A vidente



Penélope não conseguiu dormir na noite da chegada de seu aniversário de dezoito anos. Depois de uma longa espera, mal podia acreditar que finalmente chegara o dia tão esperado: o dia em que Percy Weasley se tornaria oficialmente o seu namorado – porque até ali ela estava se sentindo uma criminosa, só pelo fato de ter que esconder tudo de seu pai.


O Sr. Clearwater não andava muito bem ultimamente; desde a desclassificação da Inglaterra, ele não falava em outro assunto a não ser o próprio trabalho, e cancelara as entradas que havia comprado para assistir à final da Copa do Mundo que se realizaria no dia seguinte, entre Irlanda e Bulgária. Por isso, Penny precisava prepará-lo da melhor maneira possível para lhe contar o segredo que vinha escondendo dele havia dois anos. Como era domingo e a família se levantava um pouco mais tarde, ela foi a primeira a acordar e foi direto para a cozinha para preparar o café da manhã. Até o momento, a garota tinha se revelado um desastre nos feitiços domésticos, mas, naquele dia, até preparar um chá se tornou uma tarefa extremamente complicada.


- Bom dia, família! – Exclamou Ben ao descer as escadas, fazendo Penny derrubar no chão a chaleira cheia de água que suspendia com a varinha.


- Precisa desse escândalo todo? – Irritou-se ela. – Olha só o que você fez! Vou ter que limpar isso agora...


Ela ergueu a varinha num movimento circular, mas desequilibrou-se na água e caiu estatelada, soltando um grito agudo.


- Posso saber que barulheira é essa? – Questionou o Sr. Clearwater, amarrando o roupão ao aparecer.


- Eu só falei bom dia; foi a Penny que fez essa lambança toda – justificou-se Ben.


- Isso não teria acontecido se você não tivesse me assustado – rebateu Penny, levantando-se com a parte de trás da calça toda encharcada.


- Ei, já vão começar? – Interferiu o Sr. Clearwater. – Os dois vão limpar a bagunça, sem magia. E nada de “mas”; quero que trabalhem em equipe.


Ben saiu resmungando; Penny pegou um pano de cima da pia e começou a limpar a calça.


- Eu sinto muito, pai – desculpou-se ela. – Eu só quis fazer o meu melhor...


- Não precisa se desculpar filha – disse o Sr. Clearwater. – Hoje é seu aniversário de dezoito anos; quero que tenha o melhor dia de todos. Vamos almoçar fora.


A garota contraiu os lábios por um instante.


- Sabe o que é, pai? Eu combinei de sair com uns amigos mais tarde, então eu preferia que pudéssemos almoçar aqui mesmo, se não se importar...


O Sr. Clearwater lhe lançou um olhar pelo canto dos olhos


- Uns amigos? – Questionou ele. – E por acaso eu conheço esses amigos?


- São... uns amigos de Hogwarts, pai – defendeu-se Penny, meio desajeitada.


O Sr. Clearwater acenou com a cabeça, subiu para o quarto para trocar de roupa e voltou para tomar o café da manhã. Penny sabia que aquele ciúme de pai superprotetor só piorava as coisas; não gostava nem de imaginar a reação que ele teria quando lhe contasse a verdade.


Depois do café, o Sr. Clearwater foi para a sala e passou a folhear as páginas do Profeta Diário, dobrando-o com toda a elegância que ele merecia, enquanto Penny e Ben limpavam a bagunça que tinham feito.


- Não sei se o papai vai gostar desses seus amigos – alfinetou o garoto.


- Não enche, moleque – retrucou Penny. – Ele nem vai se importar quando.... Quer saber de uma coisa? Não tenho que dar satisfações a você. Cedo ou tarde vocês irão se surpreender.


Depois do almoço, que incluía macarronada ao molho de tomate e ervilhas, veio uma surpresa; o Sr. Clearwater, do nada, conjurou uma belíssima caixa de presentes, que Penny abriu, completamente maravilhada com o que havia dentro: um par de sandálias de salto alto, cravejadas de pedrinhas brilhantes nos calcanhares.


- Bom, sei que toda mulher gosta de sapatos e, como você vai começar a me acompanhar nos eventos, imaginei que precisasse de sapatos novos...


- São lindos, pai – agradeceu Penny, encantada. – Então, já está quase na hora, vou subir para o meu quarto para, você sabe, me arrumar...


Ela subiu as escadas com pressa e se trancou em seu quarto, colocou as mãos sobre a porta e passou alguns minutos fitando o seu rosto no espelho em frente, imóvel. Sua vida estava prestes a mudar... ou não; ela estava apenas apresentando um namorado ao seu pai, não era como se ela estivesse saindo de casa ou coisa parecida. Por que tinha que ser tão difícil? Abriu o guarda-roupa; não sabia o que vestir. Não sabia nem para onde Percy a levaria. A campainha tocou; o rapaz acabara de chegar, só podia ser. Penny fechou os olhos com força; devia descer para recebê-lo? Ela não se sentiu encorajada; jamais falara sobre esse assunto com o pai – tinha um pouco de vergonha de contar a ele que estava namorando... Se tivesse sorte, quando descesse para a sala de estar Percy já teria contado a novidade... Ela escolheu um vestido floral azul casualmente elegante e discreto, que combinava perfeitamente com os sapatos de salto alto que acabara de ganhar...


Alguém bateu na porta de seu quarto. Penny abriu; era o seu irmão.


- Adivinha quem veio para jantar? – Disse o garoto com ironia.


- Ele não vai jantar seu tonto. Nós vamos sair.


- Eu iria lá, se fosse você...


- Nem adianta vir com essa – disse Penny. – Eu sei o que está acontecendo aqui; você quer que eu pense que alguma coisa deu errada e saia desesperada igual a uma louca, mas saiba você que a minha única preocupação neste momento é se devo ou não usar os sapatos de salto alto que o papai me deu; não quero parecer mais alta que o Percy. A propósito – Penny reparou – você é mais alto do que eu! Quando isso aconteceu? Não pode, eu sou mais velha! Venha até aqui.


O garoto se aproximou e Penny comparou a sua altura à do irmão; de salto alto, os dois ficavam exatamente do mesmo tamanho.


- Vou precisar de você por um instante – disse Penny. – É pela última vez, garanto. É só você ir até lá e, discretamente, comparar o seu tamanho ao do Percy, só para eu saber se posso ir com salto alto ou se devo usar um sapato mais baixo...


- Já fiz isso – informou Ben. – Na hora em que o cumprimentei quando ele chegou.


- Ótimo. E o que me diz?


O garoto fez uma cara séria e respondeu:


- Vá descalça.


- Não sei por que eu perco o meu tempo falando com você – pestanejou Penny. Por precaução, escolheu um par de sapatos de salto mais baixo.


Ela desceu as escadas e encontrou Percy sentado no sofá, segurando umas flores. O rapaz se levantou instantaneamente quando a viu; o Sr. Clearwater fez a mesma coisa.


- Vamos então? – Disse Percy apressado.


- Divirtam-se – disse o Sr. Clearwater de cara amarrada.


Eles saíram e foram andando até a praça central, onde Percy parou, contemplando o vilarejo ao redor.


- Eu sempre quis conhecer este lugar; o berço de Godrico Griffindor – disse ele, animado. – O café local parece agradável, o que me diz?


Penny consentiu com um sorriso e eles atravessaram a praça em direção ao Café. Ouvindo fragmentos de risos e música pop, acomodaram-se no reservado e começaram a olhar o cardápio; Penny não conseguiu mais segurar a curiosidade de perguntar:


- E como foi a conversa com o meu pai?


- Foi bem produtiva – informou Percy. – Ele me perguntou o que eu fazia, então expliquei a ele um pouco sobre o meu trabalho no Departamento de Cooperação Internacional em Magia; estamos tentando padronizar a espessura dos caldeirões, há muitas peças importadas que são um pouco finas, os furos têm aumentado à razão de três por cento ao ano...


- Sim, mas, e quanto àquela nossa conversa...


- Na verdade, não cheguei a comentar sobre isso – desconversou Percy. – Achei que você ficaria lá comigo, para falarmos com o seu pai.


Penny corou levemente.


- Bom, eu pensei que... não sei; talvez você ficasse mais à vontade se...


- À vontade, como? – Questionou Percy. – Por mais que o meu trabalho no ministério seja de suma importância, ainda não chega à altura do cargo de presidente do Gringotes...


- Mas que bobagem! – Rebateu a garota, incrédula. – Quando é que você vai parar com isso?


Ela olhou para o rapaz, que agora parecia bem diferente daquele que ela namorou em Hogwarts, e descobriu que estava começando a perder a paciência com ele.


- Penny, eu sinto muito, mas receio que você não entenda – disse Percy. – O meu trabalho está exigindo muito de mim ultimamente, tenho muito com o que me preocupar no meu departamento; você acredita que já temos outro evento para organizar logo depois da Copa? É um evento ultrassecreto que vai acontecer em Hogwarts, só quem está envolvido tem acesso às informações...


- Você prometeu que falaria com ele assim que conseguisse o emprego – irritou-se Penny. – E agora, de quanto mais tempo você precisa?


- É isso o que eu estou tentando dizer – desabafou Percy. – É muita responsabilidade para mim, não tenho tempo para me dedicar a você agora...


Penny inspirou profundamente e prendeu a respiração por um instante antes de falar:


- Estou sendo pesada demais para você, é isso?


- Eu só estou pedindo um pouco mais de paciência – explicou Percy. – É difícil para mim; namorar a filha do presidente do Gringotes é uma responsabilidade grande demais para eu assumir no momento e...


- Não era tão difícil assim quando a gente estudava em Hogwarts – retorquiu Penny. – Como você pode ter mudado tanto?


- Foram as minhas prioridades que mudaram, preciso dar um passo de cada vez; eu prometi ao Sr. Crouch que aprontaria o relatório sobre os caldeirões até a próxima terça-feira e tenho me dedicado...


Penny olhou para o rapaz, incrédula, e foi tomada por uma onda de ódio.


- Vai Percy, mudar o mundo com esse seu relatório idiota – explodiu ela. – Espero que saia na primeira página no Profeta Diário, caldeirões vazam!


Ela se levantou e foi embora, deixando Percy sozinho no Café. Voltou para casa e abriu a porta da sala de estar; o Sr. Clearwater continuava sentado no lugar onde estava antes dela sair. Embora estranhasse o fato de a filha ter voltado tão cedo, não perdeu a oportunidade de começar o interrogatório:


- E então? – Disse ele cruzando os braços. – O que tem a me dizer sobre esse rapaz?


Penny fechou a porta devagar, tomou fôlego, contraiu os lábios e choramingou.


- Ele terminou comigo...


E largou-se no sofá, desatando a chorar de vez.


- Tão rápido? – Estranhou o Sr. Clearwater. – Há quanto tempo vocês vêm se encontrando?


Penny engoliu os soluços. Não era certo mentir mais uma vez.


- Dois anos – ela disse baixinho.


- Dois anos? – Bradou o Sr. Clearwater; Ben se levantou do sofá, deu meia-volta e subiu para o seu quarto. – Por que nunca me disse nada?


Penny não conseguiu responder; apenas fechou os olhos e abaixou a cabeça.


- Eu jamais podia esperar uma coisa dessas de você! – Exclamou o Sr. Clearwater com veemência. – Esconder um fato tão grave de mim por tanto tempo; como quer que eu tenha confiança em você daqui para a frente? Quando me disse que iria ficar um ano em casa estudando, não imaginei que iria perder tempo com garotos! O que você estava pensando, que ia trazê-lo aqui para esta casa enquanto eu estivesse trabalhando?


- Eu jamais faria uma coisa dessas, pai – defendeu-se Penny.


- E quando o seu irmão voltasse para Hogwarts? – Prosseguiu o Sr. Clearwater. – Acha mesmo que poderia trazê-lo aqui para dentro desta casa?


- Não, de forma alguma...


- Penélope, desde o começo eu soube que esse negócio de ficar um ano em casa sem fazer nada não ia dar certo – disse o Sr. Clearwater. – Você devia arrumar um emprego, ocupar a mente com outras coisas, começar a ter responsabilidades... Pensar num relacionamento somente quando estiver com a vida estabilizada! E não ficar arrumando essas encrencas por aí...


- Mas ele não é uma encrenca, pai; é um funcionário do ministério!


- Quer dizer que você pretende mesmo continuar com isso? – Questionou o Sr. Clearwater.


Penny engoliu os soluços... Percy acabara de trocá-la por um relatório, não havia por que o defender...


- Não, pai – respondeu ela com a voz embargada, enxugando os olhos. – O senhor tem razão. Eu vou fazer o que o senhor está falando, vou arrumar um emprego...


- É a melhor coisa que você faz, pelo menos até conseguir passar no teste do Gringotes no ano que vem.


Sem conseguir dizer mais nada, Penny foi para o seu quarto, de onde não saiu mais pelo resto do dia.


 


No dia seguinte, ela não viu a hora em que o seu pai saiu de casa para trabalhar. Estava decidida a ficar trancada em seu quarto o dia inteiro quando percebeu que, quanto mais ficava sozinha, mais pensava no quanto estava magoada com Percy, e isso não lhe fazia bem. A única coisa que a distraía era o som do violão tocado pelo seu irmão no andar de baixo, mas as belas melodias geralmente vinham acompanhadas de letras ridículas. Ele era muito talentoso para tocar, mas de uns tempos para cá o garoto resolvera atacar de compositor e a experiência não estava sendo nada agradável.


Prova disso foi quando ela finalmente resolveu descer para tomar o café da manhã, Ben curiosamente passou a inventar uma música que por acaso se chamava Eu te avisei.


- Quer parar com isso, você também? – Irritou-se Penny.


- Está bom, eu posso tocar essa outra aqui que acabei de compor: Não, não chore mais...


- Não precisa nem ser trouxa para saber que essa música já existe – informou Penny.


- Que droga! – Pestanejou Ben. – Hoje o dia está sendo difícil para mim; geralmente isso não acontece...


- Difícil para você? – Disparou Penny. – Nada deu certo para mim desde que acabaram as aulas! Não consegui o emprego no Gringotes, o Percy me dispensou.... Eu confiei nele, achei que ele fosse me escutar, que fosse ficar comigo, mas ele foi tão estúpido, tão egoísta.... Você quer parar de tocar esse violão?


- Desculpe – disse Ben, e repousou o violão sobre o colo – só achei que era boa ideia para uma música...


- Eu tinha planejado ficar em casa estudando, mas agora o papai não quer que eu faça isso porque ele não confia mais em mim. Vou ter que arrumar um emprego e não sei por onde começar...


- Vá ao Profeta Diário – sugeriu Ben. – Eu não falei que eles estão precisando de uma recepcionista?


- E desde quando você fala coisa com coisa? – Disparou Penny. – É tão burro que não percebe que a Rita só inventou isso para manter o papai por perto? Ou o que você acha que ela quis dizer com “o solteiro mais cobiçado da Grã-Bretanha”? É melhor eu sair, viu, e tentar resolver a minha vida, vai que é contagioso...


Ela se dirigiu à lareira, apanhou uma pitada de Pó de Flu e o atirou no fogo; com um rugido, as chamas ficaram verde-esmeralda e mais altas, então Penny entrou nelas e ordenou: “Beco Diagonal”.


Estava tão irritada que saiu no Caldeirão Furado e foi andando pelo Beco, sem se atentar a nada especificamente. Parou em frente ao Gringotes e suspirou; o emprego dos sonhos, que estivera tão perto de conseguir...


Além do Banco, o Beco também comportava lojas, todas as variedades de lojas de magia mais fascinantes do mundo, que excepcionalmente se encontravam todas fechadas; àquela altura, todos já haviam rumado para a final da Copa Mundial de Quadribol, e hoje o Beco Diagonal podia muito bem ser comparado a uma rua deserta... A não ser por uma velha bruxa baixinha de aspecto estranho, que veio se aproximando de Penny com os olhos arregalados, admirando-a como se ela fosse feita de ouro maciço. A bruxa parou diante dela e falou:


- Estou sentindo uma vibração muito forte vinda de você! A sua aura vibrante implora que eu lhe mostre o que acontecerá em seu futuro!


Penny a olhou com receio; a vidente segurou a sua mão direita, fechou os olhos e começou a falar:


- Eu vejo... os sapatos de seu pai... Também vejo espuma em seus cabelos...


- Está explicado por que a senhora dá consultas de graça para as pessoas – disse a garota tentando soltar a mão da bruxa.


Mas a vidente a puxou de volta com firmeza. Ainda com os olhos fechados, tornou a falar:


- Eu vejo que, quando isso acontecer, as forças do destino a unirão àquele que será seu para sempre!


- Espera aí – disse Penny, soltando a mão de uma vez – Eu acabei de terminar um relacionamento e não quero nada com ninguém agora.


- Acha que pode controlar as forças do destino? – A vidente levantou a voz com força.


- Que seja – disse Penny sem interesse. – Não foi nada disso que vim fazer aqui; parece que hoje não é mesmo o meu dia.


A vidente olhou fixamente para Penny, depois encheu os pulmões de ar e disse:


- O que procura está logo à sua frente.


Sem entender, a garota ergueu os olhos e olhou por cima da cabeça da bruxa. Às costas dela, estava a sede do Profeta Diário, um estabelecimento azul e branco com uma pequena escadaria de pedras na entrada. Quando procurou pela bruxa, reparou que ela havia sumido, e não estava em lugar algum.


Penny balançou a cabeça, atordoada.... Por pior que fosse admitir isso, o emprego estava ali, esperando por ela, bastava ela se apresentar. Nem que fosse só para arrumar um jeito de se desculpar com o seu pai.... Porque ela nem sabia se teria coragem de olhar para a cara dele quando voltasse para casa sem uma notícia satisfatória.


Era isso. Ela tomou fôlego e foi caminhando até o final da rua, onde alcançou a pequena escadaria de pedras brancas que davam acesso ao salão principal da redação do jornal. Penny subiu, chegou ao salão e deparou-se com um senhor atrás do balcão, impaciente, com cara de muito trabalho e poucos amigos.


- Com licença – embaralhou-se Penny, desejando que Rita aparecesse do nada naquele momento como fizera na primeira vez que a viu –, eu, bom, vim a pedido da Rita Skeeter; sou Penélope Clearwater...


- Clearwater? – Disse o homem, interessado. – Filha de David Clearwater, presidente do Gringotes? Muito prazer, eu sou Barnabás Cuffe, o editor. Rita me falou sobre você. Se veio pela vaga de recepcionista, saiba que será uma honra ter alguém como você trabalhando conosco; já pode começar amanhã, se quiser.


- Muito obrigada, Sr. Cuffe – disse Penny atônita. – Eu virei amanhã pela manhã então; só preciso avisar a minha família...


E foi embora, sem acreditar no que acabara de acontecer.

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