único






Achei que já tivesse superado tudo o que passei, mas não, não superei.
Não superei seu jeito de me olhar, e nem o jeito que você sorri, você parece estar cada dia mais e mais bonito, como isso pode acontecer? Por mais que eu esteja com outra pessoa, você nunca vai sair da minha cabeça. Acho que é aquela coisa que dizem sobre o primeiro amor. Ele nunca morre, só adormece.

Não entendo como uma pessoa pode passar tanto tempo dentro da mente, dentro do coração de outra. Ele sempre conseguiu me deixar vermelha, coisa que não eram todos que conseguiam, mas ele sempre conseguia, nem que fosse com apenas um olhar.

Lembro de quando éramos crianças, foi quando tudo começou. Éramos os melhores amigos, nada nos impedia de sermos felizes, fazíamos o que queríamos, era tão bom. Sempre que lembro desses momentos me dá uma vontade imensa de chorar, até hoje não tenho certeza do que nos fez pegar tanta raiva, e tanto ódio, um do outro.

Talvez tenha sido o inicia da nossa adolescência, não sei, só sei que nunca sofri tanto em minha vida como naquela época. Até a sexta série éramos mais que grudados, éramos mais que irmãos. Se existem Almas Gêmeas, ele era a minha.
Não admitíamos que alguém falasse mal de nós, era uma verdadeira amizade.

Mas essa amizade era forte, muito forte, mas forte do que as amizades são normalmente. Uns diziam que era amizade de criança, daquelas inquebráveis, outros diziam que era o inicio de uma paixão, e que se não desse certo, nunca mais íamos voltar a ser como antes. Mas a gente nem ligava para o que os adultos falavam, a gente só ligava pra gente, era a nossa amizade que importava.

Com o tempo eu percebi que ele estava crescendo, percebi que estava ficando como os garotos do ginásio, e ele estava ficando bonito, muito bonito. Eu guardava isso só para mim, não dividia minha opinião com mais ninguém, aquilo era uma coisa só minha, e demais ninguém.

Com o tempo eu percebi que não gostava quando as outras garotas ficavam muito “grudadas” nele, aquilo me deixava um tanto nervosa. Parecia que elas estavam tentando pegar o meu amigo, e eu não gostava disso. Eu fazia cara feia, mas não adiantava de nada. Elas continuavam lá, tentando arrancá-lo de mim, eu não sabia se ficava triste ou nervosa com aqueles “projetos de galinhas” como eu costumava chamá-las.

Depois de um tempo e muitas queixas a minha mãe, descobri o nome daquele novo sentimento, ciúmes.
Minha mãe me disse que tenho ciúmes de tudo o que amamos, mas ás vezes temos a impressão de que é um tipo de ciúme, mas na realidade é outro.
Naquele dia também descobri que existem dois tipos de ciúmes: o saudável e o doentio. Rezava, pedia aos céus para que o meu não se transformasse em um doentio.
Tinha medo que assim ele realmente esquecesse-se de mim e da nossa amizade.

Lembro de casa detalhe, cada briga daquela época tão conturbada, nós dois entrando na adolescência, e eu via que estava encarando meu primeiro amor. Mas será que esse tal de primeiro amor não podia ser um pouco menos complicado?
Tinha de ser justo pelo meu melhor amigo? Pelo meu companheiro de bagunça? Companheiro de castigo? Será que não podia pelo amor de Deus, ser por aquele menino lourinho bonitinho da outra sala e que ainda por cima não ia e voltava da escola comigo e que não era meu melhor amigo desde os cinco anos de idade?
Não, tinha de ser mesmo ele. O meu melhor amigo. Companheiro de bagunça. E de castigo. E não, não podia ser o menino lourinho da outra sala que não ia e voltava da escola comigo. Isso devia ser um castigo.

Isso chegava a ser triste, eu sabia que gostava dele, mas não sabia se era correspondida, provavelmente não, mas fazer o quê? Na minha jovem cabecinha, tudo o que eu fizesse ia separá-lo de mim, eu não tinha noção de como estava errada. Anos mais tarde vim perceber meu erro.

Sempre que eu o encontrava na rua sentia minha face corar, era inevitável que isso acontecesse. Mas eu sentia um calor dentro do peito, um calor que me fazia feliz, um calor anormal. Um calor que fazia meu coração bater mais rápido, que fazia minha respiração acelerar e que fazia com que eu parasse de prestar atenção nos outros, só nele.

Se eu falar que nunca tentei dizer á ele o que eu sentia, será uma mentira e das grandes. Sim, eu tentei. Mas foi fracassado.

Até hoje, anos depois ainda não entendi o porquê d’ele ser tão grosso, nunca entendi porque merecia tantas patadas vindas da pessoa que eu mais gostava. Isso era triste, ao extremo.

Ele andava estranho, estava começando a me evitar e a agir realmente como os garotos do ginásio, ele tinha o poder de me tirar do sério, até hoje não sei como ele conseguia, dava para ver que ele se empenhava, já que era praticamente o único que conseguia. Ele fazia de tudo um pouco para me ver nervosa, fazia da minha vida um caos, e eu realmente não tinha idéia do que poderia ter feito para ele pra ser tratada assim.

Eu sempre punha na minha cabeça que era coisa da idade, que os garotos sempre amadureciam mais devagar, que eu era quase uma adolescente, para ser sincera não sei quando entrei na adolescência. Só sei que entrei. Mas ele parecia que nunca ia entrar nessa fase, parecia que ele ia ser um eterno crianção para todo o sempre.

Aquilo me frustrava, será que ele não percebia que meus sonhos eram direcionados a ele? Será que ainda não estava tão evidente que eu estava apaixonada pelo meu melhor amigo?
Todo mundo percebia, menos ele. Aquilo me irritava mais do que tirar notas baixas.
Mas ele parecia não ligar.

Depois de um tempo começaram a vir às brigas, brigas feias. Daquelas que repudiamos só de olhar, mas essa era a nossa realidade. Brigávamos pelos mais simples motivos, desde um ter pegado o lápis do outro até um não ter esperado o outro para voltar para casa. Mas sempre tinha briga. Uma mais idiota que a outra. Tanto que quando me lembro delas hoje rio.

As brigas com o tempo começaram a ser mais freqüentes e cada vez mais violentas. Eu não suportava a idéia d’ele me contrariar, e ele também não ia muito a favor. Sempre brigávamos, quando a gente não tava brigando, era um jogando farpa no outro.

Todos percebiam como estávamos diferentes. Para mim ele tinha esquecido de crescer e estava pensando que eu também era uma criança que não tinha mais o que fazer. Eu me perguntava como podia gostar dele e como eu tinha conseguido ser amiga dele por tanto tempo. Se bem que eu também não era nenhuma santa enquanto criança.

Uma coisa eu sei, eu estava disposta a tentar esquecê-lo, mas aquilo não era tão fácil para uma pré-adolescente, era muito complicado. Como fazer para esquecer o meu melhor amigo de infância e primeiro amor? Eu realmente não tinha a menor idéia.

Tentei de todas as maneiras que conhecia, no meu mundo quase infantil, e não conseguia de maneira nenhuma. Foi nessa época que comecei a “ficar”. Assim eu percebia que o sentimento não sumia, mas pelo menos adormecia um pouco enquanto eu estava com outra pessoa. Isso no auge dos meus 13 anos. Nunca o tinha visto tão nervoso quanto na noite da festa do halloween, ele simplesmente ficou puto da vida quando soube que eu estava me divertindo com outra pessoa que não era ele. Se bem que quando nos divertíamos juntos, era uma coisa muito, muito, extremamente mais inocente.

Percebi que ele passou umas quatro ou cinco vezes por mim. Aquele foi a minha primeira ficada, meu primeiro beijo. Não havia sido com quem eu imaginava, mas foi satisfatório ver o ciúme estampado no olhar, no rosto dele. E eu não fui a única a perceber.

Ele ficou uma semana sem falar comigo, a coisa tinha ficado tão óbvia, que até os professores que tinham ido à festa para supervisionar tiraram sarro da cara dele. Eu de certa forma estava me sentindo plena, mas de outra forma estava muito triste, não era com aquele garoto que eu gostaria de ter dado o meu primeiro beijo. Eu queria que tivesse sido com o meu melhor amigo.

Fiquei com aquilo na cabeça, mas depois deixei de lado, viriam outras ocasiões, era o que eu esperava. Mas eu não sabia que a vingança dele ia ser tão triste, na outra semana ele pediu para a menina mais bonita da classe ir ver um filme na casa dele, no dia de quarta-feira que era quando nós víamos filmes, e fingíamos estar no cinema. E o pior é que ela era minha amiga.

Eles foram na quarta ver o tal do filme, nunca tive uma quarta-feira tão chata e monótona desde os cinco anos de idade, e olha que eu estava com 13. Na quinta-feira na aula a escutei comentando que a tarde tinha sido maravilhosa e que eles tinham comido pipoca e assistido “A Procura da Terra do Nunca” um filme que eu tinha escolhido para ver com o meu amigo.

Até hoje não entendo a raiva que me subiu na hora, eu simplesmente virei e saí batendo o pé. Aquilo não ia ficar assim, eu ia dar o troco na mesma moeda.

Todo primeiro domingo do mês minha mãe fazia um almoço especial, onde eu podia convidar quem eu quisesse o convidado normalmente era meu melhor amigo, só que naquele mês eu resolvi fazer diferente. Convidei o menino novo da sala. Minha mãe ficou encantada com a educação do garoto, mas falou que já tinha se acostumado ao meu melhor amigo.

Foi assim que seguimos durante o mês, estávamos nos falando bem menos e não fazíamos mais tudo o que costumávamos fazer. Estava sendo raro até voltarmos juntos da escola, coisa que sempre fazíamos questão até um tempinho antes.

Minha segunda natureza naquele tempo era chorar, minha mãe estava ficando preocupada comigo, chegou a me mandar para uma psicóloga, o que resultou numa longa conversa com a mãe dele, no que a minha descobriu que ele andava muito agressivo em casa, coisa que não era normal.

Elas tentaram de todas as formas nos unir novamente, só que não conseguiam, nós sempre conseguíamos dar um jeito de não comparecer ou quando comparecíamos acabava em briga. Elas estavam ficando loucas, o que tinha acontecido com aquela amizade tão linda daquelas duas crianças? Nenhuma das duas conseguia entender, na realidade ninguém conseguia entender perfeitamente.

Acho que elas se tocaram mesmo quando viram mais uma de nossas discussões, onde eu o mandava ficar com a menina linda da sala e ele me mandava ficar com o aluno novo. Imagino que tenha aparecido o seguinte balão na cabeça das duas: “UM ESTÁ COM CIÚMES DO OUTRO!!!” depois de uns anos comecei a pensar que aquilo era muito obvio.

Anos se passaram, eu já arranjei namorados e ele namoradas, nos casamos, não um com o outro, mas nunca consegui tirá-lo de minha cabeça, ele eu já não sei. Sei que por mais que eu tente, simplesmente não consigo passar por ele e não sentir meu coração bater mais forte, minha respiração falhar e sentir “aquele” calorzinho. O pior é que é só ele consegue isso. É quase irreal. Mesmo depois de tanto tempo ele ainda mexe comigo. O jeito de sorrir, o modo como anda, o modo como fala.

Alguns dizem que ainda nos olhamos diferente, com um amor reprimido, de uma maneira estranha. De uma maneira que só os apaixonados se olham. Nunca tive a oportunidade de dizer um “Te Amo” para ele. Na realidade tive, e disse, mas quando tudo era apenas amizade e nada mais.

Não sei se ele um dia foi apaixonado por mim, a mãe dele diz que já foi e ainda é, mas não teve coragem de ir atrás, ele tinha medo da minha rejeição. Isso é o que a mãe dele diz, nunca vou saber o que ele acha.

Quando digo “Te Amo” eu realmente amo, mas não é um amor como aquele, porque a não ser pelos meus filhos e minha mãe, eu também morreria por ele. O amor que sinto por ele desde criança é inexplicável, é o meu primeiro amor.

Nunca nem chegamos a nos beijar, acho que assim foi melhor, se não poderia quebrar todo o encanto e magia que tinha sobre nós.

Harry te amo para todo o sempre.

Assinado: sua eterna Mione.







N/A.: Oi meu povo!!! Tudo bem com vocês???
Então??? Gostaram??? Espero muito que sim... Olha, essa fic foi inspirada em fatos realíssimos! Portanto espero que gostem dele... Não sei muito que escrever agora... só peço para que comentem e digam o que acharam.

BjoOs!!!

N/B: *Emocionada* Desculpe se isso sair uma verdadeira merda, mas nada que eu coloque aqui vai ser a altura dessa bela historia, que certamente daria um bom livro. Eu como amiga e chata de plantão digo, nada é mais puro e mais cativante que o primeiro amor, mais emocionante que a primeira vez que seu coração bate forte por outra pessoa, não há explicação para esse sentimento puro e inocente, quem dera todos os amores fossem como o primeiro.

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