, ela sorriu angustiada. Eu limpei rapidamente as lágrimas do meu rosto, mas ela as viu, seu olhar triste se transformou em preocupação.

- O que houve Jay Jay? - eu a havia magoado tanto, e ela se preocupava comigo.

-Não houve nada! Eu só estou... com saudades de casa! - eu menti rapidamente.

-Você é tão bom mentiroso como bom desenhista! - eu fiz uma careta e ela sorriu novamente. - Eu não vou te questionar, eu não vim falar com você pra isso...

Eu engoli seco pensando no que a faria me encarar de frente agora, magoada como estava, e pensei em como devia ser difícil pra ela.

-Eu vim pra dizer James... - ela continuou com a voz embargada. - Que eu não vou dificultar as coisas pra você e... vamos acabar com isso logo, eu não quero que você se sinta culpado por eu estar triste, isso tudo é culpa minha! 

Eu ia corrigí-la, mas ela não me deixou falar.

-Não, não diz nada... - eu podia ver que ela segurava as lágrimas. - Só me deixe em paz que é melhor!

Ela abaixou a cabeça e rumou rapidamente para a escada do dormitório feminino, subindo mais rapidamente ainda, sem me deixar nem pensar em algo para dizer. Eu me sentia horrível.

E então, estava ai, ela decidiu por mim com quem eu ficaria. Ou talvez eu tenha decidido quando eu não impedi que ela saísse correndo da minha vida. E então, eu percebi que se eu tivesse pensado mais um pouco, eu teria de qualquer jeito escolhido Lílian, mesmo sentindo o coração de Sarah pesar, no bolso de trás da minha calça.

 

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