Poison was the cure

Poison was the cure



“Eu sinto falta do abraço carinhoso que eu sentia
Na primeira vez, você me tocou
Tranqüila e segura e de braços abertos
Eu deveria saber que você me esmagaria”
Ainda jogada no chão ela levantou a cabeça suavemente para encara-lo. Teria ficado com vergonha se fosse outra pessoa, mas era apenas ele. Um amigo de Albus não era necessariamente seu amigo, mas pelo menos não faria chacota. Correção, ele faria sim, porque nenhum ser que atenda pelo nome Malfoy pode resistir a propensão natural a desdenhar de qualquer criatura.
Com tudo, ele limitou-se a um sorriso enviesado e a observa-la naquela posição de subordinação. Gostava de sentir-se superior, mesmo que fosse a irmão do melhor amigo que estivesse aos seus pés. Ela tinha a aparência de uma menininha indefesa e até seria, não fosse a família superprotetora, mas onde estavam eles naquele momento? Às vezes ele realmente tentava, mas o veneno já fazia parte dele de modo que nem mesmo sabia se estava disposto a se livrar de seus pensamentos e comentários ácidos.
- Devia olhar por onde anda, pequena Potter. – ele manteve seu sorriso desdenhoso – Estamos em Hogwarts agora e papai não pode estar sempre por perto para ajuda-la.
- O que é uma benção! Assim eu posso azara-lo e o máximo que acontecera comigo será tomar uma detenção por honrar as tradições da sua família! – ela a final não tinha parado na Sonserina por um acaso.
- Tradições da minha família? Por um acaso já está querendo fazer parte dela? – ele manteve o tom jocoso e sugestivo para ela. No fim das contas ela era mais divertida que os irmãos.
- Não mesmo! Estou me referindo a transforma-lo numa doninha saltitante mesmo! Igual ao seu querido papai! – depois de comentários tão sutis até mesmo ele tinha que admitir que ela tinha potencial, ainda que fosse humilhante ser feito de idiota por uma menina de treze anos de idade. – O que foi Malfoy? Perdeu a língua?
- Não, pequena Potter. Mas sou um cavalheiro, por tanto, dizer o que desejo nesse momento seria atentar contra a honra de uma criança que, mesmo sendo desaforada, ainda é a irmã de um amigo. – ele deu as costas a ela – Se me permite um conselho, tome cuidado com essas escadas, são mais perigosas agora do que quando nossos pais estudaram aqui.
- Entendido. – ela fez pouco caso.
- Mais uma coisa. Eu recomendo que trate melhor certas pessoas, nunca se sabe quando você precisará delas.- ele a encarou brevemente com um sorriso enigmático – Passar bem, pequena Potter.

******

- Lily me falou do que aconteceu na escada hoje. – o moreno falou sem nem ao menos levantar os olhos do exemplar d’O Profeta Diário.
- Não precisa me agradecer por salvar sua irmãzinha de uma legião de escadas enfeitiçadas. – o loiro debochou.
- Definitivamente eu não faria isso, mas só pra te lembrar, ela ainda é irmã de James e você sabe que ele não te suporta, então tome cuidado com o tipo de comentários que você dirige a ela. Se não quiser ficar arrebentado na próxima partida de Quadribol.- Albus mantinha sua frieza e indiferença aparente, mesmo sabendo que aquilo não servia quando se tratava de Scorpius.
- Acho que esse é o problema dela, aliás, de vocês. Basta a princesinha tropeçar numa escada e os irmãos maravilha aparecem para salva-la.- ele debochou de modo que o moreno se viu forçado a encara-lo com um brilho de indignação no olhar – O problemas é que uma hora ela vai cair e não vai ter irmão nenhum para salva-la.- o loiro riu vitorioso.
- Sou bem tolerante, Scorpius, mas você deveria ser mais perspicaz com seus comentários, principalmente quando envolvem a minha família.
- Não vou discutir com você, Albus. Mas eu não me acostumaria a manter vigilância constante sobre uma irmã, ainda mais quando ela é de Sonserina.- o loiro caminhou em direção ao dormitório – Afinal, nós conhecemos bem as características de nossa casa.

******
“Você era uma serpente quando nos conhecemos
Eu te amei assim mesmo
Arranquei seus dentes venenosos (mas)
O veneno nunca foi embora”

Revirou-se mais uma vez na cama sem saber exatamente o porque de não conseguir dormir. Aliás, sabia sim, mas preferia não admitir os motivos. “O veneno já é parte de você...” Aquela mariposa esquisita havia dito isso no primeiro dia de aula na sala de Adivinhação, na época não deu importância.
Veneno era uma constante em sua vida e até então nunca havia se incomodado com isso, pelo menos até aquela semana na sala de poções.
“Lirium Poison”. O frasco era pequeno, todo feito de um verde tão intenso que parecia até mesmo feito de esmeraldas. A aula havia acabado, mas ele se deteve por longos minutos observando o frasco sem se dar conta do que se passava a sua volta.
- Bonito, não é?- só então ele se deu conta de que o velho Slughorn o observava.
- Do que se trata, exatamente? – o loiro perguntou sem desviar os olhos do vidro.
- Estive estudando o conteúdo deste frasco nos últimos dezenove anos. Ao que parece Severus Snape o desenvolveu sem um propósito definido, ou então foi criado por acidente.- o velho professor sorriu ao ver a expressão de duvida no rosto do garoto. – Suponho que já ouviu dizer o que acontece com toda poção de amor mal sucedida, não é?
- Vira veneno...- disse com a mesma voz que Sibila costumava usar em sala quando estava particularmente distraída.
- Exato.- o professor adotou um semblante sério – Snape sempre foi um aluno brilhante e um exímio mestre de poções, mas vale lembrar que ainda sim foi um homem como qualquer outro.
- O que quer dizer?
- A paixão errada acabou por transforma-lo, foram muitos anos perdidos se corroendo por causa disso. Só posso concluir que ele tentou fazer uma poção para ser retribuído com o mesmo sentimento e acabou por criar um veneno poderoso. Imagino também que ele o teria usado na primeira oportunidade, mas por algum motivo não o fez.
- Não acha o nome peculiar? – Scorpius falou com um fio de voz, enquanto sua mão esguia e alva percorria cuidadosamente as letras douradas gravadas no frasco.
- Lirium... Nem tanto. Ele teve seus motivos para escolhe-lo.
- Quais foram?
- Em primeiro lugar por causa do ingrediente principal, Lírios. Em segundo lugar por causa da pessoa a quem a poção era destinada originalmente.
- O senhor sabe quem era?
- Seria cego se não soubesse.- soltou um suspiro pesaroso antes de concluir – Lily Potter. – aquele nome fez brotar no rosto do garoto uma expressão de espanto e confusão como Slughorn jamais tinha visto no rosto de um Malfoy. – Não a irmã de seu amigo Albus, senhor Malfoy. Foi feita para a avó dele, Lily Evans Potter. Mas as duas são muitíssimo parecidas, se quer saber minha opinião.
- Acho que...Tenho que ir, professor. – sem mais nenhuma palavra ele deixou a sala em direção ao dormitório.
Por algum motivo aquele breve diálogo havia despertado qualquer coisa dentro dele que o incomodava imensamente. Pensou algumas vezes em contar a Albus o que havia acontecido, mas como se tratava da família do garoto achou melhor manter aquele tópico em segredo, ao menos por enquanto.
Semelhanças...Slughorn havia dito qualquer coisa sobre a semelhança entre as duas Lily’s, automaticamente ele era forçado a lembrar de uma frase solta que seu pai havia dito certa vez: “Weasley’s e Potter’s são sempre incrivelmente parecidos entre si, mas no que diz respeito a Ginevra e a menina, essas semelhanças são assustadoras”.
Scorpius Malfoy podia parecer um tanto disperso às vezes, mas tinha o dom de perceber que certas coincidências eram grotescas de mais para serem meramente obra do acaso e aquele parecia ser exatamente um desses casos. Um padrão sutil, ou talvez fosse algo mais do que isso, quase uma predestinação.
Havia sempre um Lírio entre venenos. Primeiro a falecida Lily Evans Potter, susceptível ao sentimento refinado e potencialmente perigoso de Severus Snape, depois Ginevra e a relação tortuosa que ela e Draco haviam tido nos tempos de escola e que fora suficientemente forte para deixar vestígios ainda naqueles dias, mas agora havia ele...
Ele e seu próprio Lírio venenoso. Uma quebra no padrão talvez, mas ainda sim algo perigosamente próximo e forte, já que essa Lily parecia possuir suas próprias arma e era aparentemente imune a toxina de uma serpente.
Revirou-se mais uma vez na cama...
Lembrou-se de como a conhecera numa breve visita a casa de Albus dois verões atrás. Na época ela era literalmente uma criança que brincava com bonecas e vez ou outra representava um desafio no campo improvisado de Quadribol. Ela falava pouco e observava até de mais.
Nas outras ocasiões em que se encontraram foi tudo muito conturbado, já que sempre havia um certo ruivo cabeça dura por perto pra gritar: Se souber o que é melhor pra você, fique longe da minha irmã, Malfoy! Não é preciso adivinhar que ele e James não tinham a mínima simpatia um pelo outro, mas a maneira ridícula como Potter trava sua irmã mais nova era algo que Scorpius simplesmente não suportava.
Era tudo muito distante e indiferente para ele, até o dia que foi a vez dela ir para Hogwarts. Poderia jurar na época que ela seria mais uma Grifinória, exatamente como James e seus outros primos, chegou até mesmo a dizer isso a Albus, mas o amigo limitou-se a um sorriso de esfinge e um comentário debochado: “Você definitivamente não a conhece”. De fato, ele não a conhecia mesmo, já que Albus Severus pareceu absolutamente conformado quando o chapéu anunciou em alto e bom som que ela iria para Sonserina. Dês de então ele resolveu adotar um comportamento mais observador quando se tratava dela.
No meio de dois anos letivos em que ela estava em Hogwarts ele descobriu que afinal ela era digna de ser chamada de sonserina. Tinha uma inegável perspicácia, raciocínio rápido, língua ferina, sangue puro, mas havia algo na mistura que destoava incrivelmente do resto. Aquele rosto suave e angelical, os cabelos vermelhos e os sobrenomes Weasley e Potter. Se alguém tivesse lhe contado ele juraria que era mentira. No final era isso o que ela parecia, inacreditável de mais para ser real.
E foi assim que ele descobriu que o irreal parece ser sempre a parte mais tentadora da vida. No principio divertia-se ao implica-la, ou desdenhar de toda e qualquer falha que ela cometesse. Albus não fazia absolutamente nada na frente dela, não tomava nenhuma posição, mas toda vez que tinha a chance o moreno mostrava-se tão superprotetor quando o outro irmão.
O mais divertido era quando ela mesma se defendia. Com o tempo a imagem que sempre guardara dela foi se dissipando. A menina indefesa deu lugar a uma garota que começava a mostrar toda sua vocação de serpente, mesmo que ela fizesse questão de mostrar-se pra o resto do mundo que era a mesma criatura angelical de sempre.
Somente Scorpius a conhecia de verdade e com aquela delicada troca de sutilezas ele começou a notar que o veneno também fazia parte dela. Infelizmente o garoto Malfoy não era imune ao veneno dos Lírios.

****************
“A serpente nada livremente em meu sangue
Dragões dormem em minhas veias
Jacky falando com a língua”


- Eu não vou ceder a essa chantagem, Malfoy! – foi a resposta acida dela.
- Como se você tivesse alguma escolha, pequena Potter.- como sempre o sorriso sádico lhe adornava o rosto, era sempre assim quando a vitória era iminente. – Pelo que me consta, Lily, roubar é coisa muito feia. Ainda mais roubar o Mapa do Maroto do seu irmão para se encontrar com alguém na Casa dos Gritos. O que Albus, James e principalmente o seu pai, pensariam disso? – ela tentava manter a aparente imponência, mas pouco a pouco isso ficava muito difícil.
- Você não precisa contar, ninguém tem que saber. Não é da conta de ninguém, só minha!
- Eu discordo, Lily. Agora que eu sei é da minha conta também.- ele mantinha os olhos fixos nela como se fosse uma serpente preste a dar o bote.
- Afinal, o que você quer?
- Por hora nada, mas no devido tempo você vai saber, pequena Potter.- deu as costas para ela e caminhou lentamente até a porta da sala comunal.
- Qual é a satisfação que você tem em me chantagear, Malfoy? Tem orgasmos com isso por um acaso?- Scorpius se deteve por um instante e virou-se para ela com o sorriso mais demoníaco que ela já havia visto.
- Não, pequena. Não tenho orgasmos com isso, pelo menos não ainda. – saiu do quarto deixando para trás uma serpente que acabara de ser domada.

*****************

- Você me acompanha e ponto final. – ele sorriu triunfante.
- E se eu me recusar? – ela o encarou com uma das sobrancelhas erguidas e os braços cruzados em frente ao tronco. As vezes é assustador o que a convivência demasiada pode causar.
- Eu também me recusarei a guardar seu segredo, pequena. – ela sabia que essa seria a respostas, mas pior do que estar submissa era não lutar contra isso.
- Mas é uma festa de família. Não há motivo nenhum pra eu ser a sua acompanhante. Caso não se lembre eu não sou exatamente o tipo de companhia que se espera para um Malfoy. – fatos que ambos sabiam e que ele estava totalmente disposto a ignorar.
- É uma pena que a minha vida não seja da conta de ninguém e que eu não faça a menor questão da opinião alheia, não acha?- sorriu de maneira irritantemente presunçosa para ela – Acho melhor se acostumar com a idéia Lily. Amanhã, às oito horas é melhor estar atravessando essa lareira, ou eu descumprirei o contrato.
- Veja bem, seu loiro aguado, estamos no meio das férias! Como você espera que eu consiga sair de casa sem que ninguém repare?!
- Pelo que Albus me contou, seus pais estarão fora amanha. Aquele boçal do James vai sair com uma das infinitas namoradas. A única coisa que você tem que fazer é inventar uma desculpa para ficar em casa. Cólicas menstruais são uma excelente idéia, a menos que você seja muito criança para isso, pequena Potter.

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“Ovo de barata postos em meu cérebro
Uma vez passei por debaixo de sua sombra
Como um sonâmbulo em direção à forca
Eu sou o sol que bate em sua testa”


Ele encarou o próprio reflexo que parecia debochar dele. Os olhos cinzentos no espelho o acusavam silenciosamente, gostaria de se livrar daquela sensação asfixiante, mas enquanto houvesse um lírio isso seria impossível.
“Você é um fraco, Scorpius!” O espelho falava. “Você sabe que isso não o leva a lugar algum e no fim das contas seu destino não será melhor que o dos outros”. Encarou o próprio reflexo, seu rosto banhado em suor enquanto seu duplo parecia absolutamente confortável. “Afinal, como você poderia mudar isso. Como um escorpião pode aprisionar um lírio?” Ele não fez absolutamente nada, apenas virou as costas e deixou o banheiro.
Sabia que estava permitindo que aquele tipo de pensamento tomasse conta de sua vida. Tinha a ligeira impressão de que o mesmo acontecera com seu pai anos atrás, mas não estava disposto a dar à sua historia um final mais agradável. Nem um grifinório se colocaria em seu caminho, ele era bom de mais para permitir isso e não pensaria duas vezes antes de chantageá-la para isso. Qualquer que fosse o feitiço, ele usaria, de modo que não restassem duvidas de que teria o que desejava.
Ainda que estivesse decidido ainda havia outro contra tempo. “Muito jovem”. As palavras ecoavam na mente dele. Realmente, ela tinha apenas treze anos e ele já estava bem próximo da maior idade. Mesmo que sua mente protestasse, que ele se considerasse um abominável pervertido, aquele rosto ainda carregado de traços infantis parecia-lhe cada vez mais atraente. Ela até poderia se parecer com uma criança, mas fosse sua língua audaz ou seu jeito arredio, seria apenas uma questão física para ela se tornar uma mulher completa.
Uma semana longe dela e ele já estava daquele jeito. Agora era fato, o veneno que o infectava já o levara para um estagio terminal. Daí em diante não havia mais volta.

*************
“Até que finalmente joguei a toalha
Sem saber se irei acordar num
Redemoinho redundante
Meu cérebro era apenas uma madeira flutuante
Num esgoto eu morri”

Eram apenas os dois num amplo terraço enluarado. Ao longe uma sonata qualquer para amenizar a distancia e a frieza entre eles. Uma mesa posta e todo cenário indispensável para qualquer cena romântica, mas dificilmente aquele seria o caso.
- Você disse que era uma festa de família. – ela murmurou.
- Disse mesmo, mas acho que não preciso dizer que menti. – ele se aproximou pacientemente.
- Não sei porque ainda insisto em esperar algo diferente de você.- encarou-o por um breve momento – No fim das contas você será sempre um Malfoy.
- Fala como se fossemos muito diferentes um do outro. – ele a contestou, ainda mantendo a serenidade e um olhar que teria feito muitas garotinhas desmaiarem por ele. – E você ainda insiste em ser sempre a princesinha do papai. Diga, Potter, por quanto tempo ainda pretende sustentar isso?
- Pelo tempo que me convier. E isso não é da sua conta, é Malfoy?
- Não. Não é...- ele pareceu aceitar a resposta sem muito caso – Mas me incomoda ver e compactuar com toda essa farsa.
- Oh, não se incomode. Não é da sua alçada. Caso tenha esquecido eu só estou aqui por conta da sua chantagem besta. – e quem disse que ela era indefesa?
- Mesmo assim, eu acredito que lírios são muito mais bonitos quando são lírios selvagens. – ele se aproximou perigosamente do ouvido dela – Eu preferiria que você fosse um pouco mais verdadeira, mesmo que seja só para mim. Eu não gosto de menininhas indefesas, Lily.
- E quem disse que é pra você gostar? Você é um amigo do meu irmão e um chantagista de primeira, e nada mais. Eu não tenho que agrada-lo.
- E mesmo assim você o faz, não é?- ele inalou o perfume delicado dela – Diga, Lily, por que ser uma princesinha quando pode ser uma rainha?
- Porque nunca se sabe quando uma rainha vai perder a cabeça. O posto de princesinha é bem mais seguro.- ela se desvencilhou dele.
- Seria impossível imagina-la entre grifinórios, sabia? Você é refinada de mais para isso.
- Vai me dizer que também acha difícil me imaginar como uma Weasley, ou uma Potter?
- Não. Porque essas duas famílias tem o habito encantador de produzir um tipo raro de mulher. Do tipo que só se encontra depois de uma busca apurada. Como encontrar um lírio solitário em meio a um jardim vulgar de rosas vermelhas.
- Pra que tudo isso?
- Achei que soubesse.
- Mas não entendo.
- Você me envenenou, Lily, usando o único veneno ao qual não sou imune. Dês de então estou um tanto desesperado por uma cura.
- E qual seria essa cura?
- Talvez um lírio selvagem, ou o sacrifício de uma virgem, quem sabe até mesmo um beijo de amor como o dos contos trouxas. Mas eu adoraria que fosse tudo junto.
- Acho que não posso ajuda-lo.
- Minha intuição diz que pode. E esses seus lábios entreabertos também. – beijou-a antes que ela tivesse tempo de responder qualquer coisa.

*******************
“De uma estrela de rock, a uma simples mesa
Era meu destino, alguém disse”
Observava-a dormindo o sono dos anjos, mesmo que ela estivesse longe de ser um. Permitiu que a mente vagasse por alguns instantes até ouvir um estalo vindo da porta. Saiu do quarto e deparou-se com seu próprio rosto alguns anos mais velho. O homem recém chegado encarou-o com seriedade e logo depois olhou para dentro da alcova e vislumbrou o corpo frágil deitado sobre a cama.
- Eu saio por uma noite e é isso o que você apronta. – disse o homem com semblante grave.
- Achei que o senhor já tivesse se acostumado com nossas semelhanças.
- Sim, sim. – falou sem dar muita atenção – Não acha que ela é muito jovem?
- Talvez seja, mas é uma questão de tempo.
- Adoraria ver a cara do Potter quando souber.
- Considere esse momento a sua vingança pessoal, pai. Mas assegure-se de não meter o nariz na minha vida e mantenha-se longe dela.
- Não tenho a menor inclinação a pedofilia, não se preocupe. Só não cometa os mesmos erros que eu, está bem?
- Pode deixar, sou um aluno de poções muito melhor que o senhor. – o homem arqueou a sobrancelha sem entender e logo em seguida desaparatou. – Quando o veneno já é parte de ambos, não há necessidade de poções do amor. – o rapaz sorriu brevemente e contemplou o pequeno frasco verde em sua mão, fazendo o contorno das letras douradas cuidadosamente com o polegar. Lirium Poison.

“Ame as poças d’água
Experimente as abundantes águas da vida
Me experimente”

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Depois de eras sem escrever fics finalmente eu retornei das cinzas e absolutamente apaixonada por esse casal recem criado. Um tanto perversa? Um tanto insensivel? É talvez seja mesmo, mas eu não conseguiria escrever sobre um Malfoy e uma Potter de maneira fofinha. Eles são drasticos e um tanto quanto insensiveis a tudo o que diz respeito ao mundo quando isso não atende seus proprios interesses. Por que um Scorpius tão cruel insensivel? Por que ele cresceu assim. Como eu disse, veneno já faz parte dele, aliás, deles ^^.
Espero que gostem e comentem.
Bjux a todos os leitores
Lady Bee

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