Algo Novo



Foi como um turbilhão de coisas passando em cima de mim naquele momento. Sirius Black, apaixonado por mim. Será que eu deveria assumir que achava que estava sentindo o mesmo por ele? Na verdade, mesmo que eu quisesse, nada sairia da minha boca naquele momento, já que eu estava pensando rápido demais para que eu formasse frases e não tropeçasse nas palavras. Sirius vendo que eu não responderia, se levantou e se encaminhou para a porta.
-Bom, era só isso que eu queria dizer! Boa noite! - ele disse abrindo a porta.
-Espera! - eu disse vendo um sorriso aparecer em seu rosto.
-O que?
-Você...- eu hesitei. - Tá falando sério?
-Por que eu brincaria com isso Sarah? Não é fácil pra mim dizer isso, eu nunca disse pra ninguém além da Sophia, e eu não mentiria pra você, é muito importante pra mim. - ele me olhou sério.
-Eu não sei... não sei mesmo o que dizer!
-Tudo bem Sah, eu não espero que você tenha superado o Jay! - ele disse parecendo compreensivo e chateado ao mesmo tempo.
-Eu não gosto mais do James, Sirius.. - ele me olhou incrédulo. - Quero dizer, não como eu gostava antes, depois que a Lily engravidou, eu meio que desisti completamente de sentir isso...e...
Sirius olhou pra mim esperando que eu finalizasse.
-Eu também gosto de você, mais do que eu queria! - eu assumi, mesmo contra a minha vontade.
-Isso é tudo que eu queria ouvir! - ele disse sorrindo se aproximando de mim, Sirius pegou meu rosto com as mãos e selou os lábios nos meus, iniciando um beijo lento, mas muito bom, muito melhor do que o do sonho, logo o beijo se tornou mais rápido e cheio de desejo, e eu sentia as mãos de Sirius tremerem enquanto tocavam minha pele na cintura, eu senti suas mãos descerem, e mesmo contra a minha vontade, eu o parei.
-Será que a gente podia... ir devagar? - eu perguntei recuperando o fôlego.
Ele riu, encabulado.
-Certo, desculpe eu me empolguei! - ele sorriu e se aproximou de novo.
-Desculpado! - eu disse, o beijando novamente, e nós ficamos ali deitados e abraçados, nós não estávamos mesmo acreditando que aquilo estava acontecendo, pelo menos eu tinha certeza de que eu não acreditava, logo eu acordaria e seria um sonho, talvez aquele sonho, fosse um sonho dentro do outro, confuso, não sei. Depois de algumas horas, senti Sirius adormecer, eu ainda fiquei um bom tempo acordada, pensando em tudo que tinha acontecido comigo, em pouco mais de 4 anos, eu namorei alguém que eu estava completamente apaixonada, e me entreguei pra ele pela primeira vez, nós terminamos, eu sofri tempo demais, eu o vi casando, ele me beijou, e eu sofri mais, então agora eu estava aqui, deitada, abraçada com o melhor amigo dele, que dizia estar apaixonado por mim, era irônico, talvez estranho, não sei. Eu só consegui dormir depois que o sol nasceu.

-Mais pra cima Sah... - Lílian ria da minha tentativa inutil de sentir o bebê chutando, eu sempre colocava a mão no lugar errado.
-Sah é muito burra! - Remus brincou.
-Não é a toa que puxou a você! - Sirius disse se sentando ao meu lado e me entregando um copo de suco de abóbora, Remus apenas riu. Eu e Sirius estávamos namorando há sete meses, James não gostou muito quando soube que nós estávamos nos gostando, ele dizia que Sirius iria me magoar, mas eu sabia que no fundo era ciumes e ele não esperava que me perderia pro Sirius, nem Remus que era meu irmão, tinha se importado, lógico que nós ainda sentíamos aquela coisa estranha um pelo outro, era algo como amor, mas nós nunca ficaríamos juntos, a mulher dele estava perto de dar a luz, e eu estava muito feliz com Sirius, ele me fazia bem de um jeito que eu nunca tinha experimentado antes.
-Ai, eu senti! - eu ri e tirei a mão depressa no susto quando o little baby chutou minha mão, era assim que nós chamávamos os bebês de Lílian e de Alice, não sabíamos o sexo por isso tinhamos que apelidá-los de forma carinhosa, mesmo antes de nascerem. Todos apostavam em menina para Lílian e menino para Alice, mas eu dizia o contrário, achava que Lílian teria um garoto e Alice uma menina, eu era a única do contra pelo visto. - Meu pequeno Harry tem um chute forte ahn? - eu conversava com a barriga de Lílian, James me olhava distraído, provavelmente imaginando como eu seria se estivesse grávida, e não era só ele quem me observava, Ash e Sophme olhavam com cara de 'cara que baba ovo'.
-Harry não Sah, eu tenho certeza de que é menina, é minha pequena Louise! - Lílian disse colocando a mão sobre a barriga de oito meses. Nós tinhamos criado um laço muito grande durante a gravidez, eu fazia questão de cuidar dela, como se o filho que ela carregasse fosse meu, eu tinha um amor muito grande pela criança, assim como eu tinha pelo pai dela, e Lílian era com certeza a mãe perfeita para o filho de James.
-Veremos! - eu disse sorrindo maliciosa.
-Quer apostar o que? - ela perguntou sorrindo.
-Huum, Aquele seu sapato preto ma-ra-vi-lho-so! - eu disse rindo e estendendo a mão.
-Apostado! - ela apertou a minha mão.
-Prepare-se pra perder ruivinha! - ela riu.
O clima estava em paz essa semana na casa de Jay e Lily, mas semana passada não tinha sido bem assim, eles tinham sido atacados por Comensais, não foi nada sério já que eu e Sirius chegamos para ajudá-los, tivemos que lutar feio com Bellatriz Lestrange, a prima de Sirius, apesar de ele não levar em conta o parentesco, nós três - eu, Jay e Sirius- e ela destruímos praticamente metade da casa com a briga, mas logo Dumbledore veio e nos ajudou a consertar tudo, ficava cada vez mais difícil a situação, nós tinhamos que nos esconder, sair na rua só era feito em uma necessidade extrema. Ash e Remus agora estavam passando um tempo na casa com eles, até que as coisas se acalmassem, e eu e Sirius fazíamos visitas regulares aos Longbottom, assim como outros membros da Ordem, na intenção de protegê-los. Essa coisa toda de guerra já estava me dando nos nervos.

-Eu disse, eu disse! - eu gritava na sala de espera do hospital, era um momento maravilhoso, Harry tinha acabado de nascer, meu Harry! Lílian não queria por esse nome, porque estava com raiva por não ter acertado o sexo do bebê, mas James insistiu para que fosse esse o nome do filho deles Harry James Potter, perfeito! Sophia mal cabia em si de tanta alegria, ela e Peter - que estavam juntos agora, vai entender - estavam no hospital desde a noite anterior, quando Lily começou a sentir as contrações, eu e Sirius tínhamos chegado a pouco tempo e ela já estava em trabalho de parto nós tinhamos passado um tempo com os Longbottom, o filho deles nasceu horas antes de Harry, era um menino também, se chamava Neville, Harry tinha acabado de nascer e logo nós poderíamos vê-lo, ele devia ser lindo, mas eu definitivamente não queria que ele se parecesse muito com Lílian, eu sempre o imaginei como uma cópia perfeita de James. Sirius abraçava James no canto da sala de espera, os dois choravam feito crianças, logo Sophia se uniu a eles, e depois eu.
- Você sabia o tempo todo! - ele disse no meu ouvido enquanto me abraçava, os arrepios não eram mais tão fortes, mas existiam.
-Harry.. - eu só consegui dizer, era maravilhoso.
-Seu Harry! - ele disse me soltando, eu o olhei meio confusa.
-Seu Harry, James, ele é seu filho!
-Eu sei, mas é como se ele pertencesse a você também, assim como a mim e Lílian! Eu tenho certeza de que ela vai concordar, assim que a raiva por ter errado e por ter perdido os sapatos pra você, e eu quero que você e Sirius sejam padrinhos de Harry! - meus olhos brilharam e os de Sirius também. - Claro, se vocês quiserem!
- É claro! - nós respondemos juntos.
Eu nem acreditava que o bebê tinha finalmente nascido, menino ou menina, nós os teríamos amado da mesma maneira, tanto eu, como os outros amavam Harry mesmo antes dele nascer, como se um pedacinho dele estivesse em todos nós, ele e Neville eram com certeza as crianças mais amadas antes de nascer.
-Eu vou ver o pequeno Neville! - Peter disse tão emocionado quanto todos nós.
-Eu vou com você! Quando pudermos ver Harry, nos chame!- Sirius disse. Sophia seguiu os dois, deixando eu e James sozinhos na sala de espera. Ficamos em silêncio por um tempo, um silêncio constrangedor.
-Como você se sente papai? - eu disse quebrando o gelo novamente.
-Eu me sinto renascer Sah!
-Como você se sente, madrinha? - ele perguntou me fazendo sorrir.
-Eu sinto que ganhei um filho sem ter que carregá-lo em mim e ficar gorda! - nós dois rimos.
-As coisas se ajeitaram não foi? - ele perguntou com uma nota de dúvida em sua voz.
Desde o casamento eu e James não conversávamos a sós, por incrivel que pareça, tinhamos andado tão ocupados e tentava evitar esse tipo de momento.
-É eu espero que sim! Finalmente! - eu olhei nos olhos dele e eu senti que eles me queimavam, me puxavam, mas eu não tinha realmente vontade de me entregar a eles, e ele parecia não ter também, mas eu sabia, Sirius sabia, todos sabiam, que o grande amor da minha vida sempre seria James Potter.
-Vocês já podem ver o bebê! - uma enfermeira de aparência entediada apareceu na sala quebrando o momento, graças a Merlim! Harry e Neville tinham nasci em um hospital trouxa, Alice era metade trouxa, e tinha nascido naquele hospital, e Lílian tinha horror aos curandeiros do hospital bruxo 'eles parecem carniceiros' ela disse quando tentamos convencê-la a deixar que Harry nascesse lá.
James correu na direção do berçário, mas logo voltou ao ver que eu não o seguia.
-Você não vem? - ele me encontrou perdida em pensamentos, parada no meio da sala de espera. Eu acordei e olhei pra ele por alguns segundos.
-Eu vou chamar Sirius e os outros! - eu ia sair correndo, mas James me chamou outra vez.
-Sah, eu sei que eu e você queremos ver Harry, mas isso não vai se repetir nem tão cedo, eu acho... - ele disse. - Quero dizer, eu e você tendo um momento pra conversar, só nós dois.
-Oh, você quer dizer algo? - eu perguntei confusa.
-Na verdade eu quero perguntar... - ele mordeu o lábio inferior indeciso. - Sirius te faz feliz?
Aquilo me chocou, eu nunca esperaria aquele tipo de pergunta vinda de James, era realmente inesperado.
-É claro que faz Jay... - eu disse tentando entender o porquê daquilo.
-Mais do que eu fiz? - e então eu entendi, sem precisar perguntar, ele realmente tinha medo que Sirius me fizesse esquecer tudo, mas se Lílian não o fez se esquecer completamente de mim - e ela era a garota dos sonhos dele - porque Sirius me faria esquecer James? Ele era tudo que eu pedi, e mais um pouco, mas o sentimento que eu tinha por ele não era tão forte quanto eu senti por James.
-James, eu nunca vou e esquecer, não importa... - ele sorriu, e então virou as costas indo correndo para o berçário.
Eu corri para chamar Ash, Remus, Sirius, Peter e Soph, nós todos parecíamos baratas tontas correndo pelo hospital, tínhamos visto Neville no mesmo eberçário em que Harry estaria, e depois todos foram pro quarto de Alice vê-lo mais um pouco enquanto ele ficava com ela. Apesar de cansada ela parecia radiante, e o bebe era lindo, gordinho e bochechudo, Frank ao lado dos dois, mal cabendo em si mesmo de tanto orgulho. Então voltamos, fomos ao berçário para admirar o pequeno Harry, eu o tinha achado tão incrivelmente parecido com James, mesmo recém-nascido ali e fiquei realmente feliz pelo meu pequeno Harry não ter me desapontado. Logo depois fomos ver Lílian, ela parecia mais cansada que Alice, e pareceu desesperada ao me ver, sabendo que os sapatos já eram, e isso só se confirmou quando ela falou com a voz demonstrando o cansaço.
-Ah, meu Manolo Blaniki! - todos riram com esse comentário.
-Você pode ficar com os sapatos Lily! Eu fico feliz apenas por ser madrinha de Harry, lógico se você concordar com James, que pediu para eu e Sirius sermos padrinhos. - ela olhou de mim pra Sirius, e depois pra James.
-Você eu aceito! Ele não! - ela disse em tom de brincadeira, Ashlee explodiu em gargalhadas, e Sirius se fingiu ofendido.
-Vamos pessoal, amor vamos deixar você descansar! - James a beijou nos lábios levemente e todos nós saímos do quarto.


O tempo avançava rapidamente, Harry e Neville já tinham 8 meses, se sentavam sozinhos, e os dois me deixavam toda babada quando eu sequer encostava neles por causa dos dentes que nasciam, a família de James tinha sofrido outro ataque há dois meses, e um mês depois os Longbottom também sofreram, mas o que aconteceu foi completamente triste, Bellatrix os havia torturado até que enlouquecessem, e seria até a morte se nós não tivessemos chegado a tempo. As vezes eu achava que eles prefeririam a morte a ter que passar por aquilo, ficarem tão dependentes dos outros, mas eles poderiam ver o Neville crescer, ele estava com a avó agora, e nós os visitávamos sempre, Neville fazia tanta falta quanto Harry, apesar dele estar sempre conosco, pois íamos pelo menos duas vezes por semana visitar James e Lily. Harry era tão parecido com James, exceto pelos olhos, ele tinha os lindos olhos verdes de Lílian, era perfeito, era uma versão do James que eu sempre conheci com os olhos verdes, ele era lindo, e eu me orgulhava de ser sua madrinha, o batizado tinha sido há pouco mais de um mês, antes de os Longbottom terem sido atacados, Harry era minha única luz naqueles meses sombrios.
-Sah... - Sirius me gritou parecendo desesperado da cozinha. - Vem até aqui!
Eu corri para ver o que tinha acontecido, e encontrei um Sirius todo melado de chantilly com um pote de morangos em cima da pia, a embalagem havia estourado e Sirius ficou todo lambuzado, uma cena bem engraçada de se ver, eu comecei a rir, e sem que eu percebesse, Sirius lambuzou toda a minha cara com o doce, eu fiquei furiosa, mas logo depois nós já estávamos nos beijando no chão da cozinha, e o resto, bom, o resto só cabe a mim e a ele.
Quando eu terminava meu banho alguém tocou a campainha, nós não esperávamos visitas. Ouvi Sirius passar no corredor com seus passos pesados, mas hesitantes, de qualquer forma de fosse alguem que nos quisesse mortos já teria nos atacado, Sirius abriu a porta e eu pude ouví-lo cumprimentar alguem. Aliviada, terminei de vestir minhas roupas e sai do banheiro e fui até a sala pra ver quem estava lá. James, Lílian, e Dumbledore, estavam sentados no sofá, com caras preocupadas, Sirius estava de costas pra mim com o pequeno Harry no colo, sentado em uma das poltronas.
-O que está havendo? - eu perguntei e James me encarou com aquela expressão de que algo não ia bem.
-Sarah, é sempre bom te ver! - Dumbledore cumprimentou com um curto sorriso que eu respondi. - Nós temos complicações, e viemos pedir a ajuda de vocês...
- O que houve? Por Merlim. Alguém morreu? - eu perguntei aflita por meu irmão, ou por qualquer um dos meus amigos.
-Não Sarah, é claro que não! - Dumbledore respondeu diante da incapacidade de qualquer um dos outros 3 seres falantes da sala de me responderem. - Mas nós precisamos esconder Lílian, James e Harry, Voldemort está atrás deles!
Meus joelhos fraquejaram, não podia ser, Voldemort não podia matá-los, seria demais perdê-los. Eu me aproximei do sofá e me ajoelhei aos pés de Dumbledore.
-Como nós fazemos para salvá-los? - a dor na minha voz estava explicita, eu faria de tudo, eu daria minha vida para protegê-los. Dumbledore hesitou.
- O feitiço Fidelius... é o melhor caso aqui minha pequena, e nós contamos com a ajuda de Sirius para isso! - eu olhei para Sirius que tinha uma expressão quase tão dolorosa quanto a minha deveria estar, ver nossos amigos, nosso Harry em perigo.
-Sirius vai guardar o segredo? - eu perguntei para James agora.
-Sim, eu vou Sarah! - ele disse atras de mim baixinho.
-Nós temos que ter certeza Sirius... - Lílian disse encarando o chão. - Se é seguro pra você fazer isso por nós, nós não queremos...
-Não importa... - Sirius disse. - Eu aceito.
Meu coração se rasgou em mais um pedaço ao perceber no perigo que Sirius correria de agora em diante, eu não podia imaginar a minha vida sem ele, era doloroso demais. Mas nós tinhamos nos submetido a isso, nós sabiamos que corriamos perigo, e teríamos orgulho em morrer uns pelos outros.
-Entretanto... não é certo ainda garoto! - Dumbledore disse rapidamente. - Eu mesmo já me ofereci para guardar o segredo, mas James me disse que confia plenamente em você.
-Sim - James disse com orgulho a voz. - Ele é meu melhor amigo.
-Nós temos que pesar tudo James...
-Eu não sou um traidor Dumbledore... - Sirius disse, sua voz ecoou como um trovão que eu e Lílian nos encolhemos, Harry começou a chorar, então eu o peguei dos braços de Sirius e o levei para o quarto, queria ficar longe disso, eu não queria ser uma chave para encontrar os Potter se me pegassem. Eu abracei Harry forte em meus braços e comecei a cantar uma canção de ninar que mamãe costumava cantar pra mim enquanto eu sentia as lágrimas rolando pelo meu rosto, o tom de vozes tinha abaixado na sala, e Harry estava mais calmo, eu o coloquei na cama, peguei uma pena, um pote de tinta e um pergaminho, eu tinha que sair daquele apartamento antes que eu fosse um perigo para meus amigos.
'Remus, eu preciso voltar pra casa, não me pergunte, só por favor me deixe voltar'
Corri para a lavanderia com Harry no colo e prendi o pergaminho na pata da minha coruja amarelada.
-Leve para Remus! - eu disse e a soltei pela janela da cozinha, eu precisava me afastar.

Remus apareceu no dia seguinte, a essa altura eu já tinha contado a Sirius, e mesmo que ele tivesse insistido para que eu ficasse eu não podia me dar ao luxo de deixar as coisas acontecerem de forma errada. Remus pegou duas de minhas malas e desceu as escadas para colocá-las no carro e eu pudesse me despedir de Sirius.
-Tem certeza Sah? - ele disse com uma expressão triste. - Você não precisa fazer isso...
-Sim, eu preciso Sirius! - eu coloquei a minha terceira e ultima mala no chão e o abracei forte, depois ele me beijou e eu senti que aquilo poderia ser uma despedida definitiva. - É pelo nosso bem... - eu disse quando parti o beijo, peguei minha mala novamente e desci as escadas, encontrando Remus que me esperava já dentro do carro. Eu olhei para o prédio que eu achei que seria minha casa definitiva um tempo atrás, eu estava errada, tinha visto isso agora. Entrei no carro e Remus deu partida, nós passamos a maior parte da viagem em silêncio.
-James me contou Sah... - Remus disse pesaroso.
-Ele podia?
-Não, é perigoso, Dumbledore não confia em ninguém, e eu concordo com ele, mas Sirius? Sirius é quase nosso irmão, ele não...
-Eu tenho certeza que não Rem! - eu interrompi- Eu estou com ele todos os dias, quero dizer, estava...
-Sinto muito por isso Sah! Mas as coisas são assim... Eu tenho esperança de que isso acabe bem, e você poderá ficar com ele de novo... - Remus sorriu esperançoso, quando ele sorria eu podia ver a criança que bricava comigo antes de ser mordido pelo lobisomem, depois disso, Remus tinha muitas responsabilidades, muitos pesos, e nunca mais foi o mesmo. Eu o ajudei a lidar com todos os problemas que apareciam, com todos os preconceitos, e ele me ensinou a criar os meus próprios preconceitos, eu devia muito a ele. Nós tinhamos tantos problemas, mas ele sempre esteve ali comigo, quando papai e mamãe morreram, quando eu terminei com James, quando eu tive dificuldades com o Ministro da Magia pois ele desconfiava das minhas pesquisas pra Ordem, embora ele não soubesse se ao certo ela realmente existia, Remus chegou a ameaçá-lo, ele esteve comigo quando eu não conseguia fazer amigos pela timidez, deixando os proprios amigos que ele teve sorte de ter encontrado, e os deixou serem meus amigos também, quando ele sorria, eu via o homem real por trás do lobisomem. - De qualquer forma Sah... - Remus continuou. - Vai ser bom te ter em casa novamente...
Eu consegui sorrir, apesar de tudo serem trevas.
-Vai ser bom estar em casa! - eu disse voltando a olhar a rua.
Ashlee me recebeu com a maior alegria, fazia tempo que aquela casa não recebia boas notícias, apesar de elas não serem totalmente boas, estava claro de que ela não sabia nada sobre o Fidelius, e desse jeito seria melhor, pessoas demais já sabiam, Ash me ajudou a desfazer as malas junto com Sophia que foi lá no fim da tarde, sem Peter, ela disse que ele andava meio estranho e desconfortavel, mas eu disse que devia ser só a tensão das coisas acontecendo assim rapidamente e atropeladamente, Soph também não sabia de nada sobre o feitiço ou sobre o porquê de eu ter deixado Sirius, todos pensavam que tinhamos brigado, por isso eu andava triste, poucos sabiam o real motivo da coisa.

Os dias se passaram rapidamente, e eu podia sentir que tudo poderia explodir a qualquer momento e todos seríamos mortos de uma vez, há algum tempo as pessoas vinham sendo assassinadas, Marlene McKinnon e toda a sua família, todos mortos na casa devastada, foi muito triste, Sirius realmente tinha ficado triste com aquilo, apesar de eles terem tido alguns 'problemas' eram muito amigos, e Lílian então ficou arrasada, Marlene era uma de suas melhores amigas. Eu sabia que daqui a algum tempo poderia ser eu, todos sabiam que poderiam ser os próximos, por isso fomos ficando cada vez mais unidos, sempre que podíamos visitávamos uns aos outros, James e Lílian principalmente, pois sabiam que não nos veria durante um longo tempo, toda vez que nos encontravamos, James segurava forte minha mão, Lílian não se importava, até porque ela também fazia isso comigo e com Sirius, como se pedisse 'Cuidem do meu filho se algo me acontecer' e eu fui percebendo que perdê-los seria como perder uma parte de mim, seria mais dificil do que morrer. Os abraços ficavam mais longos e os minutos mais curtos, Molly, Arthur, o pequeno Rony, Percy, Billy, Fred e George estavam cada vez mais unidos conosco, visitávamos Alice e Frank sempre que podíamos no St. Mungus. As coisas ficavam mais dificeis a cada hora que se passava.
-Sah... - ele me chamou daquele jeito doce, eu o olhei com medo, sabendo que era a ultima vez que eu o veria, se as coisas não ficassem bem, mas esperávamos que ficassem. - Cuide do Harry, se cuide, se salve, pra que eu possa te ver de novo, e não se esqueça, eu te amo!
James dizia desesperado enquanto me abraçava, ele me soltou e beijou minha testa suavemente, se afastando sem me deixar responder. Lílian, logo depois dele, me abraçou com quase as mesmas palavras, agora todos sabiam que eles iam se esconder, mas ninguém sabia onde, nem com quem estava o segredo, nem eu mesmo sabia, mas eu achava que era Sirius quem o guardava. Eu o olhei e pude ver a aflição nos olhos dele, o medo por seu irmão, sua amiga e seu afilhado, nosso afilhado.
'Não está com ele', eu pensei, 'se estivesse ele não estaria assim'. Dumbledore os levaria para um lugar seguro, eu esperava que fosse seguro o bastante.
Logo James, Lílian, Harry e Dumbledore, desapareceram da nossa frente em um clique.
Sirius correu até mim e me abraçou forte como se pudesse me guardar dentro dele.
-Eu te amo... - ele disse antes de me soltar e se distanciar também.
-Eu também te amo.. - eu disse apesar de saber que ele não ouviria.
O tempo continuava passando, eu não via ninguém além de Remus e Ashlee. Eu sentia falta de todos, apesar de saber que estavam bem, foi então que eu comecei a sentir, algo mudando, não era o tempo, nem a situação, era algo dentro de mim, todas as manhãs eu vomitava, e não aguentava sentir o cheiro nada que tivesse relação com leite.
-Eu estou grávida. - eu disse para o meu próprio reflexo no espelho, ninguém tinha notado nada, pois eu nunca tinha vomitado em público, mas eu precisava dividir isso com alguém. No momento em que eu me preparava para procurar por Ashlee, ela abriu a porta do banheiro, seu rosto estava lavado por lágrimas e eu a vi cair de joelhos aos meus pés. - O que aconteceu?
Eu me abaixei ao lado dela, eu precisava de informação, eu a sacudi.
- O que aconteceu Ashlee? Pelo amor de Deus, o que houve? - ela só chorava e falava palavras sem sentido como 'não pode, por que tem que ser assim?, quando vai acabar?' Remus então apareceu na porta, lagrimas corriam pelos seus olhos também, mas ele estava mais controlado. - Rem, o que houve?
-Sophia! - ele disse simplesmente e ai eu entendi tudo, Sophia tinha morrido, não era possível, a pouco tempo ela estava ao meu lado, há poucos dias, não. Eu senti minha respiração falhar, e as lagrimas furiosas desciam silenciosas pelo meu rosto, logo eu chorava espalhada no chão, abraçada a Ashlee, nossa melhor amiga, morta. Tudo que havia antes foi esquecido, gravidez, saudade, quem se importava? Ela era minha irmã.
-Não, não,não. - Remus estava ajoelhado ao nosso lado chorando silenciosamente, tentando nos confortar, apesar de eu saber de que ele sentia a mesma coisa que nós, dor física, doía no peito perder alguém, e eu sentia aquilo fisicamente.
Não sei por quanto tempo nós ficamos lá, mas eu não me importava em controlá-lo, não importava mais, todos nós morreríamos. Todos.

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