Capítulo 01



- CAPÍTULO I –


Inveja, inveja e inveja


OU


James Potter narrando o penúltimo primeiro dia de aula


Eu queria que Mariana me beijasse.


Eu sei, eu sei. Isso não é lá grande coisa, afinal, eu penso isso de todas as meninas com belas pernas que passam na minha frente. Mas agora, era diferente. Eu estava completamente bêbado, comemorando a volta às aulas (que voltam só amanhã, aliás), e com o Sirius. É claro que ia acabar comigo fazendo merda (e ele, nem se fala).


Mas os lábios da Mariana eram tão grandes e vermelhos. E sua pele era tão mais bronzeada do que eu estava acostumada a ver nas meninas que saíam comigo. Ela era brasileira (intercâmbio), então ela tinha uma cor de chocolate totalmente maravilhosa na pele, combinando com os olhos amarelos e os cabelos dourados e o corpo simplesmente... Maravilhoso.


E ela estava mais doidaça do que eu, o que era um ponto positivo


E só pra deixar claro, eu só quero que ela venha me beijar porque eu não estou em condições de me mexer. Eu to totalmente amarrado no balcão do bar, com um cano de bebida na minha goela e um monte de gente em volta de mim gritando “VIRA! VIRA! VIRA!”. Se eu pudesse, coitada da Mari, tava na minha cama já.


Mas lá estava ela, do lado da Evelyn (a “irmã” de intercambio dela e alvo da noite do Sirius), com seus olhos derretidos de mel, suas ondas castanhas descendo nas suas costas, seu sorriso ENORME e branco no seu rosto. Meu Deus, por que todas as brasileiras são assim? Lindas e maravilhosas? E por que diabos elas dançam tão bem?


[A autora me mandou um “coitado de você, meu bem” que eu não entendi].


- ‘Ta, me tirem daqui! – eu gritei depois de ter tomado tudo, criando coragem e me imaginando beijando aquela brasileirinha lindinha.


- Caro Pontas, eu tenho que te dizer que se você não for atrás da Marizinha logo, você vai perder pra um daqueles muitos urubus que estão voando ao redor dela. – disse Sirius assim que eu pulei pra baixo do balcão, sendo aplaudido por todos. E é verdade, tinha um monte de caras ao redor da Evelyn e da Mariana.


- E eu tenho que te dizer, caro Almofadinhas, que você já perdeu a Evelyn pra um deles. – eu disse apontando pra ela, que estava sendo totalmente atacada por um menino loiro e alto. Sirius fez uma careta. – Mal jeito, Sirius.


- Nada de usar a minha frase, Potter. – ele disse, apontando um dedo pra minha cara e começando a sorrir maroto. – Vamos ver o quanto você gosta.


E então ele andou até a Mari, que sorriu pra ele, e agarrou ela.


O QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE?!?!?!?!?!?!?!?!


- SIRIUS BLACK! – eu gritei, mas ele só me mostrou o dedo do meio sem deixar de beijar a Marizinha lindinha, e empurrando ela até um canto. Filho de uma PUTA!


Ah, ótimo. Realmente divino. Lá estava o traíra do meu melhor amigo (é o caralho!) pegando a menina mais bonita da festa que por direito ERA MINHA QUASE-PEGUÉTI, todo feliz da vida, e eu aqui, parado no meio do bar, olhando pros dois, como se fosse uma bela duma topera.


- E aí, Pontaaaaaaaasssssssss? – gritou Remus, se jogando do meu lado. O Remus, quando tem a Mimi por perto, só bebe um pouquinho, pra ficar um pouquinho alegre. Mas agora que a namorada gata dele não ‘ta mais por perto, ele ‘ta loucamente pirado, o pior de todos nós, falando tudo errado e dançando feito um maníaco. – Cadê a Marixinha lindenha?


- Dando uma geral nas amídalas podres do seu amigo Sirius Black. – eu disse revirando os olhos e virando uma das garrafas que ele segurava. Ele começou a rir.


- O XIRIUS ROUBOU SXUA GATCHA?! – ele gritou, gargalhando, meio torto. – Ah, é tão... Txípico dele.


E vendo o Remus todo bêbado, tentando parecer o espertão intelectual que ele sempre é, mas falando tudo errado, eu comecei a rir e pensar “que se foda, é só uma menina!”, então eu puxei uma loirinha que tava sendo azarada por um cara aí pela mão e beijei ela, ouvindo o Remus gritar “O JAMES ROUBOU A SXUA GATCHA, CARA? É tão txípico dele”.


Ainda eram duas da manhã, e a gente não tem hora pra voltar. E isso porque era dia 31 de agosto, imagina como que foram nos outros dias dessa semana! 


&&&


Uma bosta. Era isso que a minha cabeça era nesse momento, uma bosta.


Ah, mas que merda. Eu odeio, odeio ressaca, porque eu costumava não ter até o ano passado, mas agora sempre que eu bebo, eu fico com uma dor de cabeça insuportável, uma ânsia de vomito do inferno, dor no corpo inteiro... E eu fico ouvindo o Remus me enchendo o saco por ter deixado ele beber tanto e o Sirius me enchendo o saco porque pegou a minha “gatcha”.


Uma bosta é a minha vida, isso sim.


- Ah, calem a boca, vocês dois. – eu disse, deitando a minha cabeça no balcão gelado de mármore da minha cozinha. – Remus, se você não quisesse ter ido e bebido, não ia e nem bebia. Sirius, vai tomar no seu cu.


- No cu é o caralho! – ele disse rindo feito um maníaco, jogando a cadeira pra trás daquele jeito irritante que ele faz o tempo inteiro. Ele tava de ressaca, todo descabelado e com o rosto praticamente deformado, mas continuava no mesmo humor de sempre, já que ele ‘ta de ressaca quase que todos os dias da vida dele. – Eu tenho que te falar, James, não é a toa que as brasileiras tem essa fama. Meu Deus, tinha hora que nem eu achei que eu ia agüentar aquela menina na cama!


- Ah, cala a boca. – eu gemi, jogando meus braços na minha cabeça.


- Meninos, parem de judiar do meu filho. – disse meu pai passando por nós três, indo direto pra geladeira. – Ele só é um idiota que volta pra casa às seis da manhã no primeiro dia de aula.


- Opa, tio, cuidado com as palavras ofensivas. – disse Sirius. – Porque nós dois também somos esses idiotas.


- E não julgue seu filho, tio. – disse Remus, com a pior cara de nós três. – Ele só ‘ta nesse estado semi alcoólico as férias inteira por causa da Lily.


- Não é por causa da Lily. – eu disse minha voz abafada pelos meus braços. Esses dois tapados ficaram as férias inteiras me enchendo sobre a Evans, o carma da minha vida. ‘Ta, no começo eu bebia um pouco por ela sim, mas depois foi só porque eu percebi como era bom beber! E eu já tentei explicar isso pra eles, claro, mas eles me ouvem?


Como se aquela menina merecesse um sinal de tristeza meu.


[E como se eu não tivesse dado mesmo assim.]


- Filho, não se iluda. – disse meu pai (MEU PRÓPRIO PAI), bagunçando os meus cabelos. – Todos nós sabemos que é por causa dela. Não precisa mais fingir.


- Mas que saco, eu já disse que não é por causa dela! – eu gritei me levantando, batendo as mãos no balcão. Os três reviraram os olhos com a minha teimosia sem sentido (porque ‘ta legal, eu admito pra vocês, é por causa daquela ruiva que eu bebo feito um porco) e deram de ombros.


- ‘Ta bom, Pontas, se engane. – disse Remus, se levantando e dando uma mordida numa maçã. MINHAS MAÇÃS!


- Mas você não pode mais nos enganar. – disse Sirius me dando um peteleco na minha cabeça, o que quase me fez pirar.


Eu suspirei e me levantei, e nós quatro começamos a andar até o carro do papai, que ia nos levar até a King Cross. Eram dez da manhã, eu estava puto porque só tinha dormido três horas, mas nós combinamos de dormir na viagem até Hogwarts.


Ah, eu tava morrendo de saudades de Hogwarts. Não via a hora de poder jogar quadribol contra outro time, de azarar alguns otários, de mexer com a Evans e fugir do Evans, de ouvir a McGonagall nos encher o saco e o Dumbledore rir com a gente da cara dela, de zoar o Filch, de ir pra Floresta...


E eu não via a hora de ver a Lily. O jeito que ela morde o lábio inferior com força quando ‘ta nervosa ou pensativa, como ela arqueia as sobrancelhas quando ‘ta irônica, como ela estreita os olhos quando ‘ta com raiva, como ela fica vermelha por quase tudo, como duas covinhas aparecem quando ela ri...


‘Ta, mas que merda, eu ainda gosto dela. Não como eu gostava antes (nem de perto), depois daquela nossa conversa amigável na academia ano passado, em que ela praticamente me disse que não confiava em mim, em que ela não quis me ouvir, ouvir meu lado daquele incidentezinho com a Pego [VIDE MXP, CAPÍTULO 17].


Mas é mais do que óbvio que ela nunca vai saber disso. Eu a chamo pra sair, mas não porque eu gosto dela, mas porque eu gosto de fazê-la ficar com raiva, de fazê-la ficar adoravelmente vermelha...


Ah, mas que porra.


A gente já tava no estacionamento da King Cross quando Remus e Sirius começaram a cantar “Baby’s Coming Back” feito duas bichas, e eles continuaram a cantar até quando nós estávamos dentro da Plataforma Nove e Três Quartos, sentados num banco (só nós três, meu pai já teve que ia trabalhar), esperando nossas amadas amigas lindas e maravilhosas.


Depois daqueles dias que nós passamos juntos nas férias até a despedida da Angel [VIDE MXP, CAPÍTULO 20], nós viajamos cada um com seus pais, como sempre fazemos todas as férias, então nós estávamos morrendo de saudades delas. E do Peter, coitado, nosso amigo maroto, que não pode ir lá pra casa porque ia voltar mais tarde. Tinha só dois dias que o Sirius e o Remus estavam lá em casa, mas o Peter já ficou com ciúmes.


O Harry, a Lily e a Lene foram pro Havaí. A Mimi, pra França (ELA FICOU MAIS TEMPO QUE A GENTE COM A ANGEL!), o Remus pra Grécia, eu pro Brasil (sério?), o Sirius ficou aqui mesmo, e o Peter, na Irlanda.


- Sabe de uma coisa? – disse Sirius, depois da seção canção deles. Ah, porcaria, ele ‘ta com aquele sorriso de “vou zoar com você”... – Eu aposto que Lily Evans não é mais virgem.


- Ah, Sirius, isso não! – eu gemi, suspirando. – Pode me zoar da Mariana, o quanto você quiser, mas isso não!


- Eu não estou te zoando, seu palerma. – ele disse, revirando os olhos, vendo o Remus se levantar pra comprar salgados pra gente. – Eu estou te contando um fato.


- E como que você pode saber que isso é um fato, retardado? – eu disse, olhando pra ele.


- Ela foi pro Havaí, James. É o que eles fazem lá.


- Eu não acredito em você. – eu disse, dando de ombros.


- Então isso quer dizer que você se importa com a virgindade de Lily Evans? – ele perguntou, se virando pra mim, sorrindo, e eu tive vontade de me espancar.


- Lógico que não, sua besta. – eu rosnei, e Remus se sentou do meu outro lado. – Eu to pouco me fodendo pra isso. Ela dá a virgindade dela pra quem ela quiser. Eu só estou de dizendo que eu duvido. Você não conhece a Lily como eu conheço.


- Como você conhecia, Pontas. – ele disse. – Como você conhecia.


- Chega, Sirius. – disse Remus, e eu agradeci mentalmente à ele.


Pensar que a Lily ficou com outros meninos nessas férias doía. Doía demais, era quase insuportável o ciúme que eu sentia quando eu imaginava ela ficando com um surfista amigo do Harry, ou pior ainda, um cara qualquer na praia que tava bêbado numa festa. E aí eu fico com mais medo ainda, pensando nos vários acidentes que podiam acontecer com ela... Um surfista bêbado descontrolado, um GRUPO de caras bêbados descontrolados, ela sozinha na praia de biquíni...


Ah, eu não gosto nem de pensar. Eu disse várias vezes isso pro Remus, porque ele me entendia, e algumas até pro Sirius, que coitado, realmente foi um bom amigo às vezes, quando não me zoava. Teve dias que eu quase pedi pra ir pro Havaí pros meus pais, mas lógico que ia ser loucura. Eu ia estragar as férias da ruivinha, então eu resolvi confiar no Harry.


Mas aí em lembrei que a Lene tava lá, ou seja, ele não teria muito tempo pra ver a Lily, então eu fiquei mais preocupado ainda.


Então aqui estava eu, olhando de um lado pro outro descontroladamente, tentando achar uma cabeça ruiva por aí, desesperado.


Se alguma coisa tiver acontecido com ela, eu só não mataria Harry, porque isso ia chatear ela. Mas alguma parada realmente vai acontecer, porque já se passaram meia hora e ela não apareceu. Nem ele, nem ninguém.


- Oi, gente. – eu quase quebrei meu pescoço pra ver quem que era, mas era só a Mimi.


Credo, James, “só a Mimi”? Desculpa, desculpa, desculpa, Mimi, a linda Mimi! Ela estava maravilhosa, os cabelos um pouco maiores, mas repicados, bem lisos e loiros, a pele branca como sempre, os olhos estupidamente claros. Ela usava uma bermuda jeans azul escura que ia até a metade da coxa dela, uma blusa azul bem apertada de mangas longas, um chinelo azul escuro.


- Oi Mimi. – todos nós dissemos em uníssono, sorrindo. Ela abraçou a todos nós, e por ultimo deu um beijo na boca de Remus e se sentou no colo dele.


- E aí, como foi na França? – perguntou Remus.


- Ah, a mesma coisa de sempre. Só que a gente viu a final da Copa de Quadribol! – ela disse animada.


- QUE?! – eu gritei, e o Sirius, morrendo de inveja. PÔ, eu queria ver aquele jogo! Inglaterra x França, a França deu uma surra na gente!


- É, eu e a Angel. Foi demais, a Angel passou mal de tanta beber e gritar ao mesmo tempo. – ela disse rindo, e todos nós a acompanhamos.


- E aí, galera! – de novo, eu quase quebrei o meu pescoço, e ‘ta esquentando: era a Marlene.


Caralho.


Caralho.


O que DIABOS aconteceu com ela? Na boa, o que quê é isso? Ela ‘ta MUITO, MUITO, MUITO, MUITO, MUITO GATA. MUITO. Gente... Ela só pode ter menstroado agora, sério! HAHA! Ela ‘ta mais bronzeada do que antes, bem mais MESMO, a pele dela ‘ta toda dourada, e o cabelo ‘ta da mesma cor, ou seja, mais escuro do que antes. Mais longo também, meio liso e cheios de cachos e ondas... Ela ‘ta uma deusa!


- Caramba, Lene! – disse Remus, que parecia o único homem aqui que conseguia falar. Lógico, tinha uma veela no colo dele, cagado. – Mas você ‘ta gata hein!


- Valeu. – ela disse rindo, se sentando do lado do Sirius, que não tirava o sorriso maroto do rosto e os olhos dela. – Pára de me olhar assim, Sirius, o Harry ‘ta vindo.


- ONDE? – eu gritei, me levantando. Eu tava desesperado. E fiquei ainda mais quando vi que o Harry vinha sozinho até aqui, sem a Lily.


Sem sinal da Lily.


Ah, meu Deus, o grupo de surfistas bêbados descontrolados.


A Lily não, a Lily não...


Eu fui correndo até o Harry, que estava mais alto, mais bronzeado, mais loiro (e mais forte, merda) do que antes, e ele arqueou uma sobrancelha pra mim, porque ele ainda totalmente me odeia pelo o que ele acha que eu fiz com a Lily ano passado, mas eu estava pouco me fodendo pra ele. Eu precisava saber da Lily, eu precisava ver ela inteira e sem nenhum arranhão...


- Harry, cadê a sua irmã? – eu quase gritei, e aí ele arregalou os olhos me olhando, parando de andar. Ao ver que ele não respondeu, eu puxei meus cabelos com as mãos e arregalei meus olhos, e aí eu tive certeza que tava parecendo um lunático. – Porra, eu aposto que você se trancou com a Lene num quarto e esqueceu dela, não é? Cadê a Lily? Você só espera pra eu fazer uma avaliação nela, Evans. Você acha que eu esqueci aquelas férias do segundo ano, que vocês dois foram pra Miami e você a esqueceu na praia e ela se afagou? Ah, Evans... Mas se ela aparecer e eu ver que ela esta machucada - eu não me importo de quem seja a culpa; eu não me importo se ela só tropeçar, ou se um meteoro cair do céu e atingir a cabeça dela - se ela aparecer em uma condição menos que perfeita do que aquela em que eu a vi pela ultima vez, você vai surfar com uma perna. Você entendeu isso, mongól?


E só depois que eu parei de falar, eu percebi que ele estava MUITO mais forte e mais alto do que antes. E do que eu, claro.


Mas ele não ergueu um punho do tamanho da minha cabeça dele e me esmagou gritando, como eu achei que ele ia fazer. Muito pelo contrario, ele sorriu abertamente e passou um braço ao redor dos meus ombros, e me virou para ver a lanchonete.


E lá estava a Lily.


E eu tenho que dizer, ela não tinha uma condição menos perfeita do que a ultima vez que eu a vi. Ele estava mais do que perfeita, ela estava surreal. Ela me fascinou, ela me deixou louco, e ela estava totalmente longe de mim.


Ela usava um par de botas de salto alto e bico redondo, pretas e de cano baixo, que combinavam com a calça de couro apertada e preta que ela usava. E com a blusa vermelha que ela usava, e os cabelos mais vermelhos e mais compridos, presos em um coque bagunçado, deixando seus ombros nus aparecendo, mais bronzeados que nunca, finos e delicados.


Até mesmo assim, ela parecia mais fina e delicada do que nunca.


Até mesmo assim que eu digo, essa roupa. Meu Deus. Calças de couro... Dava a impressão de que ela já tinha transado, e muito.


- Satisfeito, James? – perguntou Harry, ainda sorrindo, e me fez parecer que tava tudo bem entre a gente. Eu só fiz que sim, ainda olhando pra ela, que estava sentada num banquinho no balcão da lanchonete, tomando um milk shake. – Eu não tirei os olhos das duas. Eu só me trancava num quarto com a Lene de noite, depois de trancar a Lily no quarto dela.


- Oh. – eu disse, piscando e arqueando as duas sobrancelhas, e finalmente olhando pra ele. Ele ainda sorria pra mim, admirado, os olhos brilhando.


- Eu sei que não foi você. – ele disse.


- O que? – era impossivel. Eu realmente ouvi isso? Harry Evans, o monstro troglodita e irracional, que defendia a irmã com unhas e dentes e dois punhos enormes – disse isso?


- Eu disse que sei que não foi você. Se você tivesse feito aquilo, você não estaria assim, desesperado. – ele deu dois tapas no meu ombros cinquenta vezes menor que o dele, e foi andando pra abraçar a Marlene Gata dele, sorrindo maroto.


Caramba.


Eu fiquei um tempo parado ali, olhando pra Lily (tão pequena e delicada que eu tinha vontade de ficar lá, atras dela, como escudo, protegendo-a daquela própria corrente de ar que parecia forte demais pra ela), até o momento em que ela rodou o banco e deu de cara comigo.


Caralho.


Ela ficou me olhando por uns cinco segundos, ainda tomando o milk shake verde nojento dela, fazendo os enormes olhos dela ficarem ainda mais verdes e expressivos. Então ela desceu do banco e começou a andar até o nosso grupo de amigos, sem mais olhar pra mim, mas passando do meu lado.


Mesmo com o salto, a testa dela mal passava da altura do meu nariz, e o salto era enorme. Eu adorava essa nossa diferença: ela pequena, e eu não. Dava a impressao de que era a minha obrigaçao cuidar dela.


Mas agora, eu não podia mais. Eu não podia mais gostar dela, ou proteger dela.


Mas eu podia fingir, né?


- Oi, Evans. – eu disse sorrindo, me virando e andando atrás dela. Ela continuou andando reto, o som dos saltos dela no mesmo ritmo que o meu coração. – Eu disse oi, Evans.


- E eu fingi que não ouvi, Potter. – ela disse, pra depois abraçar o Sirius. Então eu senti uma porrada nas minhas costas. Uma porrada MUITO da forte.


- Não é só porque eu descobri que não era você que eu não vou te dar uns cascudos quando você fizer essas palhaçadas, mongól. – disse Harry, erguendo uma sobrancelha, com a Lene bem firme nos braços dele. Que inveja da porra.


- ‘Ta, ‘ta. – eu resmunguei, tentando massagear as minhas costas, mas não alcançando. – Aliás, Harry, o que quê você deu pra sua namorada que fez ela ficar tão gata? – eu perguntei meio bobo, olhando pro rosto de Marlene, mas ainda assim vendo o sorriso convencido do Harry.


- Eu não sou namorada dele. – disse Marlene revirando os olhos, e Harry se virou pra ela, sem sorrir agora.


- Tu ‘ta louca? – ele perguntou, quase gritou, empurrando ela gentilmente até que ela estivesse de pé bem na frente dele, com ele segurando os dois ombros dela.


- Você não me pediu em namoro, Harry. – ela disse revirando os olhos, coloando as mãos no pescoço dele e chegando bem perto do corpo dele. Inveja, inveja.


- Oh. – ele disse, olhando pra ela, mas com o olhar fora de foco. Ela começou a beijar todo o rosto dele, mas ele ainda estava lá, olhando pro nada.


Mas apertando ela pela cintura, claro. Até parece que ele ia perder a chance.


- Falta o Peter! – disse Sirius, se levantando, e Lily se levantou também, já que ela tava no colo dele. Inveja, inveja, inveja...


- Não falta mais. – disse alguém. Nós olhamos pro banco que estava do lado do nosso e lá estava Peter, de pé sobre ele, fingindo ser um super herói ou algo assim. Nós rimos, enquanto ele pulava com o punho erguido, mas caiu de bunda no chão. – E aí galeraaaaa!


- E aí Peterrrrrr! – gritou Lily, rindo, jogando o restinho do milk shake dela no Peter, que gritou “ah, sua vadia!”. – Eu vou ali pegar mais um desses. Alguém quer?


- Eu vou contigo. – disse Marlene sorrindo, parando de beijar Harry. Ele segurou ela por mais uns segundos, beijando o pescoço dela e sussurrando alguma coisa, e ela riu e foi correndo até Lily, que fingia que vomitava nela.


- ‘Pera que eu também vou. – disse Mimi saindo do colo de Remus (inveja, inveja, inveja), correndo até as duas. – Por que essa coisa é verde, Lily?


- Ela tem que pegar o mais nojento...


- Não é nojento, é bom!


Então eu não conseguia mais ouvir o que ela falava, já que elas praticamente apostavam uma corrida pra ver quem chegava primeiro na lanchonete. Depois de estarmos todos sozinhos e sentados um do lado do outro no banco, em silêncio, Sirius e sua boca grande suspiraram e deixaram escapar:


- Eu acho que a virgindade da Lily já era, Pontas.


Ele não recebeu só uma chuva de socos meu, como uma chuva de socos do Harry, então ele vai ficar todo roxo por uns dias.


- ‘Ta bom, foi mal! Foi mal! – ele gritou, se encolhendo numa bola em volta dos braços, tentando se proteger principalmente do Harry, que estava vermelho. – E porque você ‘ta batendo em mim, Harry, se é o James que se preocupa com a virgindade da sua irmã?


Ele parou de bater no Sirius e suspirou. Detalhe que eu estava entre os dois.


- Ele pode, Black. – mas mesmo assim, ele me deu um soco no nervo da coxa.


- Ah, Harry, qual é... – eu disse gemendo, massageando minha coxa, enquanto todos os outros riam (principalmente o Harry).


- E como que foi ficar as férias inteiras com aquela loirássa no seu quarto, Harry? – perguntou Sirius, rindo. Todos nós rimos também, e Harry deu de ombros apontando pra si mesmo, como quem fala “fazer o que, eu sou o cara”. – Na boa, eu to morrendo de inveja de você.


- Eu nem falo nada. – eu bufei, e todos riram.


- Eu não. – disse Remus dando de ombros, então todos nós batemos nele, que ria da nossa cara mesmo assim.


- Maldito lobinho comedor de veela. – disse Peter, rindo. – Mas vocês, hein, sacanagem. Passaram metade das férias na casa do James e não me chamaram!


Metade das férias?


- Foram só os ultimos dois dias, Peter. – disse Sirius, revirando os olhos. – E você não estava nem na Inglaterra pra ir pra lá. E o Harry tava ocupado demais com a Lene. – ele completou de um jeito sacana, e Harry concordou na hora, cruzando as pernas.


- EVAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANS! – gritou alguém na lanchonete, e todos nós nos levantamos na hora. Ah, um grito alto desses era musica pros meus ouvidos!


- Ah, droga. – disse Remus, e nós começamos a correr até a lanchonete, rindo.


Marlene e Mimi estavam quase desmaiando de tanto rir, jogadas de cabeça no balcão, enquanto Lily olhava para a dona da lanchonete, bebendo tranquilamente seu milk shake verde, rodando a cadeira de um lado pro outro. E do lado direito dela, estava Luana Pego, a desgraça da minha vida, coberta por um líquido verde.


Obviamente, a única pessoa com mais de 10 anos que estava naquela plataforma que pedia aquele milk shake verde era a Lily, e só aquela carinha dela de “eu sou inocente” já entrega ela totalmente. E bem, a vítima era a Pego.


- Hm, eu. – disse Lily, parando de beber do milk shake, ignorando totalmente a Luana, que gritava alguma coisa bem feia e bem alto.


- O ano escolar NEM COMEÇOU e você já está fazendo bagunça! SAI AGORA DA MINHA LANCHONETE!


- Mas eu não paguei ainda! – ela gritou, ficando de pé, fingindo que era inocente.


- Vai embora logo, VAI EMBORA LOGO! – gritou Luana, se descabelando, enquanto apontava pro cabelo verde dela. A Mimi e a Lene ainda estavam lá, passando mal de tanto rir, do lado da Beatriz Espinosa, amiga da Luana, que tentava limpar o cabelo da amiga e segurar a risada ao mesmo tempo.


- Pô, amiga, “mó” disperdício de milk shake... – comentou Lene, limpando as lágrimas dos olhos. Eu senti Harry suspirar de orgulho do linguajar descolado e surfista da Lene do meu lado, e aí eu ri mais ainda.


Ah, nós estavamos rindo. MUITO.


- Mesma coisa que jogar tudo no lixo... – comentou Mimi, ainda rindo muito.


- Ah, mas vocês estavam falando que era ruim e nojento! – disse Lily pela primeira vez, a expressão ainda séria. – Então lógico que eu ia fazer isso aqui, ó. – então ela virou mais um pouco do milk shake no cabelo da Luana, que gritou, e todos nós da Grifinória, realmente TODOS, nos deitamos no chão de tanto rir.


- A... A... M.... Minha barrrrrrrrrrrrrr... Barrrrriggg... – dizia Sirius do meu lado, todo jogado em cima do Harry, que nem ligava, só ria.


- Como que é, Lily? – perguntou Marlene, do chão, rindo.


- Isso aqui, ó. – ela disse de novo, e virou todo o milk shake na Luana, que partiu pra cima dela, mas a Beatriz segurou ela. Pela primeira vez, Lily riu e se levantou, gritando “vamo, gente, vamo, gente!” e correndo até o nosso banco, e nós a acompanhamos, as vezes caindo de tanto rir.


Ah, como era bom ser da Grifinória!


                     &&&


- ‘Ta certo, o que quê você fez nas suas férias, Harry? – perguntou Mimi, lambendo a palma da mão coberta com chocolate derretido.

- Ah, eu sei o que ele fez... – eu disse rindo pra Harry, que riu pra mim, e Lene revirou os olhos sorrindo.

Nós estavamos no vagão do trem, já com os uniformes, só nós oito, cada casal um de frente pro outro. E o Sirius de frente pra Lily, e eu de frente... Pro Peter.

- Bom... – começou o Harry, engolindo a comida antes de falar. – Eu ensinei a Lene a surfar e andar de skate.

- EIIIIITA! – todos nós gritamos, aplaudindo o Harry, que fez uma reverencia e um carinho na mão de Lene, que fazia o simbolo dos skatistas com os dedos da mão.

- E eu ensinei o Harry a fazer compras! – ela disse, e todos nós rimos, menos o Harry, que fechou a cara pra ela. – Ah, fala que você não acha legal!

- Ah, ‘ta bem, é legal mesmo. – ele disse dando de ombros, abrindo a boca pro chocolate que a Lene dava na boquinha dele.

INVEJA.

- Eu achei que era impossível surfar, na boa, ainda mais no Havaí. Cada onda enorme... – disse Lene, piscando pro não-namorado dela, que piscou de volta pra ela. – Quando eu vi o Harry ficando de pé na prancha pela primeira vez, eu quase saí correndo pra fazer ele descer.

- Sua mentirosa, você tava morrendo de medo de entrar no mar! – gritou Lily tacando um feijãozinho nela, e nós rimos.

- Ah, mas só no comecinho. – disse Harry, fazendo cara feia pra irmã. – A Lily só ‘ta com ciume porque a Lene ‘ta surfando melhor do que ela.

- Sério? – eu perguntei sorrindo pra Lene, que fez que sim animada.

- Nas próximas férias, eu vou te levar pra surfar nas ilhas Fiji. – disse Harry sorrindo diretamente pra Lene, que riu animada e deu um beijão na boca dele.

- É tão bom ver vocês dois se entendendo, finalmente. – disse Mimi, olhando pro dois. – Era insuportável ter que apartar a briga de vocês, quando tava TÃO na cara que você queriam dar uns malhos.

Malhos?

- Agora a gente só briga quando eu dou um pau nele no video game. – disse Lene, sorrindo, e Harry revirou os olhos e Lily riu maléficamente.

- O Harry te ensinou a jogar video game?! – gritou Sirius, rindo. – E você GANHOU dele?

- Eu deixei ela ganhar! – disse Harry, sério. Lily riu mais ainda, ironicamente.

- Deixou nada, ela te deu um pau! No futebol, ela ganhou de 5 à 1. na lutinha, ela zerou o jogo antes dele. No Guitar Hero, ela fez muito mais pontos que ele...

- ‘Ta, Lil, eles entenderam. – disse Lene sorrindo, indo sentar no colo do Harry, que disse “cai fora, sua macho”, mas sorriu pra ela, que riu.

- E você, James? O que que vocês fez? – perguntou Mimi, sorrindo pra mim.

- É, você foi pra casa da Pego ou alguma coisa assim? – perguntou Lily, arqueando uma sobrancelha, e Lene tacou um dos tenis de Harry nela (mas sem deixar de beijar ele).

- Bom, Mimi, no Brasil, eu fiz muita coisa. – eu disse rindo, e Lily revirou os olhos. É mentira, lógico, eu nem fiz tanta coisa assim. – Depois que eu voltei, o Remus e o Sirius foram lá pra casa e a gente só saiu um pouco.

- Mariaaaaaaaaana você me prendeu, depois diz que não me queeeeer! Choro e griiiiito por seu nome, Mariaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaana! – começou a cantar Sirius, e só Remus, que entendia, começou a rir. Eu peguei o tênis do Harry, que tava esquecido no meio do vagão, e taquei nele.

- Mariana? – perguntou Mimi, arqueando uma sobrancelha.

- Não é ninguém. – eu sorri pra ela, e ela acreditou, mesmo depois que o Remus gritou:

- A MUSA DO VERÃO, ARDENTE TENTAÇÃO, QUARENTA GRAUS DE SONHOS, DE DESEJO E PAIXÃO! MUSA DO VERÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!

Pelo amor de Deus.

- E você, Sirius? – perguntou Mimi, ficando séria de repente. Todo mundo aqui sabe que as férias do Sirius são uma merda, por causa da família dele, mas essas deviam ter sido ainda piores. Porque antigamente, ele ficava com a Angel pra evitar a família, e agora nem isso ele podia.

- Ah, você sabe. – ele disse, dando de ombros. – Nada fora do normal. Menos a Narcisa, enchendo o saco dizendo que Beaxbatons é o máximo.

- CARACA! – eu gritei do nada, me levantando. Todo mundo olhou pra mim (menos o Harry e a Lene, que não conseguiam se desgrudar [que barra pra ele...]).

- O que, Potter? – perguntou Lily, com as mãos no peito. Hihi, ela levou um sustão!

Quer dizer, CARACA!

- Gente, eu esqueci totalmente que esse ano tem o Escolar Mundial de Quadribol. – eu disse, me jogando no banco, e então Harry empurrou a Lene até ela estar no banco dela, e deu um rugido animado, rindo, pro Sirius, que fazia o mesmo. – Ô, seus otários, a gente não treinou nem nada!

- Mas nem ia ter como treinar, né, James, têm que ser todo o time junto. – disse Remus.

- Ah, eu, como boa monitora, ganhei junto da lista de material um aviso que dizia que já que duas titulares saíram da seleção, a Narcisa e a Angel, eles vão dar o resultado das substitutas hoje de noite. – disse Mimi, sorrindo.

- Pô, eu nem tinha pensado nisso, eu sou a única artilheira da seleção... – disse Lily sorrindo.

- Por pouco tempo, ruivinha. – eu disse dando uma piscadela pra ela, e ela me mandou um dedo do meio.

- Quem você acham que vão ser as outras duas artilheiras? – perguntou Lene, de braços cruzados, ignorando as tentativas do Harry de puxar ela pro colo dele. Ela ‘ta brava, ô dó.

- O Gatuso e a Finnis. – disse Sirius na hora.

- Ah, sei lá, o Gatuso? – eu disse.

- Vocês não vão começar a falar de quadribol, né? – perguntou Mimi, revirando os olhos. – Vocês vão ter a janta quase inteira pra falar disso, pelo amor de Deus...

- Eu aposto DEZ galeões que é a Finnis e o Gatuso! – gritou Sirius pra mim, que revirei os olhos.

- Bom, eu aposto QUINZE que vão ser as duas Finnis e a terceira vai ser reserva! – eu disse, revirando os olhos. Fala sério, a mãe das trigêmeas Finnis era uma das olheiras que escolhiam o time.

- Enfia as Finnis no seu cu, o Gatuso é bom, cara!

- Que isso, Sirius? Se você tem uma paixão pelo Gatuso, fala logo, não fica aí fingindo não!

- MARIANA, VOCÊ ME PRENDEU...

- AH, CALA A BOCA!



&&&




Eu sei que eu já provavelmente disse isso milhões de vezes desde o meu segundo ano, mas eu acho totalmente engraçado o jeito que as pessoas olham pro nosso grupo quando a gente passa. Agora, por exemplo, a gente tava descendo da carruagem que levava a gente pro castelo, e todo aquele mundarél de alunos que estavam do lado de fora dos portões conversando começaram a olhar e comentar da gente. Coisa do tipo “nossa, olha como ele cresceu, o cabelo cresceu, ela encorpou, o Harry ‘ta quase afro, a Lene ‘ta muito maravilhosa, a Lily e o James tão se batendo, ANGEEEEEL...”, e a gente nem ligava, sabe? Passava reto mesmo, só entre a gente, as vezes comprimentando umas pessoas...

E algumas dessas pessoas que vinham nos comprimentar não eram muito bem vindas por todos nós.

- Oi, Minerva. – disse um cara que estava atrás da gente. Todo nos viramos e demos de cara com três Lufa-Lufa, um de cabelo preto e loiro, outro com cara de mal, e um loirinho com uma cova na bochecha.

- Ah, oi, gente! – disse Mimi sorrindo, soltando a mão do Remus (que arqueou a sobrancelha e cruzou os braços, sem tirar os olhos da namorada) e indo abraçar os três. – Meninos, esses são James, Sirius e Peter, meus amigos, e esse é o Remus, meu namorado. – aí o Remus deu um sorriso de lado, superior. Lobo mal. – Os outros vocês conhecem. Caras, esses são Henry, Tom e John [VIDE MXP, CAPÍTULO 19].

- Oi. – os tres disseram, e eu sorri. O Sirius e o Peter também, mas o Remus só fez um jesto com a cabeça. – Bom, eu só queria te dizer oi mesmo. Ah! – ele disse quando uma menina da Lufa também abraçou ele, e adivinha SÓ QUEM ERA A DESGRAÇADA?! – Mimi, essa é a minha namorada, Luana Pego. Conhece ela?

- Se a gente conhece? – disse Lily mais atrás da Mimi, do lado da Lene. – Se a gente conhece a filha da p...

- Vem, Lil. – disse Lene, apesar de rir, puxando a amiga pela mão e entrando no castelo só as duas. Nós todos seguimos elas duas, e a Mimi, que tava de boca aberta olhando pra Luana, ia ficar lá mesmo petrificada se não fosse o Remus fazer ela pular nas costas dele e levar ela ele mesmo.

- Pobre John, deve ser o cara mais corno do castelo e não sabe... – disse Mimi, depois de ter suspirado, olhando pro nada, ainda nas costas do Remus, que bufou.

- E desde quando você liga pra isso? – ele disse, revirando os olhos. – É só a Evil Luh, Minerva.

- E ele é meu amigo! – ela disse mais irritada, olhando pra ele. – E desde quando você me chama de Minerva?

- Ih, vocês dois vão brigar por causa do John? – perguntou Lily, olhando pros dois. – O cara que pega a Evil Luh?

- Briguem depois, otários, a gente tem que ficar em silencio pra seleção. – disse Peter se sentando no meio da mesa da Grifinória, e nos sentamos juntos dele. – Ah, como eu senti falta daqui. Que bom, que bom...

- Bom pra falar logo de quadribol! – eu disse. – Tomara que andem depressa com a seleção. Eu to faminto.

- E eu to louco pra ganhar aquela aposta. – disse Sirius tacando um tênis em mim.

Qual é a dessa mania nossa de tacar coisas um no outro?

- Não ferra. – eu disse rindo, devolvendo o tenis na cara dele.

- Hey, galera, cadê a Richardsson? – perguntou Remus, olhando pra mesa dos professores. Todos olhamos também e estava realmente faltando um lugar lá.

- Ela foi pra França dar aulas em Beaxbatons. – disse Mimi, arrumando o cabelo dela. – A Angel acha que ela ‘ta seguindo ela a mando do pai dela.

Nós rimos, imaginando o drama que Angelina disse quando confessou isso pra Mimi.

- Ah, anda logo. – gemeu Peter, do lado de Remus. – Eu seria capaz de devorar um hipogrifo.

Como magia, a seleção dos alunos do primeiro ano foi rápida, mais rápida do que nunca, já que nós quase não prestamos atenção. Mas para o nosso desespero total, eles iam servir a comida antes de falar de quadribol.

- Mas que cacete, viu. – sussurrou Sirius, quando Dumbledore se levantou, sorrindo pra todo mundo.

- Só tenho duas palavras pra dizer para vocês, agora. – ele disse. - Bom apetite!

- Apoiado, apoiado! – gritou Peter, já atacando a comida.

Eu nunca, na minha vida, fiquei irritado com a comida de Hogwarts, mas agora eu tava. Não que estivesse ruim, nunca. Nada como um belo empadão, haha! Mas eu tava tão louco pra ouvir sobre quadribol, finalmente, que quando a comida sumiu e Dumbledore se levantou de novo, eu comecei a rir feito um maníaco pro Sirius, alto demais.

- Então! – disse Dumbledore, rindo de mim, provavelmente já sabendo o motivo da minha risada. – Agora que já enchemos a pança e molhamos a garganta, preciso mais uma vez pedir sua atenção, para alguns avisos.

“O senhor Filch, zelador do colégio, me pediu pra avisá-los que a lista de objetos proibidos no castelo cresceu. A lista inteira e seus trezentos e trinta e seis itens, eu acho, pode ser examinada da sala do zelador, se alguém estiver interessado.”

“Eu gostaria também de avisar a todos que a floresta que faz parte da nossa propriedade é proibida a todos os alunos, e o povoado de Hogsmeade, àqueles que ainda não chegaram a terceira série.”

“Tenho ainda que lembrá-los, dolorosamente, que esse ano não realizaremos a Copa de Quadribol entre Casas.”

DOLOROSAMENTE É O CARALHOOOOOOOOOOOOO!

- Isto se deve a um evento que começará no começo de outubro e irá prosseguir até o fim do ano letivo, mobilizando muita energia e muito tempo dos professores, mas eu tenho certeza que vocês irão apreciá-los imensamente. Tenho o grande prazer de anunciar aos novatos e lembrar aos veteranos que este ano realizaremos a Copa Escolar Mundial de Quadribol.

- ISSOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! – eu não me aguentei, sério, e me levantei, junto com Sirius, os outros capitães de quadribol (menos o da Sonserina, aquele tapado), rindo e pulando e gritando. Todo mundo que jogava quadribol se junto a nós, até mesmo os amigos (a Lene tava uma comédia fingindo que tava feliz), e Dumbledore só ria enquanto McGonagall mandava todo mundo calar a boca.

Todo mundo eu digo eu. “Cala a boca, Potter, seu troglodita!”.

Legal!

- E eu ainda tenho o prazer de dizer uma novidade a todos e todas! – disse Dumbledore, sorrindo. – Os diretores do torneio, eu mesmo um deles, pensávamos seriamente em fazer o torneio no colégio de Beaxbatons, com seu clima fresco, ou no colégio de Bruxaria do Corcovado, com as maravilhosas praias brasileiras... Mas no final, ficou decidido que nada parecia mais certo e aconchegante do que a própria Hogwarts, portanto, a Copa será realizada aqui.

- O SENHOR QUER QUE EU ENFARTE! – eu gritei, me jogando na mesa, rindo de me acabar. AQUI! A COPA VAI SER AQUIIIIIIIIIIIIIIII!

- Não, senhor Potter, eu não quero, afinal, você é da seleção. – disse Dumbledore, rindo com o resto da escola. – Bom, continuando, alguns de vocês talvez não saibam direito como funciona essa Copa, portanto, eu explicarei prazerosamente mais uma vez.

“No ano passado, ao final da Copa das Casas, com o campeão Grifinória... Isso, gritem, crianças, comemorem, haha... Bom, nós anunciamos os melhores jogadores de todo o campeonato, e formamos com eles um único time misto com as quatro casas, possuidor de sete titulares e nove reservas. Essa seleção será o time que representará Hogwarts na Copa Mundial, e Hogwarts estará representando a Inglaterra nesta. Teremos doze times de escolas do mundo inteiro, países como França, Brasil, Bulgária, Estados Unidos, Itália, entre outros.”

- E como vão caber quase 200 pessoas a mais no castelo, professor? – perguntou um aluno do segundo ano da Corvinal.

- Bom, algumas obras temporárias estão sendo feitas no colégio. – ele respondeu. – Primeiramente, dormitórios, perto do Lago, para todos os quase 200 participantes que virão para cá. Cada país terá o seu. E em segundo, o Campo de Quadribol ficará maior e mais confortável, já que cada país pode trazer sua torcida. Para a torcida, nós não ficamos responsáveis em fazer dormitórios, eles ficarão no povoado de Hogsmeade.

- E as duas artilheiras que foram embora do colégio, professor? – perguntou Eduardo Zabini, capitão da Sonserina, de pé. Ele é louco pela Angel, coitado, mas deve ser primo de terceiro grau dela. Sei lá.

- Exatamente. – disse Dumbledore sorrindo. – Angelina Johnson do sexto ano da Grifinória, e Narcisa Black, do terceiro ano da Sonserina, ambas se mudaram para o colégio de Beaxbatons na França, e eu não sei ainda se as duas fazem parte do time desse país, mas assim que eu souber, eu vos digo. – ele disse isso olhando mais pra gente, que agradecemos a informação com um sorriso. – Portanto, nós substituímos as duas por pessoas igualmente talentosas, que serão informadas agora.

Ele pegou um pedaço de pergaminho na mesa e o abriu. Arrumou os óculos bem na ponta do nariz (eu comecei a imitar ele com meus próprios óculos, e todos riram, até McGonagall me enfeitiçar e eu ficar quieto) e disse:

- Como sabemos, o apanhador titular é James Potter, o goleiro é Harry Evans, uma das artilheiras é Lily Evans, e um batedor é Sirius Black, todos esses do sexto ano da Grifinória.

Todo mundo começou a aplaudir a gente. Nós somos demais.

- O outro batedor, é o aluno Gideão Prewet, do sétimo ano da Lufa-Lufa.

Nós também aplaudimos Gideão, educadamente, apesar de não gostarmos muito dele.

- E os seus parceiros de muitos gols, senhorita Evans, são...

Eu troquei um olhar mortal com Sirius, que me mostrou o dedo.

- O senhor Eduardo Zabini, sexto ano da Sonserina, e Daniel Gatuso, sexto ano da Corvinal.

O QUEEEEEEEEEEEEEEEE?!

O ZABINI? O SONSERINO ZABINI? O OTÁRIO ZABINI?!

Não acredito.

 O QUE, O GATUSO?!

- EU TE DISSE QUE O GATUSO IA! – gritou Sirius, de pé, rindo.

- Ah, Sirius, só assume logo que você é gay e ama o Daniel... – eu disse revirando os olhos, mas meio triste comigo mesmo, PORQUE EU NÃO ACERTEI NENHUM!

- As Finnis, pelo amor de Deus... – disse Sirius, rindo, se sentando de novo. – A Lene joga mais do que as três juntas!

Lene arqueou uma sobrancelha e olhou pro teto, fingindo estar séria. Harry sorriu e passou um braço em volta dela.

- Eu te ensino a jogar quadribol, se você quiser.

- Ah, que bonitinho...

- Que fofo...

- Eu quero o Harry pra mim...

- Calem a boca, barangas! – disse Marlene pra um monte de meninas do terceiro ano, que arregalaram os olhos.

- Será que eu posso continuar? – perguntou Dumbledore, e nós olhamos pra ele de olhos arregalados. Opa. Ele sorriu ao ver nossas caras e disse: - E os reservas são: apanhadora, Mellany Chang, sexto ano da Corvinal. Goleiro: Danilo Gilardino, sétimo ano, Sonserina. Batedores: John Goyle, sexto ano da Sonserina, e Eduardo Ballak do sétimo ano da Corvinal. Artilheiras: Daniela e Daiane Finnis e Maicon Baddok, todos do sexto ano da Lufa-Lufa.

Todos aplaudimos. Ah, Finnis filhas da puta, reservas tudo bem, né? Agora, titulares que é bom...

- Agora, o mais importante, que ninguém sabe ainda. – disse Dumbledore sorrindo, abaixando o pergaminho. – Há também um premio para o colégio vencedor. O time que ficar em primeiro lugar na Copa dará a oportunidade para toda a escola representada por eles passar uma semana inteira em um acampamento ainda sendo construído nas ilhas Fiji, que serão totalmente fechadas durante esse tempo magicamente sem a atenção dos trouxas. O segundo colocado, passará apenas um fim de semana lá, e o terceiro colocado, um sábado.

- As ilhas Fiji, amor! – disse Lene, se virando pra Harry, sorrindo. Harry tinha um sorriso enorme e deu um beijo na Lene, pra depois de virar pra mim, Lily e Sirius, ainda abraçado a Lene.

- Nós temos que ganhar esse troço.



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No próximo Capítulo:




“- Certo, cavaleiros. – disse Remus, arqueando uma sobrancelha. – A missão Sebo e Osso está iniciada. Nos encontramos em meia hora na beira do lago, atrás da árvore de sempre. Câmbio!”.


MAIS



“Mas então uma parada realmente louca aconteceu. Eu ouvi uma voz. Não se assustem, leitores, não foi nada assustador, que me fez ficar traumatizado nem nada. E muito menos foram aqueles dramas assustadores de Hollywood, onde a voz fala do nada e o mocinho quase que quebra o pescoço, dando uma volta enorme com ele pra olhar pra trás. Foi uma voz baixa, mas ao mesmo tempo alta. Como se ela estivesse sendo sussurrada no meu ouvido.

Era a voz da Angel.”.


MAIS



“A sensação de álcool descendo a minha garganta me relaxa de verdade. É como se passasse no meu cérebro um pensamento tipo “daqui a poço tu ‘ta bêbado e faz o que quiser”. Daí, eu me sinto o rei do mundo. E com direito a bobos da corte, três ainda!”.


Capítulo II de certas Aborrecências:

Vocês sabem que eu não presto
OU
Sirius Black narrando o resumo de sua vida sem seu anjo.

 

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