Mais um dia frio...



Tiago e Remo se demoraram no salão por mais alguns minutos e então subiram para a torre da Grifinória também. Enquanto isso, Sirius já se encontrava no dormitório, deitado na cama, com as mãos sob a cabeça, contemplando o teto. Lágrimas quentes escorriam por seu rosto. Ele magoara Cassye profundamente, e reconquistá-la não seria uma tarefa fácil. Porém o que mais o afligia, era ter machucado a morena, que durando um tempo dançando lentamente com ela, percebera que amava. Ao ouvir passos aproximando-se do dormitório, enxugou as lágrimas e fingiu estar dormindo. A porta se abriu e por ela entraram Remo e Tiago.
Pela porta do dormitório feminino, entraram Melody e Lílian que procuraram com o olhar a amiga. Não demoraram a avistá-la. Cassye se encontrava em sua cama, de bruços, chorando copiosa e silenciosamente. Ela ainda trajava seu belo vestido negro, mas os sapatos estavam embaixo da cama e os brincos e o colar estavam encima do criado mudo.
- Cass? – Lily chamou-a, aproximando-se e logo, sentando-se a beira da cama da amiga, imitada por Melody. Lílian afagou os cabelos muito negros da amiga, que ainda chorava, o que era muito difícil de ocorrer. Mel apenas alisava o braço de Cassye. Não haviam palavras para serem ditas, não haviam as palavras de consolo, naquela situação, Lily e Mel murmuravam apenas um “vai ficar tudo bem, Cass”. Depois de mais ou menos uma hora, Cassye deixou a mostra seu rosto, uma vez que estava de bruços e abraçada ao travesseiro que ocultava sua face. A maquiagem estava borrada, devido às lágrimas derramadas. Ela enxugou mais algumas lágrimas, e disse com voz um pouco trêmula:
- Vocês não deveriam ter se incomodado... poderiam ter aproveitado o resto do baile e... – Lily colocou o dedo indicador sobre os lábios da morena, impedindo-a de continuar a falar. Melody disse numa voz doce e tranqüilizante:
- Deveríamos sim, ter nos incomodado... nos preocupamos com você, Cass... queremos o seu bem...
- Agora... – Continuou Lily no mesmo tom de voz que Melody usara. – Lave o seu rosto, coloque seu pijama que eu já volto...
- Onde você vai? – Indagou Cassye com a voz ainda trêmula.
- Eu já volto... faça o que eu disse, a Mel pode te ajudar se você quiser... – Disse Lily, Melody assentiu, e então a ruiva saiu.
Tiago e Remo haviam ido ao dormitório colocaram o pijama, mas não foram dormir. Observaram Sirius por alguns segundo e perceberam, que abaixo dos olhos do moreno, estava um pouco inchado. Sabiam que o amigo continuava acordado, porém não o incomodaram. Os dois marotos vestiram seus respectivos roupões e desceram de volta ao salão comunal, que se encontrava vazio, pois muitos colegas de sua casa já haviam ido se deitar, já era 1:15 da manhã. Os garotos tinham a esperança de encontrar Lílian ou Melody, ou até mesmo Cassye. Passados alguns segundos, Lily desceu as escadas. Eles, ao ouvirem passos vindos do dormitório feminino, logo se viraram e avistaram a ruiva.
Tiago olhou-a, apesar de haver coisas a serem esclarecidas, nada disse, enquanto Remo chamava Lílian, preocupado e receoso:
- Como tá a Cassye, Lily?
A ruiva que ia em direção a uma mesa, onde acima dela, havia uma jarra de cristal com água, parou, voltou-se para o maroto e respondeu com a voz rouca:
- Ah... ela tá melhor, sim. Mas se é que o Sirius vai querer reconquistá-la, posso garantir, que não será nada fácil.
- Disso já tenho consciência, Lily.
- Obrigada por se preocupar.
- Imagina. – Respondeu Remo, levemente corado.
Dando a conversa por encerrada, Lily conjurou um cálice, num aceno de varinha e despejou no mesmo a água presente na água. Olhou de soslaio para Tiago. O mesmo estava jogado em uma poltrona próxima a lareira. Terminando o que havia vindo fazer, Lílian voltou-se para as escadas que davam acesso aos dormitórios femininos.
Lily abriu a porta do dormitório lentamente, e avistou Melody ajudando Cass a lavar o rosto. A morena já vestia seu pijama, e agora caminhava para fora do banheiro e sentara-se na cama. A ruiva entregou a amiga o cálice de água, e Cass perguntou:
- Obrigada, não precisava, Lil...
- De nada... agora, bebe, Cass... você vai se acalmar. – Lily pediu a Cass. A morena assentiu e bebeu a água lentamente. Deixou o cálice dourado conjurado por Lílian em seu criado mudo, deitou-se na cama e adormeceu serena e instantaneamente. Lily contemplou a amiga por alguns minutos e então, junto a Mel, despiu o vestido, colocou o pijama, e enquanto escovava os dentes, a porta se abriu e por ela entrou Alice. A menina perguntou o que havia acontecido, pois elas haviam voltado cedo. Naturalmente, Alice de nada sabia. As meninas explicaram o ocorrido. Lice ficou boquiaberta ao ouvir cada palavra, então, vestiu o pijama, escovou os dentes e também adormeceu. Lily ia preparando-se par dormir quando Melody a chamou:
- Lily... quando você saiu... a Cass desabou no choro de novo, tadinha... ela sofreu demais com tudo isso...
- É, eu imagino... mas ela vai se recuperar... ela é uma garota forte...
- Verdade... boa-noite, Lil...
- Boa-noite, Mel...
Eram, agora, 2 horas da manhã. E assim as garotas adormeceram, como Cassye, instantânea e serenamente.
No dormitório masculino... Tiago e Remo haviam subido para o dormitório novamente, e dessa vez Sirius não fingia estar dormindo. Estava sentado em sua cama, seus cotovelos apoiados em suas pernas e as mãos ocultavam sua face. O maroto ainda tinha lágrimas nos olhos, mas ao ouvir a porta se abrir, as limpou com as costas das mãos e se virou para encará-los. Tiago hesitou por um instante, porém logo perguntou ao amigo:
- O que exatamente aconteceu lá, Sirius?
Sirius demorou um pouco para responder a pergunta feita por Pontas, fazendo com que o silêncio se instalasse no quarto. Depois de um momento de reflexão, o moreno levantou os olhos azuis gelo acinzentados para os amigos, que perceberam, que ainda haviam lágrimas a serem derramadas:
- Aquela... aquela garota empurrou a Cass quando a gente tava dançando... A gente ia... ia se beijar... e ela... me beijou...
- Sirius isso é o óbvio, a gente presenciou a cena, mas... achei que você tinha dado o fora nela...
- Eu achei que ela já tivesse se tocado... mas, parece que eu me enganei!
- Sirius, agora você não precisa mais se importar com ela, porque caso não tenha percebido, deu um fora e bem dado nela... você precisa pensar num jeito de recuperar a confiança da Cass... – Aconselhou Remo Lupin.
- É... só não sei como... – Disse o moreno, tristemente.
- A gente pensa num jeito... – Consolou Tiago Potter.
- Agora, vamos dormir... já são quase 3 da manhã. – Alertou Remo.
Os garotos despiram as vestes a rigor, colocaram o pijama, escovaram os dentes e quando já iam se preparando para dormir, Tiago pergunta indiferentemente:
- Cadê o Rabicho?
- Já tá dormindo... – Apontou Sirius para cama do maroto, e só agora, Tiago percebeu os roncos que se faziam presentes.
Enfiaram-se na cama quente, murmuraram um “boa-noite”, e logo dormiram, pois o cansaço e sono os venceram.
Na manhã de primeiro de dezembro, Cassye foi a primeira a acordar no dormitório feminino. A morena procurou o relógio sobre o criado mudo, e pegou-o para consultar as horas. Eram 9:30 da manhã, e ela era a única acordada no quarto. Nem ao menos, Lily havia levantado, já que havia ido dormir tarde. Cass levantou-se lentamente, espreguiçando-se e então, dirigiu-se para o banheiro. Ao olhar-se no espelho, a garota lembrou repentinamente, o ocorrido na noite anterior. A cena não havia sido apagada de sua mente, ainda estava muito nítida. Ela fez sua higiene matinal e então destrancou a porta e entrou no dormitório novamente, onde suas amigas ainda ressonavam tranqüilamente. Lembrou-se de Mel e Lily a ajudando na noite anterior, e deu um fraco sorriso. Cassye trocou de roupa, pôs casacos e cachecóis, pois já estavam em dezembro, e, portanto, estavam no inverno. O sol apenas iluminava o dia, porque, ele nada aquecia. Os primeiros flocos de neve caíam do céu. Cass resolveu, então esperar pelas amigas no salão comunal, e como muitos alunos haviam comparecido ao baile, não esperava encontrar no salão ninguém do seu ano, ou que estivesse no 6° ou 5° anos. Desceu as escadas calmamente, e a lareira estava acesa. Cassye Rouwood sentou-se em uma poltrona em frente à mesma e lá ficou por alguns minutos. Ela fitava o fogo crepitar, distraidamente. Até alguém a chamar:
- Cass? – A voz estava hesitante.
- Sim? – Virou-se a morena para ver quem a chamava. Era Sirius Black. Ao ver quem a chamara, a garota apenas voltou-se para fitar o fogo crepitante, fingindo que ninguém havia a chamado, e não deu atenção ao maroto. Esse, porém continuou:
- Cass, eu preciso conversar com você...
Ele não obteve resposta. Ela continuou fingir não ouvi-lo, continuou fingir que ele não estava ali.
- Não adianta fingir que não me ouve porque eu sei que sim... – Continuou o maroto, ignorando, o fato de que ela nem olhava para ele.
Cassye sabia que não suportaria vê-lo sem escorrerem lágrimas por seu rosto. Então, para que ele não assistisse àquela cena, ela resolveu se retirar. Sem dizer mais nada, Cass se levantou e ia em direção ao buraco do retrato, mas foi impedida por uma mão que agarrou-a pelo pulso e ela logo viu quem o fizera então disse em alto e bom som:
- Me solta, Black!
- Agora é Black? Ontem era Sirius...
- Me solta, Black, agora! – Porém, seu pedido era em vão. Ele não havia a soltado ainda.
- Não! Você vai me ouvir...
- O ÚNICO que tem que ouvir aqui é VOCÊ! VOCÊ é que merecia ouvir umas verdades!
- Quais seriam elas?
- Você quer mesmo saber? – Ela o respondeu com outra pergunta.
- Quero!
- Eu não sei onde é que eu tava com a cabeça quando eu aceitei o seu convite! Eu já deveria saber... o perfeito, maravilhoso Sirius Black havia me convidado para eu ser apenas MAIS UMA! Achei que pelo menos me respeitaria como amiga! Mas você não conhece a palavra respeito! Dançamos juntos, quase até um beijo... mas a sua OUTRA namorada não agüentou mais de saudades... Eu já deveria ter previsto... E VOCÊ AINDA TEM A CORAGEM DE VIR AQUI, TIRAR SATISFAÇÕES COMIGO?! VÊ SE ME DEIXA EM PAZ! – Cass estava ofegante ao terminar de dizer tudo que estava entalado em sua garganta desde a noite passada. Então lágrimas que não haviam sido derramadas até o momento, seguradas pela morena, escorriam descontroladamente pelo seu belo rosto. Ela se desvencilhou da mão que ainda a mantinha ali, com força. Então saiu em direção ao buraco do retrato mais uma vez. Ela correu, com a mesma vontade que tinha de chorar. Até chegar aos jardins gelados da escola.
Sirius continuara no mesmo lugar que estava enquanto segurava Cassye pelo pulso. Estava pasmo com que a garota havia dito. Nunca havia se sentido pior do que se sentia agora. Passos foram ouvidos de ambas escadas que davam para o dormitório feminino e masculino. Tiago, Remo e Pedro desciam as escadas ainda um pouco sonolentos. Lily, Mel e Alice desciam as escadas lentamente, conversando sobre a decoração do baile, para não terem de tocar em outro assunto. Elas avistaram os marotos e disseram “bom-dia”, exceto Lílian, que não esquecera o ocorrido na noite anterior com Tiago, eles responderam, porém, Sirius parecia pregado ao chão, sem piscar, fitava um ponto fixo, e finas lágrimas desciam por seu rosto. Rabicho se encaminhou na frente de todos e foi logo tomar café da manhã, não queria perder a primeira refeição do dia. Tiago e Remo estranharam Sirius ter acordado antes de todos, mas presumiram que ele queria conversar com Cassye, enquanto as meninas se perguntavam onde estava a amiga. Todos perceberam que Sirius estava num tipo de transe, e então Tiago passou a mão rapidamente à frente dos olhos do amigo, para “acordá-lo”. Este piscou várias vezes, e parecia mais triste do que na madrugada anterior. Alice se retirava para tomar café com o namorado. Remo então questionou um pouco aflito e preocupado:
- O que aconteceu, Sirius?
Ele não respondeu imediatamente, ficou um instante parado e tornou a fitar um ponto, e quando Tiago iria repetir o gesto que fizera para “despertá-lo”, o moreno respondeu:
- Aconteceu que eu sou o maior idiota desse mundo...
- Cadê a Cassye, Sirius? Você a viu? – Perguntou Lily preocupada com amiga.
- Cassye! – Falou Sirius de repente, assustando todos. – Eu queria falar com a Cassye e ela saiu correndo...
Melody e Lily se entreolharam significativamente, e então Melody perguntou ao maroto demonstrando preocupação na voz:
- O que você disse a ela, Sirius?
- Eu... eu disse que precisava falar com ela... ela me disse sobre tudo o que aconteceu ontem à noite... e... disse que esperava que eu a respeitasse pelo menos como amiga...
- Não precisa dizer mais nada. – Cortou-o Lily, séria e preocupada. – Nós vamos procurar a Cass...

- Vamos com vocês! – Manifestou-se Lupin.
- Não. Você, Remo, Sirius e o Potter vão tomar café. Deixa que eu e a Mel procuramos ela... – Disse a ruiva, muito decidida e firmemente.
Remo e Tiago hesitaram um instante, mas assentiram com a cabeça. Sirius, porém, se opôs a decisão do grupo:
- Não! Eu vou atrás da Cass também! Quero falar com ela!
Lily que já saia pelo buraco do retrato com Melody, disse para o maroto:
- Não, Sirius. Você já disse o bastante.
Dizendo isso, a ruiva e a garota de cabelos castanho-claros se retiraram do salão comunal e foram em busca da amiga. Os marotos saíram do lugar, cinco minutos depois, mas seu destino era o salão principal, para tomarem café.
Cassye chorava descontroladamente, abaixo da frondosa árvore que havia em frente ao lago. Ela se sentia excepcionalmente fraca. Porém, seu fraco não vinha de uma lesão física, mas uma dor muito maior, uma dor que vinha de dentro de si. Como, um dia, ela poderia ter imaginado que Sirius havia mudado? Como ela poderia pensar que talvez ele a amasse, tanto quanto ela? A desilusão dentro dela crescia a cada lágrima que escorria por seu rosto. Porque, não mais sentia aquele sentimento de amizade? Porque, enquanto ela dançava, lenta e juntamente a ele, descobrira finalmente seus reais sentimentos pelo maroto? Uma lágrima grossa e quente desceu, mais uma, de inúmeras vezes, por suas belas feições delicadas e penetrou em seu cachecol. E quando parecia que o choro começava a cessar, a cena de Sirius Black beijando Lin Chang repetia-se em sua mente, e ela se deixava levar pela tristeza, pela dor vinda de dentro de si, pela desilusão de um dia ser amada pelo moreno. Desistiu de tomar café, desistiu, por aquele dia, de se levantar e erguer a cabeça. Colocou o grosso cachecol sobre a neve, e deixou-o ao seu lado, não se importando o quão gelado estava chão, não se importando se alguém a visse ali, o que seria difícil de ocorrer, já que fazia um dia frio e ventoso, e todos deveriam estar aproveitando a lareira que aquecia o salão comunal e curtindo o domingo com os amigos.
As garotas procuravam Cassye desesperadas e preocupadas, onde havia ido a amiga? Já estavam no quarto andar, procurando a amiga e nada de encontrá-la. Enquanto isso, os marotos caminhavam em direção ao salão principal, mas continuavam preocupados com Cassye. Sirius estava um tanto quanto silencioso demais, estava pensativo, e nem se deu conta que já haviam chegado ao Salão. Sentou-se, como sempre, junto aos marotos, e distraído, começou a comer uma torrada amanteigada e a beber seu suco de abóbora. Remo e Tiago notaram que o amigo estava com a cabeça bem longe dali, pensando provavelmente em Cassye Rouwood. Repentinamente, Sirius disse, com firmeza e um ar triste:
- Vou voltar pro dormitório... já terminei...
Os outros dois marotos não se opuseram à decisão de Sirius e Tiago murmurou um “ok, a gente se vê lá em cima”, e assim o moreno tomou rumo para seu dormitório. Ele precisava falar com ela. Não poderia apenas esquecê-la, e deixar tudo para trás. Sirius iria atrás dela, iria procurá-la. Como sabia que Lily e Melody estariam dentro do castelo procurando-a, e Lílian havia pedido a ele que não fosse atrás dela, o maroto optou por procurá-la fora do castelo. A probabilidade de Cass ter ido aos jardins, num dia gelado desses, era de 1%. Mas, nunca se sabe. Se as meninas tivessem encontrado-a, teriam avisado, não teriam? De qualquer forma, ele já estava a caminho dos jardins de Hogwarts. O lago estava começando a se tornar sólido e aquela bela árvore em frente ao lado estava coberta por neve. Ele observava o lago e árvore a sua frente distraidamente, quando um borrão vermelho e ouro veio sobre seu rosto. O moreno assustou-se, e tirou aquilo de cima da face. Ele percebeu que “aquilo” que veio em sua direção era um cachecol. E abaixo da árvore frondosa havia uma garota. Sirius presumiu que o cachecol lhe pertencia e então resolveu ir devolver. Porém, ao se aproximar da árvore percebeu que aquela não era qualquer garota. Era uma garota de cabelos muito negros curtos, e a mesma possuía os olhos azuis como um céu limpo. Os olhos que a pouco estavam marejados por lágrimas. Sirius sentou-se silenciosa e cautelosamente ao lado dela. Ela só percebeu a sua presença, depois de alguns minutos que ele havia se sentado ali. Virou-se para encarar quem estava ali, ao seu lado. Havia imaginado que seria uma de suas amigas. Porém ao voltar-se para a única pessoa que estava ali, além dela, era o garoto que a magoara. Cassye questionou com a voz carregada de frieza, desdém e tristeza:
- O que você quer, Black?
- Conversar com você, Cassye...
- Não temos mais nada para conversar...
- Você pode não ter, mas eu tenho...
- Se você falar logo, vai finalmente, me deixar em paz?
- Vou.
- Então, diga.
- Cassye, o que aconteceu no baile... eu não queria... eu tinha dado o fora nela...
- Poupe-me das suas desculpas esfarrapadas, Black...
- Vai me deixar continuar?
- Fala logo...
- No baile... a Chang te empurrou e me beijou... eu não tive culpa... foi ela... eu nunca iria querer te machucar, Cassye!
Ela ficou sem palavras por alguns minutos, fitando-o tristemente, então disse com os olhos marejados por lágrimas novamente:
- Se você deu o fora nela, porque ela te beijou, Sirius? Porque você me fez um convite, se já tava com outra garota?
- Eu dei o fora nela sim! Ela não se tocou que tinha que se manda! Quando eu te convidei eu não tava com ninguém!
- Você vai me desculpar, mais nisso é bem difícil de acreditar. – Respondeu com frieza e sarcasmo na voz, porém seus olhos continuavam a demonstrar tristeza.
- Que eu preciso fazer pra você acreditar em mim?
- Me prove que posso confiar em você de novo... – Dizendo isso, Cassye levantou-se, pegou seu cachecol das mãos de Sirius, se retirou e foi em direção ao castelo. Chegou ao salão comunal da Grifinória, onde suas amigas estavam com ar de muita preocupação, e ao avistarem Cass, foram logo abraçá-la, e fizeram a ela muitas perguntas sobre onde e com quem esteve, já que Sirius não voltara do salão principal com os outros marotos. A morena disse que responderia as perguntas quando chegassem ao dormitório. Cass fez um breve aceno com cabeça ao ver os marotos, que retribuíram e se perguntaram onde estaria o amigo. Sirius entrou pelo buraco do retrato, minutos depois que as garotas haviam subido para o dormitório. Tiago e Remo logo também o abordaram e fizeram quase as mesmas perguntas que as garotas fizeram a Cassye.
- E aí? Se acertou com a Cass? – Perguntaram Tiago e Remo em coro.
- Não. – Respondeu, tristemente.
- Mas você conversou com ela, não foi? – Continuou Tiago com o questionário.
- Foi. – Disse Sirius, sem animação.
- E...
- Bom, ela quer que eu prove pra ela... que eu não tava com a Chang, quando a convidei e que não há mais nada entre mim e Chang... hum... as mulheres e essa mania de provar as coisas... se a gente falou que é, é e pronto! – Falou Almofadinhas, um tanto quanto frustrado.
- A coisa que você tem que pensar agora é como você vai fazer pra provar pra ela... – Disse Remo.
- Eu vou pensar em alguma coisa... – Disse Sirius, desanimado e um pouco triste, subindo para o dormitório masculino. Vendo que o amigo não podia mais ouvi-los, Tiago foi logo falar com Remo sobre sua nova idéia:
- Remo, eu tive uma idéia... só que você não pode falar pro Sirius...
- Ok... fala, Tiago...
- É uma idéia pra ajudar ele a reconquistar a confiança da Cass...
- Então porque ele não pode saber?
- Porque ficaria muito na cara...
- Fala logo, Pontas!
- É um seguinte...
Enquanto isso no dormitório feminino, Cassye contara o que acontecera durante o tempo que estivera fora:
- Cass! Você não acha que tá sendo má com ele, não? – Questionou Melody.
- Não! Se quer minha confiança de volta, ele que se esforce! – Retrucou a morena.
- Eu acho que a Cassye tá certa! – Apoiou Lily.
- Apoio, finalmente! – Disse Cassye, levantando as mãos para os céus, voltando instantaneamente, ao seu senso de humor “normal”. As demais riram da ação da amiga. Ela estava voltando a ser quem ela realmente era: extrovertida, engraçada, impaciente, risonha...
Enquanto isso Tiago contava todo seu plano a Remo Lupin, que ouvia atentamente. Queria muito ajudar o amigo a reconquistar a garota que supostamente, ele amava.
Ao terminar de dizer ao amigo, sua suposta “brilhante” idéia, Tiago perguntou:
- E aí? Que você acha, hein?
- Sei não, hein, Tiago... Pode dar totalmente errado... se ela não entender da forma como esperamos, pode causar um estrago ainda maior...
- Remo Lupin e seu pessimismo...
- Não é pessimismo, apenas realismo...
- Topa ou não? – Tiago fora, como sempre, direto.
- Ok, ok...

- Assim que se fala!
- Quando vamos fazer isso? – Questionou Lupin.
- Vamos achar um momento que seja perfeito...
- Só não sei como...
- Eu vou pensar em algum jeito...
- Você pensando? Isso não deve dar boa coisa... – Brincou Remo.
- Hahaha... Engraçadinho...
- Mas, então. – Disse Lupin, agora muito sério. – E você e a Lily? O que vai fazer a respeito?
- Pior que eu ainda não sei... – Respondeu Tiago, com a voz rouca, e um pouco trêmula. Seus olhos ficaram levemente marejados por lágrimas, mas decidira ele, que não se deixaria abater, que sabia, desde o inicio, que conquistar sua amada não seria fácil. Estava disposto a tudo, tudo que estivesse ao seu alcance (e fora dele) para ter Lílian Evans em seus braços. Para poder acordar com ela sorrindo para ele, lhe dando um beijo por vontade própria, dizendo que o amava.
Os marotos resolveram subir para o dormitório, já que o dia estava frio e atividades fora do castelo não eram possíveis.
Enquanto isso no dormitório feminino, Lily e Melody estavam deitadas cada uma em sua cama, espalhadas pela mesma: a busca por Cassye fora cansativa, ficaram à procura da amiga a mais de 2 horas, descendo e subindo andares do castelo. Já a morena, estava sentada na sua respectiva cama, abraçada aos joelhos, com a cabeça deitada sobre os mesmos, pensativa. Agora, não mais chorava, apenas pensava no sofrimento que um garoto e um beijo, que antes não a afetavam, trouxeram para si. Pensava nas inúteis lágrimas que havia derramado por causa dele. Cass sempre fora uma garota forte, em tais termos, e garotos era um deles. Mas, desde que começara a perceber que um novo sentimento brotava em seu coração que dizia a respeito de Sirius Black, se tornara muito mais sensível e vulnerável. Alice encontrava-se ao lado da morena, afagando-lhe os negros cabelos, amavelmente. Como estivera ausente para ajudar e consolar a amiga, Lice queria estar do lado de Cassye agora.
Enquanto isso, Lílian pensava no ocorrido na noite anterior, e não era o fato de Lin Chang ter enlouquecido, empurrado sua amiga e beijado Sirius Black. Era em outro beijo. O beijo que Tiago Potter lhe dera. O beijo que por mais que sua consciência negasse, ela havia apreciado. Esse era o pior da história, o beijo confirmara seus sentimentos pelo (agora, nem tanto assim) ‘arrogante do Potter’. Ela fechou as cortinas escarlates de sua cama discretamente e fez o que Cassye havia feito naquele dormitório anteriormente: chorou. Por que Tiago Potter tinha de ser assim? Por que ele não havia respeitado-a? Ela disse que lhe daria uma chance, e que iriam ao baile como amigos. Mas ele não pudera se conter como tantas vezes. Lembrou-se das últimas palavras que o moreno lhe dissera anteriormente “Lily... você entendeu tudo errado!”. Então, ela entendera errado? Ele a beija, e ele ainda diz que não via mais que amizade na chance que ela havia lhe dado? Difícil de acreditar. Na verdade, quase impossível. Ter ido com Tiago Potter ao baile havia sido um erro. Ter lhe dado uma chance de mostrar-lhe que era diferente do que pensava, havia sido um erro. Suas amigas, Sirius e Remo diziam “Você não o conhece direito!”. Lily dera ao maroto a chance de provar-lhe que era diferente, porém de nada a chance adiantou. Ela ainda tinha a mesma imagem de arrogância, estupidez e prepotência. O garoto não lhe provara nada ainda. Não provara que havia realmente, amadurecido. Mais lágrimas quentes rolaram por seu rosto belo. Ela descobrira há algum tempo, que o amava, porém, ela odiava amá-lo com tal intensidade, Lily sabia que precisava dele, mas o orgulho não deixava tais sentimentos tomarem conta de si. Algumas últimas lágrimas quentes e grossas deslizaram por suas feições. Lily as secou delicadamente, abriu as cortinas vermelhas com detalhes dourados de sua cama e deparou-se com as amigas, cada uma em sua respectiva cama. Melody lia um livro sobre animagia, Cassye continuava abraçada aos joelhos, sem dizer uma palavra. Alice beijara a testa da morena, e foi para sua cama, deitou-se nela, pegou grande livro, intitulado “Criaturas Mágicas”, e começou a fazer anotações irregulares em um longo pedaço de pergaminho. A garota de cabelos ruivos consultou o relógio, e viu que eram 19:30. Passara a tarde inteira em seu dormitório? “Merlim! O tempo passou voando!” Pensou. Lily informou o horário as amigas, e as meninas resolveram descer para jantar.

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.