Capítulo II



Capítulo II
It’s getting harder to breath.


- Você está atrasada.- meu agente falou assim que eu cheguei no estúdio.
- Bom dia para você também, Richard.- eu exclamei mal-humorada. Qual é a dele afinal? É graças a mim que ele ganha dinheiro, ele podia me tratar um pouquinho melhor, só pra variar né? Era sábado de manhã e supostamente eu tinha que chegar as sete para começar a fazer o ensaio fotográfico para a marca de sandálias bruxas. Eu cheguei às sete e meia. Não foi tão ruim assim, foi? Considerando que eu cheguei três e meia da manhã em casa...
- Bom dia, querida!- a maquiadora me cumprimentou.
- Maggie, como vai?- eu perguntei, abraçando-a. Como eu já fiz muitas coisas como modelo – porque hey, esse é o meu trabalho desde os 16, né? – eu meio que conhecia grande parte do pessoal que trabalha com isso. E Maggie já tinha trabalhado comigo umas cinco vezes.
- Ah, querida. Você continua gentil como sempre!- ela exclamou apertando minha bochecha. Essa era uma das coisas que eu fazia questão de fazer, sabe? Falar com todos os funcionários: de modelos, fotógrafos a faxineiros. Nem que seja para dar bom dia, e eu realmente tenho uma memória boa, então sim, eu lembro do nome de todos eles. E dependendo de quanto durou nosso contato, eu sei nome até da esposa, dos filhos, do papagaio... ah, você entendeu. Mas antes que eu pudesse fazer mais algum comentário, Richard (o babaca do meu agente) parou ao lado da cadeira onde eu estava sentada para que fizessem a maquiagem e praticamente jogou o jornal em cima de mim. Eu já ia xingar ele – veja bem, eu costumo ser muito calma e paciente com todo mundo, menos com ele – quando vi o porque de tanta irritação.
O jornal estava aberto na parte da coluna social e uma foto se destacava das demais. E sabe o que mostrava a foto? A porta de um hotel muito conhecido com uma ruiva saindo apressadamente. Em outras palavras, eu saindo do quarto do Rony na noite anterior. Encharcada. Com o cabelo horroroso. E com o vestido colado de forma vulgar. Eu dei um sorrisinho amarelo e sem graça pro Richard. Ele sempre ficava irritado quando eu fazia cena na rua.

- O que exatamente você estava fazendo lá?
- Eu...
- Não interessa! Gina, você tem que parar com essas coisas... eu não agüento mais ser acordado as seis da manha por jornalistas querendo uma declaração oficial sobre seu mais recente namorico.
- Não é namorico!- eu nem sei porque eu falei aquilo, mas ele falou de uma forma ruim. E fez com que eu me sentisse culpada.
- Então é sério?
- Não!- eu exclamei, me sentindo ainda pior- Nós não temos nada um com o outro!

Ele me olhou descrente, bufou, deu meia volta e começou a fazer uma série de ligações. Eu já estava começando a ficar com pena por dar tanto trabalho quando me lembrei que ele é pago para isso. E que se ele tem uma casa de férias em Mount Vernon é graças a mim e as minhas cenas. Então, eu simplesmente me virei para o espelho, me ajeitei na poltrona e deixei Maggie fazer o trabalho dela.

- Namorado novo?- Maggie me perguntou em um tom maternal.
- Ahn... não. Definitivamente não. É só um cara que eu conheci na festa de ontem.

Ela sorriu para mim como se entendesse completamente do que eu estava falando, mas ela estava totalmente enganada. Porque, ao contrário do que ela imaginava, eu não tinha ido para cama com ele, tendo conhecido o individuo algumas horas atrás. Ao invés disso, eu estava o ajudando a tomar conta do meu adorável irmãozinho. A vida é mesmo irônica não é?

- Você não vai ler o que está escrito?

Eu olhei meio receosa para o jornal. Não ia ser nada muito diferente do normal, mas mesmo assim... era com uma pessoa diferente. Olhando novamente para Maggie, eu vi que ela tinha terminado com a maquiagem e agora eles iam fazer meu cabelo. Eu tinha tempo pra ler o maldito jornal, então.


Ela nunca pára.
Por Sophia Langton

Quando a gente começava a se perguntar por onde ela estaria, nossa musa apronta de novo. É claro que vocês sabem de quem estou falando, Gina Weasley voltou com tudo! Saindo de mais um relacionamento escandaloso – há uma semana ela era a futura senhora Witney –, ontem nossa adorável ruivinha foi flagrada saindo da festa de boas vindas aos jogadores acompanhada por um jogador da Inglaterra chamado Harry Potter. Dizem as más línguas do outro lado do oceano que o senhor Potter troca de namoradas como troca de roupa. Será mesmo? Ou será que esse inglês vai se render aos encantos de Gina? Se rendendo ou não, a noite deles pareceu ser bem agitada – e curta!, pois pouco mais de uma hora depois, Gina foi flagrada novamente saindo do hotel do apanhador, encharcada da cabeça aos pés, parecendo apressada. Estava tão quente assim, Gina?
Será que esse relacionamento irá durar? Uma coisa é certa, ninguém sabe dar a volta por cima melhor do que Gina Weasley. Estamos torcendo por você, queridinha!


Joguei o jornal no chão, sentindo as pontas das minhas orelhas começarem a esquentar, o que sempre ocorria quando eu estava profundamente irritada. Mal podia acreditar que tinham posto aquela foto no jornal. Sabia que iam falar de mim no jornal, mas eu não esperava uma matéria – e uma foto – tão grande. Ah Roniquinho... sua futura esposa que me perdoe, mas você me paga infeliz!

xXx


Batidas constantes soavam longe, mas pareciam estar se aproximando. Algo batendo contra a madeira talvez. Irritado, eu levantei e olhei para o relógio no criado mudo ao lado da cama. Ainda era nove e meia e já tinha algum infeliz fazendo obra no apartamento de cima... ou de baixo.. ou do lado... botei o travesseiro em cima da cabeça, tentando abafar o som até que, com um susto, me levantei da cama. Aqueles não eram meus travesseiros, aquela não era minha cama, muito menos aquele era meu quarto. Como que despertando de um sonho, ou de uma ressaca, eu lembrei que estava em Nova Iorque. Me perguntando de onde vinha o maldito barulho percebi que era alguém batendo na porta. Na verdade, alguém esmurrando a porta. Ainda meio zonzo de sono, me obriguei a ir até a porta e abri-la, isso para dar de cara com um ruivo com o rosto igualmente vermelho, soltando bufos e palavrões. Que diabos estava acontecendo? Rony me empurrou e entrou no quarto como um furacão. Quando chegou no meio do quarto ele e se virou para mim e me encarou com os olhos queimando de raiva. Novamente, que diabos está acontecendo aqui?! O que foi que eu perdi?

- Que porra é essa?- ele gritou, me tacando um jornal.

“Boa pergunta, cara”, era o que eu queria responder, mas ao invés de fazer isso, eu fechei a porta, peguei o jornal do chão e procurei o que ele estava falando. Mas ao contrário de achar alguma declaração sobre quadribol, ou um comentário sobre alguma partida eu achei uma foto minha, com a mão estendida, ajudando uma moça a saltar o táxi. A moça era ruiva e sorridente. Gina, a irmã do Rony. PERAÍ, eu lembrei do nome dela? Preocupado, me olhei no espelho, antes de olhar novamente para Ronald. Que que eu ia falar pro irmão dela? Não havia nada para falar.

- Isso não é nada, Rony. Pode se acalmar.
- Como assim não é nada?! Olha aqui Potter, minha irmã não é pro teu bico não!
- Ronald, pára! Deixa ao menos ler a matéria?!

Ronald me olhou emburrado e sentou na cama, ainda me olhando de cara feia. Era só o que me faltava, arrumar confusão com meu melhor amigo por causa de mulher...


A próxima vítima?
Por Rita Skeeter

Bastou três noites em outro continente e Harry Potter já tem uma nova vítima: Gina Weasley, a modelo super concorrida. Eles foram vistos saindo ontem à noite no meio da festa que o ministério americano promoveu para os jogadores da Copa. Pouco tempo depois, eles chegaram ao hotel onde nosso jogador preferido está hospedado. Se mostrando mais cavalheiro do que o visto normalmente, Harry até ajudou a moça a saltar do táxi. Será que dessa vez o nosso moçinho foi finalmente fisgado? Mas se acalmem, caras leitoras. Todas nós sabemos que essa animação vai acabar tão rapidamente quanto começou. Então Harry, largue essa modelozinha e volte logo para nós!


Senti meu sangue ferver. Eu não costumo me irritar com esse tipo de comentário sobre a minha vida pessoal, mas Rita tem o dom de me tirar do sério. Não que eu pudesse culpá-la totalmente pelas coisas que ela diz, porque afinal, na maior parte do tempo ela tem motivos – que eu próprio dou, sem querer – para fazer isso. Mas dessa vez ela foi um pouco longe demais. Ela estava dizendo ali que Gina seria só mais uma mulher com quem eu iria para cama e pronto. Como se ela fosse descartável. Rita não podia fazer isso, não quando a mulher em questão era irmã de seu melhor amigo... por falar em Ronald, ele continuava me encarando.

- Escuta Rony, não é nada disso! Isso aqui é tudo mentira!
- Ah é, a foto também?
- Ronald, nessa foto, você estava dentro do táxi.- eu disse impaciente. Tudo o que me falta era ele ter amnésia alcoólica agora.
- Ah jura? E por que eu não me lembro disso?!
- Porque você estava bêbado! Sua irmã me ajudou a te trazer para cá, por isso ela estava aqui no hotel.
- Ah ta, inventa uma desculpa melhor, Harry!
- Não to inventando desculpa nenhuma Ronald. Você sabe como os jornalistas são. Você sabe como a Rita é... ela obviamente se “esqueceu” de falar que você estava com a gente, mal se agüentando em pé.

Rony parou de gritar e xingar um pouco. Belo jeito de começar um sábado né? Se Rony já deu esse ataque por causa dessa matéria, não quero nem pensar no que os outros cinco Weasleys vão fazer. Que merda... onde eu fui me meter?

xXx


Agarrei minha bolsa e saí do estúdio. Não que a sessão de fotos estivesse chata, pelo contrário. Todos eram gentis e divertidos. E os sapatos eram realmente bonitos. Mas eu estava totalmente faminta. Acho que se esperasse mais vinte minutos, eu ia cair durinha no chão.

- Richard, vai almoçar comigo?- eu perguntei, meio que o convidando. Eu sei que ele me tira do sério, que ele me odeia e que na maior parte do tempo eu o odeio também, mas nós estamos juntos a tanto tempo... e é meio que deprimente almoçar sozinha em um sábado.
- Desculpa, Gina. Hoje não dá, almoço na casa da sogra.- ele disse, fazendo careta. Eu nunca admitiria isso em voz alta, mas tudo o que eu queria era ter uma sogra com quem almoçasse comigo nos sábados. E talvez um almoço em família aos domingos. Mas com a minha vida, e com as pessoas que eu saio, acho que vou ficar pra titia.
Ainda com esses pensamentos na cabeça eu atravessei rua após rua, indo sem ter um rumo muito bem definido. Tudo o que eu queria era um restaurante confortável e vazio.
Depois de caminhar durante mais alguns minutos, sendo parada às vezes para tirar alguma foto ou dar algum autógrafo, eu finalmente encontrei um restaurante razoável e calmo, e para a minha surpresa, meu irmão e alguns amigos estavam sentados lá, conversando animadamente. Hey, meu almoço podia não ser com a sogra, mas pelo menos vai ser com alguém da família, né? Seguindo diretamente pra lá, entrei no restaurante e logo segui para a mesa do meu irmão. Foi então que eu percebi que o Potter estava lá também. E agora, livre de álcool, eu vi que ele é ainda mais bonito. Então alguma coisa pareceu despertar no meu estômago – e não era a fome - e eu senti minhas pernas meio que fraquejarem, querendo dar meia volta e fugir. Talvez um almoço sozinha não fosse ser tão ruim assim certo? Mas antes que eu pudesse fugir, ele me viu. E me chamou. Merda.

xXx


Eu tinha gastado mais dez minutos até que Rony se convencesse de que realmente não tinha ocorrido nada. Foi bem difícil, se você quer saber. Mas a verdade é que esta nossa briga acabou como todas as outras: gritamos e xingamos. E depois rimos de nós mesmos. Então o pessoal do time invadiu meu quarto querendo saber os detalhes da história com Gina, o que deixou Rony irritado novamente. Tentando acalmar um pouco os ânimos, eu prometi que contaria tudo no almoço. E é isso que eu estou sendo forçado a fazer desde que chegamos aqui. E apesar de já haverem se passado 15 minutos, eles ainda não conseguiram tirar nenhuma palavra de mim. Não que eu esteja tentando bancar o cara-malvado-que-vai-deixar-os-amigos-curiosos, mas a verdade é que eu simplesmente não queria falar sobre aquilo porque eu poderia acabar soltando alguma coisa que Rony não iria gostar... Como o fato do vestido dela ter ficado meio totalmente colado no corpo da ruiva enquanto dávamos banho no irmão dela. Ou o fato de que ela tem o sorriso mais bonito que eu já vi. Ou que eu tive de tomar três banhos frios antes de conseguir finalmente dormir. Ou pior que isso. Se eu admitisse que eu tinha lembrado do nome dela, eu estava lascado.
Tentando mudar desesperadamente o rumo do assunto, eu comecei a buscar algo na rua que pudesse virar assunto, ou que ao menos pudesse me fazer lembrar de um. Mas ao contrário de uma “inspiração divina” eu vi o próprio céu. Epa! Que merda é essa agora? É só atração física Potter, controle-se homem. Mas a verdade era que eu não sabia o que aquilo era. Só sabia que assim que pus meus olhos na rua, avistei uma jovem ruiva vindo em nossa direção. E estranhamente eu a reconheci instantaneamente. Por isso virei o rosto exatamente na hora que ela olhava para o restaurante.
Ela era, não, ela é legal e muito bonita. É uma ótima companhia na verdade, mas ela me assusta. E além do mais ela era o assunto principal na mesa com 5 homens. Se ela viesse pra cá, boa coisa não ia sair. Por isso eu me encolhi, rezando mentalmente para que ela não entrasse no restaurante. Mas ela entrou. E mesmo querendo me impedir, eu não consegui: mais uma vez meus olhos foram guiados até ela, como um par de ímãs sendo atraídos por uma placa de ferro. Uma placa de ferro com jeans, regata, salto alto, e cabelos cor de fogo. Uma bela placa de ferro, se quer saber.
Então algo aconteceu. Ela pareceu me notar pela primeira vez ali e ao invés de sorrir, ou fazer alguma coisa maluca, como era esperado, eu vi o sorriso meio que sumir um pouco. E ela ameaçar dar meia volta.
Pela terceira vez no dia eu estava me perguntando o que tinha de errado. Será que ela estava brava comigo? Mas o que eu tinha feito? Será que era por causa da matéria do jornal? E o mais importante: por que diabos eu ligava? Mas antes que eu pudesse me controlar – ou controlar minha boca traidora – eu ouvi um “Gina!” saindo de mim. O que me revoltou, porque ao invés de fingir não notá-la para que ela pudesse ir embora – que era o que eu queria – eu chamei a atenção de todos para ela, e agora ela seria obrigada a pelo menos cumprimentar todos.

De um “oi” para um almoço só bastava um convite.

xXx


- Gina!- ele exclamou em uma voz um tanto quanto estranha.
Eu lhe ofereci um sorriso meio envergonhado, meio amarelo. Agora eu iria ser obrigada a ir até lá e falar com todos. Falar com ele. Eu nem sabia porque estava me sentindo tão estranha, mas era como se agora, sem ter álcool no organismo, eu não soubesse como falar com ele. O que é totalmente estranho porque eu sou bastante simpática, e disso eu tenho certeza. Com passos lentos, eu me aproximei da mesa deles. Os cinco se levantaram, mas foi apenas porque Harry fez isso também que eu me senti corar.
- Oi.- eu falei com a voz fraquinha.
Os três rapazes que eu não conhecia me olharam com admiração, enquanto Harry sorria e Rony me abraçacava, pedindo desculpas em um sussurro. Ainda meio aérea, eu escutei, sem realmente ouvir, os rapazes se apresentando. Sorrindo e acenando com a cabeça eu os cumprimentei, fingindo estar prestando atenção neles, enquanto na verdade, tudo o que eu conseguia pensar era em como sair dali viva. Então chegou a hora de cumprimentar Harry. Minhas pernas voltaram a ameaçar fraquejar, mas eu não permitiria isso. Sorrindo, eu me aproximei dele e lhe dei um breve abraço, querendo sair correndo o mais rápido possível. Ele também não parecia estar muito contente com a situação, pois me abraçou meio rígido e se afastou logo. O que tinha mudado de uma noite para outra?
Ainda sorrindo, eu tornei a olhar para Rony, enquanto eles voltavam a se acomodar em suas cadeiras.
- Então maninha, o que você ta fazendo por essas bandas?- eu simplesmente tinha sentindo tanta falta de ouvi-lo me chamar de “maninha” que quase esqueci do incidente que acabou com o meu vestido. Quase.
- Procurando...- mas eu acabei de interrompendo. Se eu falasse que estava procurando um restaurante eles iam me convidar. E nesse exato momento, eu queria almoçar sozinha.-... ahn, deixa pra lá.
Rony apenas sorriu. Estava acostumado com aquelas minhas frases pela metade, com os gestos espontâneos e todo o resto.
- Não quer almoçar? Eu pago pra você. Ou você prefere o Four Seasons?
Eu sorri para Rony. Ele era um ótimo irmão e estava tentando se desculpar. Mas teria que fazer mais que aquilo.
- O Four Seasons ta muito cheio essa hora- eu disse divertida, no que Rony riu um pouquinho.
- Bem, almoça com a gente.- eu ia recusar quando ouvi ele pedir “por favor”. Daí eu simplesmente suspirei e me sentei entre Rony e Harry. Maravilha.
- Ta bem seu chato, eu almoço. Mas eu pago meu almoço.
- Hey, pirralha, eu posso pagar o seu!
- Eu sei que pode, Rony. Mas quero que você economize para o meu vestido.
- Que vestido?- ele perguntou, já ficando preocupado.
- O que você vai ter que comprar por ter estragado o meu com o seu showzinho particular ontem.- eu respondi revirando os olhos, no que Harry riu. E eu me peguei sorrindo para ele, porque ele ficava ainda mais lindo rindo. Oh droga.
- Que que eu fiz?

O almoço passou rápido. Entre uma garfada e outra eu explicava para os rapazes – que agora eu sabia que se chamavam Brian, Andy e Charles – o que tinha acontecido, com a ajuda de Harry. E lentamente, o incômodo entre a gente foi desaparecendo, até voltarmos a ser o que fomos na noite passada, seja lá o que isso signifique.

xXx


E a tortura, no final, acabou sendo bastante divertida. Eu achei que fosse odiar falar sobre os acontecimentos da noite passada com ela ali, mas acabou sendo bem mais confortável. E eu nem falei nenhuma besteira. Quando acabamos o almoço, nós seis estávamos chorando de rir das imitações alegres e desmioladas de Gina. Até que a ruiva passou a provocar o irmão e vice-versa. A partir desse momento, nenhum de nós conseguia respirar direito. Eu sei que fiquei repetindo umas mil vezes ontem que ela é louca, mas hoje a coisa já mudou. Não que eu tenha parado de achar que ela é maluca, mas a verdade é que essa maluquice dela é intrigante e meio contagiante, pois eu me senti imensamente feliz ali, do lado dela. O que é bizarro, porque a gente se conhece a menos de 24 horas. Mas como dizem que o que é bom dura pouco, não demorou muito para Gina se levantar pedindo desculpas e dizendo que tinha que ir embora porque tinha que terminar uma sessão de fotos ou algo do tipo. Mostrando que tinha voltado a ser a maluquinha desmiolada da noite passada, Gina se levantou e passou a distribuir beijos e abraços em todos nós, fazendo com que Rony e os outros rissem. Eu apenas estava tentando imaginar um jeito de me controlar, porque, assim como na festa, uma súbita vontade de capturar os lábios rosados se abateu sobre mim. Só que dessa vez não havia nenhum álcool no meu sangue.

xXx


Eu tinha mesmo que me apressar, caso contrário ia chegar atrasada novamente, e eu já estou cansada de esporros por hoje, então eu comecei a me despedir de todos. Por alguma razão que eu desconhecia, senti receio de me aproximar de Harry. E eu percebi que ele também estava desconfortável com aquela situação. Que diabos estava acontecendo com a gente? Como eu tinha abraçado os outros três, me pareceu ser mais apropriado abraçá-lo também, apesar de relutar em fazê-lo. Me aproximando lentamente dele, eu lhe ofereci um “protótipo de sorriso” e o envolvi pelo pescoço, tentando não me aproximar demais. Ele me envolveu rapidamente com os braços fortes e... ai meu deus, que que eu to fazendo? Meio desconcertada, meio envergonhada eu lhe dei um beijo estalado na bochecha e tratei de me afastar rapidinho. Antes que eu acabasse fazendo alguma burrada feia. Ele ficou lá me olhando, e um pequeno sorriso começou a se formar nos seus lábios, criando assim uma covinha. E sabe o que eu fiz? Dei alguns passos discretos na direção oposta a ele, porque eu queria morder as covinhas. E talvez tocar nos cabelos negros arrepiados. E beijar os lábios aparentemente fortes. Ai merda.

- Então, Gina, o que você vai fazer hoje?- Rony me perguntou, me abraçando pela cintura de forma protetora. Eu notei a forma como ele olhava para o Harry e de repente eu me senti como uma adolescente super-protegida pelos irmãos mais velhos. Ta legal Rony, você nunca fez isso antes, não precisa começar agora!
- Eu?! Ahn... sei lá. Por quê?- eu nunca fico sem o que dizer. Por que eu não sei o que dizer?
- A gente tava pensando em sair pra conhecer a cidade.
- O quarto está mais do que monótono.- Harry disse, sem olhar Rony nos olhos.
- Bem, tem uma boate muito legal. E é junto com um restaurante... então a gente podia jantar e continuar lá.- eu disse, sem saber ao certo o que fazer. Aquilo significava passar mais um tempo com o Harry, e eu não sabia se era aquilo que eu queria.
- Então ta certo.- Harry disse, ainda sem me encarar, ou encarar Rony.
- Ahn... eu apareço no hotel por volta das nove, pode ser?- eu perguntei apressada, olhando pro relógio.
- Claro! Estaremos esperando.-Rony disse me dando um beijo na bochecha. Aquela era a brecha que eu precisava pra correr pra casa. Quero dizer, pro estúdio.
- Bom vejo vocês mais tarde então.
E sem esperar por mais palavra alguma, ou um olhar faminto de Harry ou um sorriso malicioso, ou a oportunidade de ver as covinhas de suas bochechas ou... ai meu deus. Eu não consigo me lembrar o que eu tava pensando antes. Ai caramba, ai caramba. Vou me internar. Em uma clinica de reabilitação talvez. Ou em algum spa em St. Barts. Ah lembrei! Eu estava saindo correndo, fugindo sabe-se lá do quê...

xXx


Eu tinha me esquecido do perfume dela. Tinha me esquecido qual era a sensação de ter ela com o corpo perto de mim. Aquele era o nosso segundo abraço e... peraí, eu to mesmo contando?! Quem eu estava querendo enganar? Eu estava terrivelmente atraído pela ruiva, e isso era fato. E ela também não colaborava.
Não muito depois que Gina foi embora, nós fomos também, porque Mione chegaria hoje, e Rony queria estar no hotel quando a noiva chegasse.
Eu poderia ter ficado lá, poderia ter achado uma garota bonita pra passar o dia. Mas por algum motivo, isso parecia tão estranho que eu preferi ir pra casa e aguardar o tempo passar. Essa noite definitivamente prometia. Talvez eu me divertisse. Talvez eu arrumasse uma boa companhia feminina. Talvez eu até dançasse um pouco... Sentindo meus olhos começarem a pesar, eu decidi me render ao sono. Porque afinal a cama do hotel era mesmo confortável. E eu precisava de todas as energias possíveis para a noite... porque talvez... talvez Gina usasse algum vestido bonito como o da noite passada... e talvez... imagens dela encharcada apareceram na minha mente como um furacão. Ou um vulcão. Imediatamente todo o meu sono – ou lerdeza – sumiu. E eu fui tomar um banho frio. De novo.


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