Prólogo
Inspiração de um dia mórbido ouvindo músicas calmas com letras estranhas e sem sentido.
Aproveitem :D
-- Prólogo --
- Cara, esse negócio de cápsula do tempo é a maior bobagem!
- CORTA!
- Sinceramente, você acha mesmo que daqui dez anos nós vamos voltar a esse colégio chato pra ver um vídeo o qual o aparelho não vai nem ao menos existir?
- CORTA!
- Quero dizer, só aqueles colecionadores malucos e psicopatas, que provavelmente são metódicos e totalmente estranhos.
- CORTA!
- Olha....
- CORTA!
- Agora fu...
- Ação!
- Você nem me deixou...
- CORTA!
- Ih, ele estressou...
- CORTA! CORTA! CORTA!
--xx--
- Então... Senhorita Evans. Pelo que eu entendi dos audíveis berros ofensivos e impróprios para menores de dezoito anos, a senhorita tem um problema com o diretor de arte da escola. – Lily ergueu os olhos do sapato rosa horroroso da diretora e pigarreou.
- Bem, eu sinceramente acho meio lenga essa coisa de cápsula do tempo.
- Lenga?
- É, tipo, morta, e lerda, e sem graça... Entende?
- Sim, senhorita Evans, eu entendo. Mas você pode ter insultado a mentalidade criativa do nosso diretor de arte.
- Ele se ofendeu só por causa de alguns comentários que...
- Bom... Segundo as anotações feitas por ele – Interrompeu a diretora olhando uma prancheta de madeira com folhas pautadas que receberam rabiscos furiosos de uma letra suspeitamente caprichosa do diretor de artes. – a senhorita disse na frente das câmeras e dos outros funcionários 12 diferentes frases.
- Inocentemente colocadas para ele tentar perceber outro ponto de vista...
- “Me senti humilhado, as frases continham muitas palavras rudes e ignorantes, frisando o sarcasmo e a ironia angustiante da aluna. Sugiro e recomendo que ela procure expressar essa raiva frustrada, uma ajuda profissional seria o ideal para aplacar esses sentimentos que precisam ser extravasados”. É o que ta escrito.
- Ah, qual é?! – Lily se levantou se apoiando na mesa da diretora. – O cara tem TPM, ou o que? Eu tenho dezesseis anos, ele deveria ter algum tipo de diploma em pedagogia pra me indicar ajuda profissional!
- Ele tem mestrado em pedagogia infantil, Senhorita Evans.
- Essa então, realmente, não é a solução. Pedagogia infantil, Senhora Diretora. – A diretora suspirou abaixando a cabeça e prendendo os fiozinhos que se soltavam do seu coque. Lily caiu na cadeira de novo. – Como eu disse, Diretora, tenho dezesseis anos, essas tais “raivas” e “frustrações” não deveriam ser tipo, super normal?
- A Senhorita é o único caso nessa escola, Senhorita Evans, entenda que tenho que tomar precauções para manter a saúde mental, física e psicológica de todos os seres que habitam esse local.
- Hei calma ai! – Disse Lily levantando as duas mãos. – A única coisa sendo afetada aqui sou eu. Esses tipos de traumas ficam na cabeça pra sempre Diretora, se eu tiver que fazer terapia vai ser por causa das idéias birabolantes desse diretor eu vou... Mandar a conta pra casa dele. E ele não pode reclamar! Não estará sendo afetado psicologicamente, fisicamente ou mentalmente. Talvez financeiramente e consequentemente emocionalmente.
- Ah é? – A diretora se levantou zanzando pela sala lendo em voz alta mais anotações do diretor de artes. – “A humilhação é inexplicável. Ela fez-me sentir decepcionado com a vida. A ameaça é grande, as palavras duras proferidas dos lábios da garota, aparentemente meiga, são fatais e amargamente me ferem.”
- Ante de tudo, diretora: Ele realmente escreveu ‘fez-me sentir’? – A diretora olhou de esguelha com uma sobrancelha levantada. - Você só pode estar brincando comigo. – Murmurou Lily enfiando a cara na mão. Se daria muito, muito mal porque um professor sentimental estressado estava exagerando totalmente em suas reações. Depois de um suspiro longo da diretora, Lily estremeceu pensando na punição.
- A Senhorita diz ser uma idéia cafona. O que sugere então? – A voz dura não deixou dúvidas em Lily.
- Sei lá, detenção de novo? Limpar a sala de troféus com o Sr. Filch, menos aqueles preciosos que você guarda ali. – Lily indicou com a cabeça uma prateleira protegida por vidro que continha apenas os troféus de ouro. - Ou cuidar três semanas da Madame Nora. Esse até que seria bom: minha irmã é alérgica a gatos.
- Não, senhorita Evans, estou querendo dizer se você tem algum... Meio de alterar esse seu obstáculo perante a nova idéia do diretor de artes. – Lily levantou o rosto e observou os estranhos tremeliques da diretora. Ela tremia levemente e apertava com muita força uma bolinha de espuma, metade vermelha, metade azul, que estava entre sua mão cadavérica cheia de veias saltadas, e a mesa de madeira clara.
- Como? – Perguntou confusa. A diretora teve que respirar fundo algumas vezes. Retirou a bola da pressão entre sua mãe a mesa e começou a arremessar de uma mão para a outra, os olhos seguindo os movimentos da bola. – A senhora está bem?
- Sim, sim, claro. – Disse forçando um sorriso nada convincente, voltando o olhar para Lily. A bola escapou da mão que receberia o arremesso e bateu na lousa branca, que continha uma agenda organizada com as escalas de todos os professores, e voltou na direção da mesa, derrubando alguns objetos, menos do que a mãe da diretora que foi tentar parar a bola.
Lily removeu uma mão do bolso do casaco e pegou a bola na beirada da mesa e a estendeu, observando as marcas de unha. A Diretora a aceitou com um brilho estranho no olhar.
- Meu... Terapeuta e meu Psiquiatra acharam que eu deveria inovar os métodos de trabalho. Então, apesar do seu descaso, o que aconselha que façamos? Ou melhor, que você faça para não perder a nota.
- Bem, eu não sei...
- Vamos inovar Senhorita Evans! – Disse fazendo um movimento estranho com o braço, como se a animasse para as idéias. Deu a volta na mesa, fazendo Lily retroceder dois passos e se colocar atrás da cadeira. Fechou a boca desviou o olhar para a prateleira de troféus, vendo certo nome se repetindo em vários dos objetos, e sorriu para a diretora. – Oh, isso é um bom sinal, não é?
- Acho que eu tive uma idéia. – Concordou Lily.
N/A: Quero comentários para continuar postando! Qual será o nome que a Lily vi nos troféus?
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