Capítulo II



Capitulo II

(Ela)


- Ok, senhorita, me fale agora um pouco sobre você.


- Mais do que eu já falei?


- Ah, aquilo? Foram só os procedimentos básicos, nome, endereço,
telefone...Estou falando da sua vida pessoal.


- Porque?


- Não seja bobinha! – Disse a senhora batendo levemente na bochecha
de Hermione. – Você está procurando um homem, ele precisa
saber um pouco mais de você, é assim que funciona as coisas.


- Ok. Eu vivo com meus pais desde que, bem, desde que eu me entendo por gente.


- Isso não faz muito tempo, faz?


- O que?


- Nada, somente algo para descontrair.


- Ah...Sim...er... eu amo gatos, mas só tenho um, o nome dele é Bichento.


- É melhor ele escolher o nome dos filhos... – murmurou.


- Pode repetir. por favor?


- Deseja ter filhos? Quantos e mais ou menos com que idade?


- Um casal e daqui uns 3 anos se tudo correr bem.


- E você resiste a tudo isso? Com toda essa...hmmm....massa muscular?


- Vai a você-sabe-aonde!


- Irritada...


- Ok, Mari, pode parando que eu já me cansei da brincadeira! – Disse
levantando-se da poltrona de coro e encarando a amiga.


- Você falou o que “me ajude a responder a entrevista” e é exatamente
isso o que eu estou fazendo.


- E quanto os comentários pessoais?


- Eu estou me colocando no lugar da pessoa que irá fazer isso com você,
a entrevista, é claro, mas eu to expondo os pensamentos deles já que
eles não podem fazer ou são despedidos, ou ganham uma bolsada...
não me olha com essa cara! Você pediu ajuda, aqui estou eu.


- E como eu me arrependo.


- Deixe de ser tímida e me fale, ultimo namorado ou namorada caso preferir.
Eu já falei pra não me olhar assim! – Disse vendo Hermione
lhe mandar um olhar mortal, as sobrancelhas arqueadas – Quanto tempo
durou, como foi, porque terminaram. – Disse séria, tirando os óculos
e cruzando os braços sobre o peito, esperando uma reação
de Hermione.


E aí está o meu ponto fraco. Em todos os meus 25 anos de vida,
eu sempre tive uma certa facilidade para responder perguntas, das mais fácies
as mais difíceis, menos quando o assunto era a minha vida particular,
ou melhor, quando eram sobre relacionamentos.


Para ser sincera, nem sei se eu posso dizer que eu já tive um, eu posso
lhe falar, sem olhar no dicionário, qual é a definição
perfeita da palavra, mas na pratica, como é realmente ter um, a situação
muda e drasticamente.


Eu já tive amigos e ainda mantenho alguns até hoje, tenho um
bom relacionamento com a minha família (tudo menos quando a Sra. Granger
cisma em me apresentar para um dos sócios do papai, que eu estou encalhada,
eu sei disso, mas precisar da ajuda da minha mãe? Isso é humilhante),
mas nenhum que tenha a palavra amor, ou derivados da palavra. Deprimente. Eu
sei.


Eu já tive dias melhores. Dias que agora me parecem beeem distante,
até mesmo difíceis de acreditar.


Antigamente (ah meu deus, estou falando como a minha vó), quando eu
passava na rua tinham aqueles pedreiros gordos e feios, ridículos é a
melhor palavra pra definir o conjunto em si, que assobiavam pra mim. Okay,
eu sei, isso é nojento, eu poderia ser filha de um deles, mas de qualquer
modo isso ainda era uma pista de que eu não tinha sido esquecida até pelos
homens mais deploráveis, que a vista de alguém (mesmo sendo tão
argh...!!!) eu ainda era aceitável, mas agora nem isso!


Bons tempos eram aqueles!


Não que eu aceitasse convite de pedreiro (se fosse bonito, até ia,
mas não eram!), mas só o fato de esnobar me deixava feliz, saber
que eu era desejada (eu to com medo de mim mesma) e que eu ainda podia recusar
e ter minha alto estima lá em cima, talvez toda a mulher debaixo de
todo a maquiagem e bijuteria fique um pouco feliz mesmo que ache a cena um
tanto ridícula (o que cá entre nós, é)...


Mas agora... nem isso!


Eles passam, olham uma vez, mais uma e riem! Caem na gargalhada! Se esbaldam
e saem apontando pra mim ou falando “olha a gordinha, pessoal, será que
ela cai nesse bueiro e sai rolando ladeira abaixo?” e tem também
aqueles pestinhas (entende-se por alunos da creche em frente ao meu prédio)
que ficam correndo de mim, como se eu comesse crianças indefesas (não
que elas sejam, as pestes jogam aquelas massinhas, que tem um cheiro pior do
que a minha vó, em mim quando eu chego muito perto!).


As pessoas daqui do prédio não fazem nada desse tipo comigo,
eles pensam que eu me transformei nisso por causa de uma doença, e bem,
de certa forma, essa desculpa é bem tragável, afinal, depressão
pode ser considerada um doença, não pode?


Acho que estou destinada a morrer velha, chata, feia, porém não
virgem! Isso deve valer um pouco, não? E também há a possibilidade
de ficar cuidado de velhinhos depravados pelo resto da vida, afinal, há quanto
tempo eles não põem o pé na rua? Os olhos deles, eu comparada
a sra Richartz, sou um baita mulherão... ok, mentira, a única
diferença é que eu tenho um rostinho mais bonitinho (é porque
não tenho aquela coisa nojenta em cima do meu nariz e nem barba), porque
só faltam mais uns 15 kg – que eu infelizmente devo ganhar no
final do ano com todas aquelas guloseimas - para ficarmos quites.


Relacionamentos... bem, eu não acho que se possa considerar nenhum
desses casos como um, mas o mais próximo que eu cheguei perto de um
foram esses:


Primeiro: o antigo dono da loja de doces.


Ele parecia gostar de mim, mas sobre correr atrás de mim isso se deve
ao fato de que ele sempre colocava uns docinhos a mais pra mim, eu pensando
que ele não estava cobrando nada aceitava na boa vontade, afinal, quem
recusa gentilezas assim? Não demorou muito, ele me vem com uma continha,
para não dizer o contrario, cobrando os doces que eu tinha aceitado,
aquilo era uma estratégia de marketing que ele usava e costumava se
dar bem,mas não com Hermione Granger. Ele fez um teatro quando o ameacei
dizendo o colocaria na justiça, aquele velho safado, já tinha
tudo programado.


˜˜˜˜ fashblack ˜˜˜˜


- E quem vai acreditar em você? – Ele perguntou, rindo.


- A justiça, é claro! Eu tenho a ficha limpa.


- Quem os garante que você não é somente uma jovem bonita
e interesseira querendo dar um golpe em um velho e pobre dono de doces? Eu
sou incapaz de matar uma mosca aos olhos dos outros, quanto mais, ameaçar
uma pessoa. – Disse em um tom doce e ao mesmo tempo falso.


˜˜˜˜ fim de fashblack˜˜˜˜


Eu não o coloquei na justiça, também eu não voltei
na loja dele e muito menos paguei, e por isso ele ficava me esperando na janela
todo o dia, mas sempre voltava de mãos abanando. É, realmente
o termo ‘correr atrás’ não se encaixa muito bem,
era uma verdadeira perseguição. Graças a Deus que ele
não demorou muito nesse mundo...


Segundo: O filho da vizinha


Uma verdadeira gracinha, loirinho com olhos azuis e carinha de bebê,
bem magrinho, devo admitir, um esbarram e já ia no chão, mas
lindo e Merlin sabe como foi difícil dizer não quando ele falou
sobre casamento! Não é uma graça?


Mas eu fui forte e recusei, acho que se eu pudesse voltar no tempo eu desfazia
aquilo (como se não fosse contra a lei ©. Outro problema também
que tinha, e seria o fim do nosso hmm... relacionamento, seria o ciúmes!


Tão pequeno e tão ciumento! Sempre ficava vermelho de raiva
quando outro rapaz chegava perto de mim e também me perseguia, era só me
ver subindo essa bendita escada – que eu amaldiçôo todo
o dia - e corria atrás de mim com a cara de cão sem dono mais
linda que eu já vi!


Vocês devem estar falando: - Que idiota! Como deixa um cara desses passar?!


Bem, ele tinha 5 anos e eu tenho serias duvidas se ele realmente me amava,
acho que era somente por causa dos doces que eu dividia com ele, e o ciúmes
também vinham daí... como era guloso, acho que o pensamento de
eu dar os doces destinados a ele para outra pessoa seria capaz de mata-lo!


Terceiro: Miguel, cara da locadora.


Feiiiiio de dar dó, mas um verdadeiro gentleman (cavaleiro)...


Bom gosto para filmes, interessado nos acontecimentos do país e do
mundo, também queria conhecer o mundo, caseiro, mas muito comunicativo,
um bom ouvinte também, e o único homem que eu conheço
que chorou do começo ao fim ao ver Titanic.


Ele seria somente uma diversão, assim por dizer, eu podia juntar os
pontos no rosto dele e tantas espinhas! Eu tentei, juro que tentei, mas eu
não conseguia desviar os olhos daquelas coisas grandes, vermelhas e
nojentas... Me arrepio só de pensar!


Mas foi melhor para os dois, primeiro, porque se um de meus namorados me trocasse
por um homem seria o fim pra mim, e ele agora tem alguém que o ama de
verdade, e agora, com essa mudança repentina ele se veste bem melhor,
devo dizer, melhor do que eu.


Ele era meio que a gata borralheira que encontrou o príncipe encantado
(Carlão da padaria).


Quarto e último: o senhor Granger


Bem, para esse eu devo uma boa explicação.


Meu pai não me ama ou tem interesse em mim desta maneira, pelo amor
de Morgana, como é que alguém pode cogitar essa possibilidade?!


Mas em todos esses anos, ele é o único que continua a me dar
amor e apoio incondicional, já me viu nos melhores e piores momentos,
trocou a minha fralda (isso deve ter sido horrível) e mesmo assim, nem
por causa das nossas brigas ou minhas burradas deixou de me amar em nenhum
minuto (palavras dele).


Ele sabe exatamente como é o meu sorvete preferido, meu maior pesadelo,
meu maior sonho.


Ele é capaz de ficar me ouvindo o dia inteiro mesmo não entendendo
nada do que eu posso estar dizendo, e sempre tem o melhor conselho para me
dar e mesmo eu estando mais de 30kg mais pesada desde a primeira vez que ele
me pegou no colo, ele nunca falou um não quando eu sentava no colo dele
para chorar.


O mais engraçado – e até estranho – é que
mesmo quando eu perco as esperanças de encontrar o cara perfeito, ele
as mantem por mim.


E é exatamente assim que eu quero que meu futuro marido seja, – se
eu tiver um, é claro – que faça o mesmo que o meu pai faz
por mim com os nossos filhos e seja um bom marido como o sr. Granger é para
a minha mãe, sempre tão doce e compreensivo.


- Hermione? – chamou Mari.


- Sim? – ainda perdida em pensamentos


- Vá pra casa. Você já me ajudou bastante me deixando
testar minhas técnicas de boa psicóloga em você e acho
que você só precisa se organizar. Se eu fosse você, faria
uma lista do que está de incomodando e então começaria
a fazer tudo diferente, tentar me reerguer.


- É...quem sabe? – Perguntou em um sussurro, mas para si do que
para a amiga.


N/A: A depressão não vai durar muito tempo... mas ela é o
caminho pra poder explicar o porque da Hermione estar assim e ter ganho esses
quilinhos a mais... :P


Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.