Tadeu Bravo



"Marcas Negras voltam a aparecer!"- Era o que aparecia escrito em letras bem grandes na capa do profeta diário. Uma reportagem bem grande, que Harry fez questão de ler toda, se prolongava pelas páginas do jornal. Hermione e Rony sentaram, um de cada lado de Harry, e os três leram a notícia ao mesmo tempo. Uma família inteira de trouxas foi encontrada morta, pairando sobre a casa, estava a figura do crânio com língua de cobra. Era a marca negra. "O Ministério da Magia se desesperou"- dizia no jornal- "Fudge parece ainda estar extasiado, não quis dar entrevista alguma. Mas, o porta-voz do Ministro disse à imprensa, que providências estão sendo tomadas. Estas medidas já deviam ter sido tomadas desde o misterioso roubo a Gringotes."... " Há boatos que dizem que Aquele-que-não-deve-ser-momeado voltou. Provavelmente os aurores do passado, vão aparecer no presente. O porta-voz disse, também, que protegerão Hogwarts. O Colégio, apesar de ser chefiado por Dumbledore, pode ser alvo de um ataque de bruxos das trevas.
Ao acabarem de ler a notícia, os três amigos se entreolharam. Nenhum deles falou nada em alguns segundos, até que Hermione disse:
- Ele retornou... Agora de vez. Recomeçaram os ataques.
- Harry, você corre perigo. Você-sabe-quem, com certeza vai tentar atacar você.- falou Rony.
- Mas não com Dumbledore aqui, não é?- Rony e Hermione não responderam- Não é?- repetiu Harry.
- É.- retrucou Rony, incerto.
Nos dias que se seguiram, mais notícias de mais marcas negras, infelizmente, apareceram. Aurores já estavam sendo recrutados e patrulhando as ruas. Todos tinham medo... Medo de que retornasse o tempo onde qualquer um podia ser a próxima vítima, a época onde bruxos matavam sem motivo, a era onde o mal reinava, onde você não podia saber se estava vivo amanhã. Todos torciam para que fosse apenas alguns dos antigos bruxos-das-trevas que resolveram voltar para se divertir e que os aurores já dariam cabo deles e isso teria fim rapidamente. Mas Harry sabia que não seria assim, sabia que Voldemort tramava alguma coisa. O Lorde das Trevas ainda não estava cem por cento recuperado. O menino sabia que ele tentaria ser mais forte, sabia que tentaria derrotar Dumbledore, sabia que tentaria se vingar.
Os treinos de quadribol tornavam-se cada vez mais monótonos. Harry bolara uma tática com a ajuda do manual do capitão. Usara a velha e boa 1-1-1( formação em que um artilheiro fica na defesa, um no centro do campo e o outro na pequena área, só esperando que a bola seja tocada para ele). O felizardo artilheiro que ficou de "vampiro" (expressão utilizada para denominar o artilheiro que não sai da pequena área. Só recebe a goles e manda para os aros, "chupa sangue" dos outros jogadores), foi Antônio Staning, um menino do quarto ano que surpreendeu a todos com a força com que ele arremessava a goles, uma tremenda bomba. Otávio, o novo goleiro, não defendia quase nenhuma das goles que Staning arremessava.
A novidade mesmo, foi quando Dumbledore, com um ar meio desanimado, apresentou novos freqüentadores da escola em um café da manhã:
- Prezados alunos, vocês sabem que o mundo vem passando por momentos difíceis, portanto irei apresentar agora...
- Eu sou Tadeu Bravo- disse um homem, interrompendo, totalmente, o discurso de Dumbledore- atual Ministro da Defesa. Vim com estes dois aurores à Hogwarts, a mando do Ministro da Magia, com o intuito de protegê-los.
O diretor da escola fez cara feia. Estava parecendo que o Ministro não confiava em Dumbledore para guardar Hogwarts. Bravo era um homem bem magro, chegava a ser esquelético. Seu olhar, e uma pinta no lado esquerdo da boca, o faziam parecer um homem bem nojento e egocêntrico. Enquanto falava, seus olhos percorriam todos, qualquer detalhe.
- Vocês já devem ter lido em jornais sobre os ataques que estão ocorrendo. Estou aqui para evitar que qualquer um aconteça dentro desta escola. Para isso, terei que tomar certas medidas... Primeiro, eu gostaria de saber quem é Harry Potter.
Harry levantou trêmulo.
- Sou eu- disse. O garoto pôde ouvir Draco gargalhar, meio que forçadamente, na mesa da Sonserina.
- Certo.- falou Tadeu, encarando Harry nos olhos. O ministro da defesa ficou pensativo por alguns instantes, e concluiu- Depois falarei com o senhor à sós. Acho que agora seria sensato revistar a cada um dos alunos.- comentários de desagrado surgiram- Fiquem de pé que estes homens irão passar por vocês.
Dumbledore se retirou bruscamente do salão principal. Parecia revoltado. Aos poucos, os alunos foram sendo revistados pelos aurores .
- Inútil!- disse Fred à Potter- O quê esse alucinado pensa que vai encontrar com os alunos? Uma bomba?
Mas Harry não prestou atenção no comentário dele. Estava com a atenção voltada para outra coisa: Neville Longbottom estava com a mão no rosto. Parecia estar chorando.
- O quê é isso?- rugiu o homem que acabara de revistar Fred e encontrara uma bomba de bosta. O gêmeo ficou perplexo.- Vou ter que mostrar isso ao ministro, garoto.
O homem levou Fred a Tadeu Bravo. Não muito tempo levou para que Bravo gritasse a todos que coisas daquele tipo estavam terminantemente proibidas. Fred voltou imitando, ironicamente, as palavras do ministro da defesa para o auror: " Fique de olho neste garoto. Se ele carrega bombas de bosta, pode muito bem carregar coisas que apresentam perigo para a humanidade. Acho que uma detençãozinha vai ensinar-lhe a agir de modo certo."
Quando estavam indo buscar os materiais para as aulas, Harry e Hermione foram conversar com Longbottom, que estava falando com Gina:
- E aí Neville?- disse Mione.
- Olá. Preciso ir!- respondeu o menino e saiu correndo. Ele estava com a cara bem inchada e parecia que ia chorar mais.
- O que houve com ele?- indagou Harry a Gina.
- Acho que não posso contar... É um segredo dele.- gabou-se a menina. Depois do último Baile de Inverno, Neville e Gina pareciam ter se tornado grandes amigos.
- Ele estava chorando porque lembrou que Voldemort matou seus pais, não foi.
Gina pareceu ter engasgado e Hermione olhou muito feio para o garoto.
- C-c-como sabe!?- gaguejou a caçula dos Weasley.
Harry reparou que havia cometido uma mancada. Não soube o que dizer. A primeira coisa que deu na cabeça foi:
- Eh... Eu estava brincando.
- Péssima brincadeira.- advertiu Gina- Mas tudo bem, não consigo esconder nada de você. Você-Sabe-Quem matou os pais dele. Desde então ele mora com a avó. Com essa história toda, lembrou-se do fato.
- Eu sei como é isso.- sussurrou Potter. Harry lembrou que a mesma coisa acontecera com ele. Por um momento, quase fez a mesma que Neville: chorar pela morte dos pais.
Naquele dia, Neville não foi a nenhuma aula.
Fred tinha razão. Tadeu Bravo era mesmo um obcecado. Fazia rondas o tempo inteiro pelo colégio e parecia ter só um intuito: tirar pontos. Observava os mínimos detalhes. Chegou ao cúmulo de tirar cinco pontos da Corvinal por um aluno da casa estar com os sapatos desamarrados.
Foi numa dessas rondas, no fim do dia, que ele chamou Harry.
- Potter, venha cá preciso falar-lhe.
O menino seguiu o ministro até uma sala de aula vazia, Dumbledore estava lá.
- Olá!- disse o diretor.
- Oi.- respondeu Harry.
- Muito bem.- adiantou-se Bravo- Há alguns meses atrás, você presenciou a morte de um garoto, não foi Potter?
- Sim.
- Você tem certeza que viu Aquele-que-não-deve-ser-nomeado?
- Confirme a ele que Voldemort ressurgiu.- resumiu Alvo.
- Sim, sim. Eu VI. Voldemort ressurgiu.- afirmou o garoto com convicção.
Tadeu arregalou os olhos:
- Você parece falar isso sem nenhum medo, menino.- O ministro estava errado, apesar da expressão calma no rosto de Harry, por dentro ele tinha muito medo.- Você se acha capaz de derrotar Você-Sabe-Quem? Só porque teve sorte nas outras vezes?- o menino pôde ver Dumbledore olhar para o teto- Ora, Potter, você é muito ingênuo sabia? Ninguém é capaz de vencer o Lorde das Trevas.- Bravo fez uma pausa e continuou- Acho que posso falar com Fudge. Obrigado, Alvo. E mais uma vez, não se meta nisso. Seu dever é dirigir Hogwarts, apenas isto.
Dumbledore se levantou, deu uma piscadela para Harry, e deixou os dois a sós.
- Menino, você sabe que corre perigo, não? Perigo verdadeiro. Já que voltou, Você-Sabe-Quem vai tentar se tornar cada vez mais poderoso, vai matar trouxas e todos os bruxos que se opõem a ele, como na última vez. Mas agora, ele terá mais um objetivo: Vingar-se, matar você.- O ministro falou aquilo tão friamente, que chegou a dar frio na barriga e uma ligeira dor na cicatriz, em Harry- E, ele só vai conseguir isso se entrar em Hogwarts. Por isso, sua tentativa de penetração, aqui está quase certa. Ou então, ele vai tentar te tirar daqui. Por isso, esse ano você está proibido de sair de Hogwarts. Bem como, fazer qualquer coisa que chame atenção.
O menino não gostou nada do que ouviu e tocou num ponto crucial:
- Mas eu vou poder jogar quadribol, não vou?
- É claro que não.- proibiu Bravo- Eu aqui tratando de sua segurança e você aí pensando em se divertir? Se enxergue. Bom é só isso, agora tenho que falar com Fudge. Iremos trazer dementadores para cá.
Harry raciocinou. Ele sabia que Voldemort tinha tomado Azkaban. Os dementadores estavam do seu lado. Era loucura trazê-los a Hogwarts. Isso se juntou com a raiva que o garoto estava de Tadeu Bravo.
- Olha aqui, os dementadores estão do lado de Voldemort. É isso que ele quer. Azkaban é dele agora. Não faça isso.
- Preste atenção, não me venha com isso. Dumbledore me disse a mesma coisa. Um garoto como você não deve se meter em coisas assim. Para provar que não existe nada disso, eu vou amanhã fazer uma visita a Azkaban com o Ministro da Magia.
- Você quer morrer? É mesmo um maluco! Pois vá. E olha aqui, só faltam dois dias para a partida contra a Corvinal e você não vai me proibir de jogar, entendeu?- gritou Harry, sem medir as conseqüências.
- Pois bem.- disse Tadeu indignado- Você vai jogar seu quadribol, mais saiba que já está de detenção, seu moleque!
Tadeu Bravo saiu, realmente bravo da sala, e fechou a porta com muita força.

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