Convencendo a si mesmo



Capítulo 3



Ministério da Magia

Harry passou distraído pelos corredores, sem cumprimentar ninguém, até a sua sala.

O Ministério continuava o mesmo. Um amontoado de pessoas andando apressadas e preocupadas, outras chegando a cada minuto pelas lareiras; papéis voando, chefes gritando, e bilhetes e documentos por todos os lados. Um ambiente um tanto “aconchegante” para um dia normal de trabalho.

Harry Potter era o chefe dos aurores. O chefe geral, pois ainda havia vários que se especializavam em uma determinada área.

Como sempre dizia: “Quanto maior o cargo, maiores os problemas”.

Ele nunca entendeu como conseguira chegar até aquele posto, já que não se interessava mais pelas coisas da vida, depois que ela...

Talvez tenha sido por causa de seu poder, principalmente depois de ter derrotado Voldemort, em seu último ano. Ou talvez tenha sido por causa de todo o ódio e raiva que armazenava em seu coração. Pensar que fora trocado por um filho de um comensal! Era demais para ele.

Tentava não pensar muito nisso, mas às vezes era impossível, principalmente nos momentos de solidão.

Tivera muitas namoradas depois de Gina, mas não era a mesma coisa. Não havia mais o mesmo sentimento, o mesmo amor. Ele não era mais o mesmo.

E nas últimas semanas ele se tornara muito mais frio e distante do que antes. A carta de Gina o abalara. Ele ainda não acreditava em tudo o que ela havia dito. Não era desse jeito. Ele não se importava com o ponto de vista dela. Ele que estava certo e ponto final.

Balançou a cabeça, saindo da névoa de pensamentos e entrou em sua sala.

Sua sala era grande, claro, ele era o chefe! Havia uma mesa extensa ao centro e prateleiras por toda a volta; onde se encontravam livros e arquivos, todos desorganizados e misturados. Mas ele gostava das coisas desse modo, conseguia achar qualquer papel que fosse naquela bagunça, mas se fossem organizados em ordem alfabética, provavelmente ele se perderia e desarrumaria tudo novamente.

Tirou seu paletó preto e o estava pendurando quando a porta se abriu e seu sorridente amigo de trabalho, o chefe de defesa, entrou.

- Olá, Harry! Achei que não viria mais! Três semanas é um bom descanso, não? Você não respondeu minhas cartas, comecei a ficar preocupado e Hermione... – o ruivo parou de falar ao ver a expressão no rosto de Harry – Você está bem? – ele preocupou-se.

- Claro, Rony. Estou ótimo. – e forçou um sorriso irônico.

- Sério? – ele entrou na brincadeira, mas ainda estava angustiado pelo amigo.

- Não. – confessou o moreno suspirando.

- Harry, eu não sei o que está acontecendo com você, mas você precisa se recuperar. Eu sei que digo isso há anos, desde o tempo da escola, mas, por favor, tente esquecer. Além do mais...você precisará estar muito bem, porque mais problemas virão. – e o ruivo fechou o cenho.

- Como assim? – perguntou Harry ansioso – Mais ataques de comensais? Ou os gigantes se rebelaram de novo? Mais outro ataque de dementadores? Conta logo, Rony!

- Não. Muito pior. – o ruivo fez um ar de suspense.

- Um novo líder? O que? O que? – Harry começou a ficar vermelho de nervoso, e o ruivo quase ria da situação.

- Não é nada disso, Harry, acalme-se.

Harry estava desesperado, a última coisa que queria era que tudo pelo o que sempre lutara voltasse à tona novamente.

- O problema é a Gina. – Harry suspirou aliviado e olhou cinicamente para o amigo.

- Isso não me interessa. – respondeu, mentindo para si mesmo, e dizendo isso, andou em direção a mesa e começou a arrumar alguns papéis.

- Ah, interessa, sim. – disse Rony não se importando com o fato de Harry o deixar falando sozinho – De acordo com Malfoy, Gina saiu de casa assim que leu a sua carta. Ela está na casa da minha mãe agora, e não sairá de lá muito cedo. Ela quer falar com você e só sairá de lá depois que fizer isso.

- Que pena. Vai ficar lá a vida toda. – o moreno disse soltando um riso irônico, que deixou o ruivo irritado.

- Não seja bobo, Harry. Eu estou falando sério. Minha irmã está acabando com um casamento de 3 anos, que demorou 2 só para acontecer. Ou você não lembra que todo mundo era contra a relação deles? Claro, não que eu seja a favor hoje, mas eu os respeito, porque eu sei que eles se amam. Tente esquecê-la. – aconselhou o amigo.

- Eu não vou vê-la. – respondeu prontamente.

- Vá lá amanhã! – Rony disse como se terminasse a conversa e continuou em tom de brincadeira – Preciso voltar ao trabalho antes que meu chefe chato – e rui para Harry – comece a pegar no meu pé!

Rony piscou com um olho antes de fechar a porta e deixar Harry falando sozinho, e este último bufou antes de começar a trabalhar finalmente.




Ele não queria vê-la. E não faria isso de jeito nenhum! Ninguém o obrigaria! Já estava decidido.

E, absorto em seus pensamentos começou a trabalhar e só parou quando todo o andar estava vazio.

Guardou alguns papéis na sua maleta - resolveria aquilo mais tarde – pegou seu paletó e, quando abriu a porta, pronto para sair, viu quem se encontrava do outro lado.

“Droga o que ele está fazendo aqui?” – pensou mal-humorado.

- Posso falar com você, Potter? – perguntou naquela voz séria e arrastada de sempre. Draco Malfoy. Seu inimigo, ou melhor, seu MAIOR inimigo. O cara que mais odiava na sua vida. O garoto que roubara sua Gina.

Draco era mais alto que Harry, desde o quinto ano. Tornou-se espião de Dumbledore no seu sétimo ano, e graças a ele, Harry pôde derrotar Voldemort.

Draco agora era o chefe das relações exteriores. Conhecia a tudo e a todos. Convencia as pessoas para seu próprio bem estar, dava conselhos políticos e pessoais, facilitava a parte burocrática, e era também, para espanto de muitos, inclusive Harry, amigo íntimo do Ministro da Magia inglês, já que este era seu sogro.

Harry respirou profundamente, antes de responder.

- Sinto muito, mas eu estava de saída e... – Harry disse sem olhar muito para Draco, tentando passar pela porta, que era inteiramente coberta pelo loiro.

- Por que você não esquece a Gina? – Draco estava decidido a continuar a conversa e assim que acabou a pergunta Harry mudou a expressão de seu rosto e fitou os olhos de Draco.

Harry apenas suspirou cinicamente, olhando para Draco como se ele não tivesse culpa da esposa o ter largado, fazendo com que o marido de Gina se irritasse. O loiro pegou Harry pelo colarinho e o empurrou até a parede.

“Boa idéia Harry!“ – o próprio pensou isso enquanto sentia as costas doerem com o efeito da pancada. Draco não estava disposto a uma conversa civilizada, muito menos às brincadeiras cínicas de Harry.

Com o baque, Harry deixou sua pasta cair ao chão e todos os seus papéis se espalharam pelo chão.

- Por que você não a esquece, hein? – Draco bateu Harry mais uma vez a parede e continuou – E nos deixa em paz?

- Antes de tudo, - Harry disse não se importando com a dor e a raiva que invadia sua mente. Poderia matá-lo agora se quisesse, mas mesmo assim não o fez, Draco ainda teria que sofrer tudo o que ele sofreu, mesmo que a idéia inicial da carta tenho sido para fazer Gina sofrer, ele estava satisfeito com o resultado. E continuou – tire suas mãos da minha blusa, e assim poderemos conversar como pessoas normais. – ele deixou um sorriso maroto no canto dos lábios aparecer assim que terminou.

- Eu não sou um cara normal, Potter. E você também não. – Draco sorriu como um doente. Ele estava desesperado, no ponto de vista de Harry.

- Eu não tenho culpa se ela cansou de você, Malfoy. – Harry balançou a cabeça enquanto sorria, e empurrou Draco para longe enquanto levantava seu olhar irritado. – E para a sua informação – ele apontava o dedo indicador na cara do loiro, que fora empurrado para cima da mesa – eu já a esqueci. – ele cruzou os braços – A carta dizia isso. – ele tentava convencer a si mesmo mais uma vez.

- Mentira! – loiro gritava – Eu lia carta!

- Que ótimo! – Harry acompanhou a gritaria – Todo mundo leu a minha carta! Era uma coisa um pouco íntima, mas fazer o que, não é? – sua raiva saia de todos os poros de seu corpo, e seus olhos verdes tomaram uma coloração avermelhada.

- Não tenho culpa! – ele gritava, mas então abaixou o tom de voz, e com um sorriso continuou – Ela deixou a carta em cima da mesa, quem queria ver, viu. – e antes que Harry continuasse voltou ao assunto principal – De qualquer forma! Você ainda se acaba de amores por ela, Potter! Você é doente! Há seis anos você começou a morrer, e aos poucos. Você perde um pouco de você mesmo por dia. E eu juro que se ela não voltar para mim, Potter, a sua vida acaba de uma vez!

Harry nunca vira Draco naquele estado. Seu cabelo estava despenteado, e seus olhos cinzas, estavam quase pretos. Ele falava de uma forma estranha e parecia que ia pular no pescoço de Harry a qualquer momento.

- E o que você realmente espera que eu faça? – Harry continuou irônico – Implore para que ela volte para você? – ele quase ria do desespero do loiro.

- Boa idéia! – Draco aproximou-se com uma expressão mais aliviada.

- O que? – Harry não acreditava no que estava ouvindo – Eu não vou fazer isso! – ele zombou, girando os olhos.

Mas Draco não lhe dava ouvidos e já se aproximava da porta, bem na frente de Harry quando finalizou a conversa.

- Você tem três dias, entendeu? Três dias para desfazer o estrago que fez! – e por fim, aparatou.




“Ótimo! Agora eu preciso ir falar com ela, porque o Draquinho quer! Eu não vou falar com ela!” pensou Harry, mais uma vez, a mesma coisa que pensara o dia todo, tentando se conformar de que não correria atrás dela, enquanto entrava em casa. Tirou o paletó e jogou seus pertences no pequeno sofá, enquanto andava em direção ao quarto.

“Eu esperei três anos para que ela viesse atrás! Eu não vou atrás dela depois de três semanas!” continuava a falar sozinho enquanto entrava no quarto e alimentava Edwiges, com um mal-humor que foi notado pela coruja, e ainda continuou quando voltou a sala.

Ainda tentando convencer a si mesmo de que não queria vê-la, foi interrompido pela entrada de uma coruja marrom e pomposa.

Era Meg, a coruja de Hermione. Harry desamarrou a carta da pata da coruja e ela se foi rapidamente.

“Hermione não quer resposta. Provavelmente é uma bronca, ou algo do tipo.” Ele bufou e começou a ler a carta.

E logo descobriu que não era uma bronca.



“Harry,

Preciso lhe avisar que Draco está furioso atrás de você, então tome culdado!



‘Um pouco tarde, não é Hermione?’ pensou irônico.



Eu sei que Rony foi conversar com você, mas ele não te convenceu. Harry, preste atenção, eu preciso que você venha ver a Gina.



‘E mais uma vez, a frase que não quer calar. A ambição de toda a nação. Se mais alguém me pedir isso hoje...’



Eu estou aqui com ela, na casa de Molly. Harry, por favor, ela precisa de você!



‘E vai continuar precisando’ bufou enquanto lia impaciente.



Não sei se você sabe, talvez o Rony não tenha contado, mas Gina está doente.



‘Harry ficou pálido’



E eu creio que seja grave.

Bem, o aviso foi dado. Estamos lhe esperando.



Ansiosamente,



Hermione Weasley.




Gina estava doente. Ele precisava vê-la, não poderia perdê-la de novo. Dessa vez não!

Vestiu o casaco e partiu

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